Brasil e China devem fabricar biocombustíveis na África

30/08/10

23/08/2010

CIRILO JUNIOR
DO RIO

O Brasil prepara parceria com a China para fabricar biocombustíveis na África, a exemplo do que já faz com Estados Unidos e Europa, e a produção deve ser totalmente voltada para o mercado chinês, afirma o diretor do departamento de energia do Ministério de Relações Exteriores, André Lago.

“As conversas já foram iniciadas. O Brasil sabe das responsabilidades em relação à África, e tem procurado chamar outros países para desenvolver o continente”, afirmou à Folha, após participar do seminário “Mudanças Climáticas e Tecnologias Inovadoras para Energia”, promovido pela Coope/UFRJ.

A China pretende dobrar, nos próximos anos, a geração das chamadas novas energias, como biocombustíveis, a solar e a eólica. Com o projeto da África, o país asiático pretende emitir créditos de carbono para compensar a emissão de gases, cada vez maior diante do forte crescimento do país.
Lago disse que ainda não há definição sobre o país e qual projeto será instalado na África.

O ministro Samuel Pinheiro Guimarães (Secretaria de Assuntos Estratégicos) disse considerar a China um dos principais parceiros do país, pelo fato de ser um dos maiores produtores de ciência e tecnologia do mundo. Ressaltou que o Brasil vem desenvolvendo parcerias no setor energético com diversos países.
“Eles têm preocupação grande, têm emissões importantes de gases, por causa da utilização do carvão. Temos possibilidade de cooperação muito grande com outros países, inclusive com a China”, observou.

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BIOCOMBUSTÍVEIS

9/08/10

Política de biocombustíveis incentiva concorrência

Marcos Chagas, AGÊNCIA BRASIL
04/08/2010 | 11:49

Brasília – A Comissão de Infraestrutura do Senado encaminhou hoje (4) à Mesa Diretora da Casa um projeto de lei que regulamenta a Política Nacional para os Biocombustíveis. A proposta reúne uma série de projetos em tramitação no Senado e também acolhe sugestões de representantes de vários segmentos do setor apresentadas em audiências públicas realizadas no ano passado.

Entre as diretrizes estabelecidas no projeto está a promoção da concorrência nas atividades econômicas de produção, comercialização, distribuição, transporte, armazenagem e revenda de biocombustíveis. O mesmo princípio, pela proposta, será aplicado nas atividades econômicas de produção e comercialização de matérias-primas.

Outro objetivo do projeto é incentivar o aumento da participação do produto na matriz de combustíveis brasileira. Também foram sugeridos incentivos a ações, nacionais e internacionais, de certificação dos biocombustíveis. Isso seria feito a partir do reconhecimento de sustentabilidade da produção.

O projeto de lei da comissão cria um conselho interministerial a quem caberá estabelecer planejamentos estratégicos de longo prazo para o setor. O texto prevê que a produção de biocombustíveis terá que obedecer a diretrizes socioambientais como a proteção do meio ambiente, a conservação da biodiversidade e a utilização racional dos recursos naturais.

Também estão previstos critérios como o respeito à função social da propriedade, o cumprimento da legislação trabalhista em vigor e o respeito à livre concorrência.

A matéria será encaminhada pela Mesa para debates nas comissões temáticas.

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Inovar com sustentabilidade

15/07/10

13 de maio de 2010
- O Estado de S.Paulo

A crise financeira internacional de 2008 fez (res)surgir no empresariado de várias partes do mundo o sentimento de que é preciso buscar um modelo de desenvolvimento mais sustentável, de modo a corrigir o descompasso gritante entre o desenvolvimento econômico e a situação socioambiental das últimas décadas.
Em poucos meses, para conter a crise deflagrada em setembro de 2008, os governos dos países ricos desembolsaram US$ 11 trilhões. Impressionante em si, essa cifra ganha outra dimensão quando comparada com os míseros US$ 250 bilhões da ajuda humanitária dos países ricos aos países pobres nos últimos 50 anos. Ou seja, US$ 5 bilhões por ano!
Nos próximos anos, o tripé da sustentabilidade – econômica, social e ambiental – estará muito vinculado à inovação. As empresas precisarão inovar cada vez mais na construção de processos sustentáveis, induzidos pelo Estado.
Quanto a isso, nada melhor do que ouvir nosso vice-presidente, José Alencar, um dos empresários mais respeitados do Brasil. Em recente manifestação, ele condenou o paternalismo e apontou o lucro como a principal fonte do progresso. Disse ele: “Desperdícios custam para toda a sociedade, enquanto a produção eficiente e sustentável gera riqueza e oportunidades de ascensão coletiva.”
Para Alencar, o papel econômico dos governos é desobstruir o caminho para o progresso. No Brasil, segundo ele, as prioridades são remover a ignorância, a falta de saúde e saneamento, a precariedade da infraestrutura e as políticas antagônicas ao crescimento, como juros altos demais e impostos irracionais.
Especialmente quanto à infraestrutura, temos de agir de forma factível. Tentar, por exemplo, reutilizar os milhares de quilômetros de ferrovias abandonadas e dar força ao transporte fluvial. Quanto à produção de energia, é preciso fixar a ideia de que é importante implantar uma ampla rede de usinas térmicas movidas a combustíveis renováveis, além de construir usinas hidrelétricas.
Ainda que pesem os avanços alcançados pelo nosso país nos últimos anos, pois já somos quase a oitava economia do mundo, ocupamos o insignificante 56.º lugar no ranking da competitividade e o número de patentes brasileiras significa 0,2% das patentes do planeta. É preciso, portanto, inovar com sustentabilidade.
Já estamos fazendo isso no caso da agroindústria, cujas atividades afetam diretamente o meio ambiente. Todo mundo reconhece o impacto positivo dos biocombustíveis na renovação da nossa matriz energética. Oxigenador da gasolina, o etanol não rompe com a cadeia dos negócios do petróleo, mas é parte da solução para a necessária descarbonização do planeta.
Sem dúvida, temos capacidade para fazer muito mais, sem reduzir nosso potencial de produção de alimentos para consumo interno e exportação. Está na hora de fazermos da preservação dos recursos naturais a chave mestra do nosso modelo de desenvolvimento.
Sabemos que não há obra pública ou atividade econômica sem impacto sobre o meio ambiente, mas é preciso reconhecer que a partir do Código Florestal de 1965 foi montado no País um arcabouço legal que vem servindo como parâmetro ambiental para desenvolvimentistas e conservacionistas. Falta (talvez) um acordo cujos termos podem estar no novo Código Ambiental em discussão no Congresso.
A mudança na legislação pode ser uma primeira resposta à comunidade internacional, que cobra do Brasil a manutenção de algo que os países do Hemisfério Norte já não têm mais: o verde. O segundo passo seria bloquear efetivamente o desmatamento da Amazônia e o corte da vegetação nativa que cobre mais de 50% do território nacional. Se reduzirmos as queimadas, não só riscaremos o nome do Brasil da lista dos maiores emissores de gases do efeito estufa, mas estaremos fazendo da sustentabilidade um grande negócio para o País.
EMPRESÁRIO, É MEMBRO DO CONSELHO DE ESTRATÉGIA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INFRAESTRUTURA E INDÚSTRIA DE BASE (ABDIB) E DO CONSELHO DA UNIÃO DA INDÚSTRIA DA CANA-DE-AÇÚCAR (UNICA)

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BIOCOMBUSTÍVEIS

12/07/10

Lula quer produzir biocombustíveis no Quênia

Agência Brasil, de Nairobi (Quênia)
07/07/2010

AP Photo/Khalil Senosi

Lula e o presidente do Quênia, Muar Kibaki: corrente de comércio entre os países somou US$ 91 milhões em 2009

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o Brasil quer firmar um acordo para produzir biocombustíveis no Quênia. De acordo com Lula, o Brasil poderia transferir tecnologia ao país africano, que tem terras disponíveis para a agricultura. “O Brasil tem expertise de anos de experiência. O Quênia tem terra e disposição de produzir combustível limpo para vender para os países ricos que, a partir de 2020, terão que colocar 10% de etanol na gasolina dos seus carros”, disse Lula em pronunciamento conjunto com o presidente do Quênia, Muar Kibaki.

O Quênia é o terceiro país visitado por Lula na viagem que faz à África esta semana. Já passou por Cabo Verde e Guiné Equatorial e segue ainda hoje para a Tanzânia. Os dois presidentes também conversaram hoje pela manhã sobre a criação da Universidade Afro-Brasileira. A proposta ainda está tramitando no Congresso brasileiro, mas Lula disse “ter o sonho” de lançar a pedra fundamental ainda em seu governo. A Universidade Afro-Brasileira deve ser instalada no município de Redenção, no Ceará e, de acordo com o projeto, vai abrir mil vagas, 500 para brasileiros e 500 para africanos.

A visita à Africa tem um tom pragmático: aproximar comercialmente o Brasil do continente africano. Lula ressaltou que o bloco econômico do Leste da África (EAC, sigla em inglês), formado por Quênia, Burundi, Uganda, Ruanda e Tanzânia, representa 126 milhões de habitantes. Lula defendeu a aproximação do Mercosul com esse mercado.

O Quênia é um dos países mais industrializados da África. A economia tem crescido nos últimos anos, apesar do freio da crise mundial, que repercutiu no ano passado. O setor de serviços cresce puxado pelo turismo. Atualmente, a prestação de serviços representa 62% do PIB do país. Já a fatia da agricultura corresponde a 21,4% e a indústria, 16,3% do PIB. Projeções indicam que a economia do Quênia pode crescer 3,4% em 2010.

As relações comerciais entre Brasil e Quênia nos últimos sete anos aumentaram seis vezes. Passaram de US$ 14 milhões em 2003 para US$ 91 milhões no ano passado apesar dos efeitos da crise mundial, que fez a corrente de comércio entre os dois países encolher 11% em relação ao ano anterior.

Os empresários que acompanham Lula na visita à África identificaram nichos ainda não explorados de mercado e querem ampliar vendas nos setores onde já existem relações mais sólidas. Há boas perspectivas para combustíveis, produtos farmacêuticos, carros, tratores e outros industrializados.

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