Mudanças climáticas
13/12/0814ª CONFERÊNCIA DO CLIMA DA ONU – POZNAN, POLÔNIA
33 países já têm metas de corte de CO2 para negociar em 2009
12/12 – Agência Estado
Às vésperas do fim da 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 14) em Poznan, na Polônia, pelo menos 33 dos 39 países que devem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa após Kyoto apresentaram, à imprensa ou nos bastidores, propostas de corte. A lista inclui os 27 membros da União Européia, Noruega e Suíça, elogiados pela comunidade internacional, mas também os “vilões” Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão.
Mais ou menos ambiciosas, as propostas devem ser levadas às mesas de negociação a partir de março de 2009.
O grupo de países que precisa apresentar propostas de corte integra o chamado Anexo 1 do Protocolo de Kyoto e é formado por 30 países filiados à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE) e por membros do extinto bloco socialista. Parte dos planos foi evocada pelo secretário-executivo do Painel do Clima das Nações Unidas, o holandês Yvo de Boer, em seu discurso de abertura das reuniões de alto nível – as realizadas com ministros de Meio Ambiente -, ontem, em Poznan.
“Segunda-feira, a Austrália anunciará suas metas para cortes de gases-estufa. Barack Obama, presidente eleito dos EUA, quer retornar em 2020 aos níveis de 1990. A UE nos assegura que reduzirá até 30%, o Reino Unido se comprometeu a reduzir 26% e a Suécia discute a redução de 35%.”
SATISFAÇÃO
“Nós acordamos que até o final de março os países desenvolvidos deverão apresentar suas metas numéricas de cortes”, confirmou o comissário europeu de Meio Ambiente, Stavros Dimas. “Creio que em junho, em Bonn, na Alemanha, todas as propostas já vão estar sobre a mesa”, avaliou Luiz Alberto Figueiredo, chefe da delegação do Brasil na Polônia.
A aparente indefinição sobre metas vinha alimentando mal-estar em Poznan na primeira semana de negociações, mas nos últimos dias delegados de vários países elogiaram as negociações. “Muitos esperavam um acordo sobre tudo em Poznan. Não é esse o objetivo”, disse ao Estado o chefe da delegação da UE, Brice Lalonde. Acertos importantes, como a inclusão do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) – que interessa ao Brasil – no futuro acordo do clima, e avanços na criação do Fundo de Adaptação vêm sendo enaltecidos.
“Considerando que Poznan é um evento intermediário entre Bali e Copenhague e que chegamos aqui sabendo que nenhuma decisão final seria tomada, estou muito satisfeito”, avaliou Figueiredo. “Para o Brasil tudo está andando exatamente como esperávamos.”
11 dezembro de 2008
Desmatamento evitado entrará no acordo pós-Protocolo de Kyoto
Proposta favorece Brasil; Europa diz que aprovará corte de emissões
Andrei Netto
O mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), o maior interesse do Brasil na 14ª Conferência do Clima, em Poznan, Polônia, será incluído no futuro acordo do clima que substituirá o Protocolo de Kyoto. Na prática, a decisão permitirá que governos, empresas privadas e proprietários de terra que preservem áreas de florestas tropicais sejam recompensados financeiramente. A metodologia do REDD ainda precisará ser definida, mas já está certo que o acordo final deverá ser assinado em Copenhague, em 2009.
A negociação ocorreu na noite de quarta-feira e no início da madrugada de quinta. A confirmação foi feita ontem ao Estado pelo governo brasileiro: “Sem dúvida é um passo importante. A discussão sobre a metodologia continuará, mas a inclusão do REDD no novo acordo do clima está garantida”, disse o embaixador Sérgio Serra, membro da delegação do País.
O mecanismo, em tese, beneficia muito o Brasil. No país, o desmatamento é responsável por 75% das emissões. A inclusão do REDD é decisiva porque abre a possibilidade de que, ao preservar a floresta, o Brasil seja indenizado pela comunidade internacional.
A forma como essa compensação se dará ainda está em aberto e precisará ser negociada até dezembro do próximo ano. A proposta brasileira é de que seja criado um fundo internacional – nos moldes do já existente Fundo da Amazônia -, que receberia recursos de outros governos. Países como os EUA, entretanto, defendem que essa remuneração se dê via mercado de carbono. A União Européia também defendia esse ponto-de-vista. Mas, após uma reunião bilateral realizada no sábado com delegados do Brasil, os europeus aceitaram a criação do fundo internacional.
PACOTE EUROPEU
A União Européia vai aprovar as metas de seu Pacote Energia-Clima, anteciparam ontem, na Polônia, autoridades do bloco. O projeto será posto em discussão hoje e amanhã, em Bruxelas, e resultará em um compromisso formal: redução de 20% das emissões, economia de 20% de energia e uso de 20% de fontes renováveis até 2020, tendo como parâmetro o ano de 1990.
Com isso, a UE deve subir o tom das cobranças em relação à proposta de redução de emissões, ainda extra-oficial, elaborada pelo presidente eleito dos EUA, Barack Obama.
Delegados europeus e brasileiros confirmaram ao Estado que os americanos deverão propor, nos próximos meses, o retorno em 2020 aos níveis de emissão de 1990 – ou seja, 0% de redução. No horizonte 2050, a proposta de cortes seria ambiciosa: 80%. “Tenho ouvido de delegados de muitos países que este esforço não é aceitável, não é suficiente”, disse o líder da delegação da França e da UE, Brice Lalonde. “Sobre 2050, sim, é uma proposta aceitável e muito ambiciosa.”
11 de dezembro de 2008
Minc anuncia ação para fomentar tecnologia verde
Ministro participa na Polônia de negociações da ONU sobre clima.
Enviado especial da BBC Brasil a Poznan (Polônia) – Na Polônia para a rodada final das negociações das Nações Unidas sobre o clima, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, lançou nesta quinta-feira a criação de uma aliança para fomentar o desenvolvimento de tecnologias não-poluentes em países em desenvolvimento.
Batizada de Atia (Aliança Tecnológica para Inovações Antiaquecimento), a iniciativa brasileira – que ainda está em fase inicial – pretende criar parcerias para possibilitar a transferência de “tecnologias adaptadas à realidade de cada país”, em parte com recursos provenientes do mercado de carbono nos países ricos.
“Isso talvez dê corpo a essa idéia geral da transferência de tecnologia que não colou”, afirmou Minc, na cidade polonesa de Poznan, dizendo já contar com o apoio dos governos da Alemanha e da Noruega.
O ministro se referia a um dos impasses, após dez dias de negociações entre representantes de quase 190 países, sobre mecanismos que possibilitem a transferência de tecnologias não-poluentes sem custo para países em desenvolvimento.
Impasse
Integrantes da delegação brasileira consultados pela BBC Brasil afirmaram que a Atia seria uma forma de usar o mercado de carbono para facilitar transferências tecnológicas sem aumentar os direitos de emissões dos países ricos.
O funcionamento do sistema seria semelhante ao já proposto para o fundo da Floresta Amazônica: países que emitem créditos de carbono para empresas poluentes (a exemplo do que já acontece na Europa) destinam uma parcela desses créditos a um leilão.
Uma pequena porcentagem dos recursos levantados no leilão seria utilizada para pagar os donos das patentes de tecnologias limpas ou incentivar novas invenções.
Para que a iniciativa entre em funcionamento rapidamente, o ministro Minc fala também sobre o adiamento do pagamento de royalties aos detentores de patentes.
Dessa forma, à medida que recursos forem arrecadados, poderiam ser aplicados no pagamento destas dívidas. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Brasil é exemplo de economia verde, diz Ban Ki-moon
ERIC BRÜCHER CAMARA
enviado especial da BBC Brasil a Poznan (Polônia)
Em seu discurso na abertura da fase ministerial do encontro da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas em Poznan, na Polônia, nesta quinta-feira, o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, citou o Brasil como um dos exemplos da “economia verde” que o resto do planeta precisa seguir.
“O Brasil construiu uma das economias mais verdes do mundo, criando milhões de empregos neste processo”, disse.
Além do representante máximo da ONU, líderes de 61 países discursam no plenário, antes do início das negociações que vão encerrar o encontro deste ano, na sexta-feira.
Moon fez um apelo para que a crise econômica mundial não impeça avanços no combate ao problema.
“Sim, a crise é grave. Mas quando o assunto é mudança climática, as apostas são mais altas. A crise climática afeta o nosso potencial de prosperidade e a vida das pessoas, tanto agora quanto no futuro”, disse Moon.
Guinada política
A crise econômica e os temores de uma recessão profunda e prolongada levaram a mudanças no discurso de países como a Alemanha, vista tradicionalmente como um dos mais ambiciosos na redução de emissões de gás carbônico (CO2).
Ao mesmo tempo em que os ministros se reúnem na Polônia, em Bruxelas os chefes de Estado da União Européia (UE) devem concluir suas propostas de políticas de energia e climática, e um dos pontos mais polêmicos são as metas de redução de emissões.
As decisões tomadas em Bruxelas devem ter um impacto direto sobre as negociações em Poznan, já que a liderança da UE é considerada fundamental, em um momento de crise econômica e em que os Estados Unidos estão à espera da posse do presidente eleito Barack Obama.
O próprio Ban Ki-moon, em seu discurso, ressaltou a importância da liderança americana e européia na fase que o mundo atravessa.
“O que precisamos agora é de liderança”, afirmou o sul-coreano, lembrando que Obama prometeu em sua campanha priorizar o meio ambiente, o desenvolvimento limpo e as energias alternativas no seu governo.
A reunião da ONU sobre mudanças climáticas termina na sexta-feira e é considerada o meio do caminho para um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto.
No encontro do ano passado, em Bali, líderes de quase 200 países aceitaram o ano de 2009 como prazo para fechar um novo tratado de redução de emissões.
Desde então, os países envolvidos apresentaram propostas para o acordo, que vêm sendo avaliadas na reunião da Polônia.
Grandes empresas apóiam corte de emissão de gases
Daniela Chiaretti, de Poznan
09/12/2008
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas foi surpreendida ontem com o comunicado de um grupo de líderes de 140 empresas espalhadas pelo mundo no qual se lia: “Precisamos adotar cortes rápidos e profundos nas emissões de gases do efeito-estufa”. Adotando um discurso de vanguarda e alinhado em vários pontos aos das ONGs mais radicais, os empresários dizem que estão dispostos a se adequar a decisões de cortes de 50% a 85% em 2050.
O comunicado do Corporate Leaders Group on Climate Change é assinado por presidentes e diretores de empresas da Austrália, China, Europa, Japão, Estados Unidos, América do Sul e Canadá. Estão ali a seguradora Allianz e a Deutsche Telekom, a Philips, a Rolls-Royce, a Shell, a Unilever, a Virgin. Assinam também executivos da Nike, Kodak e Yahoo, dos EUA. Há três empresas chinesas (Ryle Technology, Shangai Eletric e Suntech) e uma japonesa, a Ricoh.
“Estamos sinalizando aos governos que eles podem e devem tomar as decisões necessárias”, diz Harry Verhaar, diretor sênior de energia e mudança climática da Philips Lighting, um projeto global da empresa para promover a iluminação mais eficiente. “É muito importante que se consiga um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas. O planeta vai aquecer, não temos tempo.”
O comunicado faz uma proposta de negociação aos governos. O acordo tem que estabelecer um caminho de reduções de emissões de longo prazo, para o período de 2010 a 2050. As metas terão que se guiar pelo que diz a ciência, “para garantir que as concentrações globais de gases-estufa sejam estabilizadas abaixo dos níveis críticos”.
O documento pede que os países desenvolvidos tomem a dianteira com cortes imediatos e profundos, para dar o exemplo de como crescer com baixo uso de carbono. Os em desenvolvimento, por sua vez, têm de fazer sua parte com planos de redução de emissões. Eles deveriam, sugere o comunicado, “desenvolver fortes ações setoriais para adotar compromissos adequados em 2020″.
Os empresários também pedem “medidas para formar um mercado robusto” de carbono e a revisão do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), para facilitar o apoio financeiro e tecnológico aos países em desenvolvimento. Outro ponto do manifesto fala na necessidade de se ter uma estratégia de adaptação aos efeitos da mudança climática para ajudar os países pobres mais vulneráveis e apóia os mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD).
“Na conferência de Poznan, pedimos que os países concordem num plano de ação para o último ano das negociações”, diz o comunicado. Isso permitiria chegar a um acordo no encontro de Copenhague, em dezembro de 2009.
Verhaar admite que a crise econômica ameaça tornar o processo de decisões mais lento. Ainda ontem, Itália e Alemanha disseram apoiar medidas contra o aquecimento que não prejudiquem suas economias “Mas é preciso reconhecer que a energia atual também é muito cara e tem impacto sobre a economia”, disse Verhaar. “As empresas que não seguirem este caminho vão desaparecer”, afirmou. “A crise climática é tão imensa que não pode ser resolvida só pelos governos. Temos que estar todos juntos nisso, governos, empresários, ambientalistas.”
A jornalista viajou a Poznan com bolsa da Climate Change Media Partnership
