AGRONEGÓCIOS

13/10/09

08/10/2009

ETH, da Odebrecht, e Brenco assinam memorando para avaliar fusão

da Reuters

As companhias do setor sucroalcooleiro ETH e Brenco assinaram um memorando de entendimentos para avaliar, em regime de exclusividade, a eventual combinação das suas operações, informaram as empresas em comunicado nesta quinta-feira.

As empresas teriam uma capacidade combinada de processamento de 37 milhões de toneladas de cana por ano, ficando entre as maiores do setor no Brasil.

A ETH, fundada em 2007, é o braço do conglomerado Odebrecht para o setor de bioenergia e açúcar. Chefiada por José Carlos Grubisich, ex-presidente da petroquímica Braskem, ela planejou investimento de R$ 6 bilhões no desenvolvimento de três pólos de produção em São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul.

A trading japonesa Sojitz possui 33% do capital da ETH.

A Brenco, comandada por Philippe Reichstul, ex-presidente da Petrobras, possui entre seus investidores Vinod Khosla, um dos criadores da Sun, e Steve Case, que participou do advento da AOL nos EUA.

A Brenco tem projeto de investir R$ 5,5 bilhões até 2015, para construir até 12 unidades industriais, que seriam reunidas também em três pólos de produção.

A companhia passou por um aperto de caixa durante a crise de crédito e já chegou a negociar com a Petrobras uma possível associação, como confirmou a estatal petroleira em agosto.

As duas companhias possuem projetos para também gerar energia elétrica a partir da queima do bagaço de cana-de-açúcar.

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GP e São Martinho estudam sociedade

Eduardo Magossi
Fonte: Valor Econômico

06/10/09 – A Usina São Martinho e a gestora de recursos GP Investimentos podem se associar para comprar uma empresa no setor sucroalcooleiro. A afirmação é do CEO da São Martinho, Fábio Venturelli. Segundo ele, se a associação ocorrer, o objetivo seria adquirir de forma conjunta uma empresa e deixá-la independente, sem uma fusão com a São Martinho ou com a GP. “O objetivo é que a São Martinho cuide da administração operacional e a GP das questões financeiras”, disse.

Venturelli afirmou, pela primeira vez, que a São Martinho chegou a se associar com a GP na oferta pela Santelisa Vale, no início do ano. “Na análise do negócio, vimos que poderíamos cuidar da parte operacional mas a necessidade de uma reestruturação financeira era imensa e que isso poderia ser uma distração”, disse.

Venturelli disse que a opção foi procurar um parceiro que tivesse todo o entendimento de estrutura financeira. “Como a GP estava analisando a mesma oportunidade, decidimos nos unir para a ocasião”, disse. A negociação com a Santelisa chegou até a segunda rodada e a usina optou por outro modelo de venda, que descartou a opção proposta pela parceria entre GP e São Martinho.

Ele disse, porém, que não existe uma união obrigatória entre a São Martinho e a GP na busca de oportunidades. “Se uma oportunidade aparecer cujo perfil se encaixe dentro dos interesses da São Martinho e da GP iremos atuar em conjunto.” Segundo ele, se no negócio houver necessidade de reestruturação financeira é sinal que a GP pode ser parceira.

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ETANOL

28/09/09

ANP abre o leque da comercialização de etanol no país

Mônica Scaramuzzo e Danilo Fariello, de São Paulo
21/09/2009

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a criação de agentes de comercialização de etanol para dar impulso ao mercado de combustível negociado na BM&FBovespa, hoje com pouca ou quase nenhuma liquidez.

A medida deverá permitir a entrada de novos “players” no mercado de comercialização nacional de etanol. As regras foram discutidas em audiência pública, no dia 31 de agosto. As resoluções deverão ser publicadas nos próximos dias, afirmou Allan Kardec Duailibe, diretor-geral da ANP, ao Valor.

De acordo com a ANP, os agentes de comercialização de etanol poderão ser pessoas físicas ou jurídicas que operam em bolsa de mercadorias e futuros. Mas as empresas deverão se beneficiar destas operações. A Delta Energia, companhia comercializadora de energia elétrica, já faz planos para operar neste mercado.

Pelas regras atuais, somente as usinas podem vender álcool anidro ou hidratado diretamente às distribuidoras de combustíveis. A expectativa é que a instituição desses novos agentes comercializadores abra o leque e aumente o poder de barganha das usinas nesse mercado.

A mudança nas regras foi comemorada pelas usinas sucroalcooleiras. “A Unica [União da Indústria da Cana-de-açúcar] trabalhou intensamente para que esse projeto tornar realidade”, afirmou Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica.

Para estimular as operações com etanol combustível na BM&FBovespa, algumas mudanças começaram a ser realizadas. Atualmente, os contratos de álcool negociados na bosla são do tipo anidro, cotados em dólar. “Os que serão comercializados pelos agentes serão do tipo hidratado, cotados em reais. A BM&FBovespa está elaborando as mudanças”, afirmou Padua.

O setor sucroalcooleiro movimenta entre 22 bilhões a 24 bilhões de litros de etanol combustível no mercado interno. Cerca de 3 bilhões de litros deverão ser exportados nesta safra. O álcool hidratado responde por mais de dois terços dos negócios.

Segundo Duailibe, esses agentes só entram no mercado quando houver entrega física do produto na bolsa. Neste caso, estas empresas poderão atuar como intermediárias na venda de etanol entre as usinas e as distribuidoras.

“A criação de agentes comercializadores deverá dar impulso à internacionalização da commodity e fortalecer os negócios na BM&FBovespa”, disse Duailibe. Ele observou também que a ANP tem concentrado esforços em divulgar o nome etanol nos postos de distribuição de combustíveis em todo país, como forma de promover a commodity.

A decisão de dar impulso aos negócios com etanol na BM&F reflete também a necessidade de as usinas sucroalcooleiras terem um instrumento de hedge (proteção) para o combustível. O açúcar, também com fraca liquidez na BM&F, tem suas operações de “hegde” fortalecidas nas bolsas de Nova York e Londres.

O alto volume de comercialização de álcool combustível tradicionalmente é realizado no mercado físico. E neste caso, somente as usinas podem vender para as distribuidoras. Empresas terceiras, como tradings, só negociam o álcool no mercado externo.

Para negociarem com as distribuidoras com maior escala, e não individualmente, como geralmente ocorre, as usinas têm de criar companhias de comercialização, controladas por elas. Segundo Padua, a Copersucar é a única do país que já se encaixa neste perfil, uma vez que é uma empresa que não está restrita à comercialização de usinas cooperadas. Como uma SA (sociedade anônima), poderá vender álcool de outras companhias.

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21/09/2009

Lula diz que Brasil tem competência para produzir etanol sem desmatar

da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, durante o programa “Café com o Presidente”, que o Brasil é capaz de produzir o etanol preservando a Amazônia e o Pantanal e que será exemplo ao “chamado mundo desenvolvido” que, segundo o presidente, “tanto reclama do aquecimento do planeta e que tão pouco faz”.

Lula defendeu o biocombustível ao comentar a proposta de zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar, lançada na semana passada, que veta a expansão das plantações numa área de 4,6 milhões de quilômetros quadrados –mais da metade do território nacional– e em regiões que mantenham a vegetação nativa no restante do país.

“Nós queremos mostrar para o mundo, primeiro que o etanol é uma energia renovável extraordinária, que pode permitir ser exemplo para o mundo, ou seja, se quiser diminuir a emissão de gases de efeito estufa”, afirmou Lula.

Segundo o presidente, a atividade é capaz de gerar emprego “e não avançar nas áreas que nós queremos preservar, que é a Amazônia, que é o Pantanal e que é a Bacia do Alto Paraguai”.

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ETANOL

21/09/09

“Petrobras deve entrar no etanol este ano”

18/09 – 12:33 – Agência Estado

A Petrobras Biocombustível deve se transformar em um importante produtor de etanol no Brasil ainda este ano, segundo informação do presidente da empresa, Miguel Rossetto, em entrevista à Agência Estado. Segundo o executivo, a Petrobras Biocombustível deverá anunciar sua entrada no setor em breve, por meio de participação em mais de uma usina.

Mas, segundo ele, a empresa não trabalha com um cenário em que tenha participação majoritária. “Mas queremos ter uma presença forte o suficiente para que a nossa responsabilidade de gestão esteja assegurada”, disse. A Brenco é uma das empresas com quem a Petrobras está conversando, mas Rossetto deixa claro que não é a única. Além disso, a empresa deve inaugurar no ano que vem uma usina para produzir etanol de celulose – ontem, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que a unidade entrará em funcionamento em setembro de 2010, com capacidade de produção de 4 milhões de litros de etanol.

Rosseto, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, afirmou também que as três usinas de biodiesel da Petrobras estão operando com capacidade operacional completa. Uma quarta usina a ser construída na Região Norte está em projeto de viabilidade. “Estamos apostando muito na produção de biodiesel feito de dendê, no Pará”, disse. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Existe a possibilidade de que a atenção dada pelo governo à descoberta das reservas do pré-sal acabe por afetar a expansão da Petrobras Biocombustível?
De forma alguma. As estratégias da Petrobras Biocombustível estão em um plano de negócios que foi aprovado e tem um orçamento de investimentos para o período de 2009 a 2013 de R$ 5 bilhões. Estamos trabalhando na execução desses investimentos com objetivo de produzir etanol e biodiesel, e a descoberta do pré-sal não vai retardar esse processo. Ao mesmo tempo em que o Brasil está melhorando suas reservas de petróleo e se posicionando de forma expressiva no mercado de combustíveis fósseis, também está avançando na agenda estratégica na produção de renováveis. Para isso, vamos investir mais de R$ 1 bilhão em pesquisas nos próximos cinco anos.

Em julho, a Petrobras Biocombustível completou um ano de existência. Qual é a principal realização da empresa nesse período?
É estar com suas três usinas de biodiesel operando em sua capacidade plena. Atualmente, as usinas de Quixadá (Ceará), Candeias (Bahia) e Montes Claros (Minas Gerais) estão trabalhando com carga total para produzir o volume vendido nos leilões de oferta. No leilão realizado em agosto, que vendeu biodiesel a ser entregue no quarto trimestre do ano, a Petrobras Biocombustível conseguiu vender sua capacidade máxima autorizada, de 11,28 milhões de litros para cada usina.

Um dos objetivos do programa de biodiesel brasileiro é incentivar a agricultura familiar por meio do cultivo de outras oleaginosas, como girassol, mamona, pinhão manso, entre outros. Como está a utilização dessas oleaginosas pelas usinas da Petrobras Biocombustível?
A grande maioria de nosso biodiesel é feito com soja. Utilizamos basicamente soja e um pouco de algodão. Estamos em uma fase de certificação tecnológica para as outras oleaginosas e investindo para que a oferta dessas oleaginosas cresça regionalmente tendo como base a agricultura familiar. Já testamos o sebo bovino e estamos testando agora o dendê. As usinas de biodiesel são bastante flexíveis e podem utilizar várias matérias-primas. A soja utilizada em nosso biodiesel vem da agricultura familiar. É natural que a soja seja a principal matéria-prima porque é a mais disponível e tem abastecimento garantido, além de tecnologia e logística totalmente implementadas.

A participação das oleaginosas alternativas na produção de biodiesel vem caindo e a da soja aumentando. Grandes defensores dessas oleaginosas alternativas, como a Brasil Ecodiesel e a Petrobras, confirmam que estão utilizando basicamente soja. Isto significa que a soja é o futuro para o biodiesel?
Não, de forma alguma. A estratégia para estabilizar biodiesel é a diversificação de matéria-prima. Mas por um longo período a soja ainda vai liderar como principal fonte de produto. Ainda há um longo caminho para o pleno desenvolvimento das outras, que ainda precisam ter uma certificação tecnológica.

Qual a oleaginosa que deve se destacar na produção de biodiesel depois da soja?
Em minha opinião, será o dendê. O dendê deve ocupar o lugar de segunda oleaginosa mais utilizada na produção de biodiesel em um curto espaço de tempo, em função das qualidades que dispõe. Ela vai ser mais utilizada até que o sebo bovino. No médio prazo, temos o pinhão manso que ainda está começando a ser pesquisado. E juntamente com o algodão, girassol e mamona serão as oleaginosas utilizadas até o início de outro estágio tecnológico, quando entrarão no mercado o biodiesel de algas, microalgas e outras matérias-primas.

Diferentemente da soja,que já possui garantia de oferta, a produção das demais oleaginosas, principalmente por estar ligada a estruturas familiares, ainda precisa ser melhor organizada e administrada, não? A Petrobras tem algum projeto nesse sentido?
Estamos trabalhando nisso. Estamos concluindo a primeira fase da implementação de uma política de compra com contratos de cinco anos de duração. Dessa forma, o produtor tem a garantia de ser fornecedor da Petrobras por esse prazo. Isso está sendo feito para todas as oleaginosas, principalmente soja, girassol, macaúba e algodão. Num prazo de três anos, a expectativa é de que a participação da matéria-prima regional e familiar aumente de forma expressiva. Além disso estamos levando o cooperativismo para o Nordeste.

Como assim?
A agricultura familiar tem grande presença nos Estados do sul, onde a cultura do cooperativismo é histórica, além da vocação da região para pequenos produtores. Estamos fazendo um grande esforço para levar essa cultura para as regiões semiáridas do País, onde não existe uma ideia de cooperativa arraigada.

E a entrada da Petrobras Biocombustível na produção de etanol, quando será?
Provavelmente ainda em 2009. Estamos estudando várias possibilidades, tanto novos projetos como usinas já existentes. O que está orientando a decisão final é, também aqui, a qualidade econômica, ambiental e social dos investimentos.

A negociação com a Brenco está mais adiantada que as demais?
Não, a Brenco é apenas uma das empresas com quem estávamos conversando. E nada impede que a Petrobras Biocombustível anuncie sua entrada na produção de etanol com mais de uma usina. Não procuramos uma dispersão exagerada nem uma concentração perigosa.

Vocês pretendem adquirir uma usina?
Não. Queremos ter uma participação minoritária. Não trabalhamos com cenário de capital estatal majoritário nessas empresas. Mas queremos ter uma presença societária forte que assegure nossa participação efetiva na responsabilidade de gestão. E queremos estar presentes em companhias importantes, que tenham representatividade dentro do setor.

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Plano de zoneamento da cana quer “esverdear” o etanol

Mauro Zanatta e Paulo de Tarso Lyra, de Brasília
17/09/2009

A Lei de Zoneamento Agroecológico da Cana, a ser anunciada hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é uma resposta aos críticos internacionais da produção de etanol no Brasil e um “trunfo” que será usado pelo país na cúpula sobre mudanças climáticas em Copenhague, na Dinamarca. eixo central do projeto responde aos principais questionamentos feitos por ambientalistas e organizações estrangeiras, como Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

Acusado de colocar em risco a produção de alimentos e de patrocinar a devastação da floresta ao incentivar o plantio da matéria-prima do etanol, o Brasil usará o “ZAE Cana” para rebater críticas e “esverdear” o etanol. “O argumento da situação externa foi decisivo”, admitiu o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ao Valor. “Lá fora tem essa discussão sobre alimentos e devastação. Consegui o apoio da Unica (usineiros) e agora vamos poder dizer que nosso etanol é 100% verde. Se não fosse, usariam barreiras para impedir a exportação do etanol.”

Meio a contragosto, Minc admite ter “ganho a parada” do colega Reinhold Stephanes (Agricultura). Nos bastidores do governo, ambos disputavam a proibição ou não do plantio de cana na bacia do Alto Paraguai. “A discussão central era em que medida poderíamos ceder a pressões de grupos e dos governadores. Não podíamos entrar na bacia do Pantanal e precisávamos garantir zero de vinhoto (resíduos da cana).” Blairo Maggi (PR-MT) e André Puccinelli (PMDB-MS) eram contra a exclusão da cana em áreas contíguas ao Pantanal.

O governo decidiu, porém, proibir o cultivo de cana na Amazônia e também no Pantanal. Nesses locais serão mantidas apenas as atividades hoje existentes, como plantações e usinas já instaladas. O governo de Mato Grosso do Sul aprovou zoneamento nas bordas do Pantanal em que permite atividades agropecuárias. “Se fosse permitido plantar no Pantanal, não seria em favor deles (Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul). Seria algo contra o etanol do Brasil”, afirmou Minc. Sobre a reação de Maggi, opositor da exclusão do Pantanal, Minc desconversou: “Tô de bem com ele. Mato Grosso não será prejudicado porque vai ter a maior área para expandir. Só não pode entrar em mata nativa”, ressalvou.

A resposta internacional do governo Lula será proibir a realização de queimadas em áreas de produção mecanizadas. Nas áreas em que o cultivo não for mecanizado – como na Zona Mata de Pernambuco, repleta de morros e declives -, haverá um período de transição para o fim das queimadas. Ambientalistas criticam a produção de cana brasileira, alegando que as queimadas aumentam a emissão de CO2 na atmosfera.

A terceira resposta aos críticos, já ensaiada em iniciativa anterior do governo, foi o estabelecimento de uma nova relação trabalhista entre usineiros e cortadores de cana. Um termo de compromisso já assinado prevê, entre outras coisas, a contratação direta dos trabalhadores por meio de registro em carteira de trabalho, eliminando os “gatos” (intermediários).

Os governos estaduais e municipais, em parceria com a Agricultura, terão de impor limites para evitar a expansão da cana sobre a produção de alimentos. Este debate acirrou-se em 2008, quando a alta internacional dos alimentos colocou a produção de etanol em xeque. O Zoneamento da Cana será encaminhado ao Congresso por meio de projeto de lei, o que deve facilitar a negociação com Estados e a bancada ruralista.

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Biocombustível deve registrar crescimento vertiginoso

O Estado de S. Paulo

14/09/09 – A demanda por biocombustíveis pode não crescer o suficiente a ponto de prejudicar o mercado de petróleo, mas ainda assim terá um aumento vertiginoso nos próximos anos. Hoje, eles representam cerca de 3% dos quase 3 trilhões de litros de gasolina e diesel consumidos no mundo. Em 15 anos, essa fatia será de no mínimo 12%, podendo chegar a 20%, segundo Weber Amaral, que coordena pesquisas sobre biocombustíveis na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, interior de São Paulo.

A fabricação de motores flex nos Estados Unidos (a maioria a gasolina) e na Europa (onde predomina o diesel), para atender às exigências de redução de poluentes, deve puxar essa demanda. Do lado da oferta, o etanol brasileiro, mais barato e que consome menos energia para ser produzido, terá um papel central.

A área de cana-de-açúcar plantada no Brasil, hoje de 8 milhões de hectares, deve aumentar para 14 milhões em 2019 e para 21 milhões em 2024 , calcula Amaral. Ele afirma que esse aumento não comprometerá a segurança alimentar. “Não é uma área grande”, diz o pesquisador. “A soja ocupa entre 21 e 22 milhões de hectares.” Tratores movidos a álcool ajudarão a melhorar o balanço energético da produção do etanol brasileiro – que consome uma unidade de energia para cada oito que produz, enquanto nos EUA a proporção é de um para dois.

Amaral acredita que a ênfase agora dada no pré-sal não prejudicará os investimentos em etanol. “O novo investidor, que virá de fora, é educado financeiramente”, descreve ele. “Não procura ganho rápido e não coloca todas as fichas no petróleo. Trabalha com o marco regulatório ambiental.” Segundo o especialista, esses investidores incluem companhias petrolíferas, como a BP e a Shell, e empresas de biotecnologia. “O petróleo do pré-sal é importante estrategicamente, mas não terá nenhum impacto na expansão do etanol brasileiro.”

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A segunda revolução do etanol

22/06/09

Renée Pereira
O Estado de S. Paulo – 31/05/2009

Empresas disputam uma corrida tecnológica para produzir combustível a partir de bagaço da cana, capim e até lixo

Quem considera o etanol produzido de fontes primárias (como cana-de-açúcar e milho) uma revolução da agroenergia nem imagina o que vem pela frente. Dentro de alguns anos, os biocombustíveis também serão feitos a partir do bagaço da cana-de-açúcar, sabugo de milho, capim, casca de árvore, pneus e até lixo urbano. Para isso, os principais centros de inovação do mundo, financiados por governos e grandes empresas, como a petrolíferas BP e Shell, estão travando uma verdadeira corrida tecnológica.

Será o vencedor aquele que encontrar a rota mais viável para transformar os diferentes tipos de biomassa em etanol. Os primeiros litros do biocombustível já foram produzidos em escala experimental. Falta encontrar a fórmula perfeita para a produção em larga escala com custo competitivo aos combustíveis atuais.

No mercado, essa tecnologia tem sido chamada de segunda geração (o etanol feito de fontes primárias é de primeira geração) ou etanol de celulose. O processo consiste em usar enzimas, micro-organismos ou ácidos para separar os açúcares existentes na biomassa e a partir daí produzir o combustível. O potencial é elevado, mas ainda há dúvidas em relação ao tempo para transformar os testes em produção comercial.

Todos os avanços e desafios da nova tecnologia serão expostos a partir de amanhã na segunda edição do Etanol Summit, que contará com cerca de 130 palestrantes de várias partes do mundo, incluindo o ex-presidente americano Bill Clinton, um entusiasta dos biocombustíveis. Eles darão um panorama de quando essa tecnologia poderá sair do papel.

Nos Estados Unidos, as pesquisas do etanol de segunda geração começaram há algum tempo e foram reforçadas pela nova política energética que estabelece limite para o uso do etanol feito a partir do milho com tecnologia convencional. A produção, que hoje está em 40 bilhões de litros, poderá chegar a 57 bilhões. Para complementar a oferta, que atingiria 136 bilhões de litros em 2022, seria usado o etanol de segunda geração e outros biocombustíveis, afirma o presidente da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank.

Embora o consumo de combustível do país tenha caído por causa da crise econômica, grandes empresas mantiveram suas pesquisas. Até porque a meta do governo americano é produzir no ano que vem cerca de 400 milhões de litros de combustíveis de segunda geração. Ásia e Europa também desenvolvem tecnologias, que estão sob segredo industrial. Além do discurso sobre o aquecimento global, o objetivo da busca por um novo biocombustível é diminuir a dependência do petróleo.

No Brasil, por causa do enorme potencial de crescimento do etanol de primeira geração, a corrida tecnológica ainda está um pouco mais lenta e com orçamentos mais modestos comparados aos do mercado externo, que tem irrigado as pesquisas científicas com bilhões de dólares. Apesar disso, alguns empreendedores acreditam que possam sair na frente para manter a liderança brasileira no mundo dos biocombustíveis.

“O etanol de segunda geração, a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, teria capacidade para dobrar o volume de etanol produzido no País com a mesma área plantada”, diz Marcos Jank, destacando que este ano o setor alcançará 27 bilhões de litros. Foi de olho nesse potencial que o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) firmou uma parceria com a dinamarquesa Novozymes Latin America, especialista em enzimas industriais.

Juntos, inauguraram em janeiro uma usina piloto, com capacidade para produzir 200 litros de etanol de segunda geração. A rota tecnológica usada chama-se hidrólise enzimática, em que as moléculas de celulose são transformadas em açúcares por meio de enzimas.

Hoje o grande desafio é evitar que essas enzimas encareçam demais o produto final, diz o presidente regional para América Latina da Novozymes, Pedro Luiz Fernandes. Segundo ele, a tecnologia já existe, mas, além do custo, ela exige aperfeiçoamentos e ajustes. “Em meados de 2010, esperamos apresentar um modelo financeiro para vender essa tecnologia.”

Um dos ajustes que ela terá de fazer até lá refere-se ao tempo que a enzima leva para transformar a celulose em açúcar. “O ideal seria ter um ciclo de 24 horas, como ocorre no etanol tradicional”, afirma o diretor superintendente do CTC, Nilson Boeta. A expectativa dele é que em três ou quatro anos a tecnologia esteja dominada, para produção em escala industrial.

O executivo acredita que, superada a fase de aperfeiçoamento tecnológico, o Brasil terá enorme competitividade no etanol de celulose, já que a matéria-prima não exige logística. “Ela está ali, na própria usina. Nos Estados Unidos, a palha e o sabugo do milho ficam no campo.”

Na Dedini, líder na fabricação de equipamentos para o setor sucroalcooleiro, a rota tecnológica adotada é a hidrólise ácida. Com estudos iniciados há cerca de 20 anos, a produção do etanol de celulose já passou pelos estágios de laboratório e piloto. Hoje a empresa espera firmar alguma parceria para iniciar uma fase semi-industrial. “A fabricação do etanol já existe. O problema é o custo”, diz o vice-presidente de tecnologia e desenvolvimento da empresa, José Olivério. Segundo ele, o combustível custa, pelo menos, o dobro do etanol comum.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também entrou na corrida pela nova tecnologia do etanol de celulose e desenvolveu um tipo de enzima para o processo. Os testes já devem entrar em escala de demonstração (antes da escala industrial). “Tínhamos duas alternativas: comprar a tecnologia ou entrarmos numa agenda de desenvolvimento. Ficamos com a segunda opção”, disse o chefe-geral da Embrapa, Frederico Durães. Segundo ele, a Embrapa fechou acordo com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para criar uma Empresa de Propósito Específico (EPE) para desenvolver negócios nessa área.

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