Energias renováveis

29/08/11

Condomínio adota geração eólica e solar

Por Chico Santos

25/08/2011

Lima, diretor da Ecoglobal, explica que o projeto não visa autonomia energética, mas economia com a conta de luz

Um condomínio residencial com oito prédios e 512 apartamentos cujas partes comuns são abastecidas com energia de origem eólica, o estacionamento é equipado com tomadas para carregar carros elétricos e a água para uso sanitário (descargas domésticas) vem de captação pluvial.

É o que promete entregar em 2016 a construtora carioca Calper, a partir de um projeto desenvolvido em conjunto com a Ecoglobal, responsável pelo projeto de sustentabilidade, e a Cintrax, que está começando a produzir no país um tipo de aerogerador de uso doméstico que se adapta ao propósito da construtora. Ao menos no Rio de Janeiro, eles garantem que é o primeiro projeto com tamanho grau de sustentabilidade.

O engenheiro Davidson Meira Jr., da Calper, um dos responsáveis pelo projeto, explica que cada edifício do condomínio será equipado com um aerogerador de 1.000 a 1.600 watts/hora e com uma bateria de placas de captação solar com a mesma capacidade. O objetivo é que haja sempre a disponibilidade de alguma energia de origem limpa para uso nas partes comuns, como portaria, corredores e até para alimentar a máquina do exaustor central do edifício, explica o engenheiro José Luiz Bastos, da Cintrax.

Como a produção será limitada, o sistema de geração própria será conectado a uma rede que, de forma automática, passa a utilizar energia da Light sempre que a demanda for superior à geração alternativa. Bastos explica que a energia produzida será convertida diretamente para consumo residencial, sem necessidade de subestações, graças a um aparelho chamado inversor de conexão à rede.

Conectada em um ponto após o relógio que marca o gasto de energia vinda de fonte externa, o sistema de geração própria poderá trazer uma economia de até 50% na conta de luz condominial, estima Bastos. Meira, da Calper, estima em até 20% a economia no custo condominial para o condomínio que será construído no Recreio dos Bandeirantes (zona oeste do Rio).

Meira explica que o projeto de geração de energia elétrica própria vai custar cerca de R$ 400 mil, com impacto de apenas R$ 800 no custo de cada apartamento. Com isso, a construtora pode vender as unidades, de dois e três dormitórios, a preços que não diferem das construções convencionais.

O ambientalista Walter Lima, diretor da Ecoglobal, disse que do ponto de vista energético o projeto não visa a autonomia, mas economia de energia, incluindo o uso de lâmpadas de LED (mais econômicas) e de motores mais econômicos nos equipamentos, como aparelhos de ar condicionado.

Sobre as tomadas para carros elétricos, Lima disse que elas serão baseadas nas especificações de recarga utilizadas por um carro que a montadora Nissan já está trazendo para o Brasil e que é utilizada também por outras montadoras, como a GM. O acesso à tomada será feito com o cartão de acesso do morador ao condomínio, de modo que o custo da recarga será debitado da cota condominial.

O ambientalista disse também que o uso de água pluvial para as descargas domésticas é inédito no Brasil e que a água da chuva será utilizadas também para regar plantas e para outras atividades de uso geral do condomínio, como lavagem de dependências, de veículos, etc. Será usado um sistema de microdrenagem do solo, de tal modo que a captação continua mesmo após a chuva.

Bastos, especializado em eletrônica, disse que até agora a Cintrax só forneceu poucos aerogeradores: para uma fazenda em Santa Catarina, para uma casa em Belo Horizonte, um prédio em Salvador e para o condomínio Via Barra, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio). Como a demanda é pequena, ele terceiriza a fabricação, mas o plano é montar uma fábrica própria.

Bastos avalia que a fábrica vai se viabilizar quando for votado no Congresso Nacional o projeto 630/2003, regulamentando a microprodução privada de energia elétrica. Com a nova lei, segundo ele, será possível produzir energia em casa e vender o eventual excedente para a distribuidora.

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Energia solar passa a ter incentivo e deve seguir o rastro da eólica

Folha de S. Paulo

23/08/11 – Mais cara entre as principais fontes alternativas, a energia solar começa a receber incentivos no país para que seu potencial finalmente possa ser tirado do papel.

A ideia é que o custo de geração a partir da luz do Sol siga o mesmo caminho da energia eólica. A geração com a força dos ventos parecia, a exemplo da energia solar, a velha promessa que nunca vingava. O governo passou, então, a fazer leilões, criando demanda e baixando o custo.

O primeiro movimento para tentar baixar o custo da energia solar vem do Ceará, que detém o maior parque de geração eólica do país. O governo local criou um fundo de incentivo à energia solar. Ele consiste em garantir a compra da energia e criar demanda para que produtores de equipamentos se instalem na região.

O governo garantirá, por meio do mercado livre, a compra da energia solar pelo período de um a dois anos.

A energia comprada será direcionada para prédios públicos. As indústrias serão incentivadas, com entrega de selos de sustentabilidade a quem adquirir energia gerada a partir da luz do Sol.

O governo cearense estuda ainda conceder incentivos fiscais a quem adquirir essa energia alternativa. Atualmente, o custo de 1 MWh (megawatt-hora) de energia solar é estimado entre R$ 400 e R$ 600.

Gerar a partir dos ventos tinha custo parecido, mas, atualmente, só perde para as usinas hidrelétricas. O custo médio do MWh no leilão realizado na semana passada ficou em torno dos R$ 99.

“A energia eólica parecia inconcebível. Hoje é realidade”, diz Zuza de Oliveira, diretor da Adece (Agência de Desenvolvimento do Ceará).

Apenas neste mês, o Brasil passou a ter sua primeira usina a produzir em escala comercial. Com 1 MW de capacidade instalada, a usina solar de Tauá, instalada na cidade cearense homônima, foi construída pela MPX, do grupo EBX, de Eike Batista.

A companhia já tem autorização para quintuplicar a produção da usina. “Acreditamos no potencial da energia solar e achamos que ela pode ter grande aproveitamento, à medida que os custos caírem”, diz Eduardo Karrer, presidente da MPX.

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Energia renovável

16/05/11

10/05/2011

Em 2050, 80% da energia será renovável, diz IPCC

Agência Estado

Um documento divulgado nesta segunda-feira pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), o órgão da ONU para as mudanças climáticas, indica que as tecnologias renováveis podem prover 80% das necessidades de energia do planeta até a metade do século XXI. ??No texto, um sumário do Relatório Especial sobre Fontes de Energia Renováveis e Mitigação da Mudança Climática (SRREN, sigla em inglês), o IPCC afirma que quase a metade dos investimentos atuais em geração de eletricidade já é voltada para as fontes renováveis. ??No entanto, o Painel afirma que o crescimento disto depende da aplicação das políticas corretas. ??”Com o apoio consistente de políticas climáticas e energéticas, as fontes renováveis de energia podem contribuir substancialmente para o bem-estar humano ao prover energia sustentavelmente e estabilizar o clima”, disse Ottmar Edenhofer, copresidente do grupo de trabalho do IPCC que produziu o estudo. ??”No entanto, o aumento substancial das (fontes) renováveis é tecnicamente e potencialmente muito desafiador”, acrescentou. ??Cenários ??O IPCC analisou no relatório 164 cenários futuros de desenvolvimento energético. Aqueles nos quais se recorreu com mais força às fontes renováveis resultaram em um corte nas emissões de gases do efeito estufa de cerca de um terço até 2050, em comparação com as projeções ligadas a tecnologias convencionais. ??Atualmente, as tecnologias renováveis suprem 12,9% da demanda global de energia. No entanto, a maior fonte, responsável por cerca de metade do total global, ainda é a queima de madeira para aquecimento e preparo de alimentos nos países em desenvolvimento. ??Isto não é sempre verdadeiramente renovável, já que nem sempre são plantadas novas árvores para compensar as que são derrubadas. ??A tecnologia que cresce mais rapidamente é a energia gerada por painéis solares conectados, que teve um aumento de 53% na capacidade instalada de 2009. No entanto, o IPCC indica que esta tecnologia continuará sendo uma das mais caras pelos próximos anos. ??Das várias tecnologias disponíveis, a bioenergia é considerada a de maior potencial de crescimento em longo prazo, seguida pela energia solar e pela energia eólica. ??No entanto, o IPCC afirma que os governos terão de acelerar suas políticas para estimular o investimento em fontes renováveis se quiser que esta indústria cresça substancialmente. ??Saber se os governos farão isto ou não será um fator determinante para que as metas climáticas globais sejam atingidas, diz o relatório. ??Energia de sobra ??O estudo também conclui que há mais que o necessário para atingir as necessidades de energia atuais e futuras do planeta. ??”O relatório claramente demonstra que as tecnologias renováveis podem suprir o mundo com mais energia do que ele pode vir a necessitar e a um custo altamente competitivo”, disse Steve Sawyer, secretário-geral do Conselho Global de Energia Eólica. ??”O relatório do IPCC será uma referência-chave tanto para autores de políticas públicas quanto para a indústria, pois representa a mais abrangente revisão de alto nível da energia renovável até agora”, afirmou. ??O IPCC é responsável por fornecer análises sobre assuntos climáticos para a comunidade internacional, e suas conclusões tem sido endossadas pelos governos.

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Bioeletricidade vai ter fatia maior na matriz energética

30/04/11

Vladimir Goitia | Para o Valor, de São Paulo

Valor Econômico – 28/04/2011

Embora a oferta de energia renovável tenha aumentado razoavelmente entre 2000 e 2010, período em que a participação dessa fonte passou de 41% para 48% – os restantes 52% ainda são de energia não renovável -, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que essa fatia ficará nesse patamar nos próximos nove anos. Mesmo assim, a expansão (contratada mais planejada) de fontes alternativas entre 2010 e 2019, em termos de acréscimo de potência instalada, está estimada em 14.655 MW, o equivalente a pouco mais de três usinas hidrelétricas de Belo Monte.

Desse total, 5.400 MW (37%) devem vir da geração de biomassa, superando a da eólica (36%) e a das PCH (27%), de acordo com estimativas apontadas no último Plano Decenal de Energia do governo. Isso quer dizer que o momento parece ser favorável para atrair investidores de peso para a geração de energia de biomassa, principalmente de bagaço de cana de açúcar. Mas a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) avalia que o momento aponta apenas para reformas e modernizações de usinas existentes, e não para novos projetos, já que isso exigiria soluções urgentes para uma série de entraves relacionados à conexão, à sustentabilidade e a questões fiscais e de financiamento.

Atualmente, das 434 usinas de açúcar e de álcool em operação no país, apenas 100 (23%) exportam energia para o Sistema Integrado Nacional (SIN). Em São Paulo, Estado mais importante no cenário sucroalcooleiro, esse percentual é um pouco maior. De 182 usinas, 54 (30%) exportam sua energia ao sistema. “Ainda é muito pouco, diante do que poderia ser produzido e exportado”, avalia Zilmar José de Souza, assessor de Bioeletricidade da Unica. A própria EPE reconhece que, em relação ao volume total de bagaço produzido no Brasil, a quantidade de energia elétrica excedente comercializada a partir desse insumo ainda é muito pequena.

Da capacidade instalada hoje, que é de 6.325 MW, que representa 5,5% da matriz energética do país, o setor está exportando apenas 1.100 MW médios, o equivalente ao atendimento anual de 5 milhões de consumidores residenciais. Embora essa exportação tenha crescido de 126 MW médios, em 2005, para 1.110 MW médios no ano passado, essa quantidade significa apenas 2% a 3% do consumo nacional.

A Unica estima que o potencial de bioeletricidade excedente com utilização de bagaço de cana e palha possa chegar a 8.158 MW médios em 2015/2016 e a 13.158 MW médios em 2020/2021. Ou seja, seria possível quintuplicar a participação (15%) na matriz elétrica brasileira até esse período, na opinião de Zilmar. Mas, de acordo com ele, para isso será necessário que o governo promova um programa de inserção para a bioenergia através da definição de leilões anuais e regulares capazes de manter e expandir a cadeia produtiva da bioeletricidade. Em 2009, por exemplo, as fontes alternativas não entraram no leilão de energia.

Ele ressalta também que seria importante a criação de um programa de eficiência energética no setor sucroenergético para promover o retrofit (reforma das usinas existentes) e o aproveitamento da palha, que tem duas vezes o poder calorífico do bagaço de cana para a geração de bioeletricidade.

Além disso, defende Zilmar, “precisamos de critérios de precificação, no âmbito dos leilões, que possam refletir o aspecto de sustentabilidade para cada fonte”. Para ele, não é adequado as fontes de biomassa competirem nos leilões pela mesma demanda com outras não renováveis, como o gás natural. De acordo com o assessor da Unica, cada MWh da biomassa, por exemplo, evita quase 300 quilos de CO2 no ambiente, comparativamente ao mesmo MWh produzido por meio do gás natural.

Zilmar lembra ainda que, em julho deste ano será realizado um Leilão A-3, principal nicho para as fontes alternativas, mas os produtores de energia de biomassa terão de concorrer com os de gás natural, os de eólica e os de termelétricas. “Por isso, defendemos a diferenciação nos critérios de precificação”, acrescenta.

Também já está definido que o setor de biomassa concorrerá com as eólicas no próximo Leilão de Reserva, marcado para julho. Mas as eólicas terão uma isenção no ICMS. E isso, de acordo com Zilmar, já representa quase 10% em qualquer projeto de investimento. “Temos necessidade de uniformização nas condições para uma concorrência mais equilibrada, ou até leilões separados.”

Finalmente, a Unica espera e torce pelo aprimoramento da governança regulatória entre geradores de bioeletricidade e os acessados (distribuidoras e transmissoras). Para Zilmar, também seria importante que se promovesse um amplo debate entre geradoras e distribuidoras/transmissoras no que se refere ao acesso às redes. De acordo com ele, falhas nas regras de acesso encareceriam hoje um projeto em pelo menos 30% .

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Energia renovável vira negócio de grandes investidores

30/04/11

16 de abril de 2011

O Estado de S.Paulo

Brasil registra 2 ciclos de expansão da geração de energia elétrica a partir das fontes renováveis. O primeiro, no final dos anos 90, foi baseado em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). O segundo, em curso, caracteriza-se pela expansão dos parques eólicos. Além das fontes, conjuntura econômica e mecanismos de formação de preços distinguem um ciclo e outro, determinando, inclusive, o perfil do investidor.

As PCHs foram erguidas em um período de refluxo na construção das hidrelétricas de médio e grande porte, que perderam sua atratividade para os grandes investidores em função das dificuldades na obtenção de licenciamento e da pressão da opinião pública contra o impacto socioambiental. Nesse vácuo, entraram os pequenos empreendedores estimulados pela garantia de venda da produção para o programa federal ProInfa, pelo qual a Eletrobrás adquiria, por um preço prefixado e subsidiado, a energia elétrica produzida. O Proinfa também era válido para as demais fontes renováveis, mas à época as eólicas tinham baixa competitividade em função do alto custo dos equipamentos e do pouco conhecimento existente no País sobre o regime dos ventos. Ambos aumentavam significativamente o risco econômico/financeiro dos projetos e coibiam a obtenção de financiamentos.

Nos últimos dois anos, porém, houve sensível alteração na conjuntura. A partir da crise econômica de 2009, o preço dos equipamentos para eólicas, que já estava em declínio em função do avanço tecnológico (que permitiu a produção em escala), recuou significativamente. Isso porque um dos desdobramentos da crise foi a redução do ritmo de construção de parques eólicos nos EUA e países europeus – o que provocou a retração da demanda pelos equipamentos. Esse movimento não beneficiou as PCHs, que têm na construção civil o maior item de custo.

No Brasil, no mesmo ano, o governo realizou o primeiro leilão de venda de energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis. Até então, além do Proinfa, a energia era vendida por contratos bilaterais. Os leilões embutiram, porém, benefícios adicionais: regulamentação estável, preços definidos e contratos de venda de energia de longo prazo, que se transformaram em garantia a financiamentos.

Outro leilão foi realizado em 2010 e um terceiro está programado para 2011. Submetidos a uma rígida regulamentação, eles permitem a substituição dos preços oficiais subsidiados pelos preços de mercado, determinados por um processo transparente de oferta. E preços de mercado, maior experiência no segmento e redução de custos na aquisição de equipamentos permitem que o negócio “energia renovável eólica” apresente uma relação custo/benefício compatível com as fontes tradicionais, extrapolando o nicho dos pequenos empreendedores para participar da carteira dos grandes investidores. Para que a tendência se consolide é necessário, agora, que as regras permaneçam estáveis e que toda a potencialidade das fontes renováveis seja refletida no planejamento de longo prazo do setor elétrico.

SÓCIO-DIRETOR DA TEMPO GIUSTO CONSULTORIA EMPRESARIAL E ESPECIALISTA EM ENERGIA ELÉTRICA

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