País investe em alternativa eólica
De Montevidéu
14/07/2011
Além de apostar na exploração de petróleo, o Uruguai quer tornar-se o país com maior participação de energia eólica em sua matriz elétrica no mundo. A previsão do governo é ter pelo menos 15% de todo o parque de geração à base de ventos até 2015, superando países como a Alemanha, onde a fatia das usinas eólicas fica perto de 12% – obviamente, pela diferença de tamanho, os volumes são bem maiores na Europa. Como quase todo o potencial hidrelétrico do país já foi aproveitado, essa foi a principal alternativa encontrada pelo Uruguai para limpar a matriz com energias renováveis.
A expectativa é chegar a 600 megawatts (MW) de capacidade nos próximos quatro anos. Hoje, existem cerca de 80 MW instalados ou em construção. Há três meses, o governo concluiu uma licitação para 150 MW, na qual obteve preço entre US$ 85 e US$ 90 por megawatt-hora. “O total de propostas superou em seis vezes o que estávamos querendo contratar”, diz o diretor nacional de Energia, Ramón Méndez.
Os preços apresentados pelas empresas ao governo uruguaio não foram muito superiores aos do Brasil, de R$ 130/MWh no leilão de 2010, sobretudo quando se leva em conta que o país vizinho não oferece nenhum esquema especial de financiamento – ao contrário do caso brasileiro, que conta com o apoio do BNDES. Também não há exigência de fabricação de equipamentos ou peças no Uruguai.
Em 23 de julho, termina um novo processo licitatório para a contratação de mais 150 MW. E outros 200 MW deverão sair pelo mecanismo das parcerias público-privadas (PPPs), recém-aprovado pelo Congresso. O governo participará por meio da estatal do setor elétrico UTE.
Com aerogeradores funcionando a 90 metros de altura, o Uruguai se posiciona como um território favorável à operação de usinas eólicas, já que possui ventos com velocidade superior a 7 metros por segundo durante boa parte do ano. Isso permite um fator de capacidade acima de 34% – ou seja, a usina pode operar mais de 34% do tempo.
Para Méndez, a geração de energia pelos ventos é o complemento ideal para a matriz elétrica. “O Uruguai é um país com muita dependência das chuvas, mas vemos uma enorme variação pluviométrica. Temos anos com até 90% de energia hidráulica, mas às vezes não superamos 60%, dependendo da estiagem.”
Outra aposta para reduzir a dependência das chuvas – e do óleo combustível como alternativa para o funcionamento das usinas térmicas – é a interligação elétrica com o Brasil. O país vizinho está investindo US$ 330 milhões na construção de uma linha de transmissão entre San Carlos e Candiota, no Rio Grande do Sul.
O linhão terá capacidade para transportar 500 MW, em ambos os sentidos. Hoje, a interconexão entre os dois países permite a troca de apenas 70 MW. Como as frequências são diferentes, uma estação localizada no município fronteiriço de Rivera faz hoje a conversão. Haverá uma nova estação conversora em Melo, a 60 quilômetros da fronteira, que receberá dois terços do investimento. Dos US$ 330 milhões a serem aplicados, integralmente pelo Uruguai, US$ 83 milhões são provenientes do Focem, o fundo para convergência estrutural do Mercosul, financiado principalmente pelo Brasil.
“Os contratos sobre a entrega da energia são o que ainda está em discussão”, explica o funcionário uruguaio. Um grupo foi formado entre técnicos dos dois países. “A ideia é que cada um possa ter acesso ao mercado interruptível do outro”, afirma. (D.R.)
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11 de Julho de 2011
Endesa quer participar do leilão de energia eólica
Por Sabrina Valle
Rio – O presidente do conselho de administração da Endesa Brasil, Mário Santos, afirmou que o grupo espanhol pretende participar do próximo leilão de energia eólica, a ser realizado em agosto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A princípio, a Endesa entraria sozinha na disputa, mas é descartada a entrada em parceria. Os projetos estudados somam cerca de 400 megawatts.
“Pelo menos uma ordem de cinco a seis projetos estão em estudo”, disse Santos, durante evento no Palácio da Guanabara para lançamento da Cidade Inteligente, um projeto de eficiência energética em Búzios, na Região dos Lagos.
Santos afirmou que o grupo quer crescer no Brasil, incluindo investimentos em fontes renováveis. Todas as empresas do grupo somam investimentos de R$ 1 bilhão em 2011, sobretudo em distribuição. Santos disse que a empresa estuda projetos também em hidrelétricas.
“O compromisso é permanente com o Brasil, o grupo pretende crescer no Brasil”, disse. “Estamos avaliando os projetos disponíveis nas bacias hidrográficas. Na medida que se identifiquem projetos que sejam rentáveis, com certeza estaremos no Brasil.”
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11/07/2011
Folha de S.Paulo
Bahia atrai multinacionais e vira polo de produção de energia eólica
Multinacionais da área de energia eólica têm desembarcado atrás dos bons ventos baianos e de incentivos para desenvolver a cadeia produtiva do setor.
A GE (General Electric) negocia a instalação de uma fábrica na Bahia.
“A GE está se preparando para ter uma nova planta de eólica no país e há uma grande tendência de que ela seja construída no Estado”, afirma o diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica, Pedro Perrelli.
A empresa chegou a agendar reunião no dia 14 deste mês com o governador Jaques Wagner (PT) para bater o martelo na decisão de investir cerca de R$ 50 milhões, mas cancelou o encontro.
A companhia nega que esteja em “negociação concreta para construção de nova fábrica”, mas afirma “observar atentamente as oportunidades para a expansão de seus negócios no Brasil”.
A espanhola Gamesa inaugurou na sexta-feira passada suas instalações no Estado, enquanto a francesa Alstom estreia até o final deste ano uma planta para fazer turbinas eólicas na Bahia.
Segundo a secretaria baiana da Indústria, Comércio e Mineração, cinco empresas do setor negociam a instalação de unidades no Estado.
Com 18 projetos contratados em 2009 e 16 em 2010, a Bahia vai oferecer uma potência de 977,7 MW já nos próximos anos. Foram cadastrados mais de 2.000 MW para este ano.
“As empresas querem produzir equipamentos perto de onde se vai gerar energia eólica. Daí o interesse na Bahia, que é o maior PIB da região Nordeste”, diz o secretário James Correia.
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