ENERGIAS RENOVÁVEIS

31/05/10

País precisa de mais fontes renováveis

Evanildo da Silveira, para o Valor, de São Paulo
26/05/2010

Apesar da posição confortável de líder mundial no aproveitamento de biomassa para a geração de energia, o Brasil não está alheio ao desafio mundial de desenvolver novas fontes de energia sustentáveis para substituir os combustíveis fósseis. Órgãos governamentais, instituições de pesquisa e empresas públicas e privadas desenvolvem atualmente uma série de projetos, parte deles para melhorar o desempenho e o aproveitamento da cana-de-açúcar e parte para encontrar alternativas a essa planta.

Segundos o Balanço Energético Nacional de 2008, do Ministério das Minas e Energia, o mais recente disponível, do total da energia primária produzida no país, 51,6% provém de fontes não renováveis, com destaque para petróleo (38,7%) e gás natural (9,0%). Das fontes renováveis (48,4%), a principal contribuição é da cana com 19%, seguida das hidrelétricas (13,4%) e da lenha (12,4%).

É justamente para melhorar esse quadro, aumentando a oferta de energia renovável, que o país vem investindo em pesquisa. Entre os gastos públicos estão os do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que prevê, em quatro anos, R$ 304,47 milhões para apoio a pesquisas em biocombustíveis. O MCT coordena ainda a Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel (RBTB), que conta com cerca de 300 pesquisadores e 80 instituições. Entre as plantas estudadas, as mais promissoras para a produção desse tipo de combustível são a soja e a mamona.

O ministério também investe no desenvolvimento de novas fontes de energia a partir de biomassas alternativas. Para isso, criou, em 2003, a Rede de Tecnologias de Combustão (RNC), que recebeu nos últimos cinco anos cerca de R$ 15 milhões. “Entre os seus projetos mais promissores está um combustor, criado na Universidade Federal do Pará (UFPA), para a geração de energia a partir da queima da serragem oriunda das madeireiras”, diz Ronaldo Mota, secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT.

Como não poderia deixar de ser no país maior produtor mundial de açúcar e álcool a partir de cana, é essa planta que recebe a maior atenção e sobre a qual existem mais projetos de pesquisa. “A principal fonte de biomassa para a geração de energia no Brasil é a cana-de-açúcar, da qual são colhidas mais de 500 milhões de toneladas por ano, que é equivalente em termos de energia a cerca de 4 milhões de barris de petróleo por dia”, diz o físico José Goldemberg. “Os grandes desafios para a pesquisa no momento são dois: modificar geneticamente a planta para produzir mais açúcar e álcool e desenvolver tecnologias de segunda geração, usando celulose no lugar dela para a produção de etanol.”

Segundo Goldemberg, é esta segunda linha que os Estados Unidos estão explorando, mas com desvantagem em relação ao Brasil. “Se os problemas técnicos forem resolvidos, será possível usar o bagaço como fonte de celulose e no nosso país ele já está disponível nas usinas”, explica. “Nos Estados Unidos, ele terá que ser produzido e recolhido nos campos para processamento.” Para Goldemberg, o Brasil tem boas chances de sucesso seguindo essa rota. “O governo federal está investindo pesado num centro dedicado à pesquisa tecnológica de segunda geração em Campinas.”

Ele se refere ao Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), criado no início deste ano, com o objetivo de contribuir para a liderança brasileira no setor de fontes renováveis de energia e, principalmente, para o desenvolvimento da cadeia produtiva do álcool de cana-de-açúcar. “Os investimento iniciais no CTBE foram de R$ 69 milhões”, informa seu diretor científico, o botânico Marcos Buckeridge. “Agora, ainda estamos investindo o dinheiro na contratação de pesquisadores.”

As empresas também participam desse esforço em busca de energia renovável. Um exemplo é a Petrobras. A companhia vai investir, no período 2009-2013, US$ 530 milhões para pesquisas em biocombustíveis e o desenvolvimento de projetos para o aproveitamento de resíduos celulósicos agroindustriais, como o bagaço de cana. Para isso, já há uma planta piloto desde 2007. Outra linha em desenvolvimento na empresa é a produção de biodiesel a partir de microalgas. Atualmente, seus técnicos estão trabalhando na identificação e cultivo daquelas que produzam óleo com qualidade adequada e em grande quantidade.

Apesar de todos esses investimentos, os primeiros resultados concretos e economicamente viáveis na produção de etanol de segunda geração, isto é, pela rota bioquímica, devem demorar dez anos ou mais. Por isso, há quem considere mais promissor o caminho termoquímico. Hoje, muitas usinas produzem energia dessa forma, queimando o bagaço para gerar eletricidade. Segundo Zilmar José de Souza, assessor de bioenergia da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), das 437 usinas existentes no país, pelo menos 100 produzem energia elétrica excedente e exportam para a rede de transmissão do país. “Em 2009, foram 5,8 GW, o que representa 7% do que Itaipu produziu no mesmo ano”, diz. “O potencial dos canaviais brasileiros para 2017/2018 chega 10 GW.”

Isso poderá ocorrer porque hoje apenas um terço do potencial da cana-de-açúcar é aproveitado, que é a sacarose, da qual se faz o açúcar e o álcool. Do restante, um terço é bagaço, do qual é aproveitada uma fração mínima, e um terço é palha, que hoje é desperdiçada. Por isso, o pesquisador Luiz Augusto Barbosa Cortez, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), acredita que atualmente a melhor maneira de aproveitar a cana como fonte de energia é pela rota termoquímica. “Por esse caminho, ela pode gerar energia de duas maneiras, pela pirólise (ou carvoamento) e pela gaseificação de sua biomassa”, explica. “No primeiro caso, dá origem a um sólido, o carvão, ou a um líquido, o alcatrão, que é um bio-óleo. No segundo, pode se obter eletricidades e combustíveis líquidos, como biogasolina e biodiesel.”

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BIOMASSA

14/03/10

CPFL investe em biomassa para geração de energia

Novo projeto do grupo vai envolver três usinas de açúcar e álcool

quinta-feira, 11 de março de 2010

Eduardo Magossi, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A CPFL vai anunciar, na próxima terça-feira, um novo projeto de geração de energia elétrica de biomassa de cana-de-açúcar. A informação é do vice-presidente de geração de energia da companhia, Paulo Cezar Tavares. Segundo ele, esse será o maior projeto de biomassa da CPFL e vai englobar três usinas de açúcar e etanol de um mesmo grupo de capital nacional. “A energia a ser produzida nesse projeto será superior à soma de nossos dois projetos em andamento, na Usina Baldin, em São Paulo, e na Usina Baia Formosa, no Rio Grande do Norte.”

Desde meados da década passada, a CPFL vem se associando a usinas do setor em compra e investimentos de produção de energia produzida da cana. “Começamos nosso relacionamento comprando excedente de usinas do interior paulista. Depois passamos a investir na construção de linhas de conexão e subestações para essas usinas. Recentemente passamos a investir na modernização de usinas para alavancar a produção de energia produzida da queima do bagaço.” Nesse processo, o acordo é feito com a CPFL investindo na troca das caldeiras, construção de casa de força, conexão e subestações e sua remuneração é feita por meio do excedente de energia.

Na segunda quinzena de abril entra em operação a primeira usina em que a CPFL investiu nesse retrofit. Localizada em Pirassununga (SP), a Usina Baldin consumiu investimentos de R$ 105 milhões e terá uma capacidade instalada de 45 MW, das quais a CPFL poderá comercializar o excedente de 20 MW. “A usina entrará em operação em abril com um excedente de cerca de 14,3 MW, mas a expectativa é atingir 23,6 MW em 2017″, disse. Segundo ele, a expansão da produção de energia está vinculada à da produção de cana, já que a matéria-prima é o bagaço da planta.

Praticamente toda energia gerada pela Baldin já foi vendida. Segundo Tavares, a comercialização foi feita quase toda no mercado livre. “Temos uma clientela grande e que demanda por essa energia. Isso fez com que não precisemos utilizar, até o momento, os leilões de energia de forma significativa.”

O segundo projeto teve início em novembro de 2009, na Usina Baia Formosa (RN). Com investimentos de R$ 130 milhões, a usina terá uma capacidade instalada de 40 MW, com excedentes de 16 MW. A operação deverá ser iniciada em julho de 2011. “Com esses dois projetos e mais o que será anunciado na terça-feira já teremos mais de 100 MW de capacidade instalada. Queremos atingir os 500 MW até 2015.”

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quarta-feira, 10 de março de 2010

Resíduos viram lucrativa biomassa

Sobretudo o bagaço de cana, além das palhas de arroz e de amendoim e da casca de coco, são combustíveis ambientais

Leandro Costa - O Estado de S.Paulo

Antes vistos como sobras inconvenientes das lavouras e causadores de problemas ambientais, os resíduos de culturas como a cana-de-acúcar e arroz têm ganhado importância e mercado. À medida que mais empresas investem na mudança de matriz energética, deixando de lado a queima de combustível fóssil para aquecer caldeiras, a procura por biomassa como o bagaço da cana e as cascas de arroz e de amendoim, só tem crescido.

No setor sucroalcooleiro, o aproveitamento do bagaço de cana é feito há pelo menos duas décadas. Até os anos 1990, o resíduo da moagem da cana era um problema. Até que as usinas passaram a substituir as caldeiras que usavam diesel como combustível por caldeiras movidas a biomassa. Hoje, o bagaço da cana é o principal insumo para garantir a autossuficiência energética da usinas, que vendem, inclusive, o excedente de energia produzido, por meio da cogeração.

OUTRAS INDÚSTRIAS

Mas o uso bagaço de cana não fica restrito às usinas sucroalcooleiras. Ele também é consumido por indústrias como a de suco de laranja. “Boa parte do bagaço que não queimamos na nossa unidade de Pradópolis é vendida para a Citrosuco, de Matão, e para a Cutrale, de Araraquara (SP)”, diz o diretor financeiro da Usina São Martinho, João Carvalho do Val. A empresa vende o bagaço há cerca de dez anos e comercializa, em média, 450 mil toneladas da biomassa por safra.

Outra empresa que vende o excedente de bagaço é a Cosan, o maior grupo sucroalcooleiro do País. Segundo explica o presidente da unidade de Acúcar e Álcool da empresa, Pedro Mizutani, o volume não é tão expressivo já que, quando as usinas da Cosan foram projetadas, já era previsto o uso de boa parte do bagaço nas caldeiras. Os setor de citros também é o principal comprador do excedente da Cosan.

O preço por tonelada da biomassa varia, segundo o assessor de Bioeletricidade da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Zilmar de Zouza, porque o frete influencia muito. Descontado o fator logístico, ele estima valores entre R$ 5 e R$ 30 por tonelada para o bagaço de cana.

Na Região Sul, outro resíduo que tem dado lucro é a casca de arroz. “Nas décadas de 1980 e 90 era um resíduo problemático. Como os engenhos ficavam próximos das cidades, a casca do arroz, pela sua baixa densidade, era levada pelo vento e, quando chovia, entupia os bueiros. Além disso, se jogada em aterros, gerava o gás metano quando se decompunha e passou a ser mal vista do ponto de vista ambiental”, diz o consultor técnico do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), Gilberto Amato.

APROVEITAMENTO TOTAL

Hoje, esse cenário mudou. Segundo Amato, a casca de arroz é quase totalmente aproveitada. Segundo estimativas do Irga, são quase 2 milhões de toneladas da biomassa produzidas por safra. “Boa parte das indústrias cerâmicas ao longo da BR-101 compra a casca de arroz para abastecer caldeiras.”

Amato diz ainda que um grupo europeu pretende montar uma indústria de geração de energia abastecida só com casca de arroz. “Eles querem firmar contratos longos com os produtores da região para adquirir a casca do arroz.”

A AmBev de Viamão (RS) usa, desde 2006, a casca de arroz como combustível. Segundo o diretor de Sustentabilidade, Sandro Bassili, foram investidos R$ 4,7 milhões para mudar a matriz energética. “Contando com as outras unidades que já estão operando com biomassa, já investimos R$ 18 milhões. Também usamos casca de coco, no Nordeste”, diz. Hoje, 32% do calor gerado pelas caldeiras da empresa em todo o País vem da biomassa. Por isso, desde 2007 a empresa já obteve autorização para negociar os créditos de carbono gerados pela mudança na matriz energética.

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BIOCOMBUSTÍVEIS

25/01/10

 Centro de Bioetanol: novas perspectivas para o Brasil

 Sergio Machado Rezende
21/01/2010

Centro é a resposta brasileira aos avanços que vários países já realizam nessa área, principalmente os Estados Unidos

Em 1975, o Brasil ousou e criou o maior programa de conversão de biomassa em combustível do mundo, o Proálcool. Como resultado do esforço conjunto do governo federal, setor sucroalcooleiro, montadoras de veículos, Centro Técnico Aeroespacial, Petrobras e entidades de pesquisa, que persistiram no Programa, o país hoje colhe frutos não imaginados há três décadas.

O sucesso do etanol combustível no Brasil, reconhecido mundialmente, deveu-se em muito à pesquisa desenvolvida e aos recursos humanos aqui gerados. Vale mencionar que essa é a área de ciência e tecnologia do país que mais desperta interesse na comunidade internacional. Um exemplo da boa pesquisa realizada no Brasil atualmente é o trabalho de produção de novas variedades de cana-de-açúcar e multiplicação acelerada de sementes desenvolvido por entidades como a Rede Interuniversitária Ridesa, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), o Centro de Tecnologia do Nordeste (Cetene), o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Embrapa Agroenergia.

Hoje, 35 anos após a criação do Proálcool, metade do combustível consumido pelos veículos leves no país é de fonte renovável e 17% da matriz energética é composta pelos produtos da cana-de-açúcar. A importância do etanol na matriz energética poderá aumentar muito com sua utilização como combustível de usinas termelétricas. Unidade pioneira da Petrobras inaugurada na última terça-feira em Juiz de Fora mostra que essa é uma possibilidade real.

Posto isso, o século XXI coloca uma nova perspectiva de inserção para o Brasil: com a bioenergia da cana-de-açúcar, o país poderá contribuir, ainda mais, para reduzir as emissões dos gases de efeito estufa (GEE) que hoje preocupam sociedades e governos de todo o mundo.

Dentro desta perspectiva, em 2005, o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) solicitou ao Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) um ambicioso estudo sobre quais seriam os impactos e as implicações em aumentar substancialmente a produção brasileira de etanol. O estudo explorou um cenário em que o país viesse a produzir suficiente etanol para substituir o equivalente a 10% de toda a gasolina a ser consumida no mundo em 2025: um volume dez vezes maior que a produção atual, ou seja, cerca de 250 bilhões de litros de etanol por ano. Esse estudo, coordenado pelo professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite do Nipe/Unicamp, concluiu que seria possível atingir essa auspiciosa meta. Para tanto foi assumido um modelo de produção de etanol concebido com o uso da melhor tecnologia disponível e sua evolução. Também foram consideradas as restrições conceituais à Amazônia, ao Pantanal, às terras indígenas e às reservas florestais em um cenário que não comprometesse a produção de alimentos para o mercado interno e externo.

No modelo de produção proposto no estudo todas as etapas agrícolas seriam mecanizadas, com cana colhida sem queimar, com o etanol escoado em álcooldutos, usando a logística da Petrobras, e produzido de forma ambientalmente correta e socialmente justa. Entre os benefícios gerados por esse aumento da produção brasileira de etanol destacam-se a criação de 9 milhões de bons empregos (diretos, indiretos e induzidos) e o aumento da interiorização da economia, tornando possível imaginar um grande programa de desenvolvimento a partir da produção de etanol e sua utilização em vários segmentos da matriz energética, com mais energia limpa e renda para a população.

Mas talvez o mais importante resultado dos estudos foi a compreensão que o esforço para a implantação desse projeto poderia ser bem menor se fosse feita uma ação concentrada em áreas estratégicas de pesquisa, de forma a produzir mais com menos recursos financeiros e naturais. Para se atingir a meta dos 10% de substituição de gasolina por etanol com as tecnologias tradicionais, seriam necessários cerca de 30 milhões de hectares (ha) de terra adicionais (além dos 6 milhões de ha cultivados com cana em 2005). No entanto, se recursos financeiros fossem alocados de forma concentrada, como foram, por exemplo, no chamado Projeto Manhattan americano, a meta poderia ser atingida com cerca de 30% de terra a menos, ou seja, aproximadamente 20 milhões de ha. Isso torna clara a importância de se investir mais em C&T no setor e, sobretudo, em áreas que possam impactar favoravelmente a sustentabilidade ambiental, econômica e social da produção de etanol de cana-de-açúcar.

Foi com esse cenário que o MCT, em articulação com outras entidades do Governo Federal, notadamente Petrobras e Embrapa, viabilizou a criação de um novo Laboratório Nacional de pesquisas focado no tema etanol: o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE). O novo laboratório, que será inaugurado amanhã, em Campinas, no Campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), vai contribuir com o desenvolvimento de ciência e tecnologia e permitir ao Brasil manter sua liderança nessa importante área. O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais também abriga o Laboratório Nacional de Luz Sincrotron (LNLS), o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) e o Laboratório de Nanotecnologia Cesar Lattes..

Com cinco programas de pesquisa nas áreas Industrial, Agrícola, Científica, de Avaliação Tecnológica e Sustentabilidade (ver detalhes em www.bioetanol.org.br) o CTBE nasce com o espírito de trabalhar de forma articulada, complementar e não competitiva com os centros existentes e é, sem dúvida, uma resposta brasileira aos avanços que vários países já realizam nessa área, principalmente os Estados Unidos.

Para tanto, o novo Centro vai adotar políticas e práticas de gestão que possibilitam atrair e estabelecer relações adequadas com parceiros do setor produtivo, investidores, universidades e centros de pesquisa que atuam dentro da missão do CTBE de forma a garantir que benefícios de novas tecnologias cheguem à sociedade. O MCT convida a comunidade acadêmica e industrial a conhecer e trabalhar de forma cooperativa com este novo Laboratório Nacional que será inaugurado amanhã pelo presidente Lula.

Sergio Machado Rezende é doutor pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e professor titular de Física da Universidade Federal de Pernambuco. Está Ministro da Ciência e Tecnologia.

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19/01/2010 

Petrobras vai pesquisar uso de biocombustíveis na Antártida

da Reuters, no Rio

A Petrobras vai trabalhar com pesquisadores da Estação Antártica Comandante Ferraz o uso de biocombustíveis em baixas temperaturas, uma contrapartida aos investimentos que a estatal fará em melhorias no recebimento de combustíveis pela estação.

Segundo o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, a empresa vai investir R$ 3 milhões em um novo sistema de recebimento de combustíveis, basicamente óleos diesel e combustível, além de querosene de aviação.

Em parceria com a Universidade do Rio Grande, a Petrobras desenvolveu um sistema de linhas que levarão de maneira remota os combustíveis para a estação.

“Junto com a Universidade do Rio Grande, desenvolvemos carretéis grandes, com duas linhas. Uma ponta fica no navio e a outra nos tanques (com combustível), que são bombeados para os navios”, explicou Costa.

O transporte dos combustíveis até a estação atualmente é feita por balsas, em viagens que, segundo Costa, levam muito tempo e sob o risco de vazamento, apesar de nenhum ter ocorrido por enquanto. A Estação faz parte do Programa Antártico Brasileiro (Porantar), criado em 1982, e que sempre teve o apoio da estatal.

Situação rigorosa

“Lá você tem as situações mais rigorosas do planeta. Hoje se usa diesel comum, se usar só biodiesel pode ter benefício? Vamos pesquisar”, disse o executivo, que prevê ganhos ambientais com a troca do produto fornecido sem custos para a Marinha.

Em 2006 a Petrobras já havia aplicado R$ 10,5 milhões no programa para revitalizar a estação e viabilizar a Operação Antártica 25.

As pesquisas realizadas em um ambiente inóspito também poderão ser estendidas para outras utilizações, segundo Costa, em países com inverno rigoroso e até mesmo no pré-sal.

“Hoje não tem nada previsto (para o pré-sal), mas pode ser que tenha, se a Petrobras entender que isso será positivo”, afirmou.

 

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Bioeletricidade procura ganhar campo

17/12/09

Rosangela Capozoli, para o Valor, de São Paulo
20/10/2009

Sergio Zacchi / Valor

Carvalho do Val, do Grupo São Martinho: venda de energia elétrica atingiu R$ 5,4 milhões no primeiro trimestre

Quase esquecido diante das aclamações ao etanol e às descobertas do pré-sal, o bagaço de cana-de-açúcar ainda aguarda real reconhecimento por suas vantagens. E elas são muitas, quando se fala em bioeletricidade. Um estudo da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) revela que o conjunto das usinas do país poderá produzir na safra 2020/2021 um total de 13.150 megawatts (MW) de potência, o que equivale à produção de uma Itaipu e meia. Para um país onde as hidrelétricas - dependentes do nível das chuvas - representam 73,1% da energia elétrica, a bioeletricidade é apontada como o complemento mais limpo e seguro.

Quando as represas baixam, o governo lança mão das poluidoras térmicas a carvão. “A bioletricidade que as usinas de cana podem gerar em 2021 evitaria as 101 milhões de toneladas de CO2 que as térmicas a carvão vão emitir entre 2009 e 2021″, calcula Zilmar José Souza, assessor em bioeletricidade da Unica.

De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o fato de as fontes hídricas serem majoritárias na matriz energética faz com que todo o aparato regulatório, comercial e operacional do sistema elétrico fique em torno das grandes hidrelétricas. Aos poucos, no entanto, as entidades que representam as usinas de açúcar e álcool estão conseguindo inserir a bioeletricidade no contexto do setor.

 Ainda falta muito trabalho. O principal é a construção de um ambiente institucional que observe os pontos essenciais, como preço adequado, leilões dedicados exclusivamente à bioeletricidade, separação das funções e custos de geração e conexão e linhas de financiamento para o setor.

“Não há uma política setorial de como fazer a inserção desse potencial no setor elétrico”, diz Souza. Segundo ele, “os leilões misturam ofertas de energia suja, como o carvão e térmicas convencionais, além de óleo combustível, nos quais a bioeletricidade não consegue disputar nem demonstrar as excepcionalidades positivas”. Ele considera importante estabelecer uma política de leilões dedicados a fontes alternativas, especialmente à bioeletricidade, que completa a fonte hídrica nos períodos secos e tem a capacidade de regularizar os estoques, além de evitar emissões. Segundo seus dados, a bioeletricidade representa 3% a 4% da matriz elétrica e tem potencial de chegar em 2021 respondendo por algo em torno de 15% da energia elétrica do país.

Outra queixa do setor é o custo das redes de transmissão. A usina que se propõe a vender parte da energia que produz deve arcar com as linhas de transmissão, o que encarece em pelo menos 30% o preço da energia. “Mesmo o Estado de São Paulo, com o maior potencial em termos de exportação de energia elétrica por meio da biomassa, tem um gargalo forte pela questão da conexão, apesar de ser altamente malhado em termos de conexões e ramais”, diz Souza. Ele defende que esses custos sejam considerados nos leilões.

No último leilão, apenas um projeto de biomassa foi agregado e obteve preço abaixo de R$ 150,00 por MW, que não condiz com o investimento. Segundo especialistas do setor, a exploração da bioeletricidade depende basicamente da disponibilidade de um sistema de transmissão suficientemente robusto de modo a permitir o escoamento dessa energia.

O Grupo Usina São João (USJ), de Araras, no interior de São Paulo, tem 30 megawatts para exportar para o sistema elétrico, mas aguarda a conclusão de uma linha de transmissão. “O problema são as linhas, porque as usinas estão sendo montadas em novas fronteiras agrícolas e ainda não existem redes de recepção dessas energias”, diz José Ieda Neto, gerente executivo industrial do grupo.

A Usina Cachoeira Dourada, em Goiás, é mais nova do grupo e seu projeto incorporou a produção de energia de bagaço como um dos pilares. Dos R$ 230 milhões investidos na usina, R$ 70 milhões foram para a produção de energia. Segundo Ieda Neto, a primeira fase que entra em operação em maio de 2011 tem capacidade para gerar 40 MW/hora e poderá exportar 30 desse total. De acordo com seus números, as três usinas do grupo exportaram 112 megawatts no ano passado, estão exportando 112 MW neste ano, em 2010 atingirão 135 MW, passando para 260 MW em 2011.

João Carvalho do Val, diretor financeiro e de relações com investidores do Grupo São Martinho, diz que na safra atual deve “exportar cerca de 30 megawatts” de suas três usinas, mesmo patamar da safra passada. “Dentro de dois anos, quando a Usina Boa Vista completar sua expansão, passaremos a exportar 50 megawatts”, afirma.

A receita com venda de energia elétrica atingiu R$ 5,4 milhões no primeiro trimestre de 2009, um acréscimo de 324,1% em relação aos primeiros três meses do ano passado. A São Martinho é uma das maiores produtoras de açúcar e álcool do Brasil. A capacidade de moagem do Grupo atualmente é de 13,2 milhões de toneladas por ano. A companhia produz açúcar, álcool e energia elétrica em três usinas, Unidades Iracema e São Martinho, em SP, e Unidade Boa Vista, em GO. Segundo Val, a energia elétrica representa 5% da receita, mas não tem custo nenhum. “É um negócio interessante para a empresa. Em uma usina nova a energia elétrica responde por 10% dos negócios”, diz.

Outro fator que conta na produção da bioeletricidade na redução de CO2 é o aproveitamento da palha da cana que em muitas regiões ainda é queimada, especialmente onde a colheita é feita manualmente. Segundo estudos da Unica e da Associação da Indústria de Cogeração de Energia, o aproveitamento de 70% da palha para produção de energia agregaria ao sistema elétrico 6.757 MW médios.

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