Além do turismo, sol, vento e mar dão energia ao CE

15/07/10

O Estado investiu R$ 1,5 bilhão na produção de luz elétrica a partir de ventos, sol e ondas. Até 2011 esse valor pode dobrar

Gustavo Poloni, enviado especial ao Ceará | 10/05/2010

Movido apenas com a força do vento, o Ceará produz em um mês o equivalente a R$ 2,2 milhões em eletricidade. É isso que custa, no mercado livre de energia, os 500 megawatts produzidos por 250 cataventos gigantes instalados no Estado. A cena é deslumbrante: em alguns dos principais cartões postais do litoral cearense, máquinas de 80 metros de altura e 200 toneladas dão um ar futurista à paisagem. É uma mudança movida a R$ 1,5 bilhão em investimentos — valor que deve dobrar até o final de 2011. Além de contar com os maiores parques eólicos do Brasil, o Ceará está investindo em outras fontes de energia renovável. Até o final do ano, o Estado vai ganhar a segunda maior fazenda de energia solar do mundo e um projeto piloto para produzir eletricidade a partir da força das ondas, transformando o Ceará na capital brasileira da energia limpa.


Foto: Haroldo Saboia
Com o litoral cheio de torres de 80 metros que produzem energia através do vento, o Ceará virou o Estado que mais produz energia eólica no País
Entre as três fontes de energia limpa que estão sendo exploradas no Ceará, a que mais se destaca é a eólica. O Estado conta com 14 parques que, juntos, somam cerca de 250 torres. Elas produzem pouco mais de 500 MW de luz elétrica - suficiente para abastecer uma cidade com 2,6 milhões de habitantes. É pouco perto do consumo nacional, de 58,6 mil MW. Mas já representa metade da energia consumida no Ceará. O maior parque da região é o Bons Ventos, com 75 torres. Localizado em Aracati e em Taíba, cidades no litoral cearense, já recebeu cerca de R$ 800 milhões em investimentos. Nos próximos anos, o número de torres de energia eólica deve se multiplicar no litoral cearense. A argentina Impsa anunciou que vai colocar R$ 2 bilhões na instalação de 11 parques eólicos no Estado. “O Ceará deixou de ser lembrado apenas pelo sol e calor”, diz Luiz Eduardo Aguilar, presidente do Parque Eólico Bons Ventos.
Além de parques que produzem energia a partir do vento, o Ceará ganhou fábricas que integram a cadeia de produção do setor. Pás, geradores e torres, partes que formam o aerogerador, já são produzidos no Estado. Fundada em 2006, a Tecnomaq foi a primeira empresa brasileira criada com o objetivo de fazer torres de energia eólica. Para isso, contratou consultores alemães (a Alemanha é um dos países mais avançados nessa área) para dar treinamento a seus funcionários por 100 euros a hora/aula. As torres também precisaram ser submetidas a um processo de tropicalização. Isso porque os parques eólicos alemães estão instalados sobre pedras, e não na areia de praias. Até o final do ano, a Tecnomaq deve produzir 120 torres e vai faturar algo em torno de R$ 70 milhões. Em 2011, o faturamento deve chegar a R$ 120 milhões. “Aqui no Ceará estamos construindo o Brasil do amanhã”, diz Bucar Amad Bucar, gerente geral da Tecnomaq.
No início da década de 1990, o governo do Ceará deparou-se com o fantasma do apagão. Sem rios perenes, o Estado dependia exclusivamente da energia produzida pelas usinas de Paulo Afonso, na Bahia, e de Tucuruí, no Pará. Para continuar a crescer de forma sustentável e auto-suficiente, o então governador Ciro Gomes pediu que uma equipe estudasse como outros países produziam energia a partir de vento, sol e ondas - recursos encontrados em abundância no Ceará. Oito anos depois, as primeiras quatro torres de energia eólica eram instaladas na capital, Fortaleza.
O Ceará não chegou ao posto de capital nacional da energia limpa apenas com a boa vontade de governantes e o empenho de empresários. De acordo com o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, o Nordeste tem capacidade de gerar 75 GW - ou cinco vezes a capacidade da usina de Itaipu, a segunda maior do mundo. É mais do que a soma de todas as outras regiões do País. Entre os Estados com maior potencial, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e, claro, o Ceará, que lidera o ranking de produção de energia eólica no País. Considerada uma boa alternativa às energias não-renováveis, que tem como principal vilão o petróleo, a energia eólica é tida como a mais limpa e usa a força dos ventos para gerar eletricidade.
Longe do litoral, um outro tipo de fazenda de energia limpa começa a ganhar forma. Para aproveitar o sol que castiga o sertão cearense, a MPX, empresa que faz parte do grupo EBX, do empresário Eike Batista, lançou no fim de março a pedra fundamental para a construção da maior usina de energia solar da América do Sul, a segunda maior do mundo. Localizada em Tauá, cidade de 17 mil habitantes a 340 quilômetros de Fortaleza, ela vai ocupar uma área de 220 hectares, ou 220 campos de futebol. Na primeira etapa do projeto, que ficará pronto até o fim do ano, serão usadas R$ 4,4 mil placas fotovoltaicas para gerar 1 MW, energia suficiente para alimentar a casa de 5 mil pessoas. A ideia é que a produção seja multiplicada por 50 nos próximos anos - um investimento que pode chegar a US$ 250 milhões.


Foto: Arte iG
No Porto do Pecém, na Grande Fortaleza, um investimento muito menos suntuoso está sendo feito para testar a energia produzida a partir da energia das ondas. Uma parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro, o governo do Estado do Ceará e o grupo franco-belga Tractebel vai colocar R$ 12 milhões num projeto pioneiro instalado no quebra-mar do porto do Pecém. A partir de setembro, a usina vai produzir apenas 100 KW, que serão usados para iluminar o porto. A vantagem em relação às outras formas de energia? A proximidade dos centros consumidores, que estão concentrados no litoral, e a constância da maré, que faz com que a usina atinja até 70% de capacidade de produção - o dobro da eólica, a segunda fonte de energia limpa com o maior fator de capacidade. “É uma mudança de paradigma”, diz Eliab Ricarte, gerente geral do projeto de energia de ondas. “Durante muito tempo o Nordeste foi visto como um problema nacional no setor de energia”.

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ENERGIA EÓLICA

12/07/10

Geração eólica leva fabricantes para o Nordeste

Murillo Camarotto, do Recife
06/07/2010

Marcado para 18 e 19 de agosto, o segundo leilão de fontes alternativas de energia elétrica deverá marcar a consolidação do mercado brasileiro de energia eólica. Mais do que isso, o certame deverá confirmar a região Nordeste como o principal polo nacional de fabricação de equipamentos voltados à produção de energia a partir dos ventos.

Dono dos melhores ventos do país, o Nordeste respondeu por quase 90% dos projetos eólicos contratados no leilão anterior, realizado em dezembro. Dos projetos inscritos para o próximo leilão, a região voltou a predominar, com 78% do total. Na avaliação de especialistas, a proximidade entre o parque eólico e os centros de fabricação de equipamentos são um diferencial competitivo importante.

Isso porque as torres que sustentam os geradores de energia, por exemplo, podem chegar a 115 metros de altura e 100 toneladas, o que torna bastante complexa a logística nos casos em que as fábricas ficam distantes dos parques de geração.

Diante disso, muitas empresas estão se movimentando no sentido de fincar os pés no Nordeste. Se considerada a expectativa de que 3 mil megawatts (MW) sejam contratados em agosto, a região poderá receber investimentos de até R$ 11 bilhões somente com o próximo leilão. Somando os projetos contratados no Nordeste no ano passado, o valor passa a quase R$ 20 bilhões.

Apesar de os melhores ventos soprarem no Ceará e no Rio Grande do Norte, a maioria dos investimentos têm sido direcionados para Pernambuco, onde o governo trabalha para desenvolver um parque eólico no Complexo Portuário de Suape, a 60 quilômetros do Recife.

O local abriga hoje uma fábrica de aerogeradores e outra de torres eólicas, e deve receber em breve duas novas fabricantes de pás. No caso dos aerogeradores, a argentina Impsa investiu R$ 145 milhões em uma unidade com capacidade de 300 equipamentos por ano. Já a espanhola Gonvarri aplicou quase R$ 120 milhões para a produção anual de 1 mil torres.

Atualmente, o governo pernambucano acerta os últimos detalhes para anunciar a chegada da Aelis e da Tecsis, duas fabricantes de pás que devem investir algo próximo a R$ 100 milhões cada uma. Também está prestes a desembarcar, em Pernambuco, a sul-coreana Win&P, fabricante de torres. “A chegada das indústrias de pás será sensacional para o Estado, pois completará a cadeia produtiva, que é formada basicamente por torre, pá e aerogerador”, avalia Pedro Cavalcanti, diretor da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica).

Cavalcanti conta que a preferência dos fabricantes por Pernambuco é explicada pelo desenvolvimento da infraestrutura ao redor do Porto de Suape. “O Estado não tem um belíssimo potencial eólico, mas conta com boa oferta de engenharia e de serviços, além de uma excelente localização geográfica”, avalia.
Ainda assim, outros Estados da região também estão recebendo investimentos. A fabricante alemã de aerogeradores Führlander já se comprometeu a investir R$ 40 milhões em uma unidade no Complexo Portuário do Pecém, a 70 quilômetros de Fortaleza. Em um primeiro momento, a ideia da empresa é produzir no local 240 turbinas por ano, porém há planos futuros para a fabricação de pás, o que demandará um investimento adicional ainda não calculado.

Na Bahia, a Alston pretende inaugurar no ano que vem uma fábrica de aerogeradores no município de Camaçari, num investimento de R$ 50 milhões. Há ainda planos bastante avançados da dinamarquesa Vestas, também fabricante de aerogeradores. A empresa ainda avalia o local da fábrica, porém o Nordeste é “franco favorito”, segundo afirmou um executivo que pediu para não ser identificado.
Além da proximidade com a maioria dos parques eólicos brasileiros, explica ele, a instalação das fábricas no Nordeste também torna mais eficiente a exportação dos equipamentos para a Europa.

Além da energia eólica, o Nordeste também pretende atrair outras empresas ligadas ao segmento de energia limpa. Está em negociações avançadas a construção, em Pernambuco, de uma fábrica de painéis solares da empresa suíça Oerlikon. A região também deverá receber duas das quatro novas usinas nucleares que o governo pretende construir no país.

De acordo com fontes do governo pernambucano, a Oerlikon está em fase final de análise da demanda potencial por seus painéis. A avaliação é de que a garantia de um mercado consumidor de 50 MW a 100 MW de energia solar já torna viável a abertura da fábrica.

Quanto às usinas nucleares, ainda em fase de análises pelo governo, a região do Vale do São Francisco teria sido uma das que mais agradou à Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras no segmento.

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ENERGIA LIMPA

18/04/10

13/04/2010

Plano europeu de energia limpa coloca Espanha e França na liderança

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da France Presse, em Bruxelas (Bélgica)

A União Europeia (UE) precisará investir 52 bilhões de euros ao ano (US$ 70 bilhões) até 2020 em energias limpas, cujo desenvolvimento Espanha e França foram convocadas a liderar, revela um relatório que é publicado nesta terça-feira (13), em Bruxelas, Bélgica.

As energias solar e eólica serão os principais substitutos do petróleo, gás e carvão até 2050, indica o informe, elaborado pela Fundação Europeia para o Clima, que será entregue à Comissão Europeia.

Em suas previsões, a fundação estima que a Espanha reafirmará o papel de principal produtor europeu de energia solar, além de servir de território de trânsito para a produção do norte da África com destino ao norte da Europa.

A França, por sua vez, deverá se encarregar da produção de boa parte da energia eólica da UE e, devido à sua localização geográfica central, vai fazer as conexões entre a eletricidade produzida na Espanha e no Reino Unido, rumo ao norte e ao leste do continente.

A rede existente entre Espanha e França tem atualmente capacidade de 1 GW e, segundo o estudo, deverá chegar a 47 GW em 2050.

Os investimentos chegarão a 52 bilhões de euros anuais, ou seja, 2,5% do valor total dos gastos anuais da UE, acrescenta o documento.

A UE se comprometeu a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 80% até 2050 e fixou um objetivo triplo para 2020: reduzir em 20% suas emissões com relação a 1990, elevar para 20% o peso das energias renováveis no consumo de energia e efetuar uma economia energética também de 20%.

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O poder dos ventos

13/04/10

Projeto do Reino Unido é gerar um adicional de 32 GW de energia limpa até 2020.

Por Alan Charlton
18/02/2010

O Reino Unido anunciou recentemente a aprovação de concessões de nove zonas costeiras para desenvolvimento de projetos de parques eólicos offshore até 2020. Isso poderá gerar um adicional de 32 GW de energia limpa aos 8 GW já concedidos em rodadas anteriores. O potencial de eletricidade a ser gerado equivale a quase três vezes o da hidrelétrica de Itaipu e poderá suprir quase toda a demanda residencial britânica, ratificando sua posição de liderança mundial de energia eólica offshore.

O recente anúncio faz parte de um plano do governo britânico para aumentar substancialmente o uso de energia renovável, não apenas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mas para recuperar, em parte, sua auto-suficiência energética. O Reino Unido se comprometeu a produzir 15% da sua energia a partir de fontes renováveis até 2020, o que representará o aumento de quase sete vezes do que se tinha em 2008, ou seja, 2,25% de energias renováveis na matriz energética do país. Esse compromisso faz parte de uma ampla ação da União Europeia para aumentar o uso de energia renovável.

Investimentos altos serão necessários para se criar um setor de energia renovável robusto e próspero. Dessa forma, o governo vem buscando alternativas para maximizar as oportunidades econômicas e de geração de emprego. Acredita-se que a indústria eólica do Reino Unido poderá criar até 70 mil empregos e gerar 75 bilhões de libras para a economia. Atualmente, existem oito parques eólicos offshore em operação produzindo em torno de 700 MW e outros quatro parques em construção.

A expectativa é que, com o desenvolvimento dessas novas fontes de energia, a importação de gás seja reduzida entre 20% e 30% do que se espera para 2020. Isso significa aumentar a geração de eletricidade por fontes renováveis dos atuais 5,5% para mais de 30%. Acredita-se que mais de dois terços dessa geração virá da energia eólica, mas outras fontes como hidráulica, bioenergia, ondas e mares também terão a sua importância.

A energia eólica offshore é a fonte de energia renovável que mais cresce no Reino Unido e tem benefícios sobre outras fontes de baixo carbono. O país tem o maior potencial eólico na Europa, 33% do total. Com menores restrições de espaço, turbinas de até 10 MW podem ser instaladas, mesmo que o tamanho médio de uma turbina seja 5 MW. Quando comparada à turbina onshore, cujo tamanho médio é 2 MW, a energia eólica offshore se mostra mais confiável. Mesmo com os custos de instalação e operação significativamente mais altos, a energia eólica offshore compensa por ter um melhor resultado.

O governo tem implementado mudanças na legislação para facilitar o estabelecimento de parques eólicos offshore de grande escala. O Reino Unido se destaca na construção de parques offshore devido à sua expertise em construção marítima para a indústria de petróleo e gás natural.

Essas medidas são complementadas por mecanismos financeiros criados especialmente para fomentar a geração de eletricidade de fontes renováveis, como, por exemplo, os certificados verdes (ROC - Renewable Obligation Certificate). Recentemente esses certificados ganharam um peso maior para geração de energia eólica offshore de larga escala. O certificado que valia um ponto por MW/h gerado passou a valer 2 pontos.

Estima-se que essa iniciativa vá gerar um montante de 400 milhões de libras a mais para apoiar o setor offshore. Além disso, o governo deve investir 50 milhões de libras em testes das instalações para energia eólica offshore.

O governo já realizou estudos ambientais para análise de impactos das construções de futuros parques eólicos marítimos e concluiu que não há barreiras para o desenvolvimento desse setor. Entretanto, o país irá tomar uma série de medidas de mitigação para prevenir, reduzir e compensar os impactos adversos ao meio ambiente e a outros usuários do mar. As zonas escolhidas estão localizadas até 20 milhas (32 km) da costa. Cada consórcio irá explorar essas áreas mais detalhadamente antes de submeter ações de planejamento. Outra medida foi a criação de uma diretoria específica no Ministério de Energia e Mudanças Climáticas (DECC) para implementar as metas do governo na área.

O desenvolvimento na área de produção offshore ainda é complementado por ações para garantir conexão mais rápida e inteligente à rede. Para tanto o governo irá investir na rede elétrica para que novas fontes renováveis e outras formas de geração possam ser conectadas adequadamente quando necessário. As ações envolverão incentivos para encorajar companhias de transmissão e distribuição a investir um montante equivalente a 4,7 bilhões de libras. O governo irá também investir em uma nova rede offshore, que deverá trazer oportunidades para investimento de até 15 bilhões de libras. Outro trabalho que vem sendo desenvolvido diz respeito ao acesso à rede para novos geradores de energia.

O conceito de “smart grid” (rede mais inteligente) também está sendo amplamente discutido e o governo já está trabalhando para desenvolver uma rede do futuro que irá automaticamente administrar a variabilidade de fontes renováveis, economizar energia e reduzir custos, com uma visão mais de longo prazo.

Estão em andamento discussões sobre uma rede integrada de energia renovável do Mar do Norte. Quando concluída essa rede irá permitir que o Reino Unido exporte a energia excedente para mercados deficitários ou estoque em usinas hidrelétricas em países como Noruega e Suécia.

Acreditamos que esse anúncio, que significa a maior expansão de energia eólica já vista no mundo, irá contribuir significativamente para as aspirações britânicas de uma mudança para uma economia de baixa emissão de carbono.

Alan Charlton é embaixador britânico no Brasil desde dezembro de 2008.

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