Energia eólica

3/10/11

GE montará fábrica de turbina para eólica na BA

Por Eduardo Laguna | De São Paulo

Marcelo Soares, presidente da GE Energy para América Latina: nova fábrica poderá ter ampliação no futuro

De olho nos 52 parques eólicos previstos para o Estado nos próximos anos, a GE decidiu investir R$ 45 milhões em uma nova fábrica de aerogeradores na Bahia.

Inicialmente, serão produzidos 200 equipamentos por ano a partir de meados de 2013. Mas a capacidade poderá subir dependendo do volume de contratos que serão fechados no futuro. “Nunca planejamos uma fábrica limitada à produção inicial. Sempre deixamos espaço para crescimento”, informa Marcelo Soares, presidente na América Latina da GE Energy, braço na área de energia do grupo industrial de origem americana.

A assinatura do protocolo de intenções com autoridades do governo baiano está prevista para a segunda-feira. Ainda falta definir o local da fábrica, mas a GE tem se debruçado sobre possibilidades na Região Metropolitana de Salvador ou no polo industrial de Camaçari, o qual já vem atraindo grandes fabricantes de turbinas eólicas.

A investida dessas fabricantes na Bahia começou este ano, com o início das operações da espanhola Gamesa em Camaçari. Em novembro, será a vez da francesa Alstom começar a montagem de aerogeradores no município, após investimento aproximado R$ 50 milhões em sua primeira fábrica no Nordeste.

Além do crescimento no número de projetos de energia gerada pelo aproveitamento dos ventos no país, os fabricantes são atraídos por vantagens em logística, dada a proximidade de instalações portuárias.

Mas, como informa a GE, estímulos fiscais também estão sendo determinantes na escolha. Sem dar detalhes, a direção da filial da empresa na América Latina informa que recebeu os mesmos benefícios tributários que seus concorrentes tiveram para abrir operações no Estado.

Levar o projeto para o Rio Grande do Norte, onde diversos projetos eólicos estão sendo executados, ou mesmo ampliar as fábricas existentes foram opções consideradas pela GE antes de levar o projeto para a Bahia.

A expectativa do grupo é enfrentar um ambiente de competição desafiador, já que diversos fabricantes globais tentam aproveitar o movimento de diversificação da matriz energética do país. Para encarar a disputa, a GE diz que está trazendo tecnologia de última geração em turbinas.

Antes de Gamesa e Alstom, a Wobben Windpower, em Sorocaba (SP), e a argentina Impsa, em Suape (PE), já tinham operações de turbinas eólicas consolidadas no Brasil. A gigante alemã Siemens também anunciou planos de reforçar a montagem desses equipamentos em território brasileiro, onde tem contratos para instalação de 136 turbinas em 12 parques – um dos clientes é a Tractebel.

A GE, que já monta as turbinas em uma fábrica em Campinas (SP), prevê instalar aproximadamente 700 aerogeradores no mercado brasileiro entre 2011 e 2012, incluindo contratos dos primeiros parques eólicos da Bioenergy no Rio Grande do Norte. No mundo, já tem instaladas 17 mil unidades.

O grupo diz que planeja usar recursos próprios para custear os investimentos na fábrica baiana, na qual, estima, serão criados 80 empregos diretos. Soares informa ainda que o projeto poderá ser greenfield – aqueles que são construídos a partir do zero – ou brownfield, em que é efetuada ampliação de alguma instalação já existente.

A vantagem da segunda opção, lembra o executivo, seria acelerar o ritmo do empreendimento, que começará a ser erguido a partir de meados do ano que vem. “Podemos aproveitar algum prédio ou alguma fábrica vazia por lá e fazer reforma e adaptação”, assinala o CEO. “Vamos optar pelo o que for mais interessante”, acrescenta.

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Energias renováveis

29/08/11

Condomínio adota geração eólica e solar

Por Chico Santos

25/08/2011

Lima, diretor da Ecoglobal, explica que o projeto não visa autonomia energética, mas economia com a conta de luz

Um condomínio residencial com oito prédios e 512 apartamentos cujas partes comuns são abastecidas com energia de origem eólica, o estacionamento é equipado com tomadas para carregar carros elétricos e a água para uso sanitário (descargas domésticas) vem de captação pluvial.

É o que promete entregar em 2016 a construtora carioca Calper, a partir de um projeto desenvolvido em conjunto com a Ecoglobal, responsável pelo projeto de sustentabilidade, e a Cintrax, que está começando a produzir no país um tipo de aerogerador de uso doméstico que se adapta ao propósito da construtora. Ao menos no Rio de Janeiro, eles garantem que é o primeiro projeto com tamanho grau de sustentabilidade.

O engenheiro Davidson Meira Jr., da Calper, um dos responsáveis pelo projeto, explica que cada edifício do condomínio será equipado com um aerogerador de 1.000 a 1.600 watts/hora e com uma bateria de placas de captação solar com a mesma capacidade. O objetivo é que haja sempre a disponibilidade de alguma energia de origem limpa para uso nas partes comuns, como portaria, corredores e até para alimentar a máquina do exaustor central do edifício, explica o engenheiro José Luiz Bastos, da Cintrax.

Como a produção será limitada, o sistema de geração própria será conectado a uma rede que, de forma automática, passa a utilizar energia da Light sempre que a demanda for superior à geração alternativa. Bastos explica que a energia produzida será convertida diretamente para consumo residencial, sem necessidade de subestações, graças a um aparelho chamado inversor de conexão à rede.

Conectada em um ponto após o relógio que marca o gasto de energia vinda de fonte externa, o sistema de geração própria poderá trazer uma economia de até 50% na conta de luz condominial, estima Bastos. Meira, da Calper, estima em até 20% a economia no custo condominial para o condomínio que será construído no Recreio dos Bandeirantes (zona oeste do Rio).

Meira explica que o projeto de geração de energia elétrica própria vai custar cerca de R$ 400 mil, com impacto de apenas R$ 800 no custo de cada apartamento. Com isso, a construtora pode vender as unidades, de dois e três dormitórios, a preços que não diferem das construções convencionais.

O ambientalista Walter Lima, diretor da Ecoglobal, disse que do ponto de vista energético o projeto não visa a autonomia, mas economia de energia, incluindo o uso de lâmpadas de LED (mais econômicas) e de motores mais econômicos nos equipamentos, como aparelhos de ar condicionado.

Sobre as tomadas para carros elétricos, Lima disse que elas serão baseadas nas especificações de recarga utilizadas por um carro que a montadora Nissan já está trazendo para o Brasil e que é utilizada também por outras montadoras, como a GM. O acesso à tomada será feito com o cartão de acesso do morador ao condomínio, de modo que o custo da recarga será debitado da cota condominial.

O ambientalista disse também que o uso de água pluvial para as descargas domésticas é inédito no Brasil e que a água da chuva será utilizadas também para regar plantas e para outras atividades de uso geral do condomínio, como lavagem de dependências, de veículos, etc. Será usado um sistema de microdrenagem do solo, de tal modo que a captação continua mesmo após a chuva.

Bastos, especializado em eletrônica, disse que até agora a Cintrax só forneceu poucos aerogeradores: para uma fazenda em Santa Catarina, para uma casa em Belo Horizonte, um prédio em Salvador e para o condomínio Via Barra, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio). Como a demanda é pequena, ele terceiriza a fabricação, mas o plano é montar uma fábrica própria.

Bastos avalia que a fábrica vai se viabilizar quando for votado no Congresso Nacional o projeto 630/2003, regulamentando a microprodução privada de energia elétrica. Com a nova lei, segundo ele, será possível produzir energia em casa e vender o eventual excedente para a distribuidora.

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Energia solar passa a ter incentivo e deve seguir o rastro da eólica

Folha de S. Paulo

23/08/11 – Mais cara entre as principais fontes alternativas, a energia solar começa a receber incentivos no país para que seu potencial finalmente possa ser tirado do papel.

A ideia é que o custo de geração a partir da luz do Sol siga o mesmo caminho da energia eólica. A geração com a força dos ventos parecia, a exemplo da energia solar, a velha promessa que nunca vingava. O governo passou, então, a fazer leilões, criando demanda e baixando o custo.

O primeiro movimento para tentar baixar o custo da energia solar vem do Ceará, que detém o maior parque de geração eólica do país. O governo local criou um fundo de incentivo à energia solar. Ele consiste em garantir a compra da energia e criar demanda para que produtores de equipamentos se instalem na região.

O governo garantirá, por meio do mercado livre, a compra da energia solar pelo período de um a dois anos.

A energia comprada será direcionada para prédios públicos. As indústrias serão incentivadas, com entrega de selos de sustentabilidade a quem adquirir energia gerada a partir da luz do Sol.

O governo cearense estuda ainda conceder incentivos fiscais a quem adquirir essa energia alternativa. Atualmente, o custo de 1 MWh (megawatt-hora) de energia solar é estimado entre R$ 400 e R$ 600.

Gerar a partir dos ventos tinha custo parecido, mas, atualmente, só perde para as usinas hidrelétricas. O custo médio do MWh no leilão realizado na semana passada ficou em torno dos R$ 99.

“A energia eólica parecia inconcebível. Hoje é realidade”, diz Zuza de Oliveira, diretor da Adece (Agência de Desenvolvimento do Ceará).

Apenas neste mês, o Brasil passou a ter sua primeira usina a produzir em escala comercial. Com 1 MW de capacidade instalada, a usina solar de Tauá, instalada na cidade cearense homônima, foi construída pela MPX, do grupo EBX, de Eike Batista.

A companhia já tem autorização para quintuplicar a produção da usina. “Acreditamos no potencial da energia solar e achamos que ela pode ter grande aproveitamento, à medida que os custos caírem”, diz Eduardo Karrer, presidente da MPX.

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Energia eólica já é mais barata que térmica no Brasil

22/08/11

19/08/2011 – 07h30 | da Folha.com

AGNALDO BRITO

DE SÃO PAULO

O custo da energia eólica no Brasil, uma das principais fontes renováveis do mundo, já é menor do que o da energia elétrica obtida em termelétricas a gás natural.

O governo classificou essa situação como o novo paradigma do setor elétrico brasileiro. Em alguns casos, a energia eólica também tem custo inferior ao das usinas movidas a biomassa de cana.

Esse foi o principal resultado dos dois leilões realizados pelo governo entre quarta e ontem, em São Paulo.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) organizou leilões para garantir a oferta de energia às distribuidoras a partir de 2014. Foram contratados 1.929 MW em nova capacidade, que terá de ser montada em três anos.

Hoje, dos 110 mil MW de potência instalada no Brasil, 5.700 MW são provenientes de energia eólica.

Os preços dessa energia surpreenderam. Os valores por MWh (megawatts/hora) oscilaram entre R$ 99,54 e R$ 99,57 (a térmica a gás, em geral, está acima de R$ 120). Em leilões anteriores, o preço da eólica estava acima de R$ 130 o MWh.

Há pouco mais de dois anos, o valor passava de R$ 200 por megawatt-hora.

AEROGERADORES

A situação do setor começou a virar neste ano. Só com a contratação de ontem, o Brasil viabilizou a montagem de mil aerogeradores.

Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), existem hoje quatro empresas produzindo aerogeradores no Brasil.

“Nos certificamos se essa demanda contratada nos dois leilões poderia ser atendida pela indústria local. E a resposta é que há capacidade para atender”, diz.

As quatro fábricas têm capacidade anual para montar 2,8 mil MW em aerogeradores, ou 1.400 unidades.

Além dessas fábricas, o governo informou que outras quatro empresas discutem com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a instalação de unidades industriais.

O consumidor será beneficiado com essa redução de preço, mas o efeito ainda será residual na conta de luz.

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Energia eólica

14/08/11

Suzlon fecha acordo com Aeris para produzir pás eólicas

Josette Goulart | De São Paulo

08/08/2011

A empresa indiana Suzlon fechou um acordo comercial com a Aeris Energy para produzir pás eólicas no Brasil. Com isso, a empresa antecipa a nacionalização dos produtos em 90 dias, mas adia o plano de ter uma fábrica própria no país. O investimento dos indianos será de R$ 10 milhões para trazer os moldes de suas pás, enquanto a Aeris investe R$ 50 milhões para erguer a fábrica no Ceará, que deve ficar pronta em outubro.

Os indianos são hoje um dos maiores fornecedores de aerogeradores no Brasil. A carteira de pedidos da companhia é de R$ 880 milhões para uma capacidade instalada dos projetos de 260 megawatts (MW), a maior parte com energia vendida nos leilões do governo federal realizados nos últimos dois anos. O presidente da Suzlon no Brasil, Arthur Lavieri, tem ainda expectativa de fechar novos contratos com o leilão que acontece na próxima semana. Mas na sua avaliação, o volume a ser negociado no leilão deste ano vai ser menor que em anos anteriores quando se negociou cerca de 2 mil MW por disputa. “Minha percepção é que não vai chegar a 1.500 MW em função da disputa com as térmicas a gás”, disse Lavieri.

O resultado do leilão também será definitivo para decisões do grupo em eventualmente instalar produção no Sul do país. Hoje os pedidos se concentram no Nordeste e a parceria com a Aeris traz ganhos logísticos para a distribuição e preços de equipamentos da empresa.

Para a Aeris, esse é o primeiro negócio fechado desde que anunciou a construção da fábrica no Ceará. A empresa brasileira tem como controlador um fundo de investimentos em participações da família Negrão, que era dona dos laboratórios Medley, e será competidora direta da Tecsis, que fica no interior de São Paulo. O diretor-executivo da Aeris, Bruno Vilela, diz que a fábrica terá capacidade de produzir oito diferentes moldes de pás mas ele espera ter apenas três diferentes clientes. A Suzlon vai ocupar 50% da capacidade instalada da empresa e já estuda trazer, em um segundo momento, um segundo molde de pás, para ventos mais brandos.

Lavieri, da Suzlon, diz que o plano da empresa para o Brasil é desenvolver pás específicas para os ventos brasileiros. O projeto de montar um centro de pesquisa no país, entretanto, está parado e os estudos devem ser retomados em outubro. A empresa quer primeiro iniciar a produção na parceria com a Aeris. Na primeira fase do acordo, serão produzidas 200 pás para 70 aerogeradores. Mas os contratos em carteira requerem mais 300 pás. Isso significa que a empresa vai importar pás e também as turbinas propriamente ditas. A Suzlon é hoje a quinta maior fabricante mundial de equipamentos para geração eólica.

O pacote anunciado pelo governo para incentivar a indústria nacional ainda não foi plenamente analisado pela Suzlon, mas não há expectativa de grandes mudanças para a indústria eólica.

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