Estímulo a uso de energia limpa deve marcar conferência

18/10/11

12/10/2011

BRUNO BOGHOSSIAN / RIO – O Estado de S.Paulo

Os organizadores da Rio+20 pretendem estabelecer metas inéditas para estimular a produção de energia renovável e reduzir pela metade o consumo de outras fontes até 2030. Será apresentada uma lista de propostas para o desenvolvimento sustentável que devem ser adotadas pelos países participantes – no mesmo modelo das Metas do Milênio. (mais…)

País busca eficiência para superar desafio da energia limpa e renovável

27/07/11

De Amsterdã

20/06/2011

A adoção de energia limpa e renovável é um dos maiores desafios para a Holanda. Com pouco território para plantar e a preocupação constante em evitar a competição com a produção de alimentos, as estratégias envolvem muita tecnologia e parcerias internacionais para garantir o suprimento de biomassa, biocombustíveis líquidos, entre outras fontes.

Para encontrar soluções sustentáveis no segmento de energia, os aportes públicos e privados previstos em atividades de pesquisa e desenvolvimento são da ordem de 12 bilhões de euros em 20 anos.

“Diante da escassez, a saída está na eficiência”, comenta Jan Willem Erisman, gerente do Centro de Pesquisa em Energia da Holanda. Sua equipe estudou diversos cenários para ampliar o uso de energia verde na economia. Entre as conclusões está a de que a melhor opção é ter foco na redução das emissões em 80% até 2050 – meta que deve ser perseguida, na opinião dele, por toda a União Europeia.

A determinação holandesa já se reflete na paisagem conhecida mundialmente pelos moinhos de vento. O país dos moinhos agora está repleto de hélices para produzir energia eólica. O vento é um recurso abundante no país e a tradição de utilizar sua força continuará em voga. O esforço maior está em obter energia verde, sem interferir na produção de alimentos, criando sinergia entre natureza e operação industrial.

Para substituir o carvão mineral, a aposta tecnológica está em utilizar biomassa nas usinas termelétricas. A viabilização do insumo se dará pela aplicação da tecnologia de torrefação – tratamento químico que transformará o material biológico em carvão. “Além de ser mais fácil de transportar, a torrefação traz mais eficiência para a queima por separar resíduos da biomassa”, comenta Erisman.

Ele admite que a Holanda terá de importar biomassa para cumprir suas metas. Entre os países com maior potencial para comercializar o insumo está o Brasil. “É uma alternativa para rentabilizar o agronegócio. Em plantações de eucalipto destinadas à fabricação de papel, os resíduos podem virar biomassa para exportação”, exemplifica.

Outro potencial da biomassa torrada está na produção de óleo combustível, o que é possível com a utilização do processo de pirólise – técnica pela qual a matéria orgânica é decomposta após ser submetida a condições de altas temperaturas em ambiente sem oxigênio.

A ideia é liquefazer a biomassa para utilizar em veículos de todos os tipos, inclusive aviões. “Podemos controlar o ambiente químico para liquefazer a biomassa, com emissões mínimas de CO2, gerando óleo combustível”, explica Gerhard Muggen, diretor da BTG Bioliquids, lembrando que a companhia está investindo 15 milhões de euros na construção de uma fábrica na Holanda para produzir diesel a partir da pirólise da biomassa.

Já a rota da petroquímica BioMCN está na utilização da glicerina crua – resíduo da produção do biodiesel – para a fabricação de biomethanol, que pode ser misturado ao methanol ou ser utilizado sozinho. “Temos condição de produzir em escala comercial. Esperamos que as políticas da União Europeia para a mistura de biocombustíveis avance”, declara Rob Voncken, presidente da empresa.

Voncken admite que o biomethanol não é tão competitivo como o etanol brasileiro, o que pode prejudicar a adoção desse combustível pelos consumidores europeus. O biocombustível produz 50% menos energia que o methanol tradicional e 25% menos que o etanol de cana. “A tecnologia vai avançar para melhorar o desempenho”, afirma.

Os cenários que discutem a adição de bioenergia na Holanda são contemplados no estudo “A bio-based economy in the Netherlands – a macroeconomic outlook of large scale introduction of biobased resources in the dutch energy supply” (Bioeconomia na Holanda – um olhar macroeconômico sobre a introdução em larga escala de fontes naturais na oferta holandesa de energia, numa tradução livre para o português) realizado pelo Copernicus Institute, da Universidade de Utrecht, e pelo Instituto Holandês de Pesquisas de Economia Agrícola, vinculado à Universidade de Wageningen.

Segundo a pesquisa, até 2030 a Holanda terá de substituir pelo menos 30% dos produtos fósseis por biomassa – o que inclui o esforço dos setores de energia e indústria química.

Na produção de eletricidade, um ambiente internacional de alta tecnologia – que permitirá o avanço da energia verde – será possível inserir soluções que utilizam biomassa em até 29% da produção de energia na Holanda. Já a mistura de biocumbustíveis nos transportes pode chegar a 60%. No pior dos cenários, que conta com o atraso na evolução das gerações de biocombustíveis, os pesquisadores estimam que os planos para obter uma matriz energética mais limpa serão prejudicados.

Com as tecnologias atuais, em 2030 será possível ter entre 6% e 9% da matriz energética com eletricidade obtida a partir da biomassa. No segmento de transportes, o índice de adoção cai para cerca de 20%.

Se as metas de desenvolvimento tecnológico forem alcançadas, a demanda anual por biomassa pode saltar de algo perto de 10 milhões de toneladas/ano de 2006 para quase 100 milhões de toneladas/ano em 2030, considerando a combinação de soluções com tecnologia de lignocelulose, biodiesel, etanol e resíduos orgânicos. A falta de inovação também reduz a demanda, que não chegará a 20 milhões de toneladas em 2030. (E.T.)

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

25/01/11

DuPont testa sistema solar no Brasil

Eduardo Laguna | De São Paulo

20/01/2011

De olho nas tendências de aumento da demanda e diversificação da matriz energética brasileira, a DuPont está se movimentando para aproveitar o surgimento de um mercado de sistemas de energia solar no Brasil.

Junto a pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da PUC do Rio Grande do Sul, a companhia americana conduz testes locais com os chamados módulos fotovoltaicos, que convertem a luz do sol em energia elétrica. Uma das finalidades é adaptar o sistema às condições climáticas brasileiras.

A empresa aposta que projetos na área começarão a sair da fase experimental e entrar em escala comercial já em 2010. Quando isso acontecer, a DuPont quer estar entre os principais fornecedores dos materiais usados na instalação de sistemas de energia solar no Brasil.

“Vemos que o mercado está para explodir”, diz a francesa Sylvie Gallou, que dirige na América Latina a divisão de eletrônicos e comunicação da DuPont. Segundo ela, os custos da energia solar estão convergindo para os da energia convencional, o que tende a aumentar a atratividade da tecnologia.

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ETH e Fapesp fazem parceria para realizar pesquisa em energia limpa

Folha de S. Paulo

19/01/11 – A ETH Bioenergia, braço do grupo Odebrecht para a produção e a comercialização de etanol, energia elétrica e açúcar, firmará parceria com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para realizar pesquisas em energia limpa.

A iniciativa inclui o apoio a alunos e professores das universidades conveniadas à Fapesp para pesquisas científicas. Trata-se da primeira parceria entre usina e universidades em assuntos agrícolas com ênfase em tecnologia limpa.

O convênio -que tem os termos sujeitos ainda à apreciação pelo conselho da Fapesp- tem duração prevista de cinco anos. A expectativa é que os investimentos em pesquisa cheguem a R$ 10 milhões.

A ETH mantém sete unidades cogeradoras de energia elétrica por meio do processamento do bagaço da cana.

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Energia alternativa

20/09/10

03 de setembro de 2010
- O Estado de S.Paulo

Para não correr o risco de racionamento de energia em períodos de seca, quando baixa muito o nível dos reservatórios das hidrelétricas, prevalecia até há pouco tempo a tendência de favorecer a construção de usinas termoelétricas, movidas a óleo combustível ou a gás natural. Há anos em vigor, o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) atuava mais no âmbito da Eletrobrás, mas o cenário começou a mudar em dezembro do ano passado, com a realização do primeiro leilão de fontes renováveis.

No segundo leilão desse tipo, em 26 de agosto, quando foram negociados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) 2.892,2 megawatts (MW) de capacidade, os resultados foram surpreendentes até mesmo para os técnicos e empresários. Foram contratados na ocasião 50 parques eólicos, que ficaram com 70% do total ofertado, a um preço médio de R$ 130,86 por megawatt/hora (MWh), abaixo do preço das termoelétricas a gás natural (R$ 140 por MWh). Como disse o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, foi quebrada uma série de paradigmas, uma vez que a energia eólica mostrou ser competitiva mesmo em relação à produzida por biomassa (R$ 144,20 o MWh) e por pequenas centrais hidrelétricas (R$ 141,93 o MWh).

A capacidade de produção de energia eólica, que era incipiente até a realização dos dois leilões, não passando de 600 MW em 2009, deve alcançar 4.454 MW em três anos e sua participação na matriz energética brasileira deve ficar em torno de 2,5%. É uma fatia pequena, mas tem muito espaço para expansão, estando o maior potencial no Nordeste e no Rio Grande do Sul.
Há inconvenientes, é verdade. A instalação de parques eólicos em determinadas áreas deve ser cuidadosa e até evitada, se for prejudicial ao ecossistema ou causar um impacto visual negativo. O barulho causado pela operação dos aerogeradores impõe limites mínimos de distância de áreas habitadas. Além disso, os ventos mudam e não sopram sempre com a mesma intensidade durante todo o ano. O Brasil, porém, apresenta algumas vantagens naturais, segundo Ricardo Simões, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica). Ele cita o fator capacidade de geração, que está na casa de 40% no País, em comparação com 22% na Europa, ou seja, as unidades brasileiras podem geram mais energia por MW instalado.

A ABEEólica vem mapeando locais adequados em vários Estados, incluindo propriedades privadas, nas quais a instalação de aerogeradores pode complementar a renda de produtores rurais, que receberão aluguel pelas áreas cedidas para esse fim. A tecnologia nesse setor tem evoluído rapidamente e hoje existem aerogeradores que amenizam os problemas de ruído. Além disso, como notam os especialistas, a energia eólica, dadas as condições climáticas, tende a ser associada, no futuro, à energia solar.

Um grande problema para a expansão da energia eólica no Brasil era o elevado custo. Contudo, a queda da demanda por energia nos países europeus, como consequência da desaceleração de suas economias, barateou os preços internacionais de geradores e outros equipamentos. Há algum tempo, estimava-se que o custo de um parque eólico estava em torno de R$ 5 milhões por MW instalado. Hoje, esse custo é calculado entre R$ 4 milhões e R$ 4,2 milhões por MW. Com a concessão de isenção fiscal e financiamentos a mais longo prazo do BNDES, fábricas de equipamentos específicos já se instalaram ou estão em processo de instalação no Brasil.

Estima a ABEEólica que os parques de geração de energia eólica no Brasil poderão vir a ter uma participação de 20% na matriz energética brasileira nas próximas duas décadas. Trata-se de uma meta ambiciosa, mas, de qualquer forma, a energia eólica tende a crescer no País e sua contribuição para o meio ambiente será notável, uma vez que se trata de uma das formas mais limpas de geração de energia, que, não necessitando de combustível algum, não gera gases de efeito estufa.

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