ENERGIAS RENOVÁVEIS

2/08/10

Suzano investirá US$ 1,3 bilhão em energia renovável

Stella Fontes, de São Paulo
30/07/2010

A Suzano Papel e Celulose está pavimentando o caminho para chegar a 2024, ano em que completará 100 anos de fundação, com atuação e reconhecimento como empresa de base florestal, e não apenas produtora de celulose e papel. Depois de reforçar sua aposta em biotecnologia, com a compra da britânica Futuragene por US$ 82 milhões, a companhia controlada pela família Feffer anunciou ontem a criação da Suzano Energia Renovável, com investimento de US$ 800 milhões na primeira fase do negócio. Ao fim da década, outros US$ 500 milhões serão aportados na operação, totalizando US$ 1,3 bilhão investidos.

“Começamos a desenhar, em 2008, o que será a Suzano em 2024″, contou o presidente da empresa, Antonio Maciel Neto. “A conclusão foi a de que podemos usar mais e melhor nossos ativos florestais.” A nova empresa nasce com focos na produção de pellets de madeira, que são utilizados para geração de energia, e no mercado europeu. Até 2014, a Suzano Energia deve contar com três fábricas de pellets, com capacidade produtiva de 1 milhão de toneladas ao ano cada uma. Concluída essa fase, a receita anual da empresa deve girar em torno de US$ 480 milhões. Do caixa gerado pela Suzano Energia devem sair outros US$ 500 milhões que serão investidos na expansão da produção para 5 milhões de toneladas por ano, por meio da implantação de duas novas unidades produtoras. Assim, ao término da segunda etapa de aportes, o faturamento anual da Suzano Energia alcançaria US$ 800 milhões.

A nova empresa será comandada por André Dorf, executivo que está há 7 anos na Suzano Papel, onde ocupa o cargo de diretor-executivo de Estratégia, Novos Negócios e Relações com Investidores. De acordo com Dorf, a estrutura de capital da Suzano Energia ainda está em estudo e “todas as possibilidades”, entre as quais abertura de capital e parceria com fundos de investimento ou outras empresas, estão sendo analisadas.

A decisão sobre os meios de financiamento da nova operação deve ser conhecida em breve, já que a Suzano começa, imediatamente, a buscar terras para o plantio de florestas que alimentarão as três primeiras fábricas de pellets, instaladas em alguma região do Nordeste brasileiro. Para cada unidade, serão necessários 30 mil hectares de florestas – ante 130 mil para abastecer uma fábrica de celulose -, com ciclo de colheita de no máximo três anos. “Nascemos para ser líderes em pellets”, disse Dorf, acrescentando que, atualmente, a maior produtora do mundo, a estatal finlandesa Vapo, tem capacidade instalada de 1 milhão de toneladas anuais.

A escolha do mercado europeu deve-se à demanda potencial por fontes renováveis de energia, em razão de metas e incentivos concedidos na região. De acordo com Dorf, das 3 milhões de toneladas que a Suzano Energia poderá produzir em 2014, pelo menos 2,7 milhões já estão sob memorando de entendimentos com geradoras de energia europeias. Os pellets correspondem a partículas desidratadas e prensadas de madeira moída, cujo poder calorífico equivale ao dobro do de cavacos e toras.

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Eletrobras quer começar a atuar nos EUA

Ter, 27 de Julho de 2010
Folha de S .Paulo
PEDRO SOARES

Estatal dá início à internacionalização com a construção de três usinas hidrelétricas

DO RIO – Dentro de seu projeto de internacionalização, a Eletrobras estuda comprar participações minoritárias em duas empresas de energia nos EUA. Estão em análise 11 usinas eólicas, linhas de transmissão e hidrelétricas, segundo o superintendente da área internacional da estatal, Sinval Gama.

O negócio nos EUA pode ser fechado ainda neste ano, antes mesmo de a estatal dar início à operação no exterior. Isso está previsto para 2011, quando serão iniciadas as obras de três hidrelétricas em três diferentes países: Argentina, Nicarágua e Peru.

O executivo disse que a entrada nos EUA servirá para conhecer melhor aquele mercado, que receberá muitos investimentos com a intenção do presidente Barack Obama de “limpar a matriz energética do país”.

Gama afirmou que as participações nos EUA serão limitadas em até 5% do capital das empresas -o que corresponde a um investimento de cerca de US$ 60 milhões em cada companhia. O objetivo é investir em até duas companhias com capacidade de geração de 300 MW.

Já entre os projetos na América Latina que começam a ser construídos em 2011, só foi definido o custo do empreendimento peruano: US$ 2,5 bilhões. A usina terá capacidade de gerar 2.000 MW.

A meta da Eletrobras é obter, em 2020, 10% do faturamento total no exterior.

Segundo Gama, a Eletrobras só investe fora do país em projetos que têm rentabilidade melhor que os empreendimentos brasileiros. “O setor no Brasil é muito competitivo e a rentabilidade é baixa. Tomamos a decisão de só fazer fora do Brasil se a lucratividade for maior.”

BAIXO RETORNO

Gama afirmou que a busca por novos mercados é uma forma de corrigir o problema do baixo retorno no Brasil. Trata-se, diz, de um expediente usado pelas grandes empresas do setor, que investem em países com mercados menores e baixo nível de competição, onde conseguem um retorno mais alto.
No Brasil, a margem da Eletrobras é inferior a 10%, considerada baixa por muitas empresas do setor. No caso da usina de Belo Monte, grandes grupos -como Odebrecht- desistiram do investimento por considerar o retorno insuficiente.

A Bolívia também está disposta a formar parcerias com a Eletrobras para desenvolver projetos de geração de energia, segundo o vice-ministro de Eletricidade e Energias Alternativas da Bolívia, Roberto Echazú, que participou de seminário sobre integração energética, organizado pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel-UFRJ).

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Além do turismo, sol, vento e mar dão energia ao CE

15/07/10

O Estado investiu R$ 1,5 bilhão na produção de luz elétrica a partir de ventos, sol e ondas. Até 2011 esse valor pode dobrar

Gustavo Poloni, enviado especial ao Ceará | 10/05/2010

Movido apenas com a força do vento, o Ceará produz em um mês o equivalente a R$ 2,2 milhões em eletricidade. É isso que custa, no mercado livre de energia, os 500 megawatts produzidos por 250 cataventos gigantes instalados no Estado. A cena é deslumbrante: em alguns dos principais cartões postais do litoral cearense, máquinas de 80 metros de altura e 200 toneladas dão um ar futurista à paisagem. É uma mudança movida a R$ 1,5 bilhão em investimentos — valor que deve dobrar até o final de 2011. Além de contar com os maiores parques eólicos do Brasil, o Ceará está investindo em outras fontes de energia renovável. Até o final do ano, o Estado vai ganhar a segunda maior fazenda de energia solar do mundo e um projeto piloto para produzir eletricidade a partir da força das ondas, transformando o Ceará na capital brasileira da energia limpa.


Foto: Haroldo Saboia
Com o litoral cheio de torres de 80 metros que produzem energia através do vento, o Ceará virou o Estado que mais produz energia eólica no País
Entre as três fontes de energia limpa que estão sendo exploradas no Ceará, a que mais se destaca é a eólica. O Estado conta com 14 parques que, juntos, somam cerca de 250 torres. Elas produzem pouco mais de 500 MW de luz elétrica – suficiente para abastecer uma cidade com 2,6 milhões de habitantes. É pouco perto do consumo nacional, de 58,6 mil MW. Mas já representa metade da energia consumida no Ceará. O maior parque da região é o Bons Ventos, com 75 torres. Localizado em Aracati e em Taíba, cidades no litoral cearense, já recebeu cerca de R$ 800 milhões em investimentos. Nos próximos anos, o número de torres de energia eólica deve se multiplicar no litoral cearense. A argentina Impsa anunciou que vai colocar R$ 2 bilhões na instalação de 11 parques eólicos no Estado. “O Ceará deixou de ser lembrado apenas pelo sol e calor”, diz Luiz Eduardo Aguilar, presidente do Parque Eólico Bons Ventos.
Além de parques que produzem energia a partir do vento, o Ceará ganhou fábricas que integram a cadeia de produção do setor. Pás, geradores e torres, partes que formam o aerogerador, já são produzidos no Estado. Fundada em 2006, a Tecnomaq foi a primeira empresa brasileira criada com o objetivo de fazer torres de energia eólica. Para isso, contratou consultores alemães (a Alemanha é um dos países mais avançados nessa área) para dar treinamento a seus funcionários por 100 euros a hora/aula. As torres também precisaram ser submetidas a um processo de tropicalização. Isso porque os parques eólicos alemães estão instalados sobre pedras, e não na areia de praias. Até o final do ano, a Tecnomaq deve produzir 120 torres e vai faturar algo em torno de R$ 70 milhões. Em 2011, o faturamento deve chegar a R$ 120 milhões. “Aqui no Ceará estamos construindo o Brasil do amanhã”, diz Bucar Amad Bucar, gerente geral da Tecnomaq.
No início da década de 1990, o governo do Ceará deparou-se com o fantasma do apagão. Sem rios perenes, o Estado dependia exclusivamente da energia produzida pelas usinas de Paulo Afonso, na Bahia, e de Tucuruí, no Pará. Para continuar a crescer de forma sustentável e auto-suficiente, o então governador Ciro Gomes pediu que uma equipe estudasse como outros países produziam energia a partir de vento, sol e ondas – recursos encontrados em abundância no Ceará. Oito anos depois, as primeiras quatro torres de energia eólica eram instaladas na capital, Fortaleza.
O Ceará não chegou ao posto de capital nacional da energia limpa apenas com a boa vontade de governantes e o empenho de empresários. De acordo com o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, o Nordeste tem capacidade de gerar 75 GW – ou cinco vezes a capacidade da usina de Itaipu, a segunda maior do mundo. É mais do que a soma de todas as outras regiões do País. Entre os Estados com maior potencial, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e, claro, o Ceará, que lidera o ranking de produção de energia eólica no País. Considerada uma boa alternativa às energias não-renováveis, que tem como principal vilão o petróleo, a energia eólica é tida como a mais limpa e usa a força dos ventos para gerar eletricidade.
Longe do litoral, um outro tipo de fazenda de energia limpa começa a ganhar forma. Para aproveitar o sol que castiga o sertão cearense, a MPX, empresa que faz parte do grupo EBX, do empresário Eike Batista, lançou no fim de março a pedra fundamental para a construção da maior usina de energia solar da América do Sul, a segunda maior do mundo. Localizada em Tauá, cidade de 17 mil habitantes a 340 quilômetros de Fortaleza, ela vai ocupar uma área de 220 hectares, ou 220 campos de futebol. Na primeira etapa do projeto, que ficará pronto até o fim do ano, serão usadas R$ 4,4 mil placas fotovoltaicas para gerar 1 MW, energia suficiente para alimentar a casa de 5 mil pessoas. A ideia é que a produção seja multiplicada por 50 nos próximos anos – um investimento que pode chegar a US$ 250 milhões.


Foto: Arte iG
No Porto do Pecém, na Grande Fortaleza, um investimento muito menos suntuoso está sendo feito para testar a energia produzida a partir da energia das ondas. Uma parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro, o governo do Estado do Ceará e o grupo franco-belga Tractebel vai colocar R$ 12 milhões num projeto pioneiro instalado no quebra-mar do porto do Pecém. A partir de setembro, a usina vai produzir apenas 100 KW, que serão usados para iluminar o porto. A vantagem em relação às outras formas de energia? A proximidade dos centros consumidores, que estão concentrados no litoral, e a constância da maré, que faz com que a usina atinja até 70% de capacidade de produção – o dobro da eólica, a segunda fonte de energia limpa com o maior fator de capacidade. “É uma mudança de paradigma”, diz Eliab Ricarte, gerente geral do projeto de energia de ondas. “Durante muito tempo o Nordeste foi visto como um problema nacional no setor de energia”.

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ENERGIA EÓLICA

12/07/10

Geração eólica leva fabricantes para o Nordeste

Murillo Camarotto, do Recife
06/07/2010

Marcado para 18 e 19 de agosto, o segundo leilão de fontes alternativas de energia elétrica deverá marcar a consolidação do mercado brasileiro de energia eólica. Mais do que isso, o certame deverá confirmar a região Nordeste como o principal polo nacional de fabricação de equipamentos voltados à produção de energia a partir dos ventos.

Dono dos melhores ventos do país, o Nordeste respondeu por quase 90% dos projetos eólicos contratados no leilão anterior, realizado em dezembro. Dos projetos inscritos para o próximo leilão, a região voltou a predominar, com 78% do total. Na avaliação de especialistas, a proximidade entre o parque eólico e os centros de fabricação de equipamentos são um diferencial competitivo importante.

Isso porque as torres que sustentam os geradores de energia, por exemplo, podem chegar a 115 metros de altura e 100 toneladas, o que torna bastante complexa a logística nos casos em que as fábricas ficam distantes dos parques de geração.

Diante disso, muitas empresas estão se movimentando no sentido de fincar os pés no Nordeste. Se considerada a expectativa de que 3 mil megawatts (MW) sejam contratados em agosto, a região poderá receber investimentos de até R$ 11 bilhões somente com o próximo leilão. Somando os projetos contratados no Nordeste no ano passado, o valor passa a quase R$ 20 bilhões.

Apesar de os melhores ventos soprarem no Ceará e no Rio Grande do Norte, a maioria dos investimentos têm sido direcionados para Pernambuco, onde o governo trabalha para desenvolver um parque eólico no Complexo Portuário de Suape, a 60 quilômetros do Recife.

O local abriga hoje uma fábrica de aerogeradores e outra de torres eólicas, e deve receber em breve duas novas fabricantes de pás. No caso dos aerogeradores, a argentina Impsa investiu R$ 145 milhões em uma unidade com capacidade de 300 equipamentos por ano. Já a espanhola Gonvarri aplicou quase R$ 120 milhões para a produção anual de 1 mil torres.

Atualmente, o governo pernambucano acerta os últimos detalhes para anunciar a chegada da Aelis e da Tecsis, duas fabricantes de pás que devem investir algo próximo a R$ 100 milhões cada uma. Também está prestes a desembarcar, em Pernambuco, a sul-coreana Win&P, fabricante de torres. “A chegada das indústrias de pás será sensacional para o Estado, pois completará a cadeia produtiva, que é formada basicamente por torre, pá e aerogerador”, avalia Pedro Cavalcanti, diretor da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica).

Cavalcanti conta que a preferência dos fabricantes por Pernambuco é explicada pelo desenvolvimento da infraestrutura ao redor do Porto de Suape. “O Estado não tem um belíssimo potencial eólico, mas conta com boa oferta de engenharia e de serviços, além de uma excelente localização geográfica”, avalia.
Ainda assim, outros Estados da região também estão recebendo investimentos. A fabricante alemã de aerogeradores Führlander já se comprometeu a investir R$ 40 milhões em uma unidade no Complexo Portuário do Pecém, a 70 quilômetros de Fortaleza. Em um primeiro momento, a ideia da empresa é produzir no local 240 turbinas por ano, porém há planos futuros para a fabricação de pás, o que demandará um investimento adicional ainda não calculado.

Na Bahia, a Alston pretende inaugurar no ano que vem uma fábrica de aerogeradores no município de Camaçari, num investimento de R$ 50 milhões. Há ainda planos bastante avançados da dinamarquesa Vestas, também fabricante de aerogeradores. A empresa ainda avalia o local da fábrica, porém o Nordeste é “franco favorito”, segundo afirmou um executivo que pediu para não ser identificado.
Além da proximidade com a maioria dos parques eólicos brasileiros, explica ele, a instalação das fábricas no Nordeste também torna mais eficiente a exportação dos equipamentos para a Europa.

Além da energia eólica, o Nordeste também pretende atrair outras empresas ligadas ao segmento de energia limpa. Está em negociações avançadas a construção, em Pernambuco, de uma fábrica de painéis solares da empresa suíça Oerlikon. A região também deverá receber duas das quatro novas usinas nucleares que o governo pretende construir no país.

De acordo com fontes do governo pernambucano, a Oerlikon está em fase final de análise da demanda potencial por seus painéis. A avaliação é de que a garantia de um mercado consumidor de 50 MW a 100 MW de energia solar já torna viável a abertura da fábrica.

Quanto às usinas nucleares, ainda em fase de análises pelo governo, a região do Vale do São Francisco teria sido uma das que mais agradou à Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras no segmento.

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Para consultoria, energia limpa no mundo pode render US$ 20 bi por ano ao Brasil

14/05/10

Chico Santos, do Rio
24/02/2010

Leo Pinheiro/Valor

Stefan Matzinger: mercado de energias limpas deverá movimentar US$ 3 trilhões

O mercado mundial de energias limpas deverá movimentar em 2020 aproximadamente US$ 3 trilhões e o Brasil poderá beneficiar-se de exportações adicionais de US$ 20 bilhões por ano apenas de bens e serviços para a indústria de energia a partir da biomassa. Os números fazem parte de um trabalho apresentado ontem por Stefan Matzinger, sócio-diretor da consultoria McKinsey & Co., no segundo e último dia de debates do seminário “Uma Agenda para os Bric”, promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, com a colaboração do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio.

As projeções de Matzinger levam em conta que o mundo estará fortemente empenhado em reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa e que o Brasil aproveitará suas atual posição de vanguarda no desenvolvimento de energias limpas a partir da biomassa. O estudo da McKinsey estima que, se o mundo seguir movimentando sua economia com base nas tecnologias em uso, as emissões passarão de 45 gigatoneladas (Gt) anuais em 2005 para 69 Gt anuais em 2030. No mesmo período, as emissões dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) passariam de 14 Gt para 28 Gt, sendo 17 Gt da China. De acordo com Matzinger, utilizando tecnologias novas já dominadas, as emissões em 2030 poderiam ser de 31 Gt anuais, das quais 15 Gt do Bric.

Apesar de na projeção do consultor o ônus maior das reduções estar com o restante do mundo, especialmente os países desenvolvidos, ficou evidente no painel “Sustentabilidade e Segurança Energética” que há divergências entre o pensamento da maioria dos países do Bric – pelo menos Brasil, China e Índia, que fazem parte do G 77, o grupo dos 130 países em desenvolvimento, nas discussões climáticas – e o do consultor.

O diretor do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, André Aranha Corrêa do Lago, disse que não se pode perder de vista que o compromisso dos ricos tem de ser de reduzir as emissões em termos absolutos, enquanto às nações em desenvolvimento, como os Bric, cabe reduzir a curva de crescimento das suas emissões, de modo a poderem continuar crescendo em níveis que lhes permitam resgatar suas dívidas sociais internas.

“É chave na discussão distinguir as duas partes”, enfatizou. Ao que Matzinger rebateu: “Somos todos habitantes da terra. Quem fizer a opção pelo desenvolvimento mais limpo vai colocar barreiras aos produtos de quem optar pelo mais sujo.” Depois, disse que seus números mostravam não haver tanta diferença assim entre as partes.

Mas o tom do representante da China no painel foi também enfático e afinado com a posição brasileira. Liu Youfa, vice-presidente do Instituto de Estudos Internacionais da China, exortou os países do Bric a manter o esforço para explorar seus potenciais de desenvolvimento, sem perder de vista a sustentabilidade que, na sua definição, inclui o desenvolvimento econômico voltado para beneficiar toda a sociedade, sem gerar prejuízos para as gerações futuras.

Para Youfa, os países do Bric ainda precisam “exercer eficientemente seus direitos em termos de regras internacionais”. Ele defendeu uma maior coordenação entre as políticas exteriores dos quatro países. “Juntos, ficaremos de pé. Isolados, desmoronaremos”, disse.

O seminário encerrado ontem, que marcou o lançamento de um Instituto de Estudos e Pesquisas do Bric, pela Prefeitura do Rio e pela PUC-Rio, mostrou que os países que formam o conjunto, denominado Bric pelo economista inglês Jim O’Neill, têm mais diferenças do que convergências, mas estão decisivamente empenhados em dar um sentido mais profundo à sigla, que nasceu apenas para definir as nações que estariam destinadas a liderar o crescimento econômico.

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