MATRIZ ENERGÉTICA

15/12/09

07/12/2009

Lula diz que países devem mudar matriz energética

da Agência Brasil
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, em seu programa semanal de rádio “Café com o Presidente”, que os países terão que mudar suas matrizes energéticas e que o novo combustível “já tem endereço”, referindo-se ao álcool e ao biodiesel brasileiros.

O presidente lembrou que participou na Ucrânia de reunião com empresários e que o mesmo ocorreu na Alemanha –onde o destaque foi a discussão sobre biocombustíveis.

Lula afirmou que a União Europeia se comprometeu a fazer com que todos os automóveis utilizem 10% de álcool na gasolina até 2020 e que, para isso, vai precisar comprar o produto.

“A Alemanha, embora produza biodiesel, não pode continuar produzindo do alimento. É melhor que a gente procure outra oleaginosa que não seja alimento e o Brasil é o país que oferece grandes oportunidades”, afirmou o presidente.

No fim de novembro, a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) defendeu a manutenção da mistura atual de 25% de álcool na gasolina, opondo-se a ideias de alguns setores do governo sobre uma possível redução da mistura para evitar novas altas do biocombustível no mercado.

“A Unica entende que a produção de álcool anidro continua em patamares suficientes para garantir o nível de mistura de 25% na gasolina, não havendo qualquer necessidade de alteração”, disse a entidade em nota divulgada então, que acompanhou relatório sobre o processamento da safra 2009/10.

A produção de açúcar no centro-sul já subiu 10% na comparação com o ano passado, enquanto a de álcool (anidro mais hidratado) registra recuo de 5,5%. Do início da safra até o final de setembro, o crescimento das vendas de álcool hidratado para o mercado doméstico estava em 23,5%. Em outubro, esse crescimento já havia caído para 17,7% e ao final da primeira quinzena de novembro chegou a apenas 13,5%, de acordo com a Unica.

Leia na fonte

BIOCOMBUSTÍVEIS

26/10/09

23/10/2009

Governo antecipa mistura obrigatória de 5% de biodiesel ao diesel

SOFIA FERNANDES
colaboração para a Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia hoje a obrigatoriedade de adição de 5% de biodiesel ao diesel derivado de petróleo. A medida entraria em vigor só em 2013, mas o governo decidiu antecipar para 2010. Passa a vigorar a partir de 1º de janeiro.

O governo decidiu antecipar a medida porque, segundo o Ministério de Minas e Energia, o Brasil tem capacidade para atender à medida desde já.

No Brasil há 43 usinas de biodiesel, com capacidade instalada para produzir 3,6 bilhões de litros. Com a medida anunciada hoje pelo presidente Lula, serão demandados 2,4 bilhões de litros por ano do combustível.

A produção de biodiesel no Brasil em 2009 vai fechar em 1,8 bilhões, segundo o ministério. Para 2010, a previsão é que o país produza de 2,4 bilhões a 2,6 bilhões de litros.

Leia na fonte

 

?

23/10/2009

Biocombustível será bom para o clima, indica simulação

RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo

O medo de que uma economia mundial baseada em biocombustíveis seja um tiro pela culatra no combate ao aquecimento global não tem muito fundamento, indica um novo estudo. Simulando um futuro em que os combustíveis fósseis seriam substituídos, pesquisadores concluíram que o cenário mais provável é um em que álcool e biodiesel possam mesmo ajudar a evitar emissões de gases do efeito estufa.

O novo trabalho, publicado pela revista “Science”, indica que a atual política para uso da terra com biocombustíveis está no caminho certo, mas alerta que uma mudança poderia provocar, sim, efeitos indesejáveis.

Luiz Carlos Murauskas -17.set.09/Folha Imagem

Medo de que uma economia mundial baseada em biocombustíveis seja fracassada no combate ao aquecimento não tem fundamento

Liderado por Jerry Melillo, do Laboratório de Biologia Marinha de Woods Hole (EUA), o trabalho mostra, primeiro, um cenário pessimista. Efeitos “indiretos” da ampliação de produção de biocombustíveis seriam capazes de emitir até duas vezes mais CO2 que o uso direto de terras para plantar vegetais necessários ao produto.

Isso ocorrerá se pastagens desalojadas para a produção de cana, por exemplo, restabelecerem-se em áreas de floresta, provocando desmatamento. O uso irrefreado de fertilizantes nitrogenados também seria nocivo por produzir óxido nitroso, um gás de efeito estufa.

A relação entre agricultura e ambiente observada nos últimos dez anos, porém, aponta para um caminho diferente. Segundo os pesquisadores, a tendência é que as políticas antidesmatamento atuais, mesmo longe de ser perfeitas, consigam dar conta de frear esse problema. Biocombustíveis, nesse caso, têm vantagem inquestionável sobre petróleo, pois plantas absorvem CO2.

“Se as coisas continuarem como são hoje, vão gerar o que está no segundo caso, mais otimista”, diz Angelo Gurgel, economista da USP que participou do estudo. “Mas, se a pressão por bioenergia e alimentos for grande a ponto de os governos flexibilizarem a proteção ambiental, o cenário muda.”

O modelo matemático da simulação de Gurgel e colegas é possivelmente o mais completo já usado para ver o impacto dos biocombustíveis na mudança do uso de terra. Seu resultado otimista, com alguma surpresa, contrariou projeções sombrias obtidas por outros.

Esse tipo de simulação vinha sendo criticado por cientistas como José Goldemberg, também da USP, pioneiro do planejamento econômico para o álcool. “Um modelo geral para o mundo não se aplica em situações particulares, como a do Brasil”, diz o cientista. Um dos problemas, explica, é que o álcool de cana brasileiro produz muito mais energia por área cultivada do que o álcool de milho americano, por exemplo.

O trabalho de Gurgel, porém, evita isso ao se esquivar do debate sobre quais vegetais são melhores. “No longo prazo, o mercado vai selecionar naturalmente aqueles que tiverem potencial”, afirma.

O medo de que a valorização de terras viáveis para essas plantas as façam “empurrar” o gado para cima da floresta, diz, também não parece ter muita sustentação. Segundo Gurgel, porém, será preciso reforçar no futuro os mecanismos que, por enquanto, impedem isso.

Leia na fonte

Na balança, zero de carbono e 100% de biocombustível

5/10/09

Ernesto Moeri
21/08/2009

O Brasil reúne as condições ideais para suprir suas necessidades energéticas a partir de fontes renováveis

O presidente Lula fará parte da história deste país por diversos feitos realizados em sua gestão. Uma trajetória como a dele é rara, o que lhe rende admiração e inimigos. O que nem ele, e nem tampouco ministros e assessores perceberam ainda, é que esse protagonismo como destacada liderança da nação e do mundo pode assumir proporções sem igual por conta da preocupação generalizada com o meio ambiente. Sem qualquer oportunismo, é possível deixar um enorme legado com a gestão que tornaria o Brasil o primeiro do ranking em sustentabilidade ambiental com medidas que levariam à redução total das emissões de carbono e manutenção do estoque integral de etanol e biodiesel, combustível limpo, por aqui mesmo.

O Brasil é hoje um dos grandes emissores de CO2 em razão das queimadas na floresta amazônica, que contribuem com mais de 60% do total de dióxido de carbono lançado na atmosfera. Este fato explica o 5º lugar na lista de países que jogam no ar gases que contribuem para o efeito estufa, principal causador das mudanças climáticas que estamos presenciando. De possível “salvador do planeta”, o país acaba sendo visto como um dos vilões do aquecimento global. Não é de agora que a opinião pública de fora expressa grande preocupação com a destruição da Amazônia. Deste lado do Atlântico, se observa certa perturbação envolvendo ONGs, missionários e políticos estrangeiros, acusados de querer “internacionalizar” aquele território. Alguns até são apontados como elementos a serviço de corporações interessadas no chamado “ouro verde”, ou seja, a riqueza da biodiversidade local.

Mas vamos lembrar de alguns fatos por vezes esquecidos nesta discussão. O Brasil tem uma matriz energética extremamente limpa, com 85% da eletricidade oriunda de usinas hidrelétricas e de co-geração de biomassa e mais de 25% de todo o combustível consumido para o transporte rodoviário originado do solo, o que o torna uma fonte renovável.

A produção de etanol a partir do Proálcool, programa pioneiro da União criado há 30 anos, permite a substituição de mais de 50% da gasolina pelo álcool em automóveis. As respectivas plantações de cana ocupam menos de 3% de toda a área produtiva, mas são responsabilizadas injustamente pela alta mundial dos preços agrícolas. Lobistas e parte da mídia condenam plantações de cana destinadas à fabricação de álcool combustível por supostamente avançar sobre a floresta tropical e destruir a mata que abriga inúmeras bacias de seqüestro de carbono. Não se diz, porém, que a principal região de plantio dessa matéria-prima está distante 3 mil quilômetros da Amazônia e que ainda existe muita terra disponível e sem cultivo – são mais de 50 milhões de hectares apenas nos estados do Centro-Sul.

Os 20 milhões de m3 de etanol consumidos anualmente faz com que o Brasil deixe de lado a mesma quantidade de combustível fóssil, o que evita a emissão de 48 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Inicialmente subsidiado pelo governo, o Proálcool se tornou autossustentável e altamente competitivo. O break-even que evidencia a vantagem econômica do álcool sobre a gasolina foi atingido nos bons e velhos tempos de quando o barril de petróleo bateu na casa dos US$ 30.

Implantado por lei em 2006, o programa do biodiesel prevê que cada litro de diesel vendido nos postos em todo o território nacional contenha 2% do combustível renovável em sua mistura. De pouco em pouco, esse montante alcançou a marca de 1 milhão de toneladas/ano. Contas feitas, chegamos a 2,4 milhões de toneladas anualmente de gás carbônico que a terra brasilis evita intoxicar a todos. Falando em dinheiro, o carbono evitado por biocombustível equivale a cerca de US$ 80 milhões, valor não cobrável nos moldes do Protocolo de Kyoto por não se tratar de uma medida voluntária.

Fica a sugestão de que todo o esforço adicional para se utilizar biocombustíveis no lugar dos fósseis seja feito por absoluta iniciativa do mercado, de acordo com modelos determinados de produção e consumo, com benefício de regiões onde há disponibilidade de fontes energéticas e consumo em frotas cativas, e não “por decreto”, possibilitando desta maneira a efetiva negociação das emissões no mercado internacional de carbono.

Com seu vasto potencial em termos de território, recursos hídricos e biomassa, o Brasil reúne todas as condições ideais para suprir suas necessidades energéticas a partir de fontes renováveis. Com uma iniciativa destas, é possível girar um mercado em torno de 100 milhões/toneladas de biocombustíveis por ano. Em valores atuais, com a cotação de US$ 20 por tonelada de dióxido de carbono não emitido, a cifra gerada geraria um bom dinheiro: cerca de US$ 2 bilhões por ano, dinheiro que poderia ser investido para custear a redução de desmatamento do maior estoque de floresta tropical do planeta, a Amazônia.

Ao invés de vender etanol para os EUA e países da Europa e Ásia, encarando sobretaxas, altos custos com fretes e, sobretudo, críticas, o país poderia exportar os dois milhões de barris de petróleo/dia extraídos de seu solo nos parâmetros de um mercado internacional livre e totalmente regulamentado. Reter o biocombustível e repassar para o mercado externo o petróleo disponível terá um impacto extremamente positivo na balança comercial. E isto não é o mais importante: há de se convir que, enquanto todos os carros nacionais não rodarem com biocombustível, não faz sentido vender para gringos e hermanos um único litro deste valioso propulsor verde.

Aliado a isso, o plantio de oleaginosas não-comestíveis, como pinhão manso; a pesquisa e o desenvolvimento de novas fontes de biomassa e seqüestro de carbono por meio de projetos de preservação e reflorestamento irão permitir à Nação alcançar a meta de se tornar 100% neutra em carbono no prazo de uma década.

Para manter este equilíbrio, é importante a existência de consistentes políticas públicas destinadas a proteger as florestas tropicais, garantidoras desta condição única. E como pagar o custo desta proteção? Com a aplicação de parte destes recursos gerados pela comercialização dos créditos de carbono. Lula teria então a oportunidade de ser o presidente da nação número 1 em sustentabilidade ambiental e rumo a uma posição, cada vez menos fictícia, de grande influenciador da roda de negócios em nível global.

Ernesto Moeri é geólogo pela Universidade de Berna (Suíça), é presidente do Instituto Ekos Brasil. Foi presidente da Câmara Suíço-Brasileira de Comércio (2001-2006).

Leia na fonte

ETANOL

21/09/09

“Petrobras deve entrar no etanol este ano”

18/09 – 12:33 – Agência Estado

A Petrobras Biocombustível deve se transformar em um importante produtor de etanol no Brasil ainda este ano, segundo informação do presidente da empresa, Miguel Rossetto, em entrevista à Agência Estado. Segundo o executivo, a Petrobras Biocombustível deverá anunciar sua entrada no setor em breve, por meio de participação em mais de uma usina.

Mas, segundo ele, a empresa não trabalha com um cenário em que tenha participação majoritária. “Mas queremos ter uma presença forte o suficiente para que a nossa responsabilidade de gestão esteja assegurada”, disse. A Brenco é uma das empresas com quem a Petrobras está conversando, mas Rossetto deixa claro que não é a única. Além disso, a empresa deve inaugurar no ano que vem uma usina para produzir etanol de celulose – ontem, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que a unidade entrará em funcionamento em setembro de 2010, com capacidade de produção de 4 milhões de litros de etanol.

Rosseto, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, afirmou também que as três usinas de biodiesel da Petrobras estão operando com capacidade operacional completa. Uma quarta usina a ser construída na Região Norte está em projeto de viabilidade. “Estamos apostando muito na produção de biodiesel feito de dendê, no Pará”, disse. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Existe a possibilidade de que a atenção dada pelo governo à descoberta das reservas do pré-sal acabe por afetar a expansão da Petrobras Biocombustível?
De forma alguma. As estratégias da Petrobras Biocombustível estão em um plano de negócios que foi aprovado e tem um orçamento de investimentos para o período de 2009 a 2013 de R$ 5 bilhões. Estamos trabalhando na execução desses investimentos com objetivo de produzir etanol e biodiesel, e a descoberta do pré-sal não vai retardar esse processo. Ao mesmo tempo em que o Brasil está melhorando suas reservas de petróleo e se posicionando de forma expressiva no mercado de combustíveis fósseis, também está avançando na agenda estratégica na produção de renováveis. Para isso, vamos investir mais de R$ 1 bilhão em pesquisas nos próximos cinco anos.

Em julho, a Petrobras Biocombustível completou um ano de existência. Qual é a principal realização da empresa nesse período?
É estar com suas três usinas de biodiesel operando em sua capacidade plena. Atualmente, as usinas de Quixadá (Ceará), Candeias (Bahia) e Montes Claros (Minas Gerais) estão trabalhando com carga total para produzir o volume vendido nos leilões de oferta. No leilão realizado em agosto, que vendeu biodiesel a ser entregue no quarto trimestre do ano, a Petrobras Biocombustível conseguiu vender sua capacidade máxima autorizada, de 11,28 milhões de litros para cada usina.

Um dos objetivos do programa de biodiesel brasileiro é incentivar a agricultura familiar por meio do cultivo de outras oleaginosas, como girassol, mamona, pinhão manso, entre outros. Como está a utilização dessas oleaginosas pelas usinas da Petrobras Biocombustível?
A grande maioria de nosso biodiesel é feito com soja. Utilizamos basicamente soja e um pouco de algodão. Estamos em uma fase de certificação tecnológica para as outras oleaginosas e investindo para que a oferta dessas oleaginosas cresça regionalmente tendo como base a agricultura familiar. Já testamos o sebo bovino e estamos testando agora o dendê. As usinas de biodiesel são bastante flexíveis e podem utilizar várias matérias-primas. A soja utilizada em nosso biodiesel vem da agricultura familiar. É natural que a soja seja a principal matéria-prima porque é a mais disponível e tem abastecimento garantido, além de tecnologia e logística totalmente implementadas.

A participação das oleaginosas alternativas na produção de biodiesel vem caindo e a da soja aumentando. Grandes defensores dessas oleaginosas alternativas, como a Brasil Ecodiesel e a Petrobras, confirmam que estão utilizando basicamente soja. Isto significa que a soja é o futuro para o biodiesel?
Não, de forma alguma. A estratégia para estabilizar biodiesel é a diversificação de matéria-prima. Mas por um longo período a soja ainda vai liderar como principal fonte de produto. Ainda há um longo caminho para o pleno desenvolvimento das outras, que ainda precisam ter uma certificação tecnológica.

Qual a oleaginosa que deve se destacar na produção de biodiesel depois da soja?
Em minha opinião, será o dendê. O dendê deve ocupar o lugar de segunda oleaginosa mais utilizada na produção de biodiesel em um curto espaço de tempo, em função das qualidades que dispõe. Ela vai ser mais utilizada até que o sebo bovino. No médio prazo, temos o pinhão manso que ainda está começando a ser pesquisado. E juntamente com o algodão, girassol e mamona serão as oleaginosas utilizadas até o início de outro estágio tecnológico, quando entrarão no mercado o biodiesel de algas, microalgas e outras matérias-primas.

Diferentemente da soja,que já possui garantia de oferta, a produção das demais oleaginosas, principalmente por estar ligada a estruturas familiares, ainda precisa ser melhor organizada e administrada, não? A Petrobras tem algum projeto nesse sentido?
Estamos trabalhando nisso. Estamos concluindo a primeira fase da implementação de uma política de compra com contratos de cinco anos de duração. Dessa forma, o produtor tem a garantia de ser fornecedor da Petrobras por esse prazo. Isso está sendo feito para todas as oleaginosas, principalmente soja, girassol, macaúba e algodão. Num prazo de três anos, a expectativa é de que a participação da matéria-prima regional e familiar aumente de forma expressiva. Além disso estamos levando o cooperativismo para o Nordeste.

Como assim?
A agricultura familiar tem grande presença nos Estados do sul, onde a cultura do cooperativismo é histórica, além da vocação da região para pequenos produtores. Estamos fazendo um grande esforço para levar essa cultura para as regiões semiáridas do País, onde não existe uma ideia de cooperativa arraigada.

E a entrada da Petrobras Biocombustível na produção de etanol, quando será?
Provavelmente ainda em 2009. Estamos estudando várias possibilidades, tanto novos projetos como usinas já existentes. O que está orientando a decisão final é, também aqui, a qualidade econômica, ambiental e social dos investimentos.

A negociação com a Brenco está mais adiantada que as demais?
Não, a Brenco é apenas uma das empresas com quem estávamos conversando. E nada impede que a Petrobras Biocombustível anuncie sua entrada na produção de etanol com mais de uma usina. Não procuramos uma dispersão exagerada nem uma concentração perigosa.

Vocês pretendem adquirir uma usina?
Não. Queremos ter uma participação minoritária. Não trabalhamos com cenário de capital estatal majoritário nessas empresas. Mas queremos ter uma presença societária forte que assegure nossa participação efetiva na responsabilidade de gestão. E queremos estar presentes em companhias importantes, que tenham representatividade dentro do setor.

Leia na fonte

Plano de zoneamento da cana quer “esverdear” o etanol

Mauro Zanatta e Paulo de Tarso Lyra, de Brasília
17/09/2009

A Lei de Zoneamento Agroecológico da Cana, a ser anunciada hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é uma resposta aos críticos internacionais da produção de etanol no Brasil e um “trunfo” que será usado pelo país na cúpula sobre mudanças climáticas em Copenhague, na Dinamarca. eixo central do projeto responde aos principais questionamentos feitos por ambientalistas e organizações estrangeiras, como Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

Acusado de colocar em risco a produção de alimentos e de patrocinar a devastação da floresta ao incentivar o plantio da matéria-prima do etanol, o Brasil usará o “ZAE Cana” para rebater críticas e “esverdear” o etanol. “O argumento da situação externa foi decisivo”, admitiu o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ao Valor. “Lá fora tem essa discussão sobre alimentos e devastação. Consegui o apoio da Unica (usineiros) e agora vamos poder dizer que nosso etanol é 100% verde. Se não fosse, usariam barreiras para impedir a exportação do etanol.”

Meio a contragosto, Minc admite ter “ganho a parada” do colega Reinhold Stephanes (Agricultura). Nos bastidores do governo, ambos disputavam a proibição ou não do plantio de cana na bacia do Alto Paraguai. “A discussão central era em que medida poderíamos ceder a pressões de grupos e dos governadores. Não podíamos entrar na bacia do Pantanal e precisávamos garantir zero de vinhoto (resíduos da cana).” Blairo Maggi (PR-MT) e André Puccinelli (PMDB-MS) eram contra a exclusão da cana em áreas contíguas ao Pantanal.

O governo decidiu, porém, proibir o cultivo de cana na Amazônia e também no Pantanal. Nesses locais serão mantidas apenas as atividades hoje existentes, como plantações e usinas já instaladas. O governo de Mato Grosso do Sul aprovou zoneamento nas bordas do Pantanal em que permite atividades agropecuárias. “Se fosse permitido plantar no Pantanal, não seria em favor deles (Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul). Seria algo contra o etanol do Brasil”, afirmou Minc. Sobre a reação de Maggi, opositor da exclusão do Pantanal, Minc desconversou: “Tô de bem com ele. Mato Grosso não será prejudicado porque vai ter a maior área para expandir. Só não pode entrar em mata nativa”, ressalvou.

A resposta internacional do governo Lula será proibir a realização de queimadas em áreas de produção mecanizadas. Nas áreas em que o cultivo não for mecanizado – como na Zona Mata de Pernambuco, repleta de morros e declives -, haverá um período de transição para o fim das queimadas. Ambientalistas criticam a produção de cana brasileira, alegando que as queimadas aumentam a emissão de CO2 na atmosfera.

A terceira resposta aos críticos, já ensaiada em iniciativa anterior do governo, foi o estabelecimento de uma nova relação trabalhista entre usineiros e cortadores de cana. Um termo de compromisso já assinado prevê, entre outras coisas, a contratação direta dos trabalhadores por meio de registro em carteira de trabalho, eliminando os “gatos” (intermediários).

Os governos estaduais e municipais, em parceria com a Agricultura, terão de impor limites para evitar a expansão da cana sobre a produção de alimentos. Este debate acirrou-se em 2008, quando a alta internacional dos alimentos colocou a produção de etanol em xeque. O Zoneamento da Cana será encaminhado ao Congresso por meio de projeto de lei, o que deve facilitar a negociação com Estados e a bancada ruralista.

Leia na fonte

Biocombustível deve registrar crescimento vertiginoso

O Estado de S. Paulo

14/09/09 – A demanda por biocombustíveis pode não crescer o suficiente a ponto de prejudicar o mercado de petróleo, mas ainda assim terá um aumento vertiginoso nos próximos anos. Hoje, eles representam cerca de 3% dos quase 3 trilhões de litros de gasolina e diesel consumidos no mundo. Em 15 anos, essa fatia será de no mínimo 12%, podendo chegar a 20%, segundo Weber Amaral, que coordena pesquisas sobre biocombustíveis na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, interior de São Paulo.

A fabricação de motores flex nos Estados Unidos (a maioria a gasolina) e na Europa (onde predomina o diesel), para atender às exigências de redução de poluentes, deve puxar essa demanda. Do lado da oferta, o etanol brasileiro, mais barato e que consome menos energia para ser produzido, terá um papel central.

A área de cana-de-açúcar plantada no Brasil, hoje de 8 milhões de hectares, deve aumentar para 14 milhões em 2019 e para 21 milhões em 2024 , calcula Amaral. Ele afirma que esse aumento não comprometerá a segurança alimentar. “Não é uma área grande”, diz o pesquisador. “A soja ocupa entre 21 e 22 milhões de hectares.” Tratores movidos a álcool ajudarão a melhorar o balanço energético da produção do etanol brasileiro – que consome uma unidade de energia para cada oito que produz, enquanto nos EUA a proporção é de um para dois.

Amaral acredita que a ênfase agora dada no pré-sal não prejudicará os investimentos em etanol. “O novo investidor, que virá de fora, é educado financeiramente”, descreve ele. “Não procura ganho rápido e não coloca todas as fichas no petróleo. Trabalha com o marco regulatório ambiental.” Segundo o especialista, esses investidores incluem companhias petrolíferas, como a BP e a Shell, e empresas de biotecnologia. “O petróleo do pré-sal é importante estrategicamente, mas não terá nenhum impacto na expansão do etanol brasileiro.”

Leia na fonte