ENERGIA LIMPA

10/05/10

Energia limpa  

Folha de S. Paulo

06/05/10 – O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2019) posto em consulta pública anteontem pelo Ministério de Minas e Energia contém avanços em relação às versões anteriores. Suscita, porém, dúvidas, que precisam ser dirimidas nos próximos 28 dias -o prazo previsto para sugestões.

O passo à frente está na prioridade conferida às fontes renováveis na expansão da oferta de energia compatível com um crescimento econômico de 5,1% ao ano. Graças aos biocombustíveis (álcool e biodiesel), às hidrelétricas e à biomassa, o governo projeta manter as renováveis num percentual em torno de 48% da energia total consumida no país -umas das matrizes mais limpas do mundo.

É verdade que, do investimento de R$ 951 bilhões previsto para exorcizar o espectro de novos apagões, 70% serão carreados para as áreas de petróleo e gás natural. Vivem-se, afinal, tempos de entusiasmo político desmedido com o pré-sal.

São combustíveis fósseis consumidos na área de transportes e em boa parte da indústria. Sua queima lança na atmosfera carbono antes imobilizado nas profundezas da Terra, o que contribui para agravar o efeito estufa.

O balanço ambiental do setor energético, projeta o governo, seria reequilibrado com um retrocesso na crescente utilização de usinas térmicas. A partir de 2013, toda a expansão se faria com usinas hidrelétricas -menos poluentes.

É um quadro, entretanto, demasiado otimista, pois conta com obras ainda duvidosas. O caso mais notório é o de Belo Monte, no rio Xingu, que sozinha responderia por 11,2 mil dos 63,4 mil megawatts a serem instalados e agregados ao Sistema Integrado Nacional.

O PDE 2019 programa para janeiro de 2015 a operação de Belo Monte. São menos de cinco anos. Para uma usina tão complexa e controversa, que acabou de ser leiloada e ainda passa por recomposição do consórcio vencedor, a expectativa soa exagerada.

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03/05/2010

Energia solar vai responder por 11% da eletricidade em 2050

da Reuters, em Verona

A tecnologia solar vai gerar 3 mil gigawatts de energia em 2050, contra 900 megawatts em 2030, disse o presidente da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) nesta segunda-feira.

“Isso significa que cerca de 11% da eletricidade no mundo será gerada por energia solar em 2050″, afirmou Paolo Frankl em uma conferência, apresentando um roteiro da agência para a energia solar. O roteiro completo será divulgado em 11 de maio.

Em um relatório anterior, a IEA havia estimado 1.600 gigawatts de eletricidade sendo gerada a partir de tecnologia solar até 2050.

A previsão de 3.000 gigawatts de capacidade até 2050 vai produzir 4.500 terawatt-hora de eletricidade por ano.

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ENERGIA LIMPA

26/04/10

Obama destaca incentivo a energias limpas

23/04/2010
The Guardian e EFE

Presidente dos EUA promete investimentos e leis para a área, mas estudo do governo mostra que ainda é pouca a participação da ‘economia verde’

WASHINGTON – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou ontem, no 40.º aniversário do Dia da Terra, o uso de energia ambientalmente correta para a preservação do planeta. Ele também lembrou dos avanços feitos pelo país nessa área, nas últimas quatro décadas. Mas um novo relatório do governo mostrou que a participação dos produtos e serviços “verdes” na economia dos EUA não passou de 2% em 2007.

O Dia da Terra é celebrado desde 1970, ano em que o senador democrata Gaylord Nelson, representante do Estado de Wisconsin, no norte do país, chamou a atenção para a necessidade de ações a favor do meio ambiente. Hoje, esse chamado em defesa do planeta é celebrado em todo o mundo, mas os resultados práticos dessa preocupação ainda estão por aparecer.

“Devemos continuar trabalhando para tornar realidade o sonho de uma economia baseada nas energias limpas e entregar às nossas crianças um mundo mais limpo e seguro que aquele que encontramos”, disse Obama em comunicado difundido pela Casa Branca.

O presidente americano também citou progressos no período, como a aprovação de leis que reprimem a contaminação da água, do ar e das paisagens naturais. Também prometeu aprovar uma legislação “exaustiva” sobre energia e ambiente, que “mantenha a salvo o nosso planeta”, citando “um crescimento econômico a longo prazo”.

Participação minúscula. Mas um relatório lançado anteontem pelo Departamento de Comércio do país indica que os produtos e serviços ambientalmente corretos tiveram participação de 1% a 2% na economia americana em 2007. Ou seja, passaram de US$ 371 bilhões a US$ 516 bilhões. O número de empregos verdes também foi modesto: as vagas ligadas a economia verde teriam ocupado apenas 1,5% do total do setor privado. A projeção é considerada otimista, pois um outro estudo, do Pew Environmental Trust, estima essa participação em apenas 0,5%.

Quase 80% dessas vagas estariam nas áreas de conservação de energia e controle da poluição. Apenas 2% dos empregos verdes estariam no campo das energias renováveis, diz o estudo do governo.

Ainda é cedo para ter uma noção da decisão de Obama de investir cerca de US$ 90 bilhões dos US$ 787 bilhões que compuseram o pacote de estímulo à economia no ano passado, pois os censos econômicos nos Estados Unidos são feitos apenas a cada cinco anos.

Nova legislação. Na segunda-feira, os senadores democratas John Kerry e Lindsey Graham e o independente Joe Lieberman pretendem apresentar uma proposta bipartidária para uma legislação centrada em produção de energia limpa e prevenção às mudanças climáticas que inclui a criação de 2 milhões de empregos e a redução de 2 milhões de toneladas de material contaminante na natureza.

Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos país, esse é o montante de equipamentos eletrônicos usados, que podem conter substâncias tóxicas como chumbo e mercúrio, jogados fora por ano.

No fim de semana, em Washington, o tema será lembrado em shows gratuitos de artistas como Sting. Também está previsto um discurso do reverendo Jesse Jackson, com a participação do cineasta James Cameron (Avatar) e da escritora Margaret Atwood.

CRONOLOGIA

Ações recentes

Março de 2001
Bush contra Kyoto
O então presidente dos EUA não ratifica o Protocolo
de Kyoto.

Novembro de 2007
Ação humana
Relatório do IPCC diz que ação do homem causou o
aquecimento global.

Maio de 2009
Automóveis
Obama anuncia regras mais severas para as emissões dos veículos automotores.

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Belo Monte e o futuro das energias renováveis

Após um período de carência de novos projetos, leilão da usina inicia uma nova fase na construção de hidrelétricas no Brasil

20 de abril de 2010
Nivalde J. de Castro (1) e Roberto Brandão (2) – O Estado de S.Paulo
Artigo

O leilão de Belo Monte é uma reafirmação da vocação brasileira para gerar eletricidade de fontes renováveis. Com cerca de 90% da energia elétrica produzida por centrais hidrelétricas, o Brasil faz parte de um restrito clube de países capazes de atender ao consumidor com energia de fonte renovável, energia que é mais barata e não ajuda a produzir mais efeito estufa.

Após a virtual paralisação dos estudos de inventários das bacias hidrográficas nos anos 90, o País viveu uma carência de novos projetos de hidrelétricas.

Por causa da complexidade desses projetos e da necessidade de adequar os projetos existentes às novas e necessárias exigências ambientais, o País teve dificuldade para leiloar novos aproveitamentos hidrelétricos nos últimos anos.

A consequência dessa falta de projetos e leilões de energia teve como resultado direto a contratação em 2007 e 2008 de grande número de termoelétricas, a grande maioria movida a óleo combustível.
O leilão de Belo Monte, junto com as duas usinas em construção no Rio Madeira, licitadas em 2008 e 2009, representa uma nova fase na construção de hidrelétricas no Brasil. Trata-se do avanço da fronteira elétrica para a Região Amazônica.

Essa nova etapa será intensificada com os estudos de inventários do potencial hídrico desenvolvido ao longo dos últimos anos. Eles começam a amadurecer e com isso a carência de projetos de hidrelétricas está terminando.

Em breve, novas usinas nos Rios Teles Pires, Tapajós, Tocantins e Parnaíba estarão prontas para serem leiloadas. E todas as novas usinas se parecerão um pouco com Belo Monte: são projetos pensados de forma a minimizar e mitigar o impacto ambiental, reduzindo ao máximo a área alagada e mantendo a competitividade econômica e ambiental da matriz elétrica brasileira.

O fim das usinas com grandes reservatórios pode ser considerado um avanço do ponto de vista ambiental, mas trará consequências importantes para a matriz elétrica brasileira.
Belo Monte, assim como as novas usinas da Região Norte, terá a geração concentrada no primeiro semestre, época da cheia dos rios da margem sul do Rio Amazonas. Como não haverá um reservatório capaz de regularizar as afluências ao longo do ano, será preciso lançar mão de outras usinas para garantir o abastecimento de energia durante o segundo semestre.

Haverá, portanto, necessidade crescente de geração complementar à das hidrelétricas. Mas, como o Brasil tem grande vocação para energias renováveis, isso não representa necessariamente que a matriz elétrica se tornará menos limpa.

Há outras fontes de energia renovável no Brasil que se prestam muito bem a complementar a geração hídrica nessa nova fase em que não mais serão construídos reservatórios de regularização.

Os ventos, sobretudo os da Região Nordeste, são mais intensos durante a estação seca, representando uma bem-vinda complementaridade. A bioeletricidade provocada pela queima do bagaço da cana tem a mesma característica, pois concentra a oferta de energia na época de processamento de safra, isto é, durante o período mais seco do ano.

A bioeletricidade tem outras vantagens: está próxima aos maiores centros de consumo de energia elétrica e tende a crescer muito com as perspectivas do aumento da produção de etanol.

Dessa forma, o leilão de Belo Monte representa a afirmação de uma das melhores matrizes elétricas do mundo. A construção dessa usina se dará com o máximo respeito e adequação à legislação ambiental, graças à atuação dos organismos responsáveis e da crítica dos movimentos sociais e ambientais.
Assim o Brasil se destaca no cenário energético mundial, reforçando o caráter verde de sua economia, que fica mais competitiva, em termos de matriz elétrica, em relação aos outros países.

Esta será uma característica que dará ao Brasil um diferencial no comércio internacional, que cada vez mais impõe barreiras aos produtos de origem de países com matrizes poluidoras.

(1)PROFESSOR DO INSTITUTO DE ECONOMIA DA UFRJ E COORDENADOR DO GESEL – GRUPO DE ESTUDOS DO SETOR ELÉTRICO
(2)PESQUISADOR DO GESEL-UFRJ

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ENERGIA LIMPA

18/04/10

13/04/2010

Plano europeu de energia limpa coloca Espanha e França na liderança

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da France Presse, em Bruxelas (Bélgica)

A União Europeia (UE) precisará investir 52 bilhões de euros ao ano (US$ 70 bilhões) até 2020 em energias limpas, cujo desenvolvimento Espanha e França foram convocadas a liderar, revela um relatório que é publicado nesta terça-feira (13), em Bruxelas, Bélgica.

As energias solar e eólica serão os principais substitutos do petróleo, gás e carvão até 2050, indica o informe, elaborado pela Fundação Europeia para o Clima, que será entregue à Comissão Europeia.

Em suas previsões, a fundação estima que a Espanha reafirmará o papel de principal produtor europeu de energia solar, além de servir de território de trânsito para a produção do norte da África com destino ao norte da Europa.

A França, por sua vez, deverá se encarregar da produção de boa parte da energia eólica da UE e, devido à sua localização geográfica central, vai fazer as conexões entre a eletricidade produzida na Espanha e no Reino Unido, rumo ao norte e ao leste do continente.

A rede existente entre Espanha e França tem atualmente capacidade de 1 GW e, segundo o estudo, deverá chegar a 47 GW em 2050.

Os investimentos chegarão a 52 bilhões de euros anuais, ou seja, 2,5% do valor total dos gastos anuais da UE, acrescenta o documento.

A UE se comprometeu a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 80% até 2050 e fixou um objetivo triplo para 2020: reduzir em 20% suas emissões com relação a 1990, elevar para 20% o peso das energias renováveis no consumo de energia e efetuar uma economia energética também de 20%.

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O poder dos ventos

13/04/10

Projeto do Reino Unido é gerar um adicional de 32 GW de energia limpa até 2020.

Por Alan Charlton
18/02/2010

O Reino Unido anunciou recentemente a aprovação de concessões de nove zonas costeiras para desenvolvimento de projetos de parques eólicos offshore até 2020. Isso poderá gerar um adicional de 32 GW de energia limpa aos 8 GW já concedidos em rodadas anteriores. O potencial de eletricidade a ser gerado equivale a quase três vezes o da hidrelétrica de Itaipu e poderá suprir quase toda a demanda residencial britânica, ratificando sua posição de liderança mundial de energia eólica offshore.

O recente anúncio faz parte de um plano do governo britânico para aumentar substancialmente o uso de energia renovável, não apenas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mas para recuperar, em parte, sua auto-suficiência energética. O Reino Unido se comprometeu a produzir 15% da sua energia a partir de fontes renováveis até 2020, o que representará o aumento de quase sete vezes do que se tinha em 2008, ou seja, 2,25% de energias renováveis na matriz energética do país. Esse compromisso faz parte de uma ampla ação da União Europeia para aumentar o uso de energia renovável.

Investimentos altos serão necessários para se criar um setor de energia renovável robusto e próspero. Dessa forma, o governo vem buscando alternativas para maximizar as oportunidades econômicas e de geração de emprego. Acredita-se que a indústria eólica do Reino Unido poderá criar até 70 mil empregos e gerar 75 bilhões de libras para a economia. Atualmente, existem oito parques eólicos offshore em operação produzindo em torno de 700 MW e outros quatro parques em construção.

A expectativa é que, com o desenvolvimento dessas novas fontes de energia, a importação de gás seja reduzida entre 20% e 30% do que se espera para 2020. Isso significa aumentar a geração de eletricidade por fontes renováveis dos atuais 5,5% para mais de 30%. Acredita-se que mais de dois terços dessa geração virá da energia eólica, mas outras fontes como hidráulica, bioenergia, ondas e mares também terão a sua importância.

A energia eólica offshore é a fonte de energia renovável que mais cresce no Reino Unido e tem benefícios sobre outras fontes de baixo carbono. O país tem o maior potencial eólico na Europa, 33% do total. Com menores restrições de espaço, turbinas de até 10 MW podem ser instaladas, mesmo que o tamanho médio de uma turbina seja 5 MW. Quando comparada à turbina onshore, cujo tamanho médio é 2 MW, a energia eólica offshore se mostra mais confiável. Mesmo com os custos de instalação e operação significativamente mais altos, a energia eólica offshore compensa por ter um melhor resultado.

O governo tem implementado mudanças na legislação para facilitar o estabelecimento de parques eólicos offshore de grande escala. O Reino Unido se destaca na construção de parques offshore devido à sua expertise em construção marítima para a indústria de petróleo e gás natural.

Essas medidas são complementadas por mecanismos financeiros criados especialmente para fomentar a geração de eletricidade de fontes renováveis, como, por exemplo, os certificados verdes (ROC – Renewable Obligation Certificate). Recentemente esses certificados ganharam um peso maior para geração de energia eólica offshore de larga escala. O certificado que valia um ponto por MW/h gerado passou a valer 2 pontos.

Estima-se que essa iniciativa vá gerar um montante de 400 milhões de libras a mais para apoiar o setor offshore. Além disso, o governo deve investir 50 milhões de libras em testes das instalações para energia eólica offshore.

O governo já realizou estudos ambientais para análise de impactos das construções de futuros parques eólicos marítimos e concluiu que não há barreiras para o desenvolvimento desse setor. Entretanto, o país irá tomar uma série de medidas de mitigação para prevenir, reduzir e compensar os impactos adversos ao meio ambiente e a outros usuários do mar. As zonas escolhidas estão localizadas até 20 milhas (32 km) da costa. Cada consórcio irá explorar essas áreas mais detalhadamente antes de submeter ações de planejamento. Outra medida foi a criação de uma diretoria específica no Ministério de Energia e Mudanças Climáticas (DECC) para implementar as metas do governo na área.

O desenvolvimento na área de produção offshore ainda é complementado por ações para garantir conexão mais rápida e inteligente à rede. Para tanto o governo irá investir na rede elétrica para que novas fontes renováveis e outras formas de geração possam ser conectadas adequadamente quando necessário. As ações envolverão incentivos para encorajar companhias de transmissão e distribuição a investir um montante equivalente a 4,7 bilhões de libras. O governo irá também investir em uma nova rede offshore, que deverá trazer oportunidades para investimento de até 15 bilhões de libras. Outro trabalho que vem sendo desenvolvido diz respeito ao acesso à rede para novos geradores de energia.

O conceito de “smart grid” (rede mais inteligente) também está sendo amplamente discutido e o governo já está trabalhando para desenvolver uma rede do futuro que irá automaticamente administrar a variabilidade de fontes renováveis, economizar energia e reduzir custos, com uma visão mais de longo prazo.

Estão em andamento discussões sobre uma rede integrada de energia renovável do Mar do Norte. Quando concluída essa rede irá permitir que o Reino Unido exporte a energia excedente para mercados deficitários ou estoque em usinas hidrelétricas em países como Noruega e Suécia.

Acreditamos que esse anúncio, que significa a maior expansão de energia eólica já vista no mundo, irá contribuir significativamente para as aspirações britânicas de uma mudança para uma economia de baixa emissão de carbono.

Alan Charlton é embaixador britânico no Brasil desde dezembro de 2008.

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