Biocombustíveis

1/08/11

Bunge busca crescer no comércio global de biocombustíveis

Fabiana Batista | De Pedro Afonso (TO)

25/07/2011

Divulgação

“O que falta ao etanol é um mercado global sem barreiras’, diz Ben Pearcy

Uma das maiores produtoras de etanol do mundo, com 1,350 bilhão de litros, distribuídos entre Brasil e Estados Unidos, a multinacional Bunge pretende avançar em sua posição de trader global de biocombustíveis no momento em que o produto caminha para se tornar uma commodity.

Ben Pearcy, diretor global de açúcar e bioenergia da companhia, avalia que o fim da tarifa de importação do etanol nos EUA trará avanços importantes para o comércio mundial do produto. A empresa tem metas ambiciosas para a comercialização do biocombustível no mundo e espera encontrar no mercado asiático um forte aliado. “O que falta ao etanol é um mercado sem barreiras, assim como já ocorre com outras commodities com as quais já operamos, como açúcar e soja”, diz.

No ano passado, a Bunge começou a operar com compra e venda de etanol no mercado mundial. Os volumes ainda foram pequenos, perto de 50 milhões de litros. Mas a expectativa é de que cresçam ano a ano. Em 2011, já podem subir para 200 milhões de litros. Para o ano que vem, há perspectivas de alcançar 500 milhões de litros, afirma Marcelo de Morais, diretor de bioenergia da empresa.

Um dos principais mercados da Bunge hoje são as Filipinas, além de Estados Unidos e Europa. “O país asiático vem surpreendendo por seu avanço em políticas de uso de biocombustíveis”, diz Moraes sobre o aumento neste ano da mistura de etanol na gasolina, de 5% para 20%, no país asiático.

Em outros países da Ásia essas políticas ainda estão sendo discutidas. No entanto, a expectativa é de que qualquer movimento signifique um grande mercado nessa região. Além dos países onde produz, a Bunge obtém o etanol que exporta da Tailândia e do Vietnã, conforme o destino da carga.

Afora a exportação, a Bunge também opera nos mercados domésticos dos países onde processa etanol: no Brasil, onde tem oito usinas e produz 900 milhões de litros de etanol de cana por safra, e nos EUA, com duas usinas e 450 milhões de litros de etanol à base de milho.

“Acredito que a partir de 2012 vamos conseguir exportar mais etanol para o mercado americano a partir do Brasil”, diz Pearcy, que esteve no país durante a inauguração da usina Pedro Afonso, da Bunge, em Tocantins.

Para ele, ao menos no curto prazo, o fim da tarifa americana de importação de etanol, em aprovação, não deve ter efeitos significativos aos produtores americanos. A estratégia da múlti, diz Pearcy, é ocupar com o etanol de cana do Brasil um lugar no mercado dos EUA. Um trunfo do produto brasileiro é estar na categoria avançado, conforme os critérios da Agência de Proteção Ambiental (EPA). O etanol de cana se encaixa nessa definição por emitir 50% menos gases de efeito estufa que a gasolina.

O mercado da Califórnia é o principal alvo, segundo Pearcy. “Lá a legislação estadual para redução de emissões de gases de efeito estufa é a mais avançada”, afirma. A companhia vem se preparando para este momento. Das oito unidades no Brasil, cinco já têm certificação para embarcar aos EUA.

A largada da Bunge em etanol ocorreu em 2004 nos Estados Unidos. Em 2007, a empresa entrou no segmento no Brasil e, atualmente, tem no país capacidade industrial para processar 21 milhões de toneladas. “Temos posição nos Estados Unidos, mas o crescimento ocorrerá no Brasil”, diz o executivo. O plano é em cinco anos crescer 50% organicamente. Até 2020, a meta é dobrar de tamanho. A Bunge tem também duas usinas de biodiesel de soja, uma na Argentina e outra nos EUA.

A jornalista viajou a convite da Bunge

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Biocombustíveis

16/05/11

ETH busca se impor como nova potência em etanol no Brasil

Fabiana Batista | De São Paulo

09/05/2011

Regis Filho/Valor

“Gastamos mais que o previsto, pois investimos em canaviais. Estamos com 80% de cana própria”, afirma Grubisich

Encarada por muito tempo como uma “empresa-projeto”, a ETH Bioenergia deverá se firmar nesta safra entre as três maiores produtoras de etanol do país, com uma oferta prevista de 1,6 bilhão de litros do biocombustível – sendo 350 milhões de litros de anidro. Nesta temporada (2011/12), a disponibilidade de cana permitirá à companhia moer entre 18 milhões e 19 milhões de toneladas, o dobro do ciclo passado.

O faturamento também deverá dobrar, de R$ 1 bilhão para entre R$ 2,2 bilhões e R$ 2,3 bilhões na mesma comparação. As duas últimas usinas em obras da ETH estão programadas para entrar em operação no último trimestre deste ano, o que elevará o número de unidades para nove e fechará a primeira fase de investimentos da empresa, que tem foco em etanol e bioeletricidade.

O volume de etanol produzido pela ETH em seus primeiros quatro anos de existência praticamente empatou com o da Raízen (Cosan/Shell) e o da LDC Bioenergia, do grupo francês Louis Dreyfus. Mas a façanha teve um preço. No fim da última safra, a dívida bruta da companhia estava em aproximadamente R$ 4 bilhões. Quando a maturação de todos os seus investimentos estiver completa, a ETH estima faturar R$ 5 bilhões.

Se neste ciclo a ETH promete brigar pela liderança em etanol no país, no próximo (2012/13) tem a chance de assumir finalmente a tão esperada dianteira, caso nenhuma grande fusão ou aquisição aconteça. E essa posição de destaque vem à tona justamente em um momento em que o etanol é reconhecido pelo governo como produto estratégico para a política de combustíveis do país.

Recorrentemente questionado sobre eventuais negociações com a Petrobras – que claramente busca assumir uma posição de relevância na produção de etanol no Brasil -, José Carlos Grubisich, presidente da ETH Bioenergia, nega com veemência que haja qualquer conversa ou aproximação com a estatal. Mas não destila críticas à posição do governo de se mostrar disposto a exercer algum controle sobre o mercado de etanol. “Vejo como um instrumento de ajuste da oferta com a demanda”, resume.

Ele pondera, no entanto, que deixar essa questão em aberto contribui para um clima de instabilidade e pode significar insegurança na decisão de investimento. “Uma variável como essa não pode ser desconhecida do setor. Os produtores estão dispostos a se comprometer com a mistura de 25%, mas as distribuidoras [de combustíveis] também precisam estar dispostas a fazer contratos de compra no começo da safra”, acrescenta.

O executivo, que já ocupou cargos elevados na Rhodia e na Braskem, não fala mais com tanto entusiasmo dos planos que sempre teve de ir ao mercado de capitais para se financiar, já que no fim desta safra a empresa deverá concluir sua primeira fase de investimento e atingir capacidade instalada para processar 40 milhões de toneladas de cana.

Mas abrir o capital é tratado com distanciamento pelo executivo. “Esse não é um objetivo, mas um meio para implementar um programa de crescimento. Não dissemos que iríamos abrir o capital em 2012, mas que essa data era um horizonte possível. Essa decisão ainda não foi tomada”.

No primeiro trimestre de 2012 a ETH terá investido, no total, R$ 8 bilhões em suas nove usinas (todas com cogeração de energia elétrica), que juntas terão capacidade instalada para fabricar cerca de 3 bilhões de litros de etanol, 2,7 gigawatts/hora por ano de energia e 600 mil a 700 mil toneladas de açúcar. O montante é superior aos R$ 7,3 bilhões previstos inicialmente. O valor adicional veio, principalmente, da necessidade de implantar mais canaviais do que o planejado, segundo Grubisich.

“Com a crise dos últimos anos, produtores rurais não mostraram interesse em implantar canaviais e acompanhar o nosso crescimento industrial. Por isso, tivemos que assumir esse investimento”, diz.

Com isso, atualmente de 75% a 80% da cana da ETH vem de canaviais próprios, proporção que a empresa quer reduzir nos próximos anos para 55% a 60%. Grubisich estima que do total de R$ 8 bilhões que estão sendo investidos, R$ 2 bilhões alimentam a parte agrícola da operação, o que inclui a mecanização de 100% das áreas. “São 100 mil hectares em canaviais novos por ano”, diz o executivo. Mesmo assumindo o projeto agrícola, a empresa corre contra o tempo para alinhá-lo com a capacidade industrial.

Apesar de a ETH prever que em abril do ano que vem já disporá de fábricas para moer 40 milhões de toneladas de cana, sua disponibilidade de matéria-prima só permitirá o processamento de 32 milhões de toneladas na safra 2012/13, que começará em abril. Grande parte desse atraso decorreu de problemas financeiros das quatro usinas da antiga Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco), que foram incorporadas em 2010 pela ETH.

A companhia está empenhada em fechar parcerias com produtores rurais e empresas com expertise em produção agrícola para reduzir sua participação em cana, uma parte cara do negócio. Recentemente, afirma Grubisich, a ETH fechou parceria com a Agroterenas, que tem como principal acionista José Eugênio de Rezende Barbosa Sobrinho, antigo acionista da NovAmérica. A empresa vai atender com cana as unidades da ETH de Eldorado e Santa Luzia, Mato Grosso do Sul.

A Brasil Agro também está entre as grandes fornecedoras de cana da ETH em Goiás – no caso, para a unidade Morro Vermelho. “A crise passou, as perspectivas de preços melhoraram. Estamos vendo interesse maior nesses parceiros em investir em produção de cana”, conclui Grubisich.

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Biocombustíveis

9/05/11

Novo marco para etanol e biodiesel

Mauro Zanatta | De Brasília

03/05/2011

Stefan Schmeling/Valor

Rossetto, da Petrobras Biocombustíveis: “A agenda de regulação é de governo”

O governo fará um “novo marco regulatório” para o etanol e o biodiesel e a Petrobras fará parte dessa etapa ao reforçar os investimentos nesses segmentos até 2015, informou o presidente da Petrobras Biocombustíveis, Miguel Rossetto. As medidas deverão ser adotadas nos próximos meses, em paralelo à transformação do etanol em combustível estratégico sob fiscalização e controle da Agência Nacional do Petróleo (ANP). “A agenda de regulação é de governo, que tomará a iniciativa de um novo marco regulatório do etanol e do biodiesel por causa do sucesso e do impacto de ambos na economia da energia”, afirmou Rossetto ao Valor.

O presidente Petrobras Biocombustíveis diz que o etanol significa 50% do volume de veículos e o biodiesel já tem 5% na matriz energética brasileira. “Eles marcam o perfil da produção sustentável, assumem importância que exigem outro padrão regulatório, mas isso é agenda de governo”. No início de abril, a presidente Dilma Rousseff determinou alterações na regulação do etanol como resposta à substantiva elevação de preços, com impacto nos índices da inflação, e as ameaças ao abastecimento interno do combustível. Na sexta-feira, o governo publicou medida provisória para ampliar a banda de variação da mistura do etanol anidro na gasolina. Agora, fará um novo marco regulatório.

A aceleração nos planos de investimento da Petrobras em etanol também responde a um apelo da presidente Dilma Rousseff. “Vamos crescer os investimentos em etanol nos próximos anos e aumentar nosso capacidade”, informa Rossetto. “A Petrobras assumiu esse compromisso. O mercado do etanol cresce 10% ao ano e vamos ocupar parte disso, ampliar o abastecimento e também crescer em alcoolquímica. Esse é o nosso negócio e estamos preparados para isso”, afirma.

A estatal está em processo de avaliação de seu plano quinquenal de investimento para o período 2011-2015, a ser divulgado ainda em maio. A empresa dará prioridade à área de pesquisa e desenvolvimento, sobretudo para garantir biocombustíveis de “segunda geração”. “Vamos investir muito em P&D, na vanguarda tecnológica dos biocombustíveis, no etanol de segunda geração e na melhoria genética das oleaginosas”, diz o executivo. E detalha: “Queremos ter variedades mais rústicas, com mais foco no Semiárido, via análise dos ciclos de vida e aperfeiçoamento do padrão de produção”.

A Petrobras Biocombustíveis, cuja meta de participação no mercado de etanol estava fixada em 5% até 2014, deve ampliar as apostas nesta área a partir dos investimentos em etanolduto e em novidades logísticas como a hidrovia Tietê-Paraná, ambos planejados para garantir o escoamento da produção do Centro-Oeste no longo prazo. “Nossa agenda é de produção. Temos investimentos em execução no período 2010 a 2014 de US$ 2,5 bilhões. Disso, US$ 1,9 bilhão são só para etanol”.

O executivo diz que o braço de novos combustíveis da estatal encerrou 2010 com participação acionária em 14 usinas no Brasil – dez de etanol e quatro de biodiesel. Ao longo do ano passado, a empresa elevou sua capacidade instalada a 1 bilhão de litros de etanol e a 500 milhões de litros de biodiesel. A Petrobras mantém participação nas usinas Guarani, Nova Fronteira e Total. E busca novas empresas com “qualidade econômica, logística e ambiental, além de viabilidade”, segundo o executivo. Na mira, estão tanto projetos “greenfield” ou construídos, mas com 100% de mecanização do plantio e da colheita. “Queremos gestão e operação com altos padrões”. O crescimento se dará a partir da Guarani em São Paulo e da Fronteira em Goiás. “Compartilhamos gestão e alto padrão. E cresceremos a partir dessas empresas”.

Rossetto diz que a Petrobras Biocombustíveis reforçará o “compromisso” com os projetos de biodiesel no Pará e a atuação no óleo de palma. “Vamos construir nossa usina para abastecer o Norte do país. Teremos um conceito de sustentabilidade, amplo rigor ambiental e forte integração com a agricultura familiar”.

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Biocombustíveis

11/04/11

Álcool brasileiro lidera uma retomada do biocombustível

Guy Chazan | The Wall Street Journal

07/04/2011

Quando a Royal Dutch Shell PLC anunciou a criação de uma joint-venture de US$ 12 bilhões com a produtora de etanol Cosan Ltda., no ano passado, deu um enorme voto de confiança a um setor que estava cambaleante fazia alguns anos.

Depois de um grande período de expansão em meados da década passada, os biocombustíveis foram atingidos duramente pela recessão mundial, embora tenham começado a se estabilizar recentemente. As preocupações com emissões de gases do efeito estufa, com as altas constantes do petróleo e com a segurança energética fizeram com que os biocombustível deixassem de ser um nicho e se tornassem uma indústria mundial que atraiu quase US$ 650 milhões em capital de risco no ano passado. A produção mundial cresceu de 16 bilhões de litros em 2000 para mais de 100 bilhões de litros ano passado. A Shell afirma que os biocombustíveis podem responder por até 20% de todos os combustíveis de transporte daqui a 30 anos, ante os atuais 3%.

Mas, ao mesmo tempo em que fez uma grande aposta no álcool combustível, a Shell recuou de investimentos mais ambiciosos como produzir diesel de algas e converter biomassa em líquido.

Isso reflete um cálculo realista de que essas tecnologias de ponta ainda vão levar anos, talvez décadas, para se tornarem viáveis comercialmente. O diretor de produtos acabados da Shell, Mark Williams, reconheceu numa atualização de estratégia empresarial divulgada ano passado que a Shell enfrentava “a dificuldade de elevar a escala desses biocombustíveis avançados”.

Alguns criticaram a Shell por assumir poucos riscos. Michael McNamara, diretor de análise de novas energias do banco de investimentos Matrix Group, discorda. “No fim das contas, se você consegue garantir uma matéria-prima barata e usa tecnologia pouco empolgante para torná-la uma gasolina de custo competitivo, por que não fazer isso?”

O primeiro biocombustível foi o etanol, produzido a partir da fermentação dos açúcares obtidos de matéria vegetal. O Brasil o produz há décadas a partir da cana-de-açúcar.

Mas a alta acentuada ano passado na cotação de vários produtos agrícolas usados na sua produção, como milho e trigo, gerou uma forte reação política. Um resultado é que se tem investido muito mais na chamada segunda geração de biocombustíveis que, diferentemente do etanol, não afetam tanto a produção de alimentos. Em vez disso eles usam matérias-primas como algas, esgoto e outras gramíneas, como a miscanthus.

A tecnologia de conversão evoluiu muito. Mas apesar de já existirem alguns protótipos de produção de biocombustível de segunda geração, ainda não foram construídas instalações de conversão em escala industrial. Muitos analistas preveem que isso não acontecerá antes de 2014.

“É uma possibilidade extremamente atraente”, disse McNamara. “Mas só pode acontecer em escala comercial se for econômico: e não é – ainda.”

Isso suscitou temores de que problemas técnicos e de custo podem impedir que os biocombustíveis avançados se tornem uma fonte viável de energia, no mesmo nível que a solar e a eólica. Preocupações como essas podem retirar do setor o tipo de apoio empresarial e governamental que o permitirá crescer.

Uma questão importante é o desafio de construir do zero a cadeia de suprimento. “Tem se revelado difícil desenvolver a matéria-prima a um custo aceitável”, diz Susan Hansen, analista de tecnologia limpa do Rabobank International. “E também há outro problema: onde você planta lavouras como a de miscanthus? Como organizar a logística e o transporte do produtor para a usina de processamento?”

Das maiores petrolíferas do mundo, a Shell sempre foi uma das investidores mais agressivas em alternativas verdes à gasolina e ao diesel, juntando um dos maiores portfólios do setor de projetos de pesquisa e desenvolvimento de biocombustível. Ela gasta atualmente cerca de US$ 1,3 bilhão por ano com P&D, com uma fatia significativa disso indo para biocombustível.

A Shell já investiu numa empresa canadense de etanol de celulose chamada Iogen Energy Corp., numa empresa americana iniciante de biocombustíveis chamada Codexis Inc. e na também americana Virent Energy Systems, que transforma açúcar da grama switchgrass ou de palha de trigo em combustíveis.

Mas a petrolífera recuou de alguns investimentos nos últimos meses. Ela vendeu em 2009 sua fatia na Choren, uma empresa alemã que transforma biomassa em líquidos, depois que ficou evidente o custo de aumentar a escala da cara tecnologia de gaseificação da empresa. “Percebemos que a escala dessas fábricas seria muito, mas muito grande mesmo”, disse Mark Gainsborough, diretor de energia alternativa da Shell. No ano passado ela abandonou um empreendimento para transformar algas em diesel chamado Cellana.

Em vez disso, ela optou por apostar pesado no etanol de cana-de-açúcar. Ela anunciou em fevereiro do ano passado a joint-venture com a Cosan, de Barra Bonita, SP, a maior produtora mundial de etanol dessa fonte. A decisão deu à Shell exposição ao gigantesco mercado brasileiro de biocombustível, onde mais de 80% dos carros novos vendidos podem rodar com qualquer mistura de álcool e gasolina, e 21% das fontes energéticas dos transportes são biocombustíveis, ante 4% nos EUA.

“Reconhecemos que passar à produção em larga escala [de biocombustíveis avançados] seria um salto grande demais para se fazer de uma vez”, disse Gainsborough. Em vez disso, a Shell preferiu se expandir em biocombustíveis convencionais e usar isso como plataforma de lançamento para tecnologias mais avançadas. “Dá para aprender mais rápido se você faz isso com base numa infraestrutura já existente”, diz.

Parte da lógica da sociedade é que a Shell pode usar as instalações da Cosan para desenvolver a tecnologia da Codexis e da Iogen. Um exemplo seria usar o bagaço da Cosan – as sobras fibrosas do esmagamento da cana – como matéria-prima de etanol de celulose. Atualmente um terço do potencial energético da cana-de-açúcar usada pela Cosan é desperdiçado nas partes da planta que nunca são processadas.

A Shell não é a única petrolífera a apostar pesado no setor alcooleiro do Brasil. A BP PLC comprou mês passado 83% da Companhia Nacional de Açúcar e Álcool, ou CNAA, por US$ 680 milhões. Como a Shell, a BP espera um dia poder exportar etanol brasileiro para os EUA, a Europa e a Ásia, onde o uso de biocombustível deve aumentar à medida que esses países começam a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa.

Barreiras tarifárias praticamente fecham o mercado americano para o etanol do Brasil e de outros países. Mas a Shell espera que um dia elas serão removidas. “A lógica delas está sendo cada vez mais questionada pelas autoridades e pelos que determinam as tarifas”, disse Gainsborough. “Os biocombustíveis deveriam ir para os mercados em que valem mais.”

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