Potência dos ventos já atraiu R$ 30 bi em parque gerador
Por Genilson Cezar | Para o Valor, de São Paulo

Laura Porto, da Iberdrola: “Não tenho dúvida que todas venderão projetos”
Os bons ventos e a forte disputa entre os fornecedores internacionais de equipamentos aceleram a implantação dos parques eólicos no Brasil. Com a crise na economia mundial, especialmente com a retração dos investimentos dos EUA e Europa em energia eólica, o Brasil atraiu recursos financeiros consideráveis de praticamente todos os grandes fabricantes de equipamentos de aerogeração e dos produtores independentes de energia, o que proporcionou uma incrível redução dos custos de implantação e da energia gerada.
“De 2009 até hoje já foram investidos quase R$ 30 bilhões em geração de energia eólica no país”, informa Ricardo Simões, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica). “Considerando os cinco leilões realizados neste período, foram contratados 5.785 MW de potência instalada. Significa pouco menos de 1% da matriz de geração, mas até 2014 vamos atingir 5% da capacidade instalada de geração de energia no país. É uma participação ainda relativamente baixa, o que mostra que o setor tende a proporcionar muitas oportunidades de negócios para fabricantes e produtores independentes”, diz Simões.
Segundo levantamento da ABEEólica, esse potencial vem ampliando a disputa do mercado, como mostra a participação da capacidade instalada de quase 6 GW prevista para 2013. São oito grandes fabricantes globais – Impsa (18,5%), Wobben/Enercon (18,1%), GE (15,4%), Vestas (14,9%), Suzlon (13,6%), Gamesa (5,6%), Alstom (4,7%), Siemens (3,1%) e outros 6% ainda sem contrato.
O número de produtores independentes que vão vender a energia para as concessionárias brasileiras também cresceu – são 27 grupos – e envolve desde grandes estatais, como Petrobras, Chesf, CPFL, Eletrosul e Furnas, a construtoras (Odebrecht, Queiroz Galvão), bancos (Santander) e consórcios de empresas nacionais e globais, como Renova e Iberdrola Renováveis/Neoenergia.
A expectativa é de bons negócios. Pelo menos é o que mostra a corrida de fabricantes de equipamentos para fechar contratos com as distribuidoras de energia. A Vestas Wind Systems, um dos maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo, por exemplo, fechou contrato para entregar, até o primeiro semestre de 2012, dez turbinas V90-3 MW e 30 turbinas V100-2.0 MW para os projetos do consórcio criado pela Chesf, na Bahia.
A Light, associada da Cemig, anunciou a compra de 50% do capital da paulista Renova Energia, com vistas à construção de parques geradores de energia eólica, num total de 423 MW.
“A maioria das empresas que participaram dos leilões são robustas e possuem perfis diversificados. São geradoras, transmissoras, construtoras etc. Naturalmente, algumas exigem menor rentabilidade que outras. Muitas apostam no volume de negócio e na sinergia. Outras estão estreando e, portanto, são mais agressivas. Mas não tenho dúvidas que todas venderão seus projetos, porque são desenvolvedoras”, comenta Laura Porto, diretora de novos negócios da Iberdrola Renováveis do Brasil.
A empresa apresentou no final de agosto, no Rio de Janeiro, durante a Conferência Brazil Windpower, a joint-venture Força Eólica Brasil, parceria com o grupo Neoenergia, que acumula investimentos no país de R$ 19,1 bilhões, desde 1997. Com potência instalada de 11.400 MW em diversos parques no mundo, o grupo Iberdrola já investiu em geração eólica no Parque Rio do Fogo (RN), com capacidade de geração de 49 MW, enquanto a Neoenergia tem capacidade instalada e em construção de 4 MW, também no Nordeste.
“O mercado eólico nacional já é o quarto no mundo em incremento anual de potência. Os últimos leilões levaram a fonte eólica a um novo patamar. Isso gera um ciclo virtuoso: compras anuais maiores que 2 GW levam à manutenção das fábricas no Brasil, o que proporciona redução dos preços. E isso provoca compras ainda maiores”, afirma.
Furnas também aposta na possibilidade de mais lucratividade no campo de eólica. Já investiu mais de R$ 1 bilhão, segundo Cláudio Semprine, assistente da diretoria de engenharia da empresa. No primeiro leilão, em 2009, Furnas participou em parceria com a JMalucelli/Eletronorte e conseguiu vender energia de três parques com um somatório de potência instalada de 150 MW. Os parques estão sendo construídos no Rio Grande, com aerogeradores de 1,6 MW e 100 metros de altura, fornecidos pela Alstom, e devem entrar em operação em meados de 2012.
No último leilão, Furnas participou em parceria com empresas do grupo BMG (Banco de Minas Gerais) e vendeu quatro parques – dois no Rio Grande do Norte e dois no Ceará -, que somam 85 MW instalados.
O destaque dos novos parques fica por conta da evolução tecnológica. A empresa contratou o fornecimento da tecnologia à empresa alemã Fuhrlander, que está instalando fábrica no Ceará para produzir aerogeradores mais potentes, de 2,5 MW, e com altura de 140 metros. “Isso vai permitir minimizar impactos de relevo dos terrenos onde os parques serão instalados”, diz Semprine.
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Novas plantas para mercado de eólica
Por De São Paulo
No segmento de geração eólica, uma conjunção de fatores foi decisiva para o “boom” do segmento no país. Desde o primeiro leilão, em 2009, foram contratados 5.785 MW de potência em usinas, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEolica). Os projetos deverão entrar em operação até 2013, com investimentos estimados em R$ 25 bilhões.
De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no final de 2010, 50 projetos de usinas eólicas, somando cerca de 927 MW, foram incorporados ao sistema elétrico. A ABEEólica calcula que o potencial para a geração hidráulica seja de 350 mil MW.
Ricardo Simões, presidente da ABEEólica, destaca os fatores para o desenvolvimento da geração eólica no Brasil: o câmbio favorável e a crise mundial. “Com isso, o Brasil passou a ser um alvo para os fabricantes de equipamentos”, diz. Segundo fontes do mercado, além da Wobben, vieram para o país fabricantes como Impsa, GE e Alstom.
Menel destaca que a geração eólica vem ganhando competitividade a cada leilão. “Conseguimos projetos de energia eólica com dois dígitos por megawatt-hora gerado”, comemora. Quando o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa) foi implantado, no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o custo da energia gerada pelas usinas eólicas era de R$ 280 a R$ 290 o MWh.
A expectativa é a que a eólica continue a se apresentar como uma alternativa competitiva em relação às fontes de energia convencionais, como a hidráulica e a térmica. Para Simões, a implantação de uma indústria de equipamentos para a geração eólica está consolidada e o próximo passo será buscar o domínio da tecnologia. Procura-se formar, no Brasil, uma rede de pesquisa para desenvolver tecnologia própria. (E.M.)
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