Mudanças climáticas

13/12/08

14ª CONFERÊNCIA DO CLIMA DA ONU – POZNAN, POLÔNIA

33 países já têm metas de corte de CO2 para negociar em 2009

12/12 – Agência Estado

Às vésperas do fim da 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 14) em Poznan, na Polônia, pelo menos 33 dos 39 países que devem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa após Kyoto apresentaram, à imprensa ou nos bastidores, propostas de corte. A lista inclui os 27 membros da União Européia, Noruega e Suíça, elogiados pela comunidade internacional, mas também os “vilões” Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão.
Mais ou menos ambiciosas, as propostas devem ser levadas às mesas de negociação a partir de março de 2009.

O grupo de países que precisa apresentar propostas de corte integra o chamado Anexo 1 do Protocolo de Kyoto e é formado por 30 países filiados à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE) e por membros do extinto bloco socialista. Parte dos planos foi evocada pelo secretário-executivo do Painel do Clima das Nações Unidas, o holandês Yvo de Boer, em seu discurso de abertura das reuniões de alto nível – as realizadas com ministros de Meio Ambiente -, ontem, em Poznan.

“Segunda-feira, a Austrália anunciará suas metas para cortes de gases-estufa. Barack Obama, presidente eleito dos EUA, quer retornar em 2020 aos níveis de 1990. A UE nos assegura que reduzirá até 30%, o Reino Unido se comprometeu a reduzir 26% e a Suécia discute a redução de 35%.”

SATISFAÇÃO

“Nós acordamos que até o final de março os países desenvolvidos deverão apresentar suas metas numéricas de cortes”, confirmou o comissário europeu de Meio Ambiente, Stavros Dimas. “Creio que em junho, em Bonn, na Alemanha, todas as propostas já vão estar sobre a mesa”, avaliou Luiz Alberto Figueiredo, chefe da delegação do Brasil na Polônia.

A aparente indefinição sobre metas vinha alimentando mal-estar em Poznan na primeira semana de negociações, mas nos últimos dias delegados de vários países elogiaram as negociações. “Muitos esperavam um acordo sobre tudo em Poznan. Não é esse o objetivo”, disse ao Estado o chefe da delegação da UE, Brice Lalonde. Acertos importantes, como a inclusão do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) – que interessa ao Brasil – no futuro acordo do clima, e avanços na criação do Fundo de Adaptação vêm sendo enaltecidos.

“Considerando que Poznan é um evento intermediário entre Bali e Copenhague e que chegamos aqui sabendo que nenhuma decisão final seria tomada, estou muito satisfeito”, avaliou Figueiredo. “Para o Brasil tudo está andando exatamente como esperávamos.”

Leia na fonte
 

 

 

11 dezembro de 2008

Desmatamento evitado entrará no acordo pós-Protocolo de Kyoto

Proposta favorece Brasil; Europa diz que aprovará corte de emissões

Andrei Netto

O mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), o maior interesse do Brasil na 14ª Conferência do Clima, em Poznan, Polônia, será incluído no futuro acordo do clima que substituirá o Protocolo de Kyoto. Na prática, a decisão permitirá que governos, empresas privadas e proprietários de terra que preservem áreas de florestas tropicais sejam recompensados financeiramente. A metodologia do REDD ainda precisará ser definida, mas já está certo que o acordo final deverá ser assinado em Copenhague, em 2009.

A negociação ocorreu na noite de quarta-feira e no início da madrugada de quinta. A confirmação foi feita ontem ao Estado pelo governo brasileiro: “Sem dúvida é um passo importante. A discussão sobre a metodologia continuará, mas a inclusão do REDD no novo acordo do clima está garantida”, disse o embaixador Sérgio Serra, membro da delegação do País.

O mecanismo, em tese, beneficia muito o Brasil. No país, o desmatamento é responsável por 75% das emissões. A inclusão do REDD é decisiva porque abre a possibilidade de que, ao preservar a floresta, o Brasil seja indenizado pela comunidade internacional.

A forma como essa compensação se dará ainda está em aberto e precisará ser negociada até dezembro do próximo ano. A proposta brasileira é de que seja criado um fundo internacional – nos moldes do já existente Fundo da Amazônia -, que receberia recursos de outros governos. Países como os EUA, entretanto, defendem que essa remuneração se dê via mercado de carbono. A União Européia também defendia esse ponto-de-vista. Mas, após uma reunião bilateral realizada no sábado com delegados do Brasil, os europeus aceitaram a criação do fundo internacional.

PACOTE EUROPEU

A União Européia vai aprovar as metas de seu Pacote Energia-Clima, anteciparam ontem, na Polônia, autoridades do bloco. O projeto será posto em discussão hoje e amanhã, em Bruxelas, e resultará em um compromisso formal: redução de 20% das emissões, economia de 20% de energia e uso de 20% de fontes renováveis até 2020, tendo como parâmetro o ano de 1990.

Com isso, a UE deve subir o tom das cobranças em relação à proposta de redução de emissões, ainda extra-oficial, elaborada pelo presidente eleito dos EUA, Barack Obama.

Delegados europeus e brasileiros confirmaram ao Estado que os americanos deverão propor, nos próximos meses, o retorno em 2020 aos níveis de emissão de 1990 – ou seja, 0% de redução. No horizonte 2050, a proposta de cortes seria ambiciosa: 80%. “Tenho ouvido de delegados de muitos países que este esforço não é aceitável, não é suficiente”, disse o líder da delegação da França e da UE, Brice Lalonde. “Sobre 2050, sim, é uma proposta aceitável e muito ambiciosa.”

Leia na fonte 

 

 

11 de dezembro de 2008

Minc anuncia ação para fomentar tecnologia verde

Ministro participa na Polônia de negociações da ONU sobre clima.

Enviado especial da BBC Brasil a Poznan (Polônia) – Na Polônia para a rodada final das negociações das Nações Unidas sobre o clima, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, lançou nesta quinta-feira a criação de uma aliança para fomentar o desenvolvimento de tecnologias não-poluentes em países em desenvolvimento.

Batizada de Atia (Aliança Tecnológica para Inovações Antiaquecimento), a iniciativa brasileira – que ainda está em fase inicial – pretende criar parcerias para possibilitar a transferência de “tecnologias adaptadas à realidade de cada país”, em parte com recursos provenientes do mercado de carbono nos países ricos.

“Isso talvez dê corpo a essa idéia geral da transferência de tecnologia que não colou”, afirmou Minc, na cidade polonesa de Poznan, dizendo já contar com o apoio dos governos da Alemanha e da Noruega.

O ministro se referia a um dos impasses, após dez dias de negociações entre representantes de quase 190 países, sobre mecanismos que possibilitem a transferência de tecnologias não-poluentes sem custo para países em desenvolvimento.

Impasse

Integrantes da delegação brasileira consultados pela BBC Brasil afirmaram que a Atia seria uma forma de usar o mercado de carbono para facilitar transferências tecnológicas sem aumentar os direitos de emissões dos países ricos.

O funcionamento do sistema seria semelhante ao já proposto para o fundo da Floresta Amazônica: países que emitem créditos de carbono para empresas poluentes (a exemplo do que já acontece na Europa) destinam uma parcela desses créditos a um leilão.

Uma pequena porcentagem dos recursos levantados no leilão seria utilizada para pagar os donos das patentes de tecnologias limpas ou incentivar novas invenções.

Para que a iniciativa entre em funcionamento rapidamente, o ministro Minc fala também sobre o adiamento do pagamento de royalties aos detentores de patentes.

Dessa forma, à medida que recursos forem arrecadados, poderiam ser aplicados no pagamento destas dívidas. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Leia na fonte
 

 


11/12/2008

Brasil é exemplo de economia verde, diz Ban Ki-moon

ERIC BRÜCHER CAMARA
enviado especial da BBC Brasil a Poznan (Polônia)

Em seu discurso na abertura da fase ministerial do encontro da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas em Poznan, na Polônia, nesta quinta-feira, o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, citou o Brasil como um dos exemplos da “economia verde” que o resto do planeta precisa seguir.
“O Brasil construiu uma das economias mais verdes do mundo, criando milhões de empregos neste processo”, disse.

Além do representante máximo da ONU, líderes de 61 países discursam no plenário, antes do início das negociações que vão encerrar o encontro deste ano, na sexta-feira.

Moon fez um apelo para que a crise econômica mundial não impeça avanços no combate ao problema.

“Sim, a crise é grave. Mas quando o assunto é mudança climática, as apostas são mais altas. A crise climática afeta o nosso potencial de prosperidade e a vida das pessoas, tanto agora quanto no futuro”, disse Moon.

Guinada política

A crise econômica e os temores de uma recessão profunda e prolongada levaram a mudanças no discurso de países como a Alemanha, vista tradicionalmente como um dos mais ambiciosos na redução de emissões de gás carbônico (CO2).

Ao mesmo tempo em que os ministros se reúnem na Polônia, em Bruxelas os chefes de Estado da União Européia (UE) devem concluir suas propostas de políticas de energia e climática, e um dos pontos mais polêmicos são as metas de redução de emissões.

As decisões tomadas em Bruxelas devem ter um impacto direto sobre as negociações em Poznan, já que a liderança da UE é considerada fundamental, em um momento de crise econômica e em que os Estados Unidos estão à espera da posse do presidente eleito Barack Obama.
O próprio Ban Ki-moon, em seu discurso, ressaltou a importância da liderança americana e européia na fase que o mundo atravessa.

“O que precisamos agora é de liderança”, afirmou o sul-coreano, lembrando que Obama prometeu em sua campanha priorizar o meio ambiente, o desenvolvimento limpo e as energias alternativas no seu governo.

A reunião da ONU sobre mudanças climáticas termina na sexta-feira e é considerada o meio do caminho para um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto.

No encontro do ano passado, em Bali, líderes de quase 200 países aceitaram o ano de 2009 como prazo para fechar um novo tratado de redução de emissões.

Desde então, os países envolvidos apresentaram propostas para o acordo, que vêm sendo avaliadas na reunião da Polônia.

Leia na fonte

 

 

Grandes empresas apóiam corte de emissão de gases

Daniela Chiaretti, de Poznan
09/12/2008

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas foi surpreendida ontem com o comunicado de um grupo de líderes de 140 empresas espalhadas pelo mundo no qual se lia: “Precisamos adotar cortes rápidos e profundos nas emissões de gases do efeito-estufa”. Adotando um discurso de vanguarda e alinhado em vários pontos aos das ONGs mais radicais, os empresários dizem que estão dispostos a se adequar a decisões de cortes de 50% a 85% em 2050.

O comunicado do Corporate Leaders Group on Climate Change é assinado por presidentes e diretores de empresas da Austrália, China, Europa, Japão, Estados Unidos, América do Sul e Canadá. Estão ali a seguradora Allianz e a Deutsche Telekom, a Philips, a Rolls-Royce, a Shell, a Unilever, a Virgin. Assinam também executivos da Nike, Kodak e Yahoo, dos EUA. Há três empresas chinesas (Ryle Technology, Shangai Eletric e Suntech) e uma japonesa, a Ricoh.

“Estamos sinalizando aos governos que eles podem e devem tomar as decisões necessárias”, diz Harry Verhaar, diretor sênior de energia e mudança climática da Philips Lighting, um projeto global da empresa para promover a iluminação mais eficiente. “É muito importante que se consiga um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas. O planeta vai aquecer, não temos tempo.”

O comunicado faz uma proposta de negociação aos governos. O acordo tem que estabelecer um caminho de reduções de emissões de longo prazo, para o período de 2010 a 2050. As metas terão que se guiar pelo que diz a ciência, “para garantir que as concentrações globais de gases-estufa sejam estabilizadas abaixo dos níveis críticos”.

O documento pede que os países desenvolvidos tomem a dianteira com cortes imediatos e profundos, para dar o exemplo de como crescer com baixo uso de carbono. Os em desenvolvimento, por sua vez, têm de fazer sua parte com planos de redução de emissões. Eles deveriam, sugere o comunicado, “desenvolver fortes ações setoriais para adotar compromissos adequados em 2020″.

Os empresários também pedem “medidas para formar um mercado robusto” de carbono e a revisão do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), para facilitar o apoio financeiro e tecnológico aos países em desenvolvimento. Outro ponto do manifesto fala na necessidade de se ter uma estratégia de adaptação aos efeitos da mudança climática para ajudar os países pobres mais vulneráveis e apóia os mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD).

“Na conferência de Poznan, pedimos que os países concordem num plano de ação para o último ano das negociações”, diz o comunicado. Isso permitiria chegar a um acordo no encontro de Copenhague, em dezembro de 2009.

Verhaar admite que a crise econômica ameaça tornar o processo de decisões mais lento. Ainda ontem, Itália e Alemanha disseram apoiar medidas contra o aquecimento que não prejudiquem suas economias “Mas é preciso reconhecer que a energia atual também é muito cara e tem impacto sobre a economia”, disse Verhaar. “As empresas que não seguirem este caminho vão desaparecer”, afirmou. “A crise climática é tão imensa que não pode ser resolvida só pelos governos. Temos que estar todos juntos nisso, governos, empresários, ambientalistas.”

A jornalista viajou a Poznan com bolsa da Climate Change Media Partnership

Leia na fonte

O mercado aposta em empresa verde

2/06/08

Análise Fator:

“Melhores práticas sócio-ambientais indicam maiores lucros”, é assim que o mercado começa a perceber as empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável de seus negócios. Esta percepção retrata na prática uma maior procura de investidores por fundos de empresas com práticas socioambientais corretas.

Os bancos privados saíram na frente neste tipo de fundo. E esta semana o BNDES anunciou a criação de seus primeiros fundos ambientais. São dois novos fundos de private equity específicos para projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Estes fundos deverão captar R$ 1 bilhão.

A concessão de crédito está mais rigorosa e atenta aos riscos sócio-ambientais dos negócios. Em contrapartida há um aumento significativo de crédito voltado a projetos de sustentabilidade, como conservação de energia, recuperação de passivos ambientais, projetos de MDL e saneamento. Esta última semana BNDES e do Banco Europeu de Desenvolvimento (EIA) anunciaram linhas de crédito para projetos de sustentabilidade.

O capitalismo entra numa nova fase, aonde o lucro máximo vem da operação sócio-ambientalmente equilibrada de longo prazo. Foco no tríplice resultado (econômico, social e ambiental).

Por Marcos Redondo, diretor-executivo da Fator Ambiental

29/05/2008

Crédito seletivo

João Carlos de Oliveira

Valor Econômico

“Poluição é desperdício”, assegura Eduardo Bandeira de Mello, chefe do Departamento do Meio Ambiente do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Assim, ser uma empresa comprometida com as melhores práticas socioambientais é também, em teoria, ser uma empresa mais eficiente, porque ela vai gastar menos água, menos matéria-prima ou menos energia que o concorrente para produzir um bem ou oferecer um serviço.

Uma empresa “verde” preocupa-se com custos – para poder reduzi-los. Daí porque, segundo a biológa Cristiane Ronza, analista de risco socioambiental do Banco Real, “a experiência indica que as empresas que utilizam boas práticas socioambientais têm também boa gestão, inclusive financeira.” Ou seja, normalmente, essas companhias representam menos risco para quem lhes emprestou dinheiro. E risco menor deve pagar juro menor.

As linhas com o carimbo “verde” oferecidas pelo BNDES, e repassadas pelos bancos, têm condições especiais para apoiar a eficiência energética (Proesco), a redução dos passivos ambientais (como é o caso do Profloresta), além da que visa a melhorar a gestão de recursos naturais, fomentar obras de saneamento básico, de coleta e tratamento de dejetos ou projetos que promovam o desenvolvimento sustentável ou que viabilizam capital de giro para essas empresas. E, de fato, nessas linhas, os juros cobrados são de 1,5 a 2 pontos percentuais menores, em média, do que os praticados em outras formas de financiamento do BNDES.

No mercado privado, porém, não se sabe de modo preciso em quanto as taxas cobradas são menores para essas empresas. Uma das razões para isso é apontada pelo vice-presidente do Bradesco, Milton Vargas. “Os spreads apresentam estreita correlação com as condições de mercado, sendo muito difícil mensurar reduções ou aumentos decorrentes, especificamente, de riscos socioambientais”, afirma.

Esse, no entanto, não é o único complicador para que se entenda corretamente o funcionamento desse segmento. O próprio tamanho do mercado também não é preciso. Tanto que Mello, do BNDES, promete fazer um estudo para dimensionar a fatia efetiva que o negócio ocupa.

Tudo se passa como se o mercado de crédito socioambiental no Brasil fosse parecido com um iceberg. Uma parte está fora d’água; a outra, um pouco maior, debaixo. A parte que emerge é a escriturada formalmente como crédito socioambiental pelos bancos; a que está submersa corresponde ao crédito concedido sob qualquer instrumento ou modalidade, mas que, para ser liberado, passou por um processo de avaliação de risco no qual o impacto socioambiental da companhia ou do empreendimento, quando for o caso, é um dos itens analisados. E o peso desse item pode aumentar.

Os números da parte visível são modestos. E os da parte submersa estão crescendo, já que a utilização desses modelos de mensuração de risco também ajuda a mitigar a possibilidade de perda para os bancos.

No ano passado, por exemplo, o Bradesco ofereceu 34 linhas com o carimbo socioambiental – sendo 11 repasses de recursos do BNDES e do FGTS. O total de crédito do banco somou R$ 2,3 bilhões, os recursos verdes correspondem a 1,77% da sua carteira total de ativos de crédito e financiamento. O Itaú analisou e participou diretamente de seis project finance nesse segmento, que somaram investimentos de R$ 4,1 bilhões – e a fatia que coube ao banco foi de R$ 349,9 milhões. Os project finance são, usualmente, sindicalizados.

No Real, o volume de crédito socioambiental teve crescimento de 290% na comparação entre 2006 e 2007 e somou R$ 848 milhões, entre recursos próprios e os originados por parceria com o IFC (braço do Banco Mundial) e com BNDES. No entanto, este dinheiro representa 1,5% do ativo total de crédito e financiamento da instituição.

No caso do BNDES, os empréstimos que são carimbados como ambientais representam em torno de 6% do total da carteira.

O BNDES foi um dos formuladores do chamado Protocolo Verde – assinado por todos os bancos federais, em 1995. No protocolo, as instituições se comprometeram a levar em conta os impactos ambientais e sociais em suas políticas de concessão de crédito, buscando construir o desenvolvimento sustentável do país e das empresas. Hoje, conta Mello, todos os projetos em avaliação do BNDES (que serão aprovados diretamente no banco), sem exceção e não importando o valor do crédito pedido, são analisados pelo Departamento de Meio Ambiente. “Caso a caso”, diz. E não é incomum que se peça ou sugira modificações em processos que visem a melhor a governança socioambiental.

No próximo Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, os bancos federais vão anunciar o sucedâneo do Protocolo Verde, que está sendo revisto e aprofundado. Uma das possibilidades é a abertura para adesões dos bancos privados ao novo compromisso.

Também em junho, passam a vigorar as novas regras acordadas pelos bancos signatários dos Princípios do Equador. O Bradesco, o Itaú, o Unibanco e o Banco do Brasil aderiram ao acordo, enquanto o Real passou a utilizar os instrumentos previstos depois de ter sido adquirido por um dos bancos líderes do processo que culminou com os Princípios, o ABN Amro.

Pelos Princípios do Equador, os bancos signatários (hoje são 60 em todo o planeta e respondem por 70% dos projetos de financiamento fechados nos países emergentes) decidiram condicionar a concessão de crédito de projetos de financiamento à analise dos riscos ambientais e sociais de acordo com as exigências de sustentabilidade estabelecidas pelo IFC.

É a terceira vez que os bancos signatários revisam esse compromisso, que se traduz em mecanismos de avaliação dos melhores padrões socioambientais. O acordo foi criado em 2003 e previa que as regras deveriam ser seguidas em todos os projetos de valor superior ou igual a US$ 50 milhões; em 2006, o valor foi reduzido para US$ 10 milhões. A partir de junho, os bancos signatários vão passar a reportar suas ações efetivas em um documento de governança para todos os demais e para a sociedade. Em 2009, os bancos que não cumprirem os padrões mínimos serão desligados. Também se prevê que os parâmetros do IFC sejam revistos até lá e devem se tornar mais rigorosos.

O melhor conhecimento dessas práticas (as boas e as más) socioambientais e, claro, dos riscos que os bancos correm em termos de imagem e financeiro, acabaram consolidando um caminho que vai, aos poucos, “democratizando” a avaliação do risco socioambiental no sistema.

No grupo Itaú, conta Inês Silva, desde 2007, os processos de concessão de crédito a partir de R$ 5 milhões são submetidos à avaliação de risco socioambiental. No Itaú BBA, a área de análise é composta por equipe multidisciplinar formada por quatro profissionais. Já no Itaú, a equipe conta com cinco profissionais.

No Real, que foi pioneiro neste tipo de avaliação de risco e na formação de equipes multidisciplinares, há biológos, como é o caso de Cristiane, e até geólogos. A análise é setorial e o foco das atenções está voltado para 22 segmentos prioritários. Neles, a avaliação de sustentabilidade é feita para nortear o relacionamento com todos os clientes da instituição nos processos de crédito (qualquer crédito) que some R$ 10 milhões.

No caso do Bradesco, não há vetos setoriais. Mas o banco, conta Milton Vargas, acompanha mais detidamente “determinadas atividades de negócios que embutem maior potencial de risco (são 69 setores)”.

No caso dos financiamentos que são concedidos sob o guarda-chuva dos Princípios do Equador, nos três bancos, o processo de avaliação é mais complexo, e prevê monitoramento periódico do cumprimento das metas acordadas. Cristiane conta que, por sugestão do banco, o Othon Leme, por exemplo, adotou medidas para tornar mais racional o uso da energia e da água. “O que, graças ao êxito, será replicado em outras unidades da rede”, diz.

Quando os bancos são surpreendidos por notícias de práticas nocivas sociais (trabalho escravo) ou ambientais, não é possível pedir o dinheiro de volta. “Não existe amparo legal para solicitar a devolução dos recursos já liberados”, afirma Vargas, para depois emendar que, normalmente, a primeira providência será a “suspensão dos eventuais limites não-utilizados”, até que os esclarecimentos sejam prestados.

Todos reiteram, contudo, que o objetivo não é punir os clientes, mas o de criar instrumentos para que eles, com os bancos, possam trilhar esse novo caminho que, acreditam, tende a reduzir o risco de todos.

http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/suplementos/80/79/Mercado+lanca+

novos+fundos+ambientais++,,,79,4951999.html

29/05/2008

Mercado lança novos fundos ambientais

João Carlos de Oliveira
Valor Econômico

O Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está lançando dois novos fundos de private equity, voltados para projetos ambientais no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previsto no Protocolo de Kyoto. O primeiro já tem nome escolhido, Brasil Sustentabilidade, e será gerido pela Latour Capital. O segundo, em fase de definição de regulamento, terá gestão da BRZ Investimentos. A informação é de Otávio Vianna, gerente da área de mercados de capitais do BNDES, que vai investir cerca de R$ 200 milhões em cada novo fundo.

Ambos, que devem captar até R$ 1 bilhão, são destinados a investidores qualificados (fundos de pensão, por exemplo), e a taxa de performance estará vinculada à quantidade de créditos de carbono que o fundo conseguirá gerar. Caberá aos respectivos gestores privados apresentar os projetos e as empresas que poderão ser apoiados. “Aqui, da avenida Chile, não temos capilaridade para colher projetos pelo país”, afirma Vianna.

Enquanto o BNDES se volta para o investidor qualificado, cresce no mercado a disputa entre os bancos pelos investidores em empresas com práticas socioambientais corretas.

O primeiro fundo deste segmento, o Ethical, do Banco Real, tinha patrimônio líquido de R$ 3 milhões, em 2001, quando foi criado e, hoje, soma R$ 570 milhões. No período, acumulou rendimento líquido, descontada a taxa de administração, de 584%, contra o Ibovespa acumulado de 577%.

Pedro Villani, gestor de renda variável do Real, afirma que, desde a criação do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) pela Bovespa, em 2005, tem crescido a concorrência. “Hoje, praticamente todos os principais concorrentes têm na prateleira um fundo que replica o ISE”, diz. Segundo ele, “o ISE é muito bem feito pela Bovespa, mas nós preferimos manter as nossas escolhas e a nossa metodologia própria, que leva em conta 63 indicadores”. Eles medem a qualidade da gestão socioambiental das companhias abertas, além do ciclo de vida de produtos, entre outros. A idéia central é a mesma que baliza a política de crédito da instituição: empresas que têm compromisso com a sustentabilidade socioambiental, “normalmente, são melhor geridas financeiramente e mais rentáveis”. Os números já citados mostram que a aposta, até agora, foi vitoriosa.

O Bradesco oferece dois fundos de ações cujas aplicações são direcionadas a empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável, um para o segmento de alta renda – Bradesco Prime – e outro para clientes dos segmentos institucional e private. São eles: Bradesco Prime FIC FIA ISE e Bradesco FIA ISE. O conceito de sustentabilidade utilizado é aquele internacionalmente conhecido como triple bottom line que avalia aspectos ambientais, sociais e econômico-financeiros. Para fazer parte da carteira do fundo, as empresas devem ser uma das que compõem o ISE da Bovespa. Esses fundos, lançados em dezembro de 2005, contam, atualmente, com patrimônio líquido de mais de R$ 70 milhões distribuídos para mais de 1800 cotistas.

No Itaú, maior gestor privado de fundos de ações do país, o destaque neste segmento é o Itaú Excelência Social, lançado em 2004, que tem patrimônio líquido superior à R$ 450 milhões. O fundo aplica apenas em papéis de empresas com práticas reconhecidas de responsabilidade social, preocupadas no cuidado e proteção do meio ambiente. Além dessa característica, 50% de sua taxa de administração é destinada a projetos sociais na área de Educação. As organizações interessadas passam por um processo de seleção. Em 2007, R$ 3,3 milhões foram repassados para 20 organizações não governamentais de todo país.

No segmento de renda fixa, o Itaú lançou, no ano passado, os fundos Ecomudança DI e o Ecomudança RF. Esses fundos já captaram R$ 73 milhões. Em parceria com organizações não-governamentais, destinam 30% da taxa de administração para ações ambientais que reduzem a quantidade de CO2 (dióxido de carbono) no ar.

http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/primeirocaderno/brasil/Pais+e+prioridade+

para+investimento+da+UE++em+meio+ambiente,,,63,4952344.html

29/05/2008

País é prioridade para investimento da UE em meio ambiente

Sergio Leo
Valor Econômico

Autorizado, desde o ano passado, a financiar projetos sem participação de empresas européias, desde que tenham impacto positivo para o meio ambiente, o Banco Europeu de Investimentos (EIB, da sigla em inglês) enviou ao Brasil dois de seus principais executivos para discutir a fatia que caberá ao país, nos planos de emprestar € 2,8 bilhões de euros à América Latina, entre 2007 e 2014. O Brasil é absoluta prioridade do banco na América do Sul, e “claramente um dos mais promissores mercados emergentes”, afirma o diretor-geral para operações externas do BIE, Jean-Louis Biancarelli.

“Nesta visita não estamos interessados somente em nossos projetos tradicionais, há enormes possibilidades para financiamento de projetos em eficiência energética, redução de emissão de gases, energias renováveis, mitigação da mudança climática”, listou Biancarelli, em entrevista ao Valor. Esse tipo de projeto pode ser financiado pelo BIE, mesmo que não haja empresas européias envolvidas, segundo normas aprovadas no início de 2007.

Para os projetos sob o “guarda-chuva” ambiental, o BIE planeja destinar mais € 3 bilhões de euros, além dos € 2,8 bilhões de euros já destacados para a região latino-americana, e o Brasil é prioridade. “Estamos otimistas em aprovar ainda em 2008 um projeto sob esse novo guarda-chuva, um financiamento para hidreletricidade”, disse o diretor do EIB para Ásia e América Latina, Francisco de Paula Coelho, que evita dar mais detalhes. Biancarelli admite, porém, que o BIE poderá ajudar a financiar os novos projetos de hidrelétricas na Amazônia brasileira. O primeiro projeto do BIE beneficiando exclusivamente empresa não-européia foi, coincidentemente, para uma brasileira, a Odebrecht, que ganhou em 2007 uma licitação para obras de saneamento na Cidade do Panamá.

Os dois executivos encontram-se ontem com o secretário da Fazenda do Rio, Joaquim Levy, com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. No Rio, entre outros projetos, os executivos discutiram com o BNDES os planos para a linha de trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio – que não entusiasma os europeus. “Acreditamos que esse projeto será muito custoso e que a justificação econômica do empreendimento vai requerer mais estudos”, resume Biancarelli.

O interesse por outros investimentos no país, mesmo sem participação de firmas européias, é forte, porém “não haverá falta de recursos para o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), a questão é evitar duplicação de esforços e aproveitar a expertise da cada um”, comentou Biancarelli. “No campo dos transportes e infra-estrutura, quase todo projeto mostrado a nós dentro do PAC é elegível pelos critérios do BIE”, disse.

Com disponibilidade de recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do Banco Mundial, do BNDES e de outras fontes internacionais de financiamento, a preocupação do governo tem sido selecionar os projetos que melhor aproveitem as vantagens competitivas de cada instituição multilateral, e evitem um excesso de linhas de financiamento que possa causar pressões inflacionárias, relata Biancarelli.

“Os parâmetros macroeconômicos, no Brasil, acendem a luz verde, é mais uma questão de seleção, justificação econômica dos projetos, e absorção desses investimentos na economia, com redução da burocracia para execução dos projetos”, resume. Financiador de projetos bem-sucedidos, como a Veracel Celulose, na Bahia, e a ampliação da rede de transmissão da Coelce, a companhia elétrica do Ceará, o BIE dá empréstimos de, em média, € 70 milhões de euros, mas o valor pode ser substancialmente maior, como os € 250 milhões de euros emprestados à Vivo para migração, para o sistema GSM, de sua rede de celulares, e o projeto, em fase de conclusão, também para rede celular de segunda e terceira gerações, da TIM (entre € 200 milhões e 300 milhões de euros). O BIE já emprestou € 1,4 bilhão de euros ao Brasil nos últimos dez anos, quase 50% do total emprestado à América Latina.

O negócio da sustentabilidade

2/06/08

Análise Fator:

No Brasil encontramos empresas em três diferentes estágios com relação à produção sustentável. Grande parte ainda buscam enquadrar-se legalmente em questões trabalhistas e ambientais. Uma parcela, num segundo estágio, investem na performance de seus ativos ambientais, ou seja, na eficiência energética, redução de suas emissões de CO2, reúso de água, P+L, na melhoria de suas relações com a sociedade, etc. E muito poucas, em estágio mais avançado, por estarem legalmente conforme e com elevado desempenho sócio-ambiental colhem os frutos de um diferencial competitivo no mercado: o valor ambiental agregado.

Vejamos o exemplo da GE, cuja venda de produtos “verdes” representa parcela importante de sua receita mundial (10% de um total de US$ 170 bi).

Por Marcos Redondo, diretor-executivo da Fator Ambiental

 


http://txt.estado.com.br/editorias/2008/05/28/eco-1.93.4.20080528.99.1.xml

28/05/2008

Empresas investem em ‘tecnologia sustentável’

Preocupação crescente com questões ecológicas leva a surgimento de produtos inovadores

Andrea Vialli
O Estado de São Paulo

A crescente demanda por produtos ecológicos faz com que as empresas invistam cada vez mais em tecnologias “sustentáveis”. E um bom exemplo desses investimentos está na primeira Mostra de Tecnologias Sustentáveis, exposição que reúne produtos que já estão no mercado e que procuram unir os conceitos de economia e sustentabilidade. A mostra, com 56 expositores, traz de softwares para gerenciamento de recursos naturais nas empresas a novas tecnologias em construção civil e agronegócio, e faz parte do calendário de eventos da Conferência Internacional do Instituto Ethos, que começou ontem, no Anhembi, em São Paulo.

A escolha das tecnologias que hoje compõem a mostra teve como base sua capacidade de atender a empresas e comunidades, explica Paulo Itacarambi, vice-presidente executivo do Instituto Ethos e um dos idealizadores da mostra. “Recebemos 105 inscrições, de empresas, empreendedores sociais, ONGs e universidades de dentro e fora do País. São tecnologias não só ambientais, mas também que ajudam na redução da pobreza e que podem trazer benefícios econômicos.”

A brasileira Embraco, maior fabricante mundial de compressores para refrigeração, apresenta, por exemplo, um compressor que reduz em até 40% o consumo de energia elétrica em geladeiras e freezers, por ser capaz de variar sua capacidade de refrigeração, adaptando-se à demanda do usuário. Desenvolvido no final da década de 1990 para atender às regras de eficiência energética dos mercados europeu e americano, o compressor de capacidade variável (VVC, na sigla em inglês) chegou a ser comercializado no Brasil, em uma linha da marca Brastemp, na época do apagão, em 2001.

“No entanto, o consumidor brasileiro não é tão preocupado com economia de energia, o que fez com que nos voltássemos para a venda da tecnologia no exterior”, diz Edu Machado, gestor de marketing da Embraco. A tecnologia, totalmente desenvolvida e produzida no Brasil, está presente em todos as geladeiras hoje vendidas nos EUA e em boa parte da Europa.

A Apel, consultoria de informática, apresenta um software para gestão de sustentabilidade nas empresas que permite uma gestão estratégica dentro da área de atuação da companhia. “Somos procurados por empresas que estão prestes a abrir o capital e que querem dar transparência a suas estratégias de sustentabilidade”, diz Aerton Paixa, presidente da Apel. Entre os clientes estão Natura, Banco Real e Grendene.

Na área de construção civil, o destaque são as tecnologias para redução de impactos ambientais. Uma delas vem da Ecotelhado, pequena empresa gaúcha que faz projetos de telhados “verdes”. A empresa produz telhas modulares a partir da reciclagem de EVA – resíduo comum das empresas calçadistas – misturada a cimento e a um substrato, que permite o cultivo de plantas sobre o telhado. “O resultado é um telhado vivo, verde, que traz benefícios como conforto térmico”, explica César Dinardi, sócio da Ecotelhado. A sede da CPFL, em Campinas, e em uma das alas do shopping center Cidade Jardim, que será inaugurado nos próximos dias em São Paulo, já contam com telhados “verdes”.

Outro projeto de destaque é a reciclagem de resíduos da construção civil e seu uso para pavimentação de ruas. Fruto de pesquisas realizadas por universidades em São Paulo, Maceió e Macaé (RJ), permite o reaproveitamento do entulho, resolvendo um antigo problema para as prefeituras. Uma experiência-piloto foi realizada, com sucesso, no câmpus Leste da Universidade de São Paulo (USP-Leste).

http://www.valoronline.com.br/valoronline/Geral/empresas/energia/
Renova+Energia+vai+a+Bovespa+em+busca+de+recursos+para
+
energia+renovavel,,,1,4950478.html

28/05/2008

Renova Energia vai à Bovespa em busca de recursos para energia renovável

Eduardo Campos
Valor Econômico

SÃO PAULO – A Renova Energia, empresa holding do grupo composto pela Enerbras Centrais Elétricas e pela Energética Serra da Prata, vai a mercado em busca de recursos para expandir seus negócios de geração de energia elétrica por fontes alternativas.

A companhia já entrou com pedido de companhia aberta junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também tem registrada uma oferta de units (certificados de depósito de ações), sendo cada um composto de uma ação ordinária e duas preferenciais.

A minuta do prospecto ainda não apresenta a quantidade de units que será emitida nem a faixa estimativa de preço, mas aponta que a companhia estará listada no Nível 2 de Governança Corporativa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis serão ofertados no Brasil e nos Estados Unidos sob a coordenação o UBS Pactual e Morgan Stanley.

A oferta será destinada exclusivamente a investidores qualificados, ou seja, aqueles que comprovem investimentos financeiros superiores a R$ 300 mil reais. Mesmo com essa barreira ao pequeno investidor, no caso de rateio na oferta de dispersão, a companhia adotará o critério diferenciado, que divide os investidores com prioridade e sem prioridade de alocação. O direito à prioridade depende de dois fatores, a requisição de tal classificação, e do atestado de bom comportamento, ou seja, será atendido aquele investidor que não tiver “flipado” (no jargão de mercado, vendido as ações no dia da estréia) em ofertas anteriores.

O controle da Renova é da RRI Participações, holding que tem seu capital divido entre a RR Participações, empresa detida por Ricardo Lopes Delneri e Renato do Amaral Figueiredo (membros do conselho de administração), e pelo fundo InfraBrasil, cujos quotistas são grandes fundos de pensão e investidores brasileiros, como Petros, Funcef e BNDESPar. O Banco Interamericano de Desenvolvimento é um dos principais financiadores do InfraBrasil.

Formalmente constituída em 2006, a companhia possui 3 PCHs em operação, totalizando 41,8 MW de capacidade instalada. A empresa possui ainda um portfólio composto por 45 projetos de PCH em processo de autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), totalizando 400 MW e 43 inventários de rios, que incluem 83 PCHs, totalizando 868 MW.

A Renova também é dona do plano para o maior complexo eólico do país, formado por 40 parques contíguos que juntos totalizam 1.105 MW. Segundo a companhia, tal projeto de geração de energia eólica é quatro vezes maior que a capacidade eólica instalada atualmente no Brasil e representa 1,1% da atual capacidade instalada total.

A companhia começou suas atividades no setor elétrico em 2000, quando a controlada Enerbras Centrais Elétricas começou atuar na prospecção de negócios em comercialização e no desenvolvimento de aproveitamentos hidrelétricos.

 

http://txt.estado.com.br/suplementos/imov/2008/05/25/imov-1.93.24.20080525.4.1.xml

25/05/2008

Mercado imobiliário e sustentabilidade

Gláucio Gonçalves
O Estado de São Paulo

A arquitetura sustentável se torna um aspecto cada vez mais primordial na elaboração de projetos para a construção de imóveis das classes C e D, que hoje já podem realizar o sonho da casa própria. Na construção civil, aproximadamente 50% dos materiais de construção são desperdiçados, sendo que 25% se transformam em resíduos e 25% são utilizados para a recuperação da geometria do edifício. Os resíduos da construção, demolição e reformas representam índices altíssimos do volume total dos resíduos urbanos.

Os canteiros de obras são os grandes responsáveis pelo aumento do volume de resíduos e pelos impactos que causam ao ambiente, principalmente por serem levados a lugares inadequados.

Acredito que a utilização de sistemas de energia mais eficientes e menos poluentes, como de coleta e tratamento de água e esgoto, captação de águas pluviais, uma melhor qualidade de ar interno e conforto ambiental, coleta seletiva de lixo, redução da geração de resíduos, são aspectos mínimos fundamentais na hora de definir um projeto.

REGRA

O que era visto como um diferencial no mercado imobiliário começa a virar regra. Uma lei aprovada em julho de 2007 obriga novas edificações a terem tubulação adequada para aquecimento solar da água. Em lançamentos cujas unidades tiverem com mais de três banheiros, a instalação é obrigatória.

Certamente, contemplar estes aspectos da sustentabilidade significa causar um impacto muito positivo na comunidade, bairro, cidade, estado, país e conseqüentemente na melhoria de qualidade de vida das pessoas e futuras gerações.

É importante que haja realmente uma preocupação de todos com o meio ambiente. A sustentabilidade tem como princípios básicos três questões: ambiental ideal, a social e a economicamente correta.

A grande vantagem de entender e trabalhar na direção de nossos ecossistemas é que podemos desfrutar as necessidades presentes sem comprometer a habilidade das gerações futuras em satisfazerem a si próprias.

Porém, todo esse trabalho só terá efeito real se houver conscientização da sociedade em fazer com que isso aconteça. Esses conceitos mínimos, feitos em grande escala, não somente do lado de dentro dos empreendimentos, mas também fora dos portões farão com que nossos ecossistemas entendam que estamos trabalhando em sua direção e não contra eles.

Todos nós podemos incorporar em nossas vidas um padrão de sustentabilidade inicial e perceber que, ao longo dos dias, semanas, meses e anos, esse mesmo processo já será um hábito.

Abordar, portanto, o desenvolvimento sustentável na construção civil é tornar imprescindível a utilização de aspectos mínimos para a sobrevivência não somente para as empresas sob o ponto de vista do mercado, como também, do compromisso social e de toda a humanidade.

Dessa forma, todos passarão a usufruir recursos simples e urgentes, o que dará uma nova realidade para a arquitetura e para a humanidade nos próximos anos.

Temos que ser protagonistas deste grande cenário e transformar a sustentabilidade em uma escola de vida.

 

http://www.valoronline.com.br/valoronline/Geral/brasil/Brasil+deve+liderar+a+
geracao+de+creditos+de+carbono+de+maior+qualidade+diz+especialista

,,,5,4950937.html?highlight=&newsid=4950937&areaid=5&editionid=2016

28/05/2008

Brasil deve liderar a geração de créditos de carbono de maior qualidade, diz especialista

Murillo Camarotto
Valor Econômico

SÃO PAULO – Com a predominância das chamadas “fontes limpas” de energia, como as usinas hidrelétricas, o Brasil não tem grande potencial para atuar no mercado dos créditos de carbono, quando se fala em volumes. No entanto, a abundância de rios e a aptidão para a produção de biocombustíveis colocam o país em posição de liderar a geração de créditos de carbono de “maior qualidade”.

A tese é do diretor do Instituto Totum, Carlos Henrique Delpupo. Segundo ele, com a geração elétrica predominantemente hídrica, fica difícil para o Brasil implementar reduções acentuadas de emissão de carbono, como ocorre em países onde a geração é feita por meio da queima de gás ou carvão.

Porém, o especialista afirma que alguns fundos de investimento que atuam no segmento ambiental podem optar pelo crédito de carbono brasileiro. “Mesmo menor, a redução das emissões por aqui se dá por meio de ações de sustentabilidade, possibilitadas pela nossa grande disponibilidade de biomassa”, explicou Delpupo. Segundo ele, alguns fundos estrangeiros, especialmente europeus, preferem comprar os créditos de carbono oriundos de reduções sustentáveis de emissões.

Delpupo aproveitou para criticar a burocracia imposta pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a aprovação de novos projetos de geração de créditos de carbono. A seu ver, a entidade deveria criar normas mais simples e rápidas para o ingresso de novos empreendimentos no programa. “Cada fase em que o projeto passa é uma vitória. Estamos comemorando até bola na trave”, ironizou.

O Brasil ocupa atualmente a terceira posição mundial em número de projetos aprovados, com 134 empreendimentos. À frente, aparecem Índia, com 339, e China, com 214.

Delpupo participou hoje do II Seminário “Créditos de Carbono e Mudanças Climáticas – Propostas e Desafios para a Sustentabilidade Ambiental”, promovido pelo Valor Econômico, em São Paulo.

 

http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/agronegocios/179/Mudanca+
tecnica+esvazia+caixa+de+lider+em+credito+de+carbono,,,179,4954848.html

30/05/2008

Mudança técnica esvazia caixa de líder em crédito de carbono

Bettina Barros
Valor Econômico

Uma modificação técnica no mercado de crédito de carbono para a suinocultura pode ter forçado uma das maiores empresas internacionais do setor a recorrer à Justiça para resolver um problema de caixa estimado em pelo menos ? 90 milhões de euros.

A AgCert International, sediada em Dublin, pediu ajuda à Alta Corte irlandesa após ver seus papéis negociados em Londres despencar do patamar de 200 libras esterlinas pelo lote de cem ações em 2007 para quase 1 libra no começo deste ano. O motivo: a empresa vendeu um volume muito superior de créditos de carbono do que tem agora para entregar.

Com cerca de 80 projetos no México e no Brasil, a AgCert afirma ter sido prejudicada pelo ajuste de metodologia previsto no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), pelo qual projetos limpos geram créditos para países ricos, obrigados a reduzir suas emissões de gases-estufa sob o Protocolo de Kyoto.

Em entrevista ao Valor, o gerente-geral da AgCert Brasil, Álvaro Palermo, afirmou que a alteração na metodologia realizada em meados do ano passado reduziu significativamente o volume de créditos calculados pela empresa. Segundo ele, cerca de 7,2 milhões de créditos de carbono deveriam ser entregues neste ano. “Mas por enquanto só temos 1,2 milhão de créditos”, afirma.

A AgCert, que havia feito IPO em 2005, voltou a fechar o capital. Desde fevereiro, está em processo de “examinership”, um mecanismo introduzido na Irlanda nos anos 90 para evitar a liqüidação das empresas do país. Assim como na nova lei de falências brasileira, um administrador judicial é selecionado para negociar com os credores de forma a garantir a continuidade da empresa. No caso da AgCert, um representante da Ernst & Young, David Hughes, foi selecionado.

Uma decisão deverá sair nos próximos dias. A questão é como conciliar a continuidade da empresa e os direitos dos credores internacionais, formados por bancos, empresas e governos.

Palermo afirma que seus clientes – pouco mais de 370 produtores brasileiros de suínos – continuam recebendo normalmente sua parte no negócio. No caso, 10% da receita da AgCert. Mas o executivo prefere não comentar sobre o futuro da empresa. “Qualquer coisa que eu fale neste momento é boato”, diz Palermo.

Mas uma notícia divulgada pelo site “Thomson Financial News” aponta que a AES Corporation – a multinacional americana controladora da Eletropaulo – teria interesse na empresa. A multi iniciou há três anos um braço para soluções climáticas, que prevê investimentos em projetos limpos para a redução de mais de 34 milhões de toneladas de gases-estufa até 2012. No início deste mês, ela comprou os créditos gerados por um lixão em El Salvador.