Biocombustíveis

9/05/11

Novo marco para etanol e biodiesel

Mauro Zanatta | De Brasília

03/05/2011

Stefan Schmeling/Valor

Rossetto, da Petrobras Biocombustíveis: “A agenda de regulação é de governo”

O governo fará um “novo marco regulatório” para o etanol e o biodiesel e a Petrobras fará parte dessa etapa ao reforçar os investimentos nesses segmentos até 2015, informou o presidente da Petrobras Biocombustíveis, Miguel Rossetto. As medidas deverão ser adotadas nos próximos meses, em paralelo à transformação do etanol em combustível estratégico sob fiscalização e controle da Agência Nacional do Petróleo (ANP). “A agenda de regulação é de governo, que tomará a iniciativa de um novo marco regulatório do etanol e do biodiesel por causa do sucesso e do impacto de ambos na economia da energia”, afirmou Rossetto ao Valor.

O presidente Petrobras Biocombustíveis diz que o etanol significa 50% do volume de veículos e o biodiesel já tem 5% na matriz energética brasileira. “Eles marcam o perfil da produção sustentável, assumem importância que exigem outro padrão regulatório, mas isso é agenda de governo”. No início de abril, a presidente Dilma Rousseff determinou alterações na regulação do etanol como resposta à substantiva elevação de preços, com impacto nos índices da inflação, e as ameaças ao abastecimento interno do combustível. Na sexta-feira, o governo publicou medida provisória para ampliar a banda de variação da mistura do etanol anidro na gasolina. Agora, fará um novo marco regulatório.

A aceleração nos planos de investimento da Petrobras em etanol também responde a um apelo da presidente Dilma Rousseff. “Vamos crescer os investimentos em etanol nos próximos anos e aumentar nosso capacidade”, informa Rossetto. “A Petrobras assumiu esse compromisso. O mercado do etanol cresce 10% ao ano e vamos ocupar parte disso, ampliar o abastecimento e também crescer em alcoolquímica. Esse é o nosso negócio e estamos preparados para isso”, afirma.

A estatal está em processo de avaliação de seu plano quinquenal de investimento para o período 2011-2015, a ser divulgado ainda em maio. A empresa dará prioridade à área de pesquisa e desenvolvimento, sobretudo para garantir biocombustíveis de “segunda geração”. “Vamos investir muito em P&D, na vanguarda tecnológica dos biocombustíveis, no etanol de segunda geração e na melhoria genética das oleaginosas”, diz o executivo. E detalha: “Queremos ter variedades mais rústicas, com mais foco no Semiárido, via análise dos ciclos de vida e aperfeiçoamento do padrão de produção”.

A Petrobras Biocombustíveis, cuja meta de participação no mercado de etanol estava fixada em 5% até 2014, deve ampliar as apostas nesta área a partir dos investimentos em etanolduto e em novidades logísticas como a hidrovia Tietê-Paraná, ambos planejados para garantir o escoamento da produção do Centro-Oeste no longo prazo. “Nossa agenda é de produção. Temos investimentos em execução no período 2010 a 2014 de US$ 2,5 bilhões. Disso, US$ 1,9 bilhão são só para etanol”.

O executivo diz que o braço de novos combustíveis da estatal encerrou 2010 com participação acionária em 14 usinas no Brasil – dez de etanol e quatro de biodiesel. Ao longo do ano passado, a empresa elevou sua capacidade instalada a 1 bilhão de litros de etanol e a 500 milhões de litros de biodiesel. A Petrobras mantém participação nas usinas Guarani, Nova Fronteira e Total. E busca novas empresas com “qualidade econômica, logística e ambiental, além de viabilidade”, segundo o executivo. Na mira, estão tanto projetos “greenfield” ou construídos, mas com 100% de mecanização do plantio e da colheita. “Queremos gestão e operação com altos padrões”. O crescimento se dará a partir da Guarani em São Paulo e da Fronteira em Goiás. “Compartilhamos gestão e alto padrão. E cresceremos a partir dessas empresas”.

Rossetto diz que a Petrobras Biocombustíveis reforçará o “compromisso” com os projetos de biodiesel no Pará e a atuação no óleo de palma. “Vamos construir nossa usina para abastecer o Norte do país. Teremos um conceito de sustentabilidade, amplo rigor ambiental e forte integração com a agricultura familiar”.

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BIOCOMBUSTÍVEIS

31/01/11

Consumo de biodiesel cresce no país

Mônica Scaramuzzo | De São Paulo

27/01/2011

Sérgio Beltrão, diretor da Ubrabio: “Brasil será o terceiro maior produtor global”

A mistura de biodiesel no óleo diesel já começa a surtir efeito positivo na balança comercial brasileira. No ano passado, o consumo obrigatório do produto estabelecido em 5% pelo governo (conhecido como programa B5) respondeu por cerca de 30% do volume total importado pelo Brasil de diesel para atender à demanda no país. Em 2009, essa proporção chegou a 50%, mas as importações do diesel foram bem menores, por conta da crise financeira global.

A expectativa é de que a dependência de importação de diesel no país recue aos poucos, até zerar nos próximos seis anos, considerando que a mistura do biodiesel no combustível aumente para 10% em 2014 e alcance 20% em 2020, além da instalação de novas refinarias no país pela Petrobras até 2017, segundo informações da estatal.

No ano passado, o consumo nacional de biodiesel totalizou 2,5 bilhões de litros, crescimento de 56% sobre 2009, reflexo da obrigatoriedade de utilização de 5% do produto no diesel estabelecida pelo governo no início de 2010, informou Sérgio Beltrão, diretor-executivo da Ubrabio (União Brasileiro de Biodiesel). Por conta dessa política, o país deixou de importar diretamente o mesmo volume consumido de diesel, evitando gastos diretos em torno de US$ 1,4 bilhão. Até 2008, a mistura era facultativa e começou com 2% em 2005.

Criado para ter o mesmo status que o Proálcool, que em meados dos anos 1970 revolucionou o mercado brasileiro de combustíveis, o programa de mistura do biodiesel, ainda que a passos lentos, começa a ganhar espaço.

No ano passado, o Brasil importou 9,1 bilhões de litros de diesel para suprir suas necessidades. Os gastos foram de US$ 5,131 bilhões, de acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). O consumo total de diesel totalizou em 2010 cerca de 49,7 bilhões de litros, um aumento de 12,7% de acordo com estimativas do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom). Esse salto no consumo, depois de dois anos de estagnação por conta da crise econômica mundial, ocorreu com a recuperação da economia nacional.

Em 2009, a importação do diesel foi de 3,5 bilhões de litros, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), quando o consumo total no país ficou em 44,3 bilhões de litros. “O aumento de consumo do diesel está ligado diretamente ao PIB. A economia deu sinais claros de recuperação no ano passado, com maior transporte de mercadorias”, afirmou Alísio Vaz, diretor do Sindicom. Cerca de 90% do diesel consumido no país é utilizado em transporte, sobretudo de caminhões e ferrovias.

Com investimentos de cerca de R$ 4 bilhões nos últimos anos, o país conta com 63 usinas produtoras do biocombustível. A Petrobras é dona de três usinas e tem participação em uma quarta unidade. Apesar dos tropeços no início de sua implantação, o mercado de biodiesel começa a amadurecer. O setor aguarda novo marco regulatório para que a mistura de 10% seja efetivada até 2014 e aumente para 20% em 2020. “Tivemos avanços em relação à obrigatoriedade da mistura de 5%, que estava prevista somente para 2013, mas foi antecipada para o ano passado”, observou Beltrão.

Para o Sindicom, uma nova elevação da mistura tem de ser discutida, antes de sua implementação. “Somos a favor da revisão ampla, antes das mudanças”, afirmou Vaz. Ele lembra que os custos da mistura de biodiesel por litro são até R$ 0,07 maiores, por conta da logística de se transportar o biodiesel até as distribuidoras de combustíveis.

Assim como o Proálcool no início de sua implementação, o programa do biodiesel, criado em 2005, é controlado pelo governo. As compras do produto são feitas 100% pela Petrobras via leilão, coordenado pela ANP. No caso do etanol, o governo não intervém diretamente nesse setor desde os anos 1990. A mistura obrigatória do etanol anidro na gasolina é de 25% e o etanol hidratado é utilizado diretamente como combustível no automóvel. “A diferença do biodiesel em relação ao etanol é que o impacto do produto na balança comercial é bem maior, uma vez que o Brasil importa pouco álcool”, disse Beltrão.

Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a capacidade instalada de produção de biodiesel no país está em torno de 5,1 bilhões de litros. A demanda para atender a mistura de 20% até 2020 é estimada em 14,3 bilhões de litros, com investimentos em torno de R$ 7,3 bilhões. “Hoje, todo biodiesel produzido é consumido para viabilizar a mistura. As usinas não acumulam estoques”, disse Beltrão. A soja responde por mais de 80% da matéria-prima para a produção do biocombustível.

Neste ano, Beltrão disse que a expectativa é de que o Brasil se torne o terceiro maior produtor global de biodiesel, ficando somente à frente da Alemanha e França.

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BIOCOMBUSTÍVEIS

8/11/10

Multinacionais investem em usinas de biodiesel no Brasil

Gigantes estão fazendo investimentos em várias regiões brasileiras, de olho na facilidade de obtenção da soja

04 de novembro de 2010 | 0h 00

Eduardo Magossi – O Estado de S.Paulo

As grandes tradings multinacionais de commodities estão descobrindo o mercado brasileiro de biodiesel. Em menos de duas semanas, gigantes como Cargill, ADM e Noble anunciaram investimentos na construção de usinas de biodiesel em várias regiões brasileiras. Também nas últimas semanas, a Brasil Ecodiesel anunciou que está unindo seus negócios com a Maeda Agroindustrial.

O ponto em comum entre todas essas operações é a facilidade de obtenção da soja. “Estas empresas não precisam buscar a soja fora de casa e não estão sujeitas às variações do mercado”, explica o presidente da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), Odacir Klein. Hoje, o óleo de soja representa perto de 80% da matéria-prima utilizada na produção de biodiesel.

A verticalização dessas empresas também indica uma preocupação em relação ao escoamento do óleo de soja resultante do esmagamento da soja em grão. “Já é fato que o mercado de carnes, tanto bovina quanto suína, está crescendo de forma cada vez mais intensiva e a utilização do farelo de soja como ração animal tende a crescer”, informa Amaryllis Romano, economista da Tendências Consultoria.

Segundo ela, quanto mais farelo for produzido, mais óleo de soja ficará disponível. “A demanda doméstica por óleo é limitada e a entrada dessas tradings no mercado de biodiesel revela que elas estão montando uma estratégia para escoar este óleo de soja que, de outra forma, poderia ficar represado”, diz. As exportações de derivados de soja do Brasil são limitadas pela Lei Kandir, que penaliza com impostos as vendas externas de óleo e farelo e beneficia a exportação do grão.

Investimentos. A Cargill anunciou a construção de usina para produção de biodiesel no Mato Grosso do Sul, com investimentos de R$ 130 milhões. A unidade entrará em operação em 2012 e funcionará em anexo à fábrica de esmagamento de soja da empresa, devendo produzir 200 mil toneladas de biodiesel por ano.

O Noble Group vai investir US$ 200 milhões em sua primeira indústria de esmagamento de soja e produção de biodiesel no País. A fábrica será em Mato Grosso e deverá ter produção anual de 200 mil toneladas. Com início das operações também esperado para 2012, a ADM vai construir sua segunda usina de biodiesel no País em Santa Catarina, com produção estimada de 164 mil toneladas. O valor do investimento não foi revelado.

A Brasil Ecodiesel, que até meados deste ano estava comprando de fornecedores todo o óleo de soja usado em sua produção, vai contar, agora, com a matéria-prima da Maeda Agroindustrial, grande produtor de soja e algodão, duas matérias-primas importantes para o biodiesel.

Para Klein, os investimentos em novas usinas indicam também que essas empresas acreditam que o atual represamento do mercado interno vai acabar. Atualmente, é obrigatória por lei a adição de 5% de biodiesel no diesel mineral, o B5, embora a capacidade instalada hoje no País seja suficiente para adição de 10%. “Essas multinacionais esperam um aumento da mistura no mercado interno brasileiro.”

O Programa Nacional de Uso e Produção de Biodiesel do governo brasileiro previa inicialmente o B5 apenas em 2013. A adição de 5% foi adiantada em função da grande capacidade instalada do Brasil, hoje em torno de 5,1 bilhões de litros, mas demanda efetiva de apenas 2,4 bilhões de litros. “O setor precisa de um novo marco regulatório e esses investimentos externos indicam que a expectativa internacional é de que haverá um novo marco com aumento da mistura”, explica Klein.

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Butamax cria base de exportação de biobutanol no país

Mônica Scaramuzzo | De São Paulo

03/11/2010

Claudio Belli/Valor

Tim Potter, presidente global da Butamax, joint venture entre BP e DuPont: foco na exportação para EUA, UE e Ásia

A Butamax, joint venture entre a companhia petrolífera inglesa British Petroleum (BP) e a americana DuPont , anuncia hoje a criação de seu primeiro laboratório no Brasil para o desenvolvimento e produção de biobutanol, biocombustível renovável que concorrerá com o etanol e a gasolina no mercado global de combustíveis. Em entrevista ao Valor, Tim Potter, principal executivo da companhia, disse que a unidade de Paulínia terá capacidade para exportar o produto para os EUA a partir de 2013.

O laboratório de pesquisa e desenvolvimento de Paulínia, que estará nas dependências de uma das unidade produtoras da DuPont, vai utilizar a cana-de-açúcar como principal matéria-prima e terá capacidade para produção em escala industrial entre 2012 e 2013. “A cana é a matéria-prima mais eficiente e tem custo menor que os grãos, também utilizados na produção do biocombustível”, disse Potter. A empresa tem laboratórios de tecnologia em Hull, na Inglaterra, e em Delaware, nos EUA, além de pesquisas conduzidas na Alemanha e na Índia. A companhia não informou o valor do investimento em Paulínia.

A empresa começou há alguns anos pesadas pesquisas para a produção de biobutanol, de olho nos mercados americano, europeu e asiático. O biobutanol é a grande aposta da companhia para substituir os combustíveis fósseis, como a gasolina, e o produto concorrerá com o etanol. A diferença básica entre o biobutanol e o etanol é que o primeiro, de densidade energética maior, conta com quatro moléculas de carbono, e o segundo, duas. O processo de fermentação do biocombustível também difere do etanol.

O primeiro mercado para o biobutanol no mundo serão os EUA. “As refinarias americanas serão os nossos principais clientes”, afirmou o executivo. Não será necessária nenhuma adaptação aos veículos para o consumo de biobutanol nos tanques, de acordo com o executivo.

A expectativa da Butamax é ter escala para produzir cerca de 2 bilhões de galões (ou 7,5 bilhões de litros) de biobutanol por ano, a partir de 2020, no mercado internacional. Antes desse período, a empresa vai produzir o biocombustível em menor escala no Brasil e Inglaterra, onde tem uma unidade de demonstração, utilizando cana e grãos (milho e trigo), como principais matérias-primas, além de microalgas e celulose. A empresa tem registrado mais de 70 patentes do produto no mercado global.

Potter disse que a Butamax deverá dar início nos próximos meses a negociações com usinas sucroalcooleiras do Brasil para o produção do biocombustível por meio de parcerias, com a utilização da tecnologia desenvolvida pela companhia. “Para as usinas, a vantagem dessa parceria será a diversificação do seu negócio, uma vez que o biobutanol será um produto voltado para o mercado externo. No país, essas empresas poderão negociar o etanol para atender ao mercado doméstico”, afirmou.

Com expertise em bioctenologia, a DuPont uniu-se à petrolífera BP, que passou recentemente por um grande revés, por conta do vazamento de óleo no Golfo do México, que tem feito grandes apostas em biocombustíveis de segunda geração no mercado internacional. A joint venture entre as duas companhias foi formalizada no ano passado, mas as duas empresas já trabalhavam juntas desde 2003 para o desenvolvimento desse produto.

Grandes petrolíferas globais estão fazendo apostas nos biocombustíveis renováveis, como alternativa aos produtos de origem fóssil. Esses combustíveis renováveis dificilmente terão escala para substituir a gasolina, mas estão ganhando espaço, uma vez que o apelo por produtos renováveis cresce. Um dos exemplos mais recentes foi o da Shell, que firmou joint venture com a companhia brasileira Cosan, a maior produtora de açúcar e álcool do mundo. Nessa joint venture, além dos negócios de distribuição de combustíveis, a Shell terá acesso à produção de etanol da Cosan e o grupo nacional terá acesso à produção de biocombustíveis de segunda geração da petrolífera.

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BIOCOMBUSTÍVEIS

21/06/10

Petrobras acelera avanço em biocombustíveis

Mauro Zanatta, de Brasília
18/06/2010

A Petrobras Biocombustível (PBio) está pronta para ampliar sua presença nos mercados de etanol e de biodiesel no país. A empresa decidiu acelerar a compra de participação em novas usinas de etanol e elevar aportes em unidades próprias de biodiesel, informou o presidente do conselho de administração da PBio, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, ao Valor.

A empresa prevê ocupar uma fatia de 20% do mercado de etanol por meio de participação acionária e liderar em biodiesel com 25% da produção nacional. “Vamos avançar rápido e comprar participação em outras empresas de etanol. Vamos comprar 49% das ações e fazer a gestão compartilhada”, afirmou Cassel.
O planejamento da PBio inclui gerir as áreas de finanças, administração ou logística das novas aquisições para “dominar e apropriar-se da tecnologia” desenvolvida pelas parceiras. “É um setor de alta complexidade para nós. Mas já somos uma empresona do setor, estamos grandes em etanol e biodiesel e já mudamos esses mercados”, disse. “Vamos trabalhar no vermelho por três a cinco anos, mas depois disso teremos um lucrinho”.

Em maio, a PBio anunciou a compra de participação na Açúcar Guarani, controlada pela francesa Tereos. Nos próximos cinco anos, a empresa investirá R$ 1,6 bilhão na Guarani, que processa 16 milhões de toneladas de cana por safra. “Já estamos no coração do setor com a Guarani e já estamos aprendendo muito”, declarou o ministro.

A subsidiária integral da gigante brasileira do petróleo começou a investir pesado em etanol no fim de 2009 com a compra de 40,4% da ações da usina Total, de Bambuí (MG), por R$ 150 milhões. Até então, negociava adquirir parte da usina Itarumã (GO) em parceria com a japonesa Mitsui. A opção pelo etanol busca “equilibrar” o jogo com o interesse de grupos multinacionais no setor e evitar o domínio absoluto do capital estrangeiro em usinas brasileiras. “A presença da Petrobras equilibra um pouco as coisas”, avaliou Cassel.

Nas diretrizes da PBio, comandada pelo ex-ministro Miguel Rossetto, estão pesados investimentos de US$ 530 milhões em pesquisas de biocombustíveis até 2014. A empresa já domina a tecnologia do biodiesel de mamona e banca pesquisas para adequar outras matérias-primas às exigências técnicas. “Percebemos que o biodiesel estará na matriz energética do futuro. Por isso, vamos estabilizar o programa”, acrescentou.

A empresa se esforça para estimular e organizar a produção familiar. Fez acordo com o Banco do Brasil para avalizar financiamentos, transferir pacote tecnológico integrado de insumos e assegurar a compra da matéria-prima.

Em 2009, firmou convênio com o BB para avalizar R$ 90 milhões a 60 mil produtores de mamona, soja e girassol de Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Bahia e Sergipe. A produção, que deve ser ampliada para 120 mil hectares nessas áreas, abastecerá as usinas de Quixadá (CE), Candeias (BA) e Montes Claros (MG). Uma delas já dobrará sua capacidade de processamento.

No ano passado, a PBio também adquiriu metade das ações da usina de biodiesel BSBios, de Marialva (PR), por R$ 55 milhões. “Estamos fazendo uma inclusão bem feita, de Primeiro Mundo”, disse Cassel. 

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Regra da UE busca assegurar biocombustível sustentável

Bloomberg News/ Valor Econômico
14/06/10
A União Europeia criou controles para evitar que o comércio de biocombustíveis provoque danos às florestas e outras áreas, dentro de seus esforços para reduzir a dependência dos meios de transporte com o petróleo.

A Comissão Europeia divulgou as diretrizes para assegurar que os biocombustíveis – feitos basicamente de culturas como colza, trigo, milho e açúcar – não tenham origem em áreas de florestas, terras pantanosas e reservas naturais. O objetivo é esclarecer partes da lei europeia que exige um mínimo de 10% de fontes renováveis nos combustíveis para o transporte ferroviário e rodoviário até 2020 em todo o bloco.

Aprovada em 2008, a lei determina padrões de proteção ambiental para os biocombustíveis que entrarão nessa meta de fontes renováveis, para que a expansão no comércio desses produtos não chegue à custa do desmatamento em países exportadores, como o Brasil. “Temos de assegurar que os biocombustíveis também sejam sustentáveis”, disse o comissário de Energia da UE, Guenther Oettinger. “Temos o critério mais rigoroso do mundo.”

Os biocombustíveis oferecem a perspectiva de reduzir o uso de combustíveis fósseis, aos quais se atribuem as mudanças climáticas. Também ajudam a União Europeia a diversificar suas fontes de energia e diminuir a dependência de petróleo e gás natural.

Em 2008, os biocombustíveis representaram 3,4% do consumo em meios de transporte na UE, segundo informações do bloco econômico. Em 2007, 26% do biodiesel e 31% do etanol consumidos na UE foram importados, principalmente do Brasil e EUA.

Grupos ambientais haviam considerado os padrões de sustentabilidade pouco estritos e acusavam a UE de não prestar a atenção adequada à “mudança indireta no uso da terra”, ou seja, a possibilidade de que o maior cultivo de culturas usadas em biocombustíveis desloque a produção de alimentos. Tal tendência ameaçaria estimular a conversão de florestas e terras pantanosas (que armazenam CO2) em terras para agricultura.

Este é “talvez o problema mais perigoso dos biocombustíveis”, segundo o Greenpeace. “Os impactos da mudança indireta no uso da terra continuarão causando perda significativa na biodiversidade e mais emissões de gases causadores do efeito estufa.”

A Comissão Europeia, responsável pelas regulamentações dos 27 países da UE, está concluindo quatro estudos sobre a questão e pretende realizar um período de consultas com as partes interessadas. Até o fim do ano quer ter um documento normativo que poderia impor regras adicionais de sustentabilidade, segundo Marlene Holzner, uma das porta-vozes da CE. Até essa data, o foco é colocar em vigor a atual lei sobre biocombustíveis de forma harmoniosa, segundo Oettinger.

A Comissão Europeia de Biodiesel, que representa cerca de 60 companhias, incluindo a Verbio da Alemanha e a Neste Oil Oyj da Finlândia, bem como as divisões europeias da Archer Daniels Midland e Cargill, saudaram as diretrizes como “esclarecimentos essenciais” da legislação da UE.

Uma exigência ambiental na lei europeia é que a produção de biocombustíveis conduza a uma economia nas emissões de gás-estufa de pelo menos 35% inicialmente e de 50% a partir de 2017. O menor nível de economia para biocombustíveis a partir de novas plantas é de 60% em 2018.

As diretrizes explicam como calcular essas economias de gás estufa. O documento normativo também procura esclarecer artigos sobre proteção da natureza.

A orientação “explica que biocombustíveis não devem ser produzidos a partir de matérias-primas de florestas tropicais ou de áreas recentemente desmatadas, turfa, pantanais ou áreas de extrema biodiversidade – e a forma como isso deve ser avaliado”. Ela esclarece que a conversão de florestas para plantação de óleo de palma poderá conflitar com exigências de sustentabilidade.

A legislação da UE com a meta de 10% para energia renovável no transporte também visa elevar a parcela de energia verde, incluindo energia eólica e solar na UE, a uma média de 20% até 2020.

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