BIOMASSA

31/05/10

Projetos aumentam em todo o mundo

De São Paulo
26/05/2010

Davilym Dourado/Valor

Marcos Buckeridge, professor da USP: Japão é outro país da Ásia que merece atenção por suas novas pesquisas

O Brasil, ao lado dos Estados Unidos, é um dos poucos países do mundo que já têm uma indústria consolidada de produção de energia a partir de biomassa derivada das usinas de etanol. Mas há várias outras nações investindo para atingir situação semelhança. Nem todas têm, no entanto, clima tropical e disponibilidade de água e terra para a cultura da cana-de-açúcar. Por isso, apostam em outras plantas para a produção de álcool e outros combustíveis. Entre elas estão, por exemplo, o milho, o pinhão manso, o miscanthus (uma gramínea semelhante à cana) e o populus (uma espécie de álamo que produz madeira para papel).

Uma região que vem se destacando nesse cenário é o Sudeste Asiático. Segundo o pesquisador Ramlan Abd Aziz, professor da Universidade Tecnológica da Malásia, que esteve em São Paulo em março para participar da Convenção Latinoamericana do Global Sustainable Bioenergy Project (GSB), boa parte dos países de lá dispõe de projetos para produzir biocombustíveis. O potencial de produção da região é de 14 milhões de barris por dia, mais do que os 11 milhões de barris de petróleo produzidos pela Arábia Saudita. A Tailândia, por exemplo, tem nove usinas para a produção de etanol de cana e nove de biodiesel de dendê. Mianmar também se destaca, com a produção de biocombustível de jatropha, uma planta conhecida no Brasil como pinhão manso – aquele país detém 90% das plantações mundiais desse vegetal.

O botânico e professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Buckeridge cita o Japão como outro país da Ásia que merece atenção. “Um colega de lá conseguiu transformar geneticamente o populus, introduzindo nessa planta genes produtores de enzimas que degradam a parede celular, o que facilita a produção de etanol”, explica. “Ele plantou as árvores transgênicas e agora, em relativamente pouco tempo, os japoneses poderão dispor de uma biomassa muito interessante para a produção de energia.” Bélgica e Canadá estão realizando experiências semelhantes com a mesma espécie.

A Comunidade Europeia anunciou recentemente financiamento de ciência e tecnologia em bioenergia. “No edital, era obrigatório ter grupos brasileiros”, diz Buckeridge. “Nós entramos com um projeto conjunto e aparentemente ganhamos, mas ainda não é oficial do lado brasileiro, só do europeu. São € 4 milhões para cada lado.” O Reino Unido, por sua vez, montou o programa Renewall, com grupos de pesquisadores de elite, para trabalhar no etanol de segunda geração. As plantas de interesse dos britânicos são o miscanthus e o salgueiro (um arbusto de crescimento rápido em regiões temperadas).

Nesse panorama, os Estados Unidos são um caso à parte. Apesar de já produzir etanol a partir do milho, o país vem desenvolvendo vários projetos para a produção de energia a partir de outras plantas. Buckeridge destaca dois programas. “Um é o Energy Biosciences Institute (EBI), com investimento de cerca de US$ 500 milhões da British Petroleum (BP)”, informa. “Eles escolheram as universidade de Illinois, em Indiana, e Berkeley, na Califórnia, para montar laboratórios para realizar as pesquisas.”

Outro programa americano importante é o Joint Bioenergy Institute, que tem verba do Departamento de Energia (DOE). No caso americano, as estratégias são muito parecidas com as do Brasil, ou seja, os grupos de cientistas estão se agrupando em centros de pesquisa. “Uma grande vantagem deles é o investimento privado, que lá é maciço”, diz Buckeridge. “Por exemplo, o Dumforth Institute, em Saint Louis, que se dedica à produção de tecnologia de biodiesel para usar em aviões a jato, é um investimento da Rent a Car.” (E.S.)

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ENERGIA LIMPA

10/05/10

Energia limpa  

Folha de S. Paulo

06/05/10 – O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2019) posto em consulta pública anteontem pelo Ministério de Minas e Energia contém avanços em relação às versões anteriores. Suscita, porém, dúvidas, que precisam ser dirimidas nos próximos 28 dias -o prazo previsto para sugestões.

O passo à frente está na prioridade conferida às fontes renováveis na expansão da oferta de energia compatível com um crescimento econômico de 5,1% ao ano. Graças aos biocombustíveis (álcool e biodiesel), às hidrelétricas e à biomassa, o governo projeta manter as renováveis num percentual em torno de 48% da energia total consumida no país -umas das matrizes mais limpas do mundo.

É verdade que, do investimento de R$ 951 bilhões previsto para exorcizar o espectro de novos apagões, 70% serão carreados para as áreas de petróleo e gás natural. Vivem-se, afinal, tempos de entusiasmo político desmedido com o pré-sal.

São combustíveis fósseis consumidos na área de transportes e em boa parte da indústria. Sua queima lança na atmosfera carbono antes imobilizado nas profundezas da Terra, o que contribui para agravar o efeito estufa.

O balanço ambiental do setor energético, projeta o governo, seria reequilibrado com um retrocesso na crescente utilização de usinas térmicas. A partir de 2013, toda a expansão se faria com usinas hidrelétricas -menos poluentes.

É um quadro, entretanto, demasiado otimista, pois conta com obras ainda duvidosas. O caso mais notório é o de Belo Monte, no rio Xingu, que sozinha responderia por 11,2 mil dos 63,4 mil megawatts a serem instalados e agregados ao Sistema Integrado Nacional.

O PDE 2019 programa para janeiro de 2015 a operação de Belo Monte. São menos de cinco anos. Para uma usina tão complexa e controversa, que acabou de ser leiloada e ainda passa por recomposição do consórcio vencedor, a expectativa soa exagerada.

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03/05/2010

Energia solar vai responder por 11% da eletricidade em 2050

da Reuters, em Verona

A tecnologia solar vai gerar 3 mil gigawatts de energia em 2050, contra 900 megawatts em 2030, disse o presidente da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) nesta segunda-feira.

“Isso significa que cerca de 11% da eletricidade no mundo será gerada por energia solar em 2050″, afirmou Paolo Frankl em uma conferência, apresentando um roteiro da agência para a energia solar. O roteiro completo será divulgado em 11 de maio.

Em um relatório anterior, a IEA havia estimado 1.600 gigawatts de eletricidade sendo gerada a partir de tecnologia solar até 2050.

A previsão de 3.000 gigawatts de capacidade até 2050 vai produzir 4.500 terawatt-hora de eletricidade por ano.

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BIOCOMBUSTÍVEIS

10/05/10

Petrobrás terá usina de biodiesel no Pará

Unidade, com capacidade prevista de 120 milhões de litros por ano, deve usar óleo de palma como matéria-prima

06 de maio de 2010

Carlos Mendes, ESPECIAL PARA O ESTADO / BELÉM – O Estado de S.Paulo

O presidente da Petrobrás Biocombustível, Miguel Rossetto, anunciou ontem em Belém a construção de uma usina de biodiesel no Pará. A usina deve entrar em operação em julho de 2013. O investimento é de R$ 330 milhões. Desse total, R$ 90 milhões serão gastos na área industrial e outros R$ 240 milhões na área agrícola. Rossetto disse que a usina produzirá 120 milhões de litros por ano e irá abastecer toda a região Norte.

O suporte à usina será a instalação de dois complexos industriais de extração de óleo de palma, abrangendo unidade de cogeração de energia elétrica e esmagadoras. Na visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira a Tomé-Açu, no Pará, ele lançará o Programa Nacional de Óleo de Palma.

Está prevista uma visita de Lula à área do viveiro, com 1 milhão de mudas. Segundo Marco Antonio Leite, coordenador de agroenergia da Petrobrás, os impactos econômicos e sociais dos projetos são extremamente positivos para a região. No projeto, denominado Biodiesel Pará, está prevista a geração de 7 mil empregos diretos, sendo 5,2 mil no setor agrícola e 1.750 na área industrial e de logística. Outros 2.250 agricultores familiares serão envolvidos no plantio de palma.

Equilíbrio. As plantações ficarão localizadas em uma das áreas mais degradadas do nordeste paraense. Um dos benefícios ambientais dos projetos será a recuperação dessas áreas afetadas pelo desmatamento, proporcionando, segundo a empresa, proteção de solo, equilíbrio ecológico e a reintegração econômica de regiões com pouca atividade produtiva, além de contribuir com a redução de gases de efeito estufa no ciclo de produção do óleo vegetal e na produção de biodiesel.

Segundo Rossetto, a nova usina é uma adição ao projeto de produção de biodiesel em Portugal, em parceria com a Galp Energia, já anunciada, com investimentos somados de US$ 530 milhões. Ele informou que ainda em 2010 serão adquiridas 1,1 milhão de sementes de palma para o início da produção de mudas em viveiro.

O plantio das mudas nas áreas de produção está previsto para dezembro de 2011 e o início da colheita, a partir de 2014. “Estamos muito felizes em atuar aqui, numa parceria com o governo estadual. A Petrobrás veio para ficar no Pará”, acrescentou Rossetto.

O projeto Belém prevê a produção de 250 mil toneladas de biodiesel por ano em Portugal, em parceria com a Galp Energia, para atendimento ao mercado ibérico. A parceria faz parte da estratégia da Petrobrás de entrada no mercado europeu de combustível.

O investimento total é de R$ 1,017 bilhão, sendo R$ 554 milhões no Brasil para a produção de 300 mil toneladas de óleo de palma por ano e R$ 463 milhões em Portugal para a implantação de uma unidade de biodiesel. A previsão de entrada em operação da usina é 2015.

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BIODIESEL

21/03/10

Petrobrás pesquisa biodiesel para navios

Biocombustível pode reduzir emissão de poluentes e melhorar a qualidade do ar nas proximidades de portos brasileiros

17 de março de 2010
Nicola Pamplona – O Estadao de S.Paulo

A Petrobrás vai pesquisar a adição de biodiesel ao combustível usado por navios, conhecido no mercado pelo nome de bunker de navegação. O objetivo é tentar reduzir as emissões de gases poluentes do produto, que deve ter grande crescimento de consumo no Brasil nos próximos anos.

A pesquisa é um dos focos do laboratório Bunker 1, fruto de parceria da Petrobrás com a Coppe/UFRJ, que será inaugurado hoje. Com investimento inicial de R$ 6,7 milhões, o laboratório vai buscar novas tecnologias para a produção de bunker, com foco na eficiência de queima do combustível e nas emissões de gases poluentes.

Uma segunda etapa, orçada em R$ 5,9 milhões, já foi aprovada, com a compra de um segundo motor para testes de combustível. O primeiro, um motor alemão da MAN, com potência de 500 quilowatts (kW), já está na Coppe para a primeira fase do laboratório Bunker.

O bunker é um óleo combustível pesado, usado apenas em motores de baixa rotação. Segundo o coordenador do Laboratório de Máquinas Térmicas da Coppe, Albino Leiroz, apresenta dificuldades de queima e altas emissões, problemas que o laboratório espera reduzir. Ele diz que o objetivo é aumentar a eficiência do bunker produzido pelas refinarias brasileiras.

“Temos um grupo temático de estudos sobre combustíveis, com projetos na área de automóveis e motocicletas, por exemplo, mas percebemos que não havia conhecimento na área de bunker no Brasil”, completa o pesquisador do Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), Tadeu Cordeiro. “O Brasil é líder mundial em biocombustíveis e esse laboratório vai permitir a pesquisa de adição de biocombustíveis ao óleo combustível”, completa.

O uso de biocombustíveis, diz, pode ser uma maneira de reduzir as emissões de fuligem na queima do bunker, melhorando a qualidade do ar no entorno dos portos brasileiros. A Petrobrás espera grande crescimento no consumo do produto, diante das encomendas de novos navios para o transporte de petróleo no País. “A frota de petroleiros está crescendo bastante, com as encomendas da Transpetro”, diz Cordeiro.

Segundo Leiroz, da Coppe, o laboratório deve iniciar os testes em cinco meses. Antes disso, os pesquisadores vão trabalhar na preparação dos testes. “Trata-se de uma operação complicada, que envolve estocagem de combustíveis, operação de bombas e válvulas”, comenta o professor.

Pesquisa. O investimento tem sido bancado com recursos da participação especial cobrada dos grandes campos produtores de petróleo. Segundo a lei, 1% dessa arrecadação deve ser destinada a pesquisa e desenvolvimento, medida que tem possibilitado a abertura de inúmeros laboratórios de pesquisa pelo País ? e iniciativas como a criação do Parque Tecnológico da UFRJ, que vai desenvolver pesquisas sobre o pré-sal.
Petrobrás e Coppe já assinaram um primeiro convênio para a operação do laboratório de bunker, ao custo de R$ 1,9 milhão e prazo de dois anos. O laboratório contará com dois professores, três engenheiros, seis técnicos e entre seis e dez alunos de pós-graduação do instituto, hoje reconhecido como um dos principais parceiros da Petrobrás no desenvolvimento de novas tecnologias para a indústria petrolífera.

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