Energias renováveis

23/01/12

17 de janeiro de 2012

Até 2030, Ban Ki-moon quer dobrar fontes renováveis

O Estado de S.Paulo

Governos e o setor privado devem ampliar seus investimentos em energia sustentável como parte de um esforço maior para combater as mudanças climáticas e a pobreza no mundo, afirmou ontem o chefe das Nações Unidas na conferência World Future Energy, nos Emirados Árabes.

Ban Ki-moon disse aos presentes que espera ver o mundo dobrar sua porcentagem de energia oriunda de fontes renováveis – que incluem a solar, a hidrelétrica e a eólica – até 2030. Ele também clamou por acesso universal à energia elétrica e pela melhora na taxa de eficiência energética.

“Este é o momento certo para a iniciativa”, disse ele. “Em todo o mundo estamos assistindo à construção de ações concretas que reduzem a pobreza energética, catalisam o crescimento sustentável e atenuam as mudanças climáticas. Alcançar a sustentabilidade energética é possível e necessário”, afirmou.

Ele ressaltou não ser aceitável que 3 bilhões de pessoas tenham de se valer de madeira, carvão ou carvão vegetal para cozinhar.

Depois de lembrar que a China é o maior emissor do planeta, mas também o país onde mais crescem os investimentos em energia solar e eólica, o premiê chinês Wen Jiabao defendeu um “mecanismo de governança do mercado global de energia” a ser estabelecido no âmbito do G-20 para garantir segurança, estabilidade e sustentabilidade ao setor.

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Energias renováveis

21/11/11

No sertão do Nordeste, nova tecnologia para transformar sol em energia

O Globo – 13/11/2011

Ramona Ordoñez

Maior usina solar do país promete reduzir custos em 66% com coletores parabólicos, tornando a indústria competitiva e atraindo novos projetos para a região

O sertão pode não virar mar, mas vai transformar o forte sol que castiga a Região Nordeste em energia elétrica. A Rio Alto Energia, que trabalha com fontes renováveis, vai construir uma usina solar no município de Coremas, no semiárido da Paraíba. A usina, que terá 50 megawatts (MW) de capacidade, suficientes para abastecer uma cidade com 850 mil habitantes, além de ser a maior do país, segundo a empresa, utilizará uma tecnologia inédita no Brasil. O sistema promete revolucionar o setor, ao reduzir drasticamente os custos, tornando a energia solar competitiva. A Usina Termosolar Coremas exigirá investimentos de R$350 milhões.

Um dos três sócios fundadores da Rio Alto, Sergio Reinas, disse que o projeto vai usar uma tecnologia chamada Concentrated Solar Power (CSP), ou seja, energia solar concentrada. Esta é bem diferente dos tradicionais painéis coletores fotovoltaicos, usados principalmente para aquecimento da água e geração de energia elétrica em fazendas, casas e clubes.

Redução de custos deve atrair novos projetos

Reinas explicou que a tecnologia consiste em coletores parabólicos, semelhante às antenas parabólicas de televisão. Esses coletores captam a radiação solar, que é convertida em calor usado em uma usina termelétrica convencional para geração de energia. Esse sistema se assemelha ao de uma usina nuclear, onde o calor gerado pela fissão nuclear é transformado em energia nas instalações convencionais de uma usina térmica.

- Assim como está ocorrendo o boom da geração eólica, com a redução de custos, essa tecnologia tornará viável a geração de energia solar, que, pela tecnologia de painéis fotovoltaicos, é inviável economicamente – garantiu Reinas.

Ele afirmou que, com essa tecnologia, utilizada principalmente nos Estados Unidos e na Espanha, será possível gerar energia solar a um custo médio de R$150 o megawatt/hora (MWh). Isso representa uma redução da ordem de 66% em relação aos custos nas usinas solares com painéis fotovoltaicos, que são da ordem de R$450 o MWh.

Com esse custo, segundo Reinas, a energia solar começará a ser competitiva no país, atraindo novos projetos e fabricantes de equipamentos, assim como está acontecendo com a energia eólica. Atualmente o custo de energia térmica a gás e de eólica está na faixa de cem reais o MWh, e o das hidrelétricas está um pouco abaixo. Projetos de energia eólica atingiram esse patamar no último leilão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), realizado no mês passado.

Na fase de construção, usina vai gerar 2 mil empregos

O executivo destacou que a usina com essa tecnologia de coletores parabólicos tem um custo de tarifa bem menor, porque os painéis fotovoltaicos usam o silício, que é um material caro.

- A geração com os painéis só é viável para casos pontuais, tanto para a geração de energia como para o aquecimento da água. Para geração de energia em maiores volumes, a CSP é que se torna viável economicamente – ressaltou Reinas.

O projeto vai gerar cerca de dois mil empregos diretos e indiretos durante a construção e cerca de 50 na fase de operação.

A Rio Alto pretende entrar no próximo leilão que será realizado no próximo ano pela EPE, para oferta de energia para 2015.

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Estímulo a uso de energia limpa deve marcar conferência

18/10/11

12/10/2011

BRUNO BOGHOSSIAN / RIO – O Estado de S.Paulo

Os organizadores da Rio+20 pretendem estabelecer metas inéditas para estimular a produção de energia renovável e reduzir pela metade o consumo de outras fontes até 2030. Será apresentada uma lista de propostas para o desenvolvimento sustentável que devem ser adotadas pelos países participantes – no mesmo modelo das Metas do Milênio. (mais…)

Energia eólica

19/09/11

Potência dos ventos já atraiu R$ 30 bi em parque gerador

Por Genilson Cezar | Para o Valor, de São Paulo

Laura Porto, da Iberdrola: “Não tenho dúvida que todas venderão projetos”

Os bons ventos e a forte disputa entre os fornecedores internacionais de equipamentos aceleram a implantação dos parques eólicos no Brasil. Com a crise na economia mundial, especialmente com a retração dos investimentos dos EUA e Europa em energia eólica, o Brasil atraiu recursos financeiros consideráveis de praticamente todos os grandes fabricantes de equipamentos de aerogeração e dos produtores independentes de energia, o que proporcionou uma incrível redução dos custos de implantação e da energia gerada.

“De 2009 até hoje já foram investidos quase R$ 30 bilhões em geração de energia eólica no país”, informa Ricardo Simões, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica). “Considerando os cinco leilões realizados neste período, foram contratados 5.785 MW de potência instalada. Significa pouco menos de 1% da matriz de geração, mas até 2014 vamos atingir 5% da capacidade instalada de geração de energia no país. É uma participação ainda relativamente baixa, o que mostra que o setor tende a proporcionar muitas oportunidades de negócios para fabricantes e produtores independentes”, diz Simões.

Segundo levantamento da ABEEólica, esse potencial vem ampliando a disputa do mercado, como mostra a participação da capacidade instalada de quase 6 GW prevista para 2013. São oito grandes fabricantes globais – Impsa (18,5%), Wobben/Enercon (18,1%), GE (15,4%), Vestas (14,9%), Suzlon (13,6%), Gamesa (5,6%), Alstom (4,7%), Siemens (3,1%) e outros 6% ainda sem contrato.

O número de produtores independentes que vão vender a energia para as concessionárias brasileiras também cresceu – são 27 grupos – e envolve desde grandes estatais, como Petrobras, Chesf, CPFL, Eletrosul e Furnas, a construtoras (Odebrecht, Queiroz Galvão), bancos (Santander) e consórcios de empresas nacionais e globais, como Renova e Iberdrola Renováveis/Neoenergia.

A expectativa é de bons negócios. Pelo menos é o que mostra a corrida de fabricantes de equipamentos para fechar contratos com as distribuidoras de energia. A Vestas Wind Systems, um dos maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo, por exemplo, fechou contrato para entregar, até o primeiro semestre de 2012, dez turbinas V90-3 MW e 30 turbinas V100-2.0 MW para os projetos do consórcio criado pela Chesf, na Bahia.

A Light, associada da Cemig, anunciou a compra de 50% do capital da paulista Renova Energia, com vistas à construção de parques geradores de energia eólica, num total de 423 MW.

“A maioria das empresas que participaram dos leilões são robustas e possuem perfis diversificados. São geradoras, transmissoras, construtoras etc. Naturalmente, algumas exigem menor rentabilidade que outras. Muitas apostam no volume de negócio e na sinergia. Outras estão estreando e, portanto, são mais agressivas. Mas não tenho dúvidas que todas venderão seus projetos, porque são desenvolvedoras”, comenta Laura Porto, diretora de novos negócios da Iberdrola Renováveis do Brasil.

A empresa apresentou no final de agosto, no Rio de Janeiro, durante a Conferência Brazil Windpower, a joint-venture Força Eólica Brasil, parceria com o grupo Neoenergia, que acumula investimentos no país de R$ 19,1 bilhões, desde 1997. Com potência instalada de 11.400 MW em diversos parques no mundo, o grupo Iberdrola já investiu em geração eólica no Parque Rio do Fogo (RN), com capacidade de geração de 49 MW, enquanto a Neoenergia tem capacidade instalada e em construção de 4 MW, também no Nordeste.

“O mercado eólico nacional já é o quarto no mundo em incremento anual de potência. Os últimos leilões levaram a fonte eólica a um novo patamar. Isso gera um ciclo virtuoso: compras anuais maiores que 2 GW levam à manutenção das fábricas no Brasil, o que proporciona redução dos preços. E isso provoca compras ainda maiores”, afirma.

Furnas também aposta na possibilidade de mais lucratividade no campo de eólica. Já investiu mais de R$ 1 bilhão, segundo Cláudio Semprine, assistente da diretoria de engenharia da empresa. No primeiro leilão, em 2009, Furnas participou em parceria com a JMalucelli/Eletronorte e conseguiu vender energia de três parques com um somatório de potência instalada de 150 MW. Os parques estão sendo construídos no Rio Grande, com aerogeradores de 1,6 MW e 100 metros de altura, fornecidos pela Alstom, e devem entrar em operação em meados de 2012.

No último leilão, Furnas participou em parceria com empresas do grupo BMG (Banco de Minas Gerais) e vendeu quatro parques – dois no Rio Grande do Norte e dois no Ceará -, que somam 85 MW instalados.

O destaque dos novos parques fica por conta da evolução tecnológica. A empresa contratou o fornecimento da tecnologia à empresa alemã Fuhrlander, que está instalando fábrica no Ceará para produzir aerogeradores mais potentes, de 2,5 MW, e com altura de 140 metros. “Isso vai permitir minimizar impactos de relevo dos terrenos onde os parques serão instalados”, diz Semprine.

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Novas plantas para mercado de eólica

Por De São Paulo

No segmento de geração eólica, uma conjunção de fatores foi decisiva para o “boom” do segmento no país. Desde o primeiro leilão, em 2009, foram contratados 5.785 MW de potência em usinas, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEolica). Os projetos deverão entrar em operação até 2013, com investimentos estimados em R$ 25 bilhões.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no final de 2010, 50 projetos de usinas eólicas, somando cerca de 927 MW, foram incorporados ao sistema elétrico. A ABEEólica calcula que o potencial para a geração hidráulica seja de 350 mil MW.

Ricardo Simões, presidente da ABEEólica, destaca os fatores para o desenvolvimento da geração eólica no Brasil: o câmbio favorável e a crise mundial. “Com isso, o Brasil passou a ser um alvo para os fabricantes de equipamentos”, diz. Segundo fontes do mercado, além da Wobben, vieram para o país fabricantes como Impsa, GE e Alstom.

Menel destaca que a geração eólica vem ganhando competitividade a cada leilão. “Conseguimos projetos de energia eólica com dois dígitos por megawatt-hora gerado”, comemora. Quando o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa) foi implantado, no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o custo da energia gerada pelas usinas eólicas era de R$ 280 a R$ 290 o MWh.

A expectativa é a que a eólica continue a se apresentar como uma alternativa competitiva em relação às fontes de energia convencionais, como a hidráulica e a térmica. Para Simões, a implantação de uma indústria de equipamentos para a geração eólica está consolidada e o próximo passo será buscar o domínio da tecnologia. Procura-se formar, no Brasil, uma rede de pesquisa para desenvolver tecnologia própria. (E.M.)

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