Mudanças climáticas

15/06/09

Sábado, 13 de Junho de 2009

Conferência de Bonn termina com sinal promissor dos EUA

Pela proposta, países industrializados devem reduzir em 80% suas emissões até 2050

EFE
A conferência sobre mudanças climáticas de Bonn, preparatória da Cúpula de Copenhague que fixará um acordo pós-Kyoto, foi encerrada ontem com sinais promissores, depois que os Estados Unidos apresentaram de surpresa uma proposta para a redução de gases poluentes.

A delegação americana, país que não ratificou o Protocolo de Kyoto, propôs um plano concreto de redução a longo prazo das emissões, que inclui objetivos fixos para os países industrializados e pede também uma contribuição clara das nações em desenvolvimento.

A proposta, ainda em fase de esboço até seu desenvolvimento completo durante a Cúpula de Copenhague, em dezembro, prevê como objetivo a redução de 80% até 2050 para os industrializados. Os países em desenvolvimento, em troca, também devem contribuir para a redução, mas sem estabelecimento de metas. A formulação está longe ainda dos pontos defendidos pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, mas a apresentação de um plano foi recebida pelo seu secretário-geral, o holandês Yvo de Boer, como um sinal de esperança para a reunião da capital dinamarquesa.

De Boer havia recriminado as primeiras sessões em Bonn, que começaram na semana passada com a participação de mais de 4 mil especialistas e foi marcada pela falta de ambição por parte dos países industrializados e emergentes. Até agora, os objetivos defendidos pelos cerca de 30 países industrializados presentes em Bonn, entre eles praticamente toda a União Europeia, partem de uma redução das emissões entre 17% a 26% até 2020.

No entanto, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU defende a necessidade de reduzir as emissões entre 25% e 40% em comparação com os níveis de 1990, como um esforço mínimo para evitar danos maiores ao planeta.

Esses objetivos de redução fazem parte das negociações prévias à Cúpula de Copenhague, concentradas em sessões preparatórias feitas em Bonn e tendo como meta elaborar um acordo para substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2012. De Boer chegou a lamentar a falta de propostas apresentadas até agora, o que, segundo ele, torna ainda mais lentas as negociações.

Anteontem, houve a formulação do Japão, que se limitou a anunciar uma redução de emissões em cerca de 15% em 2020 com respeito aos níveis de 2005. Organizações não governamentais também apresentaram uma proposta de redução de dióxido de carbono.

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terça-feira, 9 de junho de 2009, 17:11

China diz estar comprometida com sucesso de acordo climático

País deu resposta positiva à visita de dois dias a Pequim do enviado do presidente Barack Obama para o clima

AP
PEQUIM – A China afirmou nesta terça-feira, 9, estar comprometida em fazer da reunião de Copenhague contra o aquecimento global deste ano um sucesso, emitindo uma nota positiva ao final da visita de dois dias a Pequim do enviado do presidente Barack Obama para o clima.

O ministro das Relações Exteriores, Qin Gang, deu poucos detalhes e reafirmou a insistência da China nas “responsabilidades comuns mas diferenciadas” sob as quais os países desenvolvidos como os Estados Unidos arcariam com a maior parte da responsabilidade pela redução nas emissões de gases estufa.

No entanto, Qin relatou as conversas entre o enviado de Obama, Todd Stern, e as autoridades chinesas, incluindo o vice-primeiro-ministro, Li Keqiang, como construtivas, possivelmente indicando um momento positivo para um acordo entre as duas nações.

Os dois lados concordaram em “pressionar na reunião de Copenhagen por resultados positivos”, disse Qin.
Até o momento, autoridades norte-americanas falharam em chegar a um consenso com a China para a redução das emissões de carbono. O país rejeitou as propostas dos Estados Unidos e da Austrália para a redução de seus níveis de emissão, negando também as demandas por diminuições em países em desenvolvimento, chamando-as de “pouco realistas”.

Stern não fez nenhum comentário público durante a visita, embora o Secretário Assistente de Energia dos EUA, David Sandalow, tenha dito na segunda-feira, 8, que as conversas foram “frutíferas e produtivas”, enquanto apontou que ainda há pontos a serem superados na agenda climática.

“A China pode e vai precisar fazer muito mais se o mundo vai ter qualquer esperança de conter o aquecimento global”, afirmou.

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Redução de emissões

15/06/09

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Japão anuncia corte de 15% nas emissões de CO2 até 2020

RISA MAEDA E CHISA FUJIOKA – REUTERS

TÓQUIO – O Japão vai reduzir sua emissão de gases causadores do efeito estufa em 15 por cento até 2020 em relação aos níveis de 2005, disse nesta quarta-feira o primeiro-ministro Taro Aso.

O Japão, quinto maior emissor de CO2 do mundo, tem sofrido grande pressão dos países em desenvolvimento para comprometer-se com um novo acordo climático global, e analistas afirmam que a meta anunciada pode não ser suficiente para impulsionar as negociações.

A meta, que exclui a compra de créditos de carbono do exterior, é equivalente a um corte de 8 por cento em relação ao nível das emissões de 1990.

“O plano do primeiro-ministro Aso é horroroso”, disse Kim Carstensen, da ONG ambiental WWF.

“A nova meta de Aso significa que o Japão efetivamente dá às industrias sujas a liberdade para poluir sem limites por oito anos.”

O Partido Democrático, de oposição e que lidera as pesquisas de opinião, disse que o corte de emissões deveria ser de 25 por cento em relação a 1990.

“Muito pouco e muito tarde”, disse o professor Yoshi Murasawa, da Universidade de Tóquio. “Uma redução de 15 por cento das emissões em relação ao nível de 2005 até 2020? Isso é apenas 8,5 por cento de redução do nível de 1990.”

Em dezembro, a ONU vai promover uma discussão climática em Copenhague com o objetivo de selar um novo acordo climático global que substitua o Protocolo de Kyoto a partir de 2013. O anúncio do Japão é considerado um importante sinal das intenções de cortes dos países ricos para combater o aquecimento global.

“Esse compromisso não é forte o bastante”, disse Matthew Clarke, professor da Escola de Política Internacional da Universidade de Deakin, em Melbourne.

“Países como o Japão devem se comprometer a cortes maiores nas emissões se quiserem encorajar os países em desenvolvimento como Índia e China a também fazerem cortes nas suas emissões”, acrescentou.

Alguns viram a meta como um bom sinal.

“Isso é positivo para o setor de energia limpa do Japão, aumentando potencialmente a demanda e ajudando a reforçar a indústria como um todo”, disse Tetsuya Wadaki, analista da Nomura Securities.

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 terça-feira, 9 de junho de 2009

Suécia vai propor imposto europeu sobre emissão de CO2

País assume presidência do bloco em julho; primeiro-ministro diz que taxa é modo eficaz de cortar emissões

Associated Press

BRUXELAS – Quando a Suécia assumir a presidência da União Europeia em julho, insistirá para que os demais membros da UE que imponham um imposto sobre as emissões de gás carbônico, como forma de atingir as metas de redução dos gases causadores do aquecimento global, disse o primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt.

O chefe de governo afirmou que taxar a poluição é a melhor forma de cotar os gases do efeito estufa responsáveis pela mudança climática, e sugeriu que os Estados-membros coordenem a introdução da cobrança, já que a UE não tem poderes de tributação.

“Estou pedindo a eles que introduzam isto no nível de Estado-nação”, disse Reinfeldt. “A taxa de CO2 é uma boa ideia”.

Reinfeldt reconheceu que, embora o imposto possa se mostrar impopular entre os eleitores ou empresários em meio à crise econômica atual, ele sairá mais barato, no longo prazo, ao pressionar a Europa a desenvolver uma economia de baixa emissão.

“Esta é a forma mais eficiente de remodelar a economia num sentido de baixo carbono, porque todas as outras coisas que tenho visto pelo mundo que é usado no lugar do imposto de CO2 é muito mais caro… pressiona muito mais o orçamento”, disse ele a jornalistas.

Reinfeldt foi a Bruxelas para explicar as prioridades que adotará na presidência do bloco europeu. Os países da UE já haviam estudado a ideia de adotar um imposto de CO2, antes de decidirem adotar um sistema de comércio de emissões.

Só quatro países do bloco têm uma taxa de tipo: Suécia, Finlândia, Eslovênia e Dinamarca.

A Suécia adotou o imposto em 1991, e isso estimulou o uso de biocombustíveis no aquecimento. No entanto, críticos dizem que o efeito da taxa foi reduzido, porque ela não se aplica à geração de eletricidade.

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REDUÇÃO DE EMISSÕES

18/05/09

terça-feira, 12 de maio de 2009, 15:38

ONU elogia meta de cortes nas emissões de CO2, mas quer mais

Yvo de Boer afirmou que a maratona de negociações para um novo acordo vai se intensificar após 18 de maio

ALISTER DOYLE – REUTERS

OSLO – Os países ricos delinearam cortes “promissores” nas emissões de gases-estufa até agora, mas os Estados Unidos e outras nações serão capazes de determinar limites mais rigorosos, disse a principal autoridade da Convenção de Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU) na terça-feira.
“Um dos pontos principais a partir de agora é observar até que ponto o nível de ambição pode ser aumentado”, disse Yvo de Boer à Reuters, comentando as negociações para um novo pacto sob a chancela da ONU para combater as mudanças climáticas, que deve ser aprovado em Copenhague em dezembro.

Ele afirmou que a maratona de negociações vai se intensificar depois de 18 de maio, quando deve ser publicado um primeiro esboço de texto para discussão. O texto reunirá as propostas feitas pelos governos nas últimas semanas.

Ele saudou as propostas feitas pelos países desenvolvidos nas últimas semanas, mesmo que elas estejam aquém das reduções de entre 25 e 40 por cento abaixo dos níveis de 1990 até 2020, projetadas por um painel de cientistas da ONU a fim de evitar o pior do aquecimento global.

“Dado que o acordo de Copenhague ainda não está à vista, acho que temos à mesa uma série de números estimulantes vindos dos países industrializados”, disse ele numa entrevista por telefone.

Entre outras razões, “há países que simplesmente se voltaram a comprometimentos de possíveis reduções na emissão doméstica e não incluíram compensações nem ações no exterior, como os Estados Unidos”, disse ele. Ações no estrangeiro permitiriam reduções ainda maiores.

Sob o Protocolo de Kyoto, em vigor atualmente, por exemplo, os países desenvolvidos podem obter crédito ao investir em tecnologias limpas, como energia hidrelétrica, energia solar ou eólica, em países em desenvolvimento.

OBAMA

O presidente Barack Obama prometeu reduzir as emissões dos EUA para os níveis de 1990 até 2020 — um corte de cerca de 14 por cento a partir dos níveis de 2007, como parte do esforço global para combater o aquecimento global, que poderá provocar mais ondas de calor, enchentes e elevação do nível dos oceanos.

De Boer não quis comentar sobre o quanto Washington seria capaz de reduzir, mas afirmou que alguns estudos feitos por especialistas norte-americanos sugerem que se poderia acrescentar vários pontos percentuais.

Estimativas da Reuters mostram que as propostas feitas até agora por países desenvolvidos resultariam num total de cortes entre 9 e 16 por cento abaixo dos níveis de 1990, incluindo as propostas da União Europeia e da Austrália. Os analistas dizem que a recessão global esmaeceu a vontade política por uma ação mais rigorosa.

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ENERGIAS FÓSSEIS

4/05/09

30/04/2009 – 13h58

Estudo diz que humanidade terá que reduzir consumo de reservas fósseis a 25%

da France Presse, em Paris

A civilização só poderá consumir 25% das suas conhecidas reservas de energias fósseis (petróleo, gás e carvão) até 2050, caso queira limitar o aquecimento global a 2ºC no máximo, de acordo com um estudo publicado na quarta-feira (29).

Uma equipe de pesquisadores do Reino Unido, da Suíça e da Alemanha tentou avaliar, pela primeira vez, o volume de emissões de gases de efeito estufa que pode ser lançado na atmosfera até a metade do século, para manter um “aquecimento aceitável”. Os trabalhos foram publicados pela revista britânica “Nature”.
Charlie Riedel/AP

A comunidade internacional chegou a um consenso sobre um máximo de 2ºC suplementares em relação aos níveis pré-industriais, mas para os pequenos países insulares, ameaçados pela subida dos oceanos, seria necessário limitar a elevação a 1,5ºC.

“Se vocês realmente quiserem limitar o risco de exceder os 2ºC de aquecimento global, o volume total de COº2º expelido na atmosfera durante a primeira metade do século deve ficar abaixo dos 1.000 milhões de toneladas”, explicou Malter Meinshausen, do Instituto de Pesquisa sobre o Impacto Climático Postdam.
Se não houver um acordo climático forte, os 2ºC suplementares terão sido atingidos na primeira metade do século, dizem os autores do estudo.

Se as emissões ultrapassarem 1,5 bilhão de toneladas de equivalente CO2 até 2050, a probabilidade de limitar o aquecimento a 2ºC será de apenas 25%, “independentemente das medidas tomadas depois” para limitar as emissões, insistiu Meinshausen.

Segundo o estudo, as emissões mundiais têm de começar a diminuir já em 2020, e serem reduzidas em 70% até 2050. A meta do G8 é reduzir pela metade as emissões mundiais até 2050.

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