Energia eólica

9/01/12

Atraso ambiental

É preciso evitar que entraves afetem a geração de energia eólica no Brasil

05/01/2012 – 15h00 | O Globo

O ano de 2011 ficará marcado como aquele em que a geração de energia eólica finalmente decolou no Brasil. Além da queda acentuada do preço, que hoje se equipara ao das térmicas a gás e hidrelétricas, a chegada de novos fabricantes de equipamentos e investidores confirmou a atratividade do nosso mercado. Não se removeram, entretanto, as barreiras que atrasam o desenvolvimento dessa importante fonte alternativa no Brasil. Elas ficarão ainda mais expostas quando 2012 chegar.

Entramos agora num período em que os entraves em infraestrutura e logística para projetos eólicos serão exacerbados, com o início de operação da maioria dos projetos eólicos contratados três anos atrás. É a hora de as usinas entregarem parte dos 3.900 MW de energia eólica vendidos nos leilões de 2009 e 2010. Será o ano da superação, em que apenas players sérios, com plantas bem estruturadas, conseguirão colocar de pé e em funcionamento projetos que estavam no papel.

Já no primeiro semestre, aparecerão os primeiros casos de sucesso e também as surpresas e contratempos. No dia a dia, empreendedores e fabricantes de equipamentos lidarão com problemas conhecidos dos brasileiros, como a malha rodoviária precária, a falta de espaço e de estrutura em portos para recebimento de equipamentos e movimentação de cargas pesadas, entre outros. Na área ambiental, o setor convive com a indefinição de prazos para o licenciamento de projetos. Apesar do aumento gradativo dos investimentos em energia eólica, ainda é muito lento o processo para a concessão de financiamentos de curto e longo prazos em alguns casos, pode-se levar mais de um ano à espera da avaliação e aprovação de um projeto.

Sem solução à vista, fatores como esses se tornam grandes pontos de estrangulamento e de elevação de custos dos projetos. Questões preocupantes para desenvolvedores e fornecedores de energia eólica, que precisam observar ainda o comportamento do mercado e as diretrizes governamentais. Um leilão do tipo A-5 da Aneel, por exemplo, pode dar a impressão de “um futuro distante”, posto que os empreendedores terão pelo menos quatro anos para a implantação de seus projetos e cinco anos para dar início à entrega da energia comercializada. À luz de alguns processos no mercado de hoje, esse prazo pode ser pequeno.

É preciso que sejam tomadas, de imediato, ações estruturadas a fim de se evitar que esses entraves afetem o desenvolvimento da geração de energia eólica no país e abalem a esperança de um futuro 100% limpo.

ARTHUR LAVIERI é presidente da Suzlon no Brasil.

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Geração eólica já gira bilhões de reais

18/11/11

André Borges e Tarso Veloso | De Brasília

08/02/2011

Os ventos trouxeram uma nova leva de investimentos ao país. De executivos novatos ingressos no mercado de geração de energia a uma sequência de multinacionais à frente de construções de fábricas de equipamentos, o mercado da energia eólica é uma realidade no Brasil, uma indústria que só começou a girar agora, mas que já movimenta dezenas de bilhões de reais por ano. E ainda traz a vantagem dos ventos soprarem forte na época de seca, quando as hidrelétricas tendem a reduzir a produção.

Essencialmente novo, esse mercado tem sido formado por histórias como a de Ricardo Delneri, executivo que tinha apenas 29 anos de idade quando, em 2000, decidiu abandonar o mercado financeiro para montar, com o amigo Renato Amaral, a Renova Energia. A motivação inicial dos sócios era explorar as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), usinas com capacidade de até 30 megawatts (MW). Fizeram isso até 2006, quando as eólicas chamaram a atenção. O interesse redundou na criação de um portfólio de projetos e na disputa do primeiro leilão exclusivo de eólicas, realizado em dezembro de 2009, quando a Renova Energia ganhou a disputa para instalar 14 parques de aerogeradores na Bahia. “Aquilo foi decisivo, alí vimos que algo tinha mudado nos nossos planos”, conta Delneri, hoje com 40 anos e diretor co-presidente da Renova Energia. A instalação das 184 turbinas com capacidade de 294 MW contratados em 2009 começa a ser entregue em agosto. O investimento total é de R$ 1,2 bilhão. No leilão de 2010, a companhia voltou a concorrer e levou mais seis parques com potência total de 163 MW. Vai desembolsar mais R$ 620 milhões. “A força das eólicas nos levou a congelar os projetos de PCHs para os próximos dois anos.”

Por trás da aposta dos empresários do setor está a inclinação do governo em manter na pauta a realização regular de leilões específicos para as eólicas. Em 2009, quando o mercado surpreendeu o governo com a realização de projetos na casa de R$ 150 o MW/hora – era esperada uma média de R$ 200 -, foram arrematados 1.800 MW. No ano passado, com um preço ainda mais competitivo, na casa dos R$ 135 o MW/hora, foram contratados mais 2.050 MW. Para o leilão previsto para acontecer em maio, a previsão da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) é de que pelo menos mais 2 mil MW sejam contratados. Nesta semana, em evento que acontece em São Paulo, empresários do setor, associações e governo se reúnem na mesma mesa para discutir o futuro da energia eólica no país. “Vamos debater diversas questões. Uma delas é essa capacidade anual de pelo menos 2 mil MW para que possamos incentivar e consolidar os investimentos no país”, comenta Ricardo Simões, presidente da Abeeólica.

O mercado se prepara para a nova rodada de negociação. A Galvão Energia, empresa do grupo Galvão criada em 2007, montou um portfólio de 600 MW de projetos eólicos. No ano passado, a companhia arrematou a construção de quatro usinas no Rio Grande do Norte com potencial instalado de 94 MW, com investimento de R$ 400 milhões. Para este ano, no entanto, o plano é chegar a até 200 MW, com até oito projetos fechados. “É um ano importante para a energia eólica se firmar como alternativa importante e complementar à matriz nacional, concentrada nas hidrelétricas”, diz Otávio Silveira, presidente da Galvão Energia.

Competição não vai faltar. No leilão de 2009, segundo dados da Abeeólica, foram inscritos e habilitados 3 mil MW de projetos. No ano passado foram 11 mil MW. Com a contratação de 2 MW por ano, o investimento garantido apenas na instalação das usinas é de R$ 8 bilhões. Essa conta não inclui os recursos decorrentes da instalação de fábricas no país, da cadeia de fornecedores de componentes que se integram a elas e da contratação de mão de obra. As estimativas internacionais dão conta de que, para cada MW contratado, são gerados 13 empregos. Isso significa que, se forem contratados 4 mil MW entre 2009 e 2013, como se prevê, o setor tem capacidade de gerar cerca de 50 mil empregos.

“O país saiu um pouco atrasado nessa área em relação a outras nações, mas está recuperando o terreno rapidamente”, afirma Telmo Magadan, presidente da Ventos do Sul, companhia que possui o maior parque produtor de energia eólica da América Latina, em Osório (RS), com 150 MW. O grupo dobrou sua capacidade com os leilões de 2009 e 2010, adicionando mais 100 MW em Osório e 50 MW em Palmares (PE). Os investimentos vão chegar a R$ 800 milhões e as obras devem começar neste semestre, com previsão de entrada em operação até julho de 2012. “O Brasil deveria atingir entre 8% a 10% da matriz energética vinda dos ventos até o fim da década.”

Ainda está longe disso. A estimativa da Abeeólica é de que o país feche este ano com 1,4 mil MW de potência instalada, indo para 3,2 mil MW em 2012 e 5,25 mil MW, em 2013. “Isso é cinco vezes o que temos hoje, o que é um salto relevante, mas ainda é pouco se observada a participação relativa das eólicas em relação às demais fontes de energia”, diz Ricardo Simões, presidente da associação. “Teremos 4,3% da potência instalada no país, ou seja, há enorme potencial de crescimento.”

De fato. Os estudos mais recentes que mapearam os ventos do Brasil, elaborados em 2001, apontam que o potencial é de 143 mil MW. Isso equivale a duas vezes a potência hidrelétrica total do país gerada até 2009. Esse levantamento eólico, no entanto, está absolutamente defasado. O potencial do setor, na realidade, é muito maior. Dez anos atrás, quando os primeiros estudos foram feitos, só consideraram a captação feita por turbinas de até 50 metros de altura. Ocorre que hoje os cata-ventos chegam a 100 metros. “Não há números precisos, mas o potencial é gigantesco. No mercado já se fala numa capacidade superior a 300 mil MW”, comenta Simões.

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Energia eólica

16/11/11

Furnas e Eletrosul investem no potencial dos ventos

Por Carlos Vasconcellos | Para o Valor, do Rio

O momento é bom para investir no mercado de energia eólica no Brasil, que vem alcançando preços competitivos nos leilões promovidos pelo Ministério de Minas e Energia. O país tem a energia eólica mais barata do mundo, diferentemente de 2004, quando foi incluída em leilões, diz Luiz Pinguelli Rosa, diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). “No último leilão, o MW/h da eólica saiu por cerca de R$ 100; o da térmica, por R$ 140.”

Parte desse resultado provém de avanços tecnológicos. Furnas apostou em equipamentos da alemã Fuhrländer para oferecer preço de R$ 99,70 pelo MW/h de energia eólica, deságio de 28% sobre o preço inicial. As máquinas contam com alta potência de 2,5MW, torres entrelaçadas com 141 m de altura. “Os ventos são considerados de melhor qualidade nessa altura, pois sofrem menos interferências. E as torres entrelaçadas, diferentemente das estruturas tubulares comuns, não comprometem a dinâmica do aerogerador. A aquisição dessas máquinas foi fundamental para reduzirmos custos”, afirma Flavio Decat, presidente de Furnas. “Estamos investindo mais de R$ 1 bilhão em geração eólica e temos todo interesse em avaliar novas oportunidades”, diz o executivo.

Também a Eletrosul tem interesse no setor. Recentemente, a empresa anunciou a construção de mais 21 parques eólicos no litoral do Rio Grande do Sul, orçados em R$ 1,8 bilhão, o que vai consolidá-la como a maior geradora estatal no setor eólico brasileiro. As novas usinas terão uma capacidade instalada de 480 MW.

De olho no mercado brasileiro, a francesa Alstom quer lançar no país, em 2012, o gerador Eco 122, com potência unitária de 2,7 MW. Segundo Marcos Costa, vice-presidente de Geração de Energia Renovável e Térmica da empresa, o gerador, com 122 m de altura, foi projetado para condições de vento similares às dos nossos parques eólicos. “A produção será na fábrica que vamos inaugurar em Camaçari no fim do mês”, diz Costa. A empresa deverá cumprir meta de nacionalizar parte do conteúdo, exigida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar o projeto de R$ 50 milhões. “Chegaremos a 40% inicialmente e a 60% em dois anos”, informa. “O mercado de eólica no Brasil pode ultrapassar o nível atual instalado, de 2 mil MW”, acredita o executivo.

Também pequenos fornecedores crescem com a energia eólica no Brasil. Um deles é a Enersud, de Maricá (RJ), no setor há dez anos. “Nosso nicho são os geradores até 100 KW”, conta Luiz César Pereira, diretor da empresa. Para ele, o mercado pode se aquecer ainda mais se os pequenos fornecedores gerarem energia para as redes das distribuidoras. “Só teremos expansão para valer quando houver regulamentação clara”, afirma. “A Lei de Energias Renováveis dos Estados Unidos, promulgada pelo presidente Barack Obama, concedeu deduções de 30% para os investimentos em energia renovável e isso provocou salto de 78% no mercado de pequenas turbinas eólicas no país”, exemplifica Pereira.

Segundo ele, um nicho é o setor de telecomunicações, com a instalação de pequenas turbinas para gerar energia para antenas e estações rádio-base em locais remotos, onde não há rede elétrica. Para esse segmento, a Enersud desenvolveu turbinas eólicas que alimentam retransmissores capazes de captar e ampliar o sinal da internet. Essas turbinas custam apenas R$ 2 mil e podem integrar localidades distantes à rede mundial de computadores, informa o executivo.

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Energia eólica

24/10/11

20/10/2011

BNDES deve financiar R$ 8 bi para eólicas

DE SÃO PAULO

Os investimentos em energia eólica no país estão em franca expansão. Um dos termômetros desse comportamento, a carteira de pedidos de financiamento junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), disparou neste ano e atingiu R$ 8 bilhões, informa reportagem de Leila Coimbra na Folha desta quinta-feira.

Os desembolsos do banco para parques eólicos em 2011 devem chegar a R$ 4,5 bilhões, segundo estimativa da chefe do departamento de energia elétrica do banco, Márcia Leal. A carteira representa os pedidos de empréstimo, enquanto os desembolsos são os recursos efetivamente liberados.

Editoria de Arte/Folhapress

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19/10/2011

Geração eólica na América do Norte deve dobrar em seis anos

Investimento no setor só no subcontinente vai chegar a 145 bilhões de dólares até 2017

Vanessa Barbosa, de Getty Images

Cerca de 820 bilhões de dólares serão investidos globalmente em turbinas eólicas onshore e offshore, entre 2011 e 2017

São Paulo – De acordo com um novo relatório da consultoria Pike Research, que realiza pesquisas sobre o mercado mundial de tecnologia limpa, a capacidade eólica total instalada na América do Norte mais do que duplicará nos próximos seis anos, passando de cerca de 53 mil megawatts em 2011 para quase 126 mil megawatts até 2017.

Apesar de ter sofrido uma baixa no ritmo de novas instalações durante a crise financeira de 2008 e 2009, a indústria eólica vem amadurecendo como uma tecnologia limpa, capaz de reduzir as emissões de carbono e também impulsionar o crescimento econômico dos países.

“Este ainda será um ano difícil para a energia eólica na América do Norte, mas vemos sinais de recuperação”, diz o analista sênior Peter Asmus. “A região está produzindo turbinas mais eficientes, que geram energia a custos mais baixos”. Segundo Asmus, um dos focos da expansão do setor será nos parques eólicos offshore, na costa marítima.

Previsões apontam que cerca de 820 bilhões de dólares serão investidos globalmente em turbinas eólicas onshore e offshore, entre 2011 e 2017. Deste montante, a América do Norte deverá receber 145 bilhões.

Atulamente, os Estados Unidos são o segundo país no mundo que mais produz eletricidade a partir de energia eólica, sendo capaz de abastecer 10 milhões de residências americanas. Essa capacidade entretanto representa apenas 2,3% da geração total de energia no país – participação baixa em comparação a outras nações, como a Dinamarca, por exemplo, que tem 20% de sua eletricidade oriunda da matriz eólica.

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