Etanol

15/03/09

Brenco fecha financiamento de R$ 1,8 bi para usinas de etanol

Cristiane Perini Lucchesi, de São Paulo
12/03/2009

A crise internacional não impediu a Brenco – Companhia Brasileira de Energia Renovável de obter o R$ 1,8 bilhão necessário para levar à frente a construção de quatro usinas de etanol e de energia elétrica no Pólo Alto Taquari, em Mato Grosso, e Mineiros, em Goiás. “Criamos uma estrutura de garantias que nos permitiu trazer credores para a transação”, afirma Alfredo de Freitas, diretor financeiro.

Do total do projeto, R$ 600 milhões serão obtidos por meio de capital de uma ampla lista que inclui mais de 20 diferentes acionistas, em uma pulverização raramente vista em projetos no Brasil. “A Brenco é um projeto, mas também uma companhia de mercado”, comenta Freitas. “Temos balanço auditado desde o começo, em agosto de 2008, e reuniões periódicas do conselho de administração”, conta. Nesse tipo de modelo de “project finance”, admite ele, os credores não têm como recorrer ao balanço do principal ou principais acionistas patrocinadores do projeto, os chamados “sponsors”.

 

 

“O fluxo de pagamentos do financiamento virá da geração de caixa do próprio projeto, em um clássico ‘project finance’, o primeiro desse tipo no setor no Brasil”, diz Eduardo Gentil, diretor da área de fusões e aquisições e de financiamento de projetos do Itaú BBA, que, junto com o Banco do Brasil, liderou a estruturação do financiamento. O BNDESPar, a empresa de participações do BNDES, entrou com 20,90% do capital e ficou entre os principais acionistas da Brenco. Se destacam também entre os acionistas o fundo Ashmore, o Amber Master Fund, o Goldman Sachs e o BNP Paribas, entre outros.

Do R$ 1,2 bilhão que será obtido por meio de dívida, R$ 100 milhões são recursos do Fundo do Centro Oeste que serão repassados por meio do BB. O resto do dinheiro – R$ 1,1 bilhão – virá do BNDES: R$ 465 milhões diretamente e R$ 635 milhões por meio do repasse de um grupo de bancos. Os R$ 465 milhões que serão repassados pelo próprio BNDES têm uma garantia de fiança de R$ 90 milhões fornecida por meio de carta de crédito pelos bancos ao BNDES na fase pré-operacional das quatro usinas. Depois que as usinas funcionarem à plena capacidade (duas provavelmente neste ano e duas em 2010), o BNDES fica com todo o risco dos R$ 465 milhões.

“É uma estrutura mista de participação do BNDES”, explica Maria Estela Ferraz de Campos, gerente da área de financiamento de projeto do Itaú BBA. Participam no repasse das linhas do BNDES a Caixa Econômica Federal, o Bradesco, o Unibanco, o KDB (Banco de Desenvolvimento da Coréia), o Banco Votorantim e o Banco do Nordeste (BNB).

O prazo de vencimento do financiamento é em sua maior parte de dez anos, mas chega a 16,5 anos. Os juros, considerando-se a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) de hoje, serão de 9,5% a 10% ao ano.
Freitas explica que a Brenco já vendeu energia em leilão em um total de cerca de R$ 150 milhões para fornecimento em 15 anos e que os próprios recebíveis desses contratos fazem parte do esquema de garantias aos credores.

Há também um seguro contra o risco de não-implantação do projeto, chamado em inglês de seguro de “completion”, no valor de R$ 600 milhões, firmado com a seguradora paranaense J Malucelli, cujos beneficiários são os credores. “Há também garantias mais tradicionais em financiamentos desse tipo, como a hipoteca dos imóveis e a alienação dos equipamentos do projeto”, explicou Freitas. O primeiro desembolso foi feito no dia 27 de fevereiro último.

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Quinta-Feira, 12 de Março de 2009

Brasil também quer ampliar entendimento sobre etanol

Patrícia Campos Mello

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sugerir ao presidente americano, Barack Obama, uma ampliação do memorando de entendimento de biocombustíveis, assinado em março de 2007, para que os dois países promovam o uso do etanol e combatam o aquecimento global.

Lula não deve pedir diretamente a redução da tarifa sobre o etanol brasileiro, o que depende do Congresso. Mas pode propor a ampliação do memorando para que o Brasil tenha acesso a uma cota livre de taxação, enquanto a tarifa em si não é rediscutida no Congresso em 2011.

Obama já salientou a importância que dá à “segurança energética das Américas”, assunto que deve discutir na Cúpula das Américas, entre 17 e 19 de abril, em Trinidad e Tobago. O presidente americano deve enfatizar no encontro com Lula a importância da colaboração hemisférica para a mudança climática.

Brasil e EUA assinaram um memorando de entendimento que prevê maior colaboração para promover biocombustíveis e produção de etanol em terceiros países. Até agora, o efeito do memorando foi limitado.

A indústria de etanol brasileira está de olho no mercado de créditos de carbono que será criado nos Estados Unidos . O sistema de “cap and trade” de créditos de carbono é uma das principais bandeiras de Obama e ele conta com a receita do mercado para financiar boa parte da reforma do sistema de saúde.

A indústria brasileira quer colaboração binacional para que o etanol tenha um grande papel em relação à redução de emissões de poluentes e que se estabeleçam metodologias para que o uso de etanol seja contabilizado na redução de emissões.

A indústria quer que os EUA adotem fórmula ou cota que dê maior previsibilidade ao fornecimento de etanol, que flutua muito a cada ano. Segundo Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), por mais que a economia esteja em crise e o consumo de combustível esteja em queda nos EUA, há um mandato de uso de etanol a ser cumprido e os americanos não darão conta, precisando de importação.

Não se espera que Lula entre em muitos detalhes com Obama, uma vez que os dois só estarão juntos por 20 minutos – os ministros terão outros 40 minutos de encontros.

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Serviços Ambientais

9/03/09

04 de Março de 2009.

Pagamento por serviço ambiental renderia R$ 36 bi

Dados são de estudo do Ministério do Meio Ambiente

Os pagamentos por retenção e captação de carbono, conservação da biodiversidade, conservação de serviços hídricos e da beleza cênica, os chamados “serviços ambientais”, têm potencial para cobrir uma área entre 8,3 e 13 milhões de hectares na Amazônia Legal até 2016, a um custo que pode chegar a R$ 36 bilhões, revela documento lançado ontem pelo Ministério do Meio Ambiente.

Para que esses recursos sejam alcançados, no entanto, uma série de problemas precisa ser superada. O principal é o fundiário. De acordo com o trabalho, 53% da área competitiva para pagamentos de serviços ambientais (PSA) está localizada em terras com pouca ou nenhuma informação fundiária confiável.

“Para que seja possível tirar proveito das oportunidades que surgem da crescente demanda por serviços ambientais prestados pela Amazônia, duas precondições mostram-se essenciais: a regularização do caos fundiário e a instituição de um sistema de licenciamento de propriedades rurais”, mostra o trabalho. O estudo alerta ainda que condições mínimas têm de ser satisfeitas, como a aplicação em polos que sejam de fatos competitivos.

No Congresso Nacional, tramitam seis projetos sobre PSA. O substitutivo do deputado Jorge Khoury (DEM/BA) traz a proposta do MMA para o tema, instituindo a Política Nacional de Serviços Ambientais e o Programa Nacional de Pagamentos por Serviços Ambientais.

(Lígia Formenti)
(O Estado de SP, 4/3)

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Sustentabilidade e Negócios

16/02/09

Diesel menos poluente será produzido em SP, MG e RJ

Guilherme Manechini, de São Paulo
12/02/2009

Três refinarias da Petrobras já foram escolhidas para receber os primeiros equipamentos para a produção de diesel com menor teor de enxofre no país. Segundo apurou o Valor, as unidades instaladas nos municípios de Belo Horizonte (MG), São José dos Campos (SP) e Duque de Caxias (RJ) fazem parte do plano da empresa para começar a produzir dois tipos de diesel considerados “mais limpos”, com 50 e 10 partículas por milhão (ppm). Atualmente, cerca de 70% do diesel consumido no Brasil contém 1.800 ppm.

Em janeiro, quando fez o primeiro balanço do fornecimento do diesel S 50 (com 50 ppm) para os ônibus metropolitanos de São Paulo e Rio, a estatal ainda não havia definido uma data para o início da produção dos dois tipos de diesel, ambos com menor teor de enxofre.

No caso do S 50, até o fim do ano passado, a etapa 6 do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) determinava o fornecimento ao menos para a frota fabricada a partir deste ano, mas o atraso da especificação do combustível pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) resultou em um acordo para a prorrogação do prazo. O fornecimento para os ônibus metropolitanos faz parte de uma série de compensações acordadas entre Petrobras, Ministério Público Federal, Anfavea, Ibama e ANP.

As refinarias de Belo Horizonte (Regap), São José dos Campos (Revap) e de Duque de Caxias (Reduc) deverão receber nos próximos dias parte dos equipamentos necessários para a instalação das unidades de hidrotratamentos, tecnologia necessária para a produção dos tipos de diesel S 10 e S 50. Procurada, a Petrobras não quis se pronunciar sobre o assunto.

Antes da publicação do plano de negócios da Petrobras para os próximos cinco anos, o investimento previsto para a melhoria de combustíveis era de US$ 8,6 bilhões. Já no site da companhia, a informação é de que até 2013 os investimentos na melhoria do diesel vão totalizar US$ 6 bilhões.

Durante o balanço realizado em janeiro, o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou que a estatal deveria aplicar outros US$ 2 bilhões para o fornecimento do diesel S 10, mas o investimento não foi confirmado.

Hoje, no Rio, Costa falará sobre o assunto durante coletiva de imprensa organizada para detalhar o plano de negócios para a área de abastecimento nos próximos cinco anos.

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12 de Fevereiro de 2009

“Trem verde” da Vale troca diesel por gás

Projeto pioneiro vai possibilitar, além de economia, menor emissão de CO2

Paula Pacheco

A Vale conseguiu tirar do papel um projeto de quatro anos e passa a deter uma tecnologia inédita no mundo, que permite substituir o diesel pelo gás natural para abastecer as locomotivas. O principal diferencial em relação aos outros projetos nesse sentido é o fato de a mineradora ter desenvolvido, em parceria com a White Martins, um sistema que transforma o gás natural em liquefeito.

O projeto foi batizado de Trem Verde e, por enquanto, o teste vem sendo feito em uma locomotiva da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM). O objetivo, segundo Eduardo Bartholomeu, diretor de Logística da Vale, é usar até 70% de gás natural como combustível para as locomotivas. O restante é complementado com diesel.

A Vale, dona da segunda maior malha ferroviária do Brasil, ocupa o topo de lista dos grandes consumidores de diesel do País. Metade da demanda vem das mil locomotivas usadas na área de logística. Por ano, a mineradora queima 544 milhões de litros de diesel. O investimento em alternativas ao combustível foi motivado, segundo a empresa, pela busca da redução dos gastos com combustível e pela preocupação com o efeito da emissão de poluentes.

As pesquisas começaram em 2004 e contam com a participação da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e Universidade de São Paulo (USP). Com a conversão de motores para o gás natural, a direção da Vale calcula que a redução das emissões de CO2, provenientes da queima de combustíveis, chegará a 73 mil toneladas por ano. Isso é o equivalente ao gás carbônico absorvido por uma área de mata nativa de cerca de 155 hectares.

No lado econômico, segundo Bartholomeu, um litro de diesel produz a mesma quantidade de energia que 1,056 metro cúbico de gás. No entanto, o gás custa em média 17% menos que o diesel.

Segundo o executivo, até agora foram investidos R$ 2,4 milhões, mas o projeto tem potencial para absorver R$ 460 milhões, quando incluir todas as locomotivas. “A maior dificuldade era justamente a forma de armazenar o combustível. Agora, com um tanque cheio de gás liquefeito, a locomotiva Vitória-Minas tem autonomia de 1,2 mil quilômetros (uma viagem de ida e volta de Belo Horizonte a Vitória)”, explica o executivo.

A Vale faz parte de uma série de consórcios para exploração de petróleo e gás. Todos os projetos ainda estão em fase de prospecção. Mas quando começarem a produzir, calcula Bartholomeu, o gás da própria mineradora poderá ser usado para movimentar as locomotivas. Por enquanto a empresa depende do gás boliviano. Mas nem por isso o executivo mostra-se preocupado com o risco de desabastecimento, como ocorreu recentemente. “Esse é um problema resolvido. Não há chance de faltar gás.”

Outro projeto em fase de testes na Vale é o que muda o acionamento dos freios das locomotivas para um sistema computadorizado, que reduz o uso de combustível na hora de parar o trem. Ao ser implantado em toda a malha ferroviária, possibilitará uma economia anual de 7 milhões de litros – uma redução de 1,3% no consumo de diesel de todas as ferrovias da Vale.

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Mesmo com cenário adverso, vendas de etanol mantêm alta

11/02/2009
Gazeta Mercantil
Sertãozinho (SP), 11 de Fevereiro de 2009 – Mesmo num cenário bastante pessimista, em que as vendas de carros no Brasil despenquem neste ano, o consumo doméstico de etanol crescerá. E não será pouco. Segundo simulação realizada pelo Rabobank, se as vendas de automóveis caírem pela metade em 2009, o aumento potencial do consumo de etanol no País será de 2,44 bilhões de litros, o que representaria uma alta de 12,2% em relação ao consumo nacional em 2008, que foi de 20 bilhões de litros, sendo 14 bilhões de hidratado e 6 bilhões de anidro.

Isso só será possível se os preços do álcool continuarem competitivos em relação à gasolina. Ou seja, se os preços do etanol custarem ao consumidor final até 70% do preço da gasolina. A frota de veículos flexíveis, que representam 87% das vendas, chegaria, mesmo com queda de 50% nas vendas, a 8,4 milhões de unidades em 2009, segundo a simulação feita pelo Rabobank. Os veículos movidos a gasolina também ajudam, pois o combustível tem mistura de 20% de álcool hidratado.

Os dados foram apresentados ontem, em Sertãozinho, por Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Canaplan, consultoria especializada na agroindústria canavieira. “As perspectivas para o álcool são boas não somente no Brasil. Nos Estados Unidos, as últimas notícias nos permitem fazer uma análise otimista para o setor”, disse ele, durante o evento “Cenários para a Safra Sucroenergética 2009/10″, promovido pela Brasil Agro.

Segundo Carvalho, os novos secretários norte-americanos de Energia e Agricultura defendem maior uso do etanol na gasolina. “Tanto que a EPA (a agência ambiental dos EUA) definiu em janeiro uma mistura média de 10,21% de etanol na gasolina para 2009, em comparação com 7,76% em 2008″, informou. “Isso representa uma demanda extra de 13 bilhões de litros de etanol” , afirmou.

Salto no exterior

Segundo Carvalho, o mercado internacional de etanol saltou de 29 bilhões de litros em 2000 para 79 bilhões de litros em 2008. Em 2018, segundo projeções da Canaplan, o consumo chegará a 276,6 bilhões de litros, o que representará uma taxa anual de crescimento de 13,35% no período.

Para o mercado internacional de açúcar, a Canaplan prevê crescimento anual de 2,78%. A commodity, que movimentou 130 milhões de toneladas em 2000 e 161,8 milhões de toneladas em 2008, deve atingir 212,8 milhões de toneladas em 2018.

“Independentemente da crise, do seu tamanho e duração, dos estragos e seqüelas que causar, o mundo não suporta mais o continuísmo”, afirmou Carvalho. “Prova disso foi a eleição de Barak Obama para a presidência dos Estados Unidos.” Segundo Carvalho, na esteira desse novo mundo, a biomassa é estrela, base de inovações nos campos energético, químico e biotecnológico. Neste cenário, diz ele, a cana (e o Brasil por conseqüência) está muito à frente e receberá os maiores recursos. “Passaremos a viver um longo ciclo virtuoso, com sustentabilidade, o que inclui competitividade e inovação.”

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 11)(Edson Álvares da Costa)

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Carro elétrico já é realidade no mundo

10/02/2009

Gazeta Mercantil

Detroit (EUA), 10 de Fevereiro de 2009 – Anos atrás, quando Shai Agassi começou a promover sua idéia de estações para recarregar carros elétricos, o mundo automotivo mal deu atenção.

Na época, a gasolina era barata, grandes picapes e SUVs reinavam nas estradas americanas, e os veículos movidos a combustíveis alternativos pareciam destinados a permanecer um nicho muito pequeno para os consumidores preocupados com o meio ambiente e os tecnófilos.

Mas agora quase toda grande companhia no mundo se comprometeu a construir carros elétricos, e o presidente Barack Obama fez da redução do consumo de petróleo o ponto central da sua política energética.

O timing não poderia ser melhor para Agassi, ex-executivo do setor de softwares que está recorrendo à sua experiência no Vale do Silício enquanto persegue seu desejo de construir redes de estações de troca de bateria na América do Norte, Europa, Japão e Austrália a fim de aumentar o alcance dos carros elétricos.

“Há algo significativo que pode ser feito nos próximos 15 anos com carros elétricos”, disse Agassi em uma entrevista recente. “Tem a ver com o que você vai fazer para transformar o mundo em um lugar melhor até 2020″? ele acrescentou. Nos últimos meses , Agassi, que tem 40 anos e nasceu em Israel, tornou-se um importante ator na pressão global em direção aos carros elétricos.

Acordos no mundo

Em um período recente de 10 dias, ele anunciou um acordo para novas estações de trocas no Canadá, fechou um acordo para financiamento na Dinamarca, frequentou o World Economic Forum em Davos, na Suíça onde deu várias entrevistas para noticiários de TV’’s a cabo.

A teoria de Agassi é de que a chave para persuadir mais consumidores a comprar carros totalmente elétricos – em vez de carros híbridos, movidos a gasolina e eletricidade, como o Prius, que ainda emitem gases através do cano de escapamento – é construir uma rede de estações que possam substituir as baterias vazias por novas.

(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 2)(The New York Times)

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10 de fevereiro de 2009

Rio subterrâneo de Roma pode gerar energia geotérmica

Curso do rio foi reconstituído graças à prospecção de mais de 200 poços ao longo da capital italiana

Efe

ROMA – Cientistas italianos descobriram um rio subterrâneo que corre por baixo de Roma, com maior extensão do que a do Tibre, e que pode servir para produzir energia geotérmica, já que sua temperatura média é de 20ºC.

Segundo informa nesta terça-feira, 10, o jornal Corriere della Sera, a equipe do vulcanólogo e geoquímico italiano Franco Barberi reconstruiu o curso do rio graças à prospecção de mais de 200 poços ao longo da capital italiana.

“O Tibre esconde, sob seu leito, um enorme rio subterrâneo, completamente separado, que pode ser utilizado como fonte de energia geotérmica para aquecer e esfriar grande parte das casas da capital, com uma notável economia de combustível e redução da poluição”, afirmou Barberi.

Entretanto, o cientista ponderou que não se deve imaginá-lo como uma caverna sob a cidade, mas que se trata de “um fluxo de água subterrânea que corre entre o cascalho e a areia do antigo curso do Tibre, fechado, acima e abaixo, por duas camadas de terra impermeáveis”.

Sua extensão é muito maior do que a do rio superficial, já que tem, inclusive, centenas de metros de cada lado.

As amostras extraídas e analisadas pela equipe de cientistas indicam que a água do rio subterrâneo, situado entre 30 e 60 metros abaixo do nível da cidade, tem ph neutro e não apresenta contaminações, enquanto sua temperatura, que oscila entre 18ºC e 21ºC, tem a possibilidade de ser utilizada para produzir energia geotérmica, segundo os pesquisadores.

Embora no passado este tipo de energia tenha se extraído de águas termais, mais quentes, os pesquisadores afirmam que hoje já existe tecnologia para usar águas com menos de 20ºC, como já se faz com sucesso na Suécia e em outros países do norte da Europa.

A equipe espera agora que empresas entrem em contato com eles para desenhar “protótipos” para a instalação de bombas que extraiam o líquido do rio.

O presidente do Instituto Nacional de Geologia e Vulcanologia, Enzo Boschi, afirmou que Roma pode alcançar assim “a independência dos hidrocarbonetos, convertendo-se na capital mais limpa da Europa”.

Além disso, a capital italiana poderia se proteger contra futuras crises de gás entre Rússia e Ucrânia e os desabastecimentos que elas causam à Europa.

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Cresce geração a partir do lixo 

Gazeta Mercantil
09/02/2009

Roberta Scrivano

A geração de energia a partir do lixo começa a deslanchar. “Não tanto como fonte geradora de eletricidade, mas como solução para o lixo”, diz Jean Negri, coordenador de energia da Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo. Negri diz que o governo do Estado está analisando outras soluções para o lixo paulista. “Há dois anos firmamos uma parceria com o estado alemão de Baviera para troca de tecnologias sobre a geração a partir do lixo”, comenta. “Até fevereiro devemos anunciar uma nova iniciativa de produção de eletricidade por meio do lixo”, antecipa.

Segundo o coordenador de energia, a nova proposta prevê a queima do lixo em caldeiras e, com o vapor emitido, a geração da eletricidade. “Neste processo apenas 10% ou 15% do total de lixo é encaminhado para o aterro”, comenta.

Negri explica que, neste caso, o pouco de lixo que é encaminhado para o aterro é composto por metais (que não podem ser queimados) e as cinzas.

Atualmente, na capital paulista estão em funcionamento dois projetos de geração de eletricidade a partir dos gases emitidos pelo lixo, um deles no aterro Bandeirantes e outro no São João. Segundo a prefeitura do município “São Paulo já arrecadou R$ 37 milhões no segundo leilão de créditos de carbono, oriundos dos aterros Bandeirantes, em Perus, e São João, em São Mateus”. Foram comercializados na Bovespa 713 mil toneladas de créditos de carbono ao preço final de € 19,20 cada tonelada.

Cada uma das duas usinas instaladas nos aterros de São Paulo tem capacidade para gerar 20 megawatts por mês, ou seja, a eletricidade oriunda das duas fontes pode atender ao consumo anual de até 600 mil habitações paulistanas.

O Aterro Sanitário São João entrou em atividade em 1992 e, com uma área de 80 hectares, recebe diariamente 7 mil toneladas de lixo. Nesse aterro foi instalada também uma usina termelétrica, com capacidade de geração de 200 mil MW/h por ano, o que equivale ao consumo de uma cidade com 400 mil habitantes.

O outro aterro sanitário da cidade de São Paulo, o Bandeirantes, fica em uma área de 150 hectares no distrito de Perus e tem cerca de 35 milhões de toneladas de lixo estocadas. Esse aterro foi o primeiro a ter uma usina termelétrica, com capacidade de geração de 170 mil MW/h por ano.

Líderes no segmento

De acordo com documento da prefeitura de São Paulo, a cidade é a precursora dos dois maiores projetos reconhecidos como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, no protocolo de Kyoto, por reduzirem em aterros sanitários a emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera. E, por este motivo, na semana passada na Suíça uma missão de brasileiros apresentou aos C40 (organização que congrega as 40 maiores cidades do mundo na busca de soluções concretas nas áreas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas) os projetos de geração de eletricidade a partir do lixo.

GE vai fornecer para China

A gigante General Electric (GE) acertou com uma granja na China a instalação de motores a gás que geram energia e calor a partir de gases nocivos, como o biogás, gás de minas de carvão e gás de resíduos industriais, além do gás natural. “Este será o nosso primeiro motor deste tipo a funcionar em território chinês”, afirma Marcelo Prado, diretor de marketing da GE.

O executivo explica que a Deqingyuan, a maior granja da Ásia, tem que administrar 220 toneladas de esterco e 170 toneladas de efluentes (esgoto industrial) por dia. “Projetos deste tipo são muito interessantes porque envolvem dois novos negócios: a venda de créditos de carbono e a comercialização de energia elétrica”, diz Prado. O executivo afirma que a usina de Deqingyuan será a maior central energética a biogás da Ásia.

Hoje, cerca de 8 mil motores a gás Jenbacher estão em operação em todo o mundo, como os instalados em parques de rosas na Holanda, em minas de carvão na Ucrânia, nos aterros no Reino Unido e em hospitais na Itália. Uma granja na China está prestes a ser incluída nessa lista.

(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 5)

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09/02/2009 – 12h25

Empresa testa geração de energia a partir de ondas do mar 

da Reuters, em Londres

A empresa E.ON vai iniciar um teste de geração de energia a partir de ondas do mar no Reino Unido em 2010, informou o braço britânico do grupo alemão.

A E.ON UK planeja instalar e testar um único aparelho de geração, que está sendo construído em Edimburgo, na Escócia, no Centro Europeu de Energia Marinha, na costa escocesa.

A companhia espera que o programa ajude a abrir caminho para a comercialização da tecnologia no Reino Unido e no mundo.

“Reconhecemos que muito trabalho ainda precisa ser feito antes que possamos ter certeza que a energia marinha cumprirá seu potencial”, disse Amaan Lafayette, diretor de desenvolvimento marinho da E.ON.

“Mas o sucesso desse equipamento nos dará confiança para prosseguirmos com a próxima fase de comercialização, que será composta de conjuntos maiores pela costa do Reino Unido.”
A E.ON afirma que será a primeira companhia a testar um equipamento de energia marinha no Centro Europeu de Energia Marinha.

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Mudanças climáticas

13/12/08

14ª CONFERÊNCIA DO CLIMA DA ONU – POZNAN, POLÔNIA

33 países já têm metas de corte de CO2 para negociar em 2009

12/12 – Agência Estado

Às vésperas do fim da 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 14) em Poznan, na Polônia, pelo menos 33 dos 39 países que devem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa após Kyoto apresentaram, à imprensa ou nos bastidores, propostas de corte. A lista inclui os 27 membros da União Européia, Noruega e Suíça, elogiados pela comunidade internacional, mas também os “vilões” Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão.
Mais ou menos ambiciosas, as propostas devem ser levadas às mesas de negociação a partir de março de 2009.

O grupo de países que precisa apresentar propostas de corte integra o chamado Anexo 1 do Protocolo de Kyoto e é formado por 30 países filiados à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE) e por membros do extinto bloco socialista. Parte dos planos foi evocada pelo secretário-executivo do Painel do Clima das Nações Unidas, o holandês Yvo de Boer, em seu discurso de abertura das reuniões de alto nível – as realizadas com ministros de Meio Ambiente -, ontem, em Poznan.

“Segunda-feira, a Austrália anunciará suas metas para cortes de gases-estufa. Barack Obama, presidente eleito dos EUA, quer retornar em 2020 aos níveis de 1990. A UE nos assegura que reduzirá até 30%, o Reino Unido se comprometeu a reduzir 26% e a Suécia discute a redução de 35%.”

SATISFAÇÃO

“Nós acordamos que até o final de março os países desenvolvidos deverão apresentar suas metas numéricas de cortes”, confirmou o comissário europeu de Meio Ambiente, Stavros Dimas. “Creio que em junho, em Bonn, na Alemanha, todas as propostas já vão estar sobre a mesa”, avaliou Luiz Alberto Figueiredo, chefe da delegação do Brasil na Polônia.

A aparente indefinição sobre metas vinha alimentando mal-estar em Poznan na primeira semana de negociações, mas nos últimos dias delegados de vários países elogiaram as negociações. “Muitos esperavam um acordo sobre tudo em Poznan. Não é esse o objetivo”, disse ao Estado o chefe da delegação da UE, Brice Lalonde. Acertos importantes, como a inclusão do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) – que interessa ao Brasil – no futuro acordo do clima, e avanços na criação do Fundo de Adaptação vêm sendo enaltecidos.

“Considerando que Poznan é um evento intermediário entre Bali e Copenhague e que chegamos aqui sabendo que nenhuma decisão final seria tomada, estou muito satisfeito”, avaliou Figueiredo. “Para o Brasil tudo está andando exatamente como esperávamos.”

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11 dezembro de 2008

Desmatamento evitado entrará no acordo pós-Protocolo de Kyoto

Proposta favorece Brasil; Europa diz que aprovará corte de emissões

Andrei Netto

O mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), o maior interesse do Brasil na 14ª Conferência do Clima, em Poznan, Polônia, será incluído no futuro acordo do clima que substituirá o Protocolo de Kyoto. Na prática, a decisão permitirá que governos, empresas privadas e proprietários de terra que preservem áreas de florestas tropicais sejam recompensados financeiramente. A metodologia do REDD ainda precisará ser definida, mas já está certo que o acordo final deverá ser assinado em Copenhague, em 2009.

A negociação ocorreu na noite de quarta-feira e no início da madrugada de quinta. A confirmação foi feita ontem ao Estado pelo governo brasileiro: “Sem dúvida é um passo importante. A discussão sobre a metodologia continuará, mas a inclusão do REDD no novo acordo do clima está garantida”, disse o embaixador Sérgio Serra, membro da delegação do País.

O mecanismo, em tese, beneficia muito o Brasil. No país, o desmatamento é responsável por 75% das emissões. A inclusão do REDD é decisiva porque abre a possibilidade de que, ao preservar a floresta, o Brasil seja indenizado pela comunidade internacional.

A forma como essa compensação se dará ainda está em aberto e precisará ser negociada até dezembro do próximo ano. A proposta brasileira é de que seja criado um fundo internacional – nos moldes do já existente Fundo da Amazônia -, que receberia recursos de outros governos. Países como os EUA, entretanto, defendem que essa remuneração se dê via mercado de carbono. A União Européia também defendia esse ponto-de-vista. Mas, após uma reunião bilateral realizada no sábado com delegados do Brasil, os europeus aceitaram a criação do fundo internacional.

PACOTE EUROPEU

A União Européia vai aprovar as metas de seu Pacote Energia-Clima, anteciparam ontem, na Polônia, autoridades do bloco. O projeto será posto em discussão hoje e amanhã, em Bruxelas, e resultará em um compromisso formal: redução de 20% das emissões, economia de 20% de energia e uso de 20% de fontes renováveis até 2020, tendo como parâmetro o ano de 1990.

Com isso, a UE deve subir o tom das cobranças em relação à proposta de redução de emissões, ainda extra-oficial, elaborada pelo presidente eleito dos EUA, Barack Obama.

Delegados europeus e brasileiros confirmaram ao Estado que os americanos deverão propor, nos próximos meses, o retorno em 2020 aos níveis de emissão de 1990 – ou seja, 0% de redução. No horizonte 2050, a proposta de cortes seria ambiciosa: 80%. “Tenho ouvido de delegados de muitos países que este esforço não é aceitável, não é suficiente”, disse o líder da delegação da França e da UE, Brice Lalonde. “Sobre 2050, sim, é uma proposta aceitável e muito ambiciosa.”

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11 de dezembro de 2008

Minc anuncia ação para fomentar tecnologia verde

Ministro participa na Polônia de negociações da ONU sobre clima.

Enviado especial da BBC Brasil a Poznan (Polônia) – Na Polônia para a rodada final das negociações das Nações Unidas sobre o clima, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, lançou nesta quinta-feira a criação de uma aliança para fomentar o desenvolvimento de tecnologias não-poluentes em países em desenvolvimento.

Batizada de Atia (Aliança Tecnológica para Inovações Antiaquecimento), a iniciativa brasileira – que ainda está em fase inicial – pretende criar parcerias para possibilitar a transferência de “tecnologias adaptadas à realidade de cada país”, em parte com recursos provenientes do mercado de carbono nos países ricos.

“Isso talvez dê corpo a essa idéia geral da transferência de tecnologia que não colou”, afirmou Minc, na cidade polonesa de Poznan, dizendo já contar com o apoio dos governos da Alemanha e da Noruega.

O ministro se referia a um dos impasses, após dez dias de negociações entre representantes de quase 190 países, sobre mecanismos que possibilitem a transferência de tecnologias não-poluentes sem custo para países em desenvolvimento.

Impasse

Integrantes da delegação brasileira consultados pela BBC Brasil afirmaram que a Atia seria uma forma de usar o mercado de carbono para facilitar transferências tecnológicas sem aumentar os direitos de emissões dos países ricos.

O funcionamento do sistema seria semelhante ao já proposto para o fundo da Floresta Amazônica: países que emitem créditos de carbono para empresas poluentes (a exemplo do que já acontece na Europa) destinam uma parcela desses créditos a um leilão.

Uma pequena porcentagem dos recursos levantados no leilão seria utilizada para pagar os donos das patentes de tecnologias limpas ou incentivar novas invenções.

Para que a iniciativa entre em funcionamento rapidamente, o ministro Minc fala também sobre o adiamento do pagamento de royalties aos detentores de patentes.

Dessa forma, à medida que recursos forem arrecadados, poderiam ser aplicados no pagamento destas dívidas. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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11/12/2008

Brasil é exemplo de economia verde, diz Ban Ki-moon

ERIC BRÜCHER CAMARA
enviado especial da BBC Brasil a Poznan (Polônia)

Em seu discurso na abertura da fase ministerial do encontro da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas em Poznan, na Polônia, nesta quinta-feira, o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, citou o Brasil como um dos exemplos da “economia verde” que o resto do planeta precisa seguir.
“O Brasil construiu uma das economias mais verdes do mundo, criando milhões de empregos neste processo”, disse.

Além do representante máximo da ONU, líderes de 61 países discursam no plenário, antes do início das negociações que vão encerrar o encontro deste ano, na sexta-feira.

Moon fez um apelo para que a crise econômica mundial não impeça avanços no combate ao problema.

“Sim, a crise é grave. Mas quando o assunto é mudança climática, as apostas são mais altas. A crise climática afeta o nosso potencial de prosperidade e a vida das pessoas, tanto agora quanto no futuro”, disse Moon.

Guinada política

A crise econômica e os temores de uma recessão profunda e prolongada levaram a mudanças no discurso de países como a Alemanha, vista tradicionalmente como um dos mais ambiciosos na redução de emissões de gás carbônico (CO2).

Ao mesmo tempo em que os ministros se reúnem na Polônia, em Bruxelas os chefes de Estado da União Européia (UE) devem concluir suas propostas de políticas de energia e climática, e um dos pontos mais polêmicos são as metas de redução de emissões.

As decisões tomadas em Bruxelas devem ter um impacto direto sobre as negociações em Poznan, já que a liderança da UE é considerada fundamental, em um momento de crise econômica e em que os Estados Unidos estão à espera da posse do presidente eleito Barack Obama.
O próprio Ban Ki-moon, em seu discurso, ressaltou a importância da liderança americana e européia na fase que o mundo atravessa.

“O que precisamos agora é de liderança”, afirmou o sul-coreano, lembrando que Obama prometeu em sua campanha priorizar o meio ambiente, o desenvolvimento limpo e as energias alternativas no seu governo.

A reunião da ONU sobre mudanças climáticas termina na sexta-feira e é considerada o meio do caminho para um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto.

No encontro do ano passado, em Bali, líderes de quase 200 países aceitaram o ano de 2009 como prazo para fechar um novo tratado de redução de emissões.

Desde então, os países envolvidos apresentaram propostas para o acordo, que vêm sendo avaliadas na reunião da Polônia.

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Grandes empresas apóiam corte de emissão de gases

Daniela Chiaretti, de Poznan
09/12/2008

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas foi surpreendida ontem com o comunicado de um grupo de líderes de 140 empresas espalhadas pelo mundo no qual se lia: “Precisamos adotar cortes rápidos e profundos nas emissões de gases do efeito-estufa”. Adotando um discurso de vanguarda e alinhado em vários pontos aos das ONGs mais radicais, os empresários dizem que estão dispostos a se adequar a decisões de cortes de 50% a 85% em 2050.

O comunicado do Corporate Leaders Group on Climate Change é assinado por presidentes e diretores de empresas da Austrália, China, Europa, Japão, Estados Unidos, América do Sul e Canadá. Estão ali a seguradora Allianz e a Deutsche Telekom, a Philips, a Rolls-Royce, a Shell, a Unilever, a Virgin. Assinam também executivos da Nike, Kodak e Yahoo, dos EUA. Há três empresas chinesas (Ryle Technology, Shangai Eletric e Suntech) e uma japonesa, a Ricoh.

“Estamos sinalizando aos governos que eles podem e devem tomar as decisões necessárias”, diz Harry Verhaar, diretor sênior de energia e mudança climática da Philips Lighting, um projeto global da empresa para promover a iluminação mais eficiente. “É muito importante que se consiga um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas. O planeta vai aquecer, não temos tempo.”

O comunicado faz uma proposta de negociação aos governos. O acordo tem que estabelecer um caminho de reduções de emissões de longo prazo, para o período de 2010 a 2050. As metas terão que se guiar pelo que diz a ciência, “para garantir que as concentrações globais de gases-estufa sejam estabilizadas abaixo dos níveis críticos”.

O documento pede que os países desenvolvidos tomem a dianteira com cortes imediatos e profundos, para dar o exemplo de como crescer com baixo uso de carbono. Os em desenvolvimento, por sua vez, têm de fazer sua parte com planos de redução de emissões. Eles deveriam, sugere o comunicado, “desenvolver fortes ações setoriais para adotar compromissos adequados em 2020″.

Os empresários também pedem “medidas para formar um mercado robusto” de carbono e a revisão do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), para facilitar o apoio financeiro e tecnológico aos países em desenvolvimento. Outro ponto do manifesto fala na necessidade de se ter uma estratégia de adaptação aos efeitos da mudança climática para ajudar os países pobres mais vulneráveis e apóia os mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD).

“Na conferência de Poznan, pedimos que os países concordem num plano de ação para o último ano das negociações”, diz o comunicado. Isso permitiria chegar a um acordo no encontro de Copenhague, em dezembro de 2009.

Verhaar admite que a crise econômica ameaça tornar o processo de decisões mais lento. Ainda ontem, Itália e Alemanha disseram apoiar medidas contra o aquecimento que não prejudiquem suas economias “Mas é preciso reconhecer que a energia atual também é muito cara e tem impacto sobre a economia”, disse Verhaar. “As empresas que não seguirem este caminho vão desaparecer”, afirmou. “A crise climática é tão imensa que não pode ser resolvida só pelos governos. Temos que estar todos juntos nisso, governos, empresários, ambientalistas.”

A jornalista viajou a Poznan com bolsa da Climate Change Media Partnership

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