Energia eólica

5/06/11

Vale investirá mais em energia eólica

Henrique Gomes Batista

O Globo- 31/05/2011

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, afirmou ontem que a empresa poderá investir em energia eólica. No dia em que confirmou a saída do diretor de energia da empresa, Almir Rezende – conforme noticiado pelo colunista Ancelmo Gois -, Ferreira disse que a prioridade da empresa é a energia renovável. Ele afirmou, durante o primeiro dia do seminário Rio Investors Day, que a empresa vai dar prioridade à biomassa para produzir combustíveis para suas locomotivas. O evento reuniu empresas de capital aberto do país, no Copacabana Palace.

- Vou tentar desplugar a ideia de que a Vale está ligada às hidrelétricas – disse ele, acrescentando que, com a participação de 9% no consórcio de Belo Monte, a necessidade de energia da mineradora está resolvida até 2015. Ele descartou que a empresa venha a adquirir uma participação maior na hidrelétrica, que sofre fuga de empresas pequenas do consórcio vencedor.

Ferreira aproveitou o evento para fazer uma avaliação do atual cenário para o minério de ferro no mundo. Ele acredita que, no próximo trimestre, os preços ficarão praticamente inalterados e que a demanda da China pelo produto continuará forte, mesmo com as medidas adotadas pelo país asiático para reduzir seu próprio crescimento.

– Não acredito em desaceleração no mercado. Prevejo um grande segundo semestre para a China, o apetite chinês terá de ser saciado – disse.

O executivo lembrou ainda que as exportações indianas de minério de ferro estão caindo mês a mês, por causa do aumento do consumo doméstico do país, o que é mais um fator positivo para a Vale. Segundo Ferreira, o crescimento econômico de EUA e União Europeia está abaixo do que a empresa previu no começo do ano.

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Energia eólica

30/05/11

Eólicas impulsionam negócios no setor

André Borges e Tarso Veloso | De Brasília

23/05/2011

Até dois anos atrás, a Makro Engenharia, empresa sediada em Fortaleza, Ceará, tinha 15 funcionários contratados para cuidar da logística dos equipamentos pesados de energia eólica. O transporte das pás e das turbinas dos aerogeradores era realizado por cinco caminhões de grande porte, comprados especialmente para essa missão. Hoje, o pequeno departamento virou uma divisão de negócios.

Já são 250 funcionários. A frota de caminhões saltou para 30 unidades e outros 20 foram encomendados para o ano que vem. Os quatro guindastes usados nas operações ganharam um reforço, com a aquisição de mais duas máquinas. Dos serviços de transporte, a Makro passou a fazer também a montagem mecânica e elétrica das turbinas. Para apoiar a operação, a empresa comprou uma área de 100 mil metros quadrados, que será usada para o armazenamento de componentes.

O diretor comercial da Makro, David Rodrigues, afirma que em breve a divisão será convertida em uma companhia independente, especializada no entorno dos negócios da geração de energia eólica – desde o transporte de equipamentos à entrega completa da usina. “Esse mercado está explodindo. Entregamos 50 torres até agora, mas já fechamos pedidos para mais 250, que serão instaladas até 2012.”

Por trás das ambições dessa empresa cearense está a movimentação de mercado que receberá investimentos de R$ 25 bilhões nos próximos dois anos. Essa indústria do vento não tem atraído apenas fabricantes internacionais de aerogeradores, que estão montando sua bases no país. Uma cadeia de empresas de todos os portes já se armou ao redor do mercado eólico. E está crescendo rápido.

“Estamos com a carteira de pedidos lotada até o meio do ano que vem”, diz José Quina Diogo, presidente da fabricante de torres Engebasa, que tem sede em Cubatão, na Baixada Santista. A previsão, de acordo com ele, é ter a carteira cheia pelos próximos três anos. Entre 2008 e 2009, a Engebasa produziu 80 torres – que somaram 340 “partes” – para a argentina Impsa e a indiana Suzlon, instaladas no Nordeste. Este ano a previsão é chegar a 400 partes, alcançando 600 em 2012. “Vamos ficar próximos da nossa capacidade máxima”, diz Diogo.

A Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) ainda não tem dados detalhados sobre o tamanho desse mercado energético do país, mas estima que essa indústria já deve empregar cerca de 50 mil pessoas. Segundo Ricardo Simões, presidente da associação, o faturamento das geradoras eólicas chegou a R$ 650 milhões no ano passado. Em 2014, no entanto, essa receita vai saltar para pelo menos R$ 2,8 bilhões, considerando o que já está contratado nos leilões realizados até agora.

Como qualquer outra área de infraestrutura no país, o mercado eólico padece da falta de mão de obra especializada. David Rodrigues, da Makro Engenharia, conta que fechou um acordo com as fabricantes Suzlon e GE Energy para montar um centro de treinamento no Ceará. “Precisamos de gente especializada. Vamos começar a ensinar no segundo semestre”, afirma ele.

A articulação para fomentar os negócios também envolve o setor público. No Estado do Ceará, de acordo com Renato Rolim, coordenador de energia e comunicações da Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra), o governo tem estimulado os projetos por meio de financiamento à construção de vias para transporte dos equipamentos, além de fazer cortes no ICMS para atrair investimentos.

No leilão que ocorrerá em julho, o Ceará foi o segundo Estado que mais apresentou projetos de energia eólica, sendo superado apenas pelo primeiro colocado na lista, o Rio Grande do Norte.

Para ganhar musculatura, algumas companhias nacionais já estão se unindo para fazer frente às gigantes desse setor. Esse, por exemplo, é o caso da Multi Empreendimentos, consultoria do Recife (PE) que acaba de fechar um acordo com a Andrade & Canellas, de São Paulo.

Juntas, as duas empresas vão trabalhar na elaboração de novos projetos para empreendedores. O time, de 10 consultores, chegou a triplicar, para 30 especialistas. “Nunca sentimos um nível de oportunidade tão forte quanto o atual”, diz Pedro Cavalcanti, diretor presidente da Multi Empreendimentos.

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Energia eólica

2/05/11

Torres mais altas elevam potencial de geração eólica

Vladimir Goitia | Para o Valor, de São Paulo

28/04/2011

Claudio Belli/Valor

Wilson Ferreira Jr. e Otávio Castello Branco, da CPFL Energias Renováveis: empresa terá aporte de R$ 571 milhões

O Brasil tem potencial gerador para chegar a 300 mil MW ou 400 mil MW de energia eólica, de acordo com cálculos do Ministério de Minas e Energia, em função da altura das atuais torres dos aerogeradores de 80 e 110 metros. As projeções anteriores de 143 mil MW tinham como base torres de aerogeradores de 50 metros. Ou seja, o vento pode garantir de duas vezes e meia a três vezes mais da matriz energética instalada no país, que inclui todas as fontes de energia, superando inclusive o que pode ser alcançado com hidrelétricas, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

Por enquanto, nos 44 parques eólicos em operação no Brasil, são gerados apenas 1.436 MW de energia, ou 1,3% da matriz energética. Essa capacidade é duas vezes e meia menor do que a gerada na Dinamarca com a força dos ventos (3.752 MW), de acordo com a lista dos Top 10 da Global Wind Estatistics (GWEC), na qual a China aparece em primeiro lugar com a geração de mais 42 mil MW.

A ABEEólica avalia, entretanto, que, por conta dos leilões de 2009 e 2010, a capacidade instalada eólica nacional aumentará pelo menos 3,6 vezes até 2014, quando poderá gerar 5.250 MW, que fariam sua participação na matriz energética passar para 5,3%. Segundo a entidade, 15 novas usinas em construção vão adicionar 533 MW à atual capacidade instalada. Nove delas (oito no Ceará com capacidade de 211,5 MW e uma no Rio Grande do Sul com 70 MW) tiveram financiamento de pouco mais de R$ 790 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os investimentos em projetos de energia eólica no país, com entrada em operação prevista até 2013, somam R$ 25 bilhões. No BNDES, por exemplo, foram assinados ou estão em processo de assinatura, incluindo duas operações recém-aprovadas, 51 contratos de financiamento diretos e indiretos, no valor total de R$ 4,1 bilhões, para a implantação de 1.369 MW. Além dessas, outras 44 operações estão em análise, demandando recursos da ordem de R$ 3,3 bilhões. No total, as autorizações para investimentos em energia eólica, cujas construções não foram iniciadas, contemplam 134 projetos para geração de 3.600 MW.

“É um setor com perspectivas de crescimento extraordinário. E não custa lembrar que o Brasil precisa a cada ano algo em torno de 5 mil MW de energia a mais para atender a demanda”, diz Ricardo Simões, presidente da ABEEólica. “Investir em eólica é a mesma coisa que construir reservatórios virtuais”, destaca.

O entusiasmo no setor é tal que, há pouco mais de um ano, Jean Paul Prates, então secretário de Energia do Rio Grande do Norte e atual diretor-geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), chegou a afirmar que o Estado tinha um potencial de geração eólica de 22 mil MW – mais de uma e meia Itaipu.

Embora a energia eólica seja vista como cara no Brasil, se comparada com os custos na Europa, o MW/h no leilão de dezembro de 2009 surpreendeu e chegou a R$ 148, valor 25% abaixo do teto estabelecido, e menor aos R$ 163 o MWh (ao câmbio atual), em média, na Alemanha nos últimos 20 anos, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No leilão de 2010, o preço médio do MWh caiu para R$ 141,00, valor considerado competitivo.

As perspectivas estimulam as empresas. A Wobben Windpower, pioneira e maior fabricante de aerogeradores no país, dobrou sua capacidade instalada. Em abril, inaugurou uma terceira unidade no Rio Grande do Norte. Ela se soma a outras duas, uma Sorocaba (SP) e outra em Pecém (CE).

“A Wobben está com 22 usinas para entregar no Brasil até 2012, e mais duas no exterior. Temos 600 MW para entregar até o próximo ano”, diz Pedro Angelo Vial, diretor-presidente da empresa, cujos aerogeradores atingem índice de nacionalização acima de 60%. Em 16 anos, a Wobben, cuja tecnologia é desenvolvida por sua matriz alemã Enercon GmbH, montou 21 usinas eólicas no Brasil.

A CPFL Energia, que no início de abril comprou por R$ 1,56 bilhão a Jantus SL, que possui o maior portfólio de parques eólicos em operação no Brasil, se uniu à Ersa Energias Renováveis S.A, na véspera da Semana Santa, para criar a CPFL Energias Renováveis. O presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Jr., e o sócio do Pátria Investimentos, Otavio Castello Branco, afirmaram na ocasião que toda e qualquer aquisição, venda de energia em leilão ou em mercado livre que envolva fontes alternativas será feita pela nova empresa. Isso não vai tirar a CPFL, entretanto, da participação em grandes projetos hidrelétricos, que também são de energia renovável, e termelétricos.

A empresa receberá aporte de R$ 571 milhões. Segundo Ferreira Jr, os recursos serão investidos nos próximos dois anos. Entre 2012 e 2013, por exemplo, 13 parques eólicos que estão em construção devem entrar em operação. Entre eles, Santa Clara I, II, III, IV, V, VI e Euros VI, no Rio Grande do Norte. Todos devem entrar em operação a partir de julho de 2012. A de Campo dos Ventos II, também no RN, deve começar a operar em 2013.

Outros cinco parques no Rio Grande do Norte (Campo dos Ventos I, III, IV, V e Eurus V), que somam 150 MW de potência instalada para comercialização no mercado livre, terão início de construção assim que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizar. Esses parques devem entrar em operação em 2013. Com isso, os 13 empreendimentos eólicos resultarão em uma capacidade instalada de 368 MW.

Somado à energia gerada pela Ersa, a CPFL Energias Renováveis espera gerar 1.978 MW em energia eólica nos próximos três a quatro anos. “Se todos os projetos forem certificados, passaremos a ser um dos maiores agentes de energias renováveis no mundo atual”, diz Ferreira Jr.

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Energia eólica

25/04/11

Google, Itochu e Sumitomo pagam US$ 500 milhões por parque eólico

Daniela Braun | De São Paulo

19/04/2011

O Google e duas parceiras japonesas, Itochu e Sumitomo, irão pagar à General Electric cerca de US$ 500 milhões por uma participação majoritária em um parque eólico em construção no Oregon, Estados Unidos, afirmaram as empresas ontem. O projeto Shepherds Flat, que consumirá US$ 2 bilhões, deve ser concluído em 2012 e vai gerar energia suficiente para abastecer 235 mil casas dos Estados Unidos.

A GE Energy Financial Services e a Caithness Energy comandam a construção do parque que fica na cidade de Arlington. O parque terá uma capacidade de gerar 845 megawatts (MW) de eletricidade quando finalizado, em 2012. A energia a ser gerada pelo Shepherds Flat evitará a emissão de cerca de 1,5 milhão de toneladas de dióxido de carbono por ano – o equivalente à quantidade de dióxido de carbono de aproximadamente 260 mil veículos de passageiros – informou a GE, em comunicado.

“Estamos aproveitando nossa capacidade de atrair mais capital privado para o mercado eólico dos Estados Unidos acrescentando parceiros para o projeto”, disse o presidente e diretor-executivo da GE Energy Financial Services, Alex Urquhart, que anunciou o investimento na operação em dezembro de 2009. A Caithness Energy acredita que o projeto vai gerar cerca de US$ 16 milhões, por ano, em benefícios diretos à economia do Oregon, empregando 400 funcionários durante a construção e 35 na fase de operação.

O Google já investiu mais de US$ 350 milhões no setor de energia limpa, incluindo dois aportes recentes em geração de energia fotovoltaica na Alemanha, e no sistema de geração de energia elétrica por captação solar da BrightSource Energy, em construção no Estado da Califórnia, nos Estados Unidos.

“Esse projeto é particularmente atraente porque implanta tecnologia avançada em turbinas, enquanto oferece energia limpa e renovável. Esperamos que o nosso apoio ao Shepherds Flat estimule ainda mais o investimento neste setor, e acelere o desenvolvimento de energias limpas em todo o país”, disse o diretor de operações em negócios sustentáveis do Google, Rick Needham.

A japonesa Itochu Corporation, sediada em Tóquio, opera e desenvolve mais de 15 unidades de geração de energia nos Estados Unidos, por meio da Tyr Energy. A empresa fechou um acordo de cooperação com a GE, no ano passado, para identificar oportunidades de investimento conjunto em fontes de energia renovável mundialmente. Pelos termos do acordo, a Itochu tornou-se sócia da GE Energy Financial Services em uma fazenda de energia eólica com capacidade de 152 MW em Oklahoma, também nos Estados Unidos.

A Sumitomo Corporation, que também possui matriz em Tóquio, acumula um portfólio de geração de 5,3 mil MW de energia no mundo, incluindo ativos sob controle de sua subsidiária, a Sumitomo Corporation of America, baseada em Nova York. A companhia japonesa possui uma fazenda de energia eólica om capacidade de 120 MW, no Estado do Texas, em conjunto com a GE Energy, bem como duas outras unidades operacionais, no Japão e na China. (Com agências internacionais)

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19/04/2011 – 09h06

Eólicas têm R$ 25 bilhões em investimentos

DE SÃO PAULO

Os projetos de energia eólica (gerada pela força do vento) no país, com entrada em operação prevista até 2013, somam R$ 25 bilhões em investimentos, informa reportagem de Tatiana Freitas para a Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

A projeção da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica) considera empreendimentos vencedores de leilões em 2009 e 2010, a conclusão do Proinfa –programa de fontes alternativas do governo– e projetos com venda de energia prevista no mercado livre, que reúne grandes consumidores.

Marcelo Pliger/Editoria de Arte/Folhapress

Leia a reportagem completa na Folha.