Pesquisadores querem tecnologia para ondas do mar

19/01/10

De São Paulo

20/10/2009

Assim como ocorre com os ventos, o Brasil é privilegiado em termos de radiação solar. Segundo o Atlas Solarimétrico de 2007, a radiação varia entre 6 e 22 MJ (megajoules) por metro quadrado durante o dia, sendo as menores incidências solares entre maio e julho, variando entre 8 e 18 MJ/m2. É uma radiação comparável às melhores regiões do mundo em potencial solar, como a cidade de Dongola, no deserto do Sudão.

“As vantagens da energia solar só agora começam a ser mais conhecidas e valorizadas no país”, diz Marcelo Mesquita, diretor do Departamento Nacional de Aquecimento Solar da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento).

As áreas com maior potencial solar no Brasil estão situadas no semiárido, principalmente nos Estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande Norte e Piauí. É justamente nessas regiões que a luz elétrica ainda chega com dificuldade, principalmente em zonas rurais, por depender de grandes redes de fiação.

Para viabilizar o programa Luz para Todos, o governo federal vem investindo em painéis termo-solares para cumprir a meta de até 2010 iluminar cerca de 10 milhões de residências.

O Estado onde está sendo construída a primeira grande usina de energia termo-solar é o Rio Grande do Norte, com capacidade de produzir 30 MW. Segundo maior produtor de petróleo do país, o governo estadual, em parceria com a Petrobras, resolveu inovar. Localizada na região do Vale do Assu, a usina aproveitaria o vapor gerado – em períodos de não fornecimento de energia para a rede – para a reinjeção em poços produtores de petróleo da Bacia Potiguar.

“Já fazemos desde 2008 com a Termoaçu (uma usina termelétrica de cogeração que produz energia elétrica e vapor de água, utilizando gás natural como combustível), que injeta vapor em caso de necessidade. A ideia é viabilizar essa energia como forma de otimizar recursos.”, explica Jean Paul Prado.

O Pólo Guamaré, no Rio Grande do Norte, terá um complexo de energia que agrega além da Termoaçu, a Refinaria Carla Camarão e dois parques eólicos, o Alegria I e II.

Outra iniciativa importante está sendo realizada no Ceará. Ainda em estudos, a MPX está estruturando a montagem de uma planta piloto que, na primeira fase, terá 1 MW de energia solar fornecida a partir do município de Tauá. A empresa assinou memorando de entendimentos com a Baoding Tianwei Yingli New Energy Resources visando desenvolver uma parceria prospectiva em projetos relacionados à geração de energia de fonte solar.

Como não podia faltar no repertório de energias renováveis de um país tropical como o Brasil a energia das ondas também começa a ter um crescente interesse por investimentos. E o Ceará deve gerar 100 KW, suficientes para acender mais de 1.600 lâmpadas comuns de 60 watts, com um investimento de R$ 15 milhões. Os recursos são do governo do Estado e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na categoria Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologia (P&D), aportados à Tractebel Energia, empresa controlada pelo grupo GDF Suez.

Em parceria com a Coordenação de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), a ideia é colocar em funcionamento até 2011 o primeiro protótipo de Conversor de Energia Elétrica a partir das ondas do mar.

Com a implantação desse projeto, espera-se o desenvolvimento de uma tecnologia nacional e inovadora que poderá evitar no futuro o pagamento de royalties ao exterior na geração de energia a partir desta fonte.
Similar a uma usina hidrelétrica de geração de energia, o conversor será construído nos molhes do Porto de Pecém (CE) devido às condições marítimas favoráveis, uma vez que em 90% do tempo as ondas ali existentes são adequadas para a geração de energia elétrica. Todo o protótipo, na sua concepção teórica e na construção do modelo em escala reduzida, foi integralmente desenvolvido por pesquisadores da Coppe/UFRJ.

Segundo pesquisas dos especialistas da universidade, o Brasil, com mais de 8 mil quilômetros de litoral, tem potencial para suprir até 15% de sua demanda energética utilizando as ondas do mar convertidas em energia elétrica. (F.P.)

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

5/01/10

31/12/2009

China torna-se 3º produtor mundial de energia eólica, diz agência oficial do país

da France Presse, em Pequim

A China superou a Espanha e se converteu em 2009 no terceiro país com maior capacidade instalada de energia eólica, anunciou a agência oficial Nova China.

A capacidade eólica do país alcançou neste fim de ano os 20 gigawatts (GW), declarou Shi Lishan, vice-diretor do Departamento de Energias Renováveis da Administração Nacional de Energia.

Segundo a fonte, a China se situa agora na frente da Espanha, e atrás dos Estados Unidos e Alemanha.
Os Estados Unidos dispunham de uma capacidade instalada de 25,2 gigawatts no final de 2008 (20,8% da capacidade mundial), a Espanha 16,8 GW e China de 12,2 GW, segundo estatísticas oficiais chinesas.

A progressão chinesa é claramente superior à evolução mundial. Em 2008, a potência instalada dobrou pelo quarto ano consecutivo.

“Em termos de amplitude e de ritmo, o desenvolvimento eólico na China não tem equivalente no mundo”, enfatizou Steve Sawye, secretário-geral do Global Wind Energy Council (GWEC).

A China, o primeiro emissor mundial de gases de efeito estufa, deseja que as energias renováveis representem 15% de seu abastecimento energético até 2020, frente aos 9% do ano passado.

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29/12/2009 – 12h12

Lei na China obriga distribuidoras a comprar energia limpa renovável

da Folha de S. Paulo

A Assembleia Nacional da China aprovou na semana passada uma emenda legislativa que obriga as empresas distribuidoras de energia a comprar toda a eletricidade produzida por fontes renováveis.
A norma prevê multas para concessionárias que violarem a nova regra.

Se uma usina eólica, por exemplo, perder dinheiro por não conseguir repassar a energia que produziu, a distribuidora conectada a seu sistema terá de ressarci-la com o dobro do valor do prejuízo.

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

15/11/09

Bagaço de cana ajuda a iluminar interior do Estado

Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
12/11/2009

O interior do Estado de São Paulo recebeu uma ajuda indireta das usinas de açúcar e álcool que fornecem energia a partir do bagaço de cana para as distribuidoras. O Estado conta com 54 usinas interligadas à rede.
“Parte dessas usinas sucroalcooleiras ajudou a mitigar o efeito do apagão no interior do Estado”, afirmou Zilmar José de Souza, assessor em bioeletricidade da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). As usinas paulistas têm, sobretudo, contratos de fornecimento com a CPFL Paulista e a Elektro.

Segundo Souza, essas 54 usinas colocam na rede energia suficiente para iluminar uma cidade de 1,4 milhão de habitantes – o equivalente a duas cidades como Ribeirão Preto, o maior polo produtor de cana no país. Boa parte destas unidades está instalada na região de Ribeirão Preto e no Oeste e Noroeste paulista.
A energia a partir da biomassa virou importante alternativa de fonte para a matriz energética do país. Mas sua representatividade ainda é pequena. “O setor sucroalcooleiro ajuda a tornar o sistema menos vulnerável”, afirmou Souza.

O potencial de fornecimento de energia a partir do bagaço das usinas de açúcar e álcool do Brasil equivale a um complexo do Madeira (um total de 6.000 MW). Mas o que é comercializado efetivamente por cerca de 88 usinas do país, de um total de 400, representa cerca de 25% desse potencial.

As usinas brasileiras chegaram a anunciar investimentos em cogeração de energia de cerca de R$ 4 bilhões nos próximos anos. No entanto, o apetite foi contido pela crise financeira pela qual essas empresas passam desde o ano passado.

Muitos grupos sucroalcooleiros firmaram contratos de longo prazo com as distribuidoras de energia. E muitas distribuidoras fecharam parcerias com usinas sucroalcooleiras para bancar os projetos de cogeração de energia no país. No leilão de reserva realizado pelo governo no ano passado, 31 usinas venderam 548 MW médios de energia a partir do bagaço (o que equivale a 1.096 MW de potência instalada, considerando que a usina produz energia somente no período de seis meses de safra).

O grupo Cosan, a maior companhia sucroalcooleira do mundo, foi um dos que mais investiu em cogeração de energia nestes três últimos anos.

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Prospeção atrai novas empresas

Do Rio
10/11/2009

Divulgação

Dominique Mauppin: “Trabalho de prospecção e promoção comercial atingirá, ao todo, mil empresas francesas em 2009, contra 200 de três anos atrás”

As perspectivas para a geração de energia alternativa têm atraído novas empresas francesas ao país. Em 2008, após um período de observação do mercado, a gigante Areva – presente em 41 países – adquiriu o controle da brasileira Koblitz, empresa de engenharia fundada em 1975 e com mais de 300 projetos de usinas de biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Segundo o diretor comercial da Areva Koblitz, Romero Rêgo, a operação brasileira representa hoje 30% da receita mundial da divisão de renováveis da Areva. “Os projetos para biomassa respondem por 70% do faturamento no Brasil e continuarão a ser o carro-chefe”, informa Rêgo.

Presente na Grécia e na Guiana Francesa, a Voltalia chegou ao Brasil há três anos e quer gerar, a partir de 2013, 200 MW por meio de uma combinação de usinas eólicas e PCHs. A companhia levará ao leilão de energia eólica do governo quatro usinas no Ceará, com capacidade total de 109 MW, e planeja iniciar em 2010 a construção de duas PCHs em MG, com total de 6MW, e uma no Amapá, com 7,5 MW. “Estimamos grande potencial para o mercado brasileiro”, diz o diretor-executivo Robert Klein.

Com foco na produção de energia fotovoltaica, a ReWATT escolheu Fortaleza como sede da filial brasileira, atraída pela vocação do Estado para geração solar. “Deve ter um dos maiores rendimentos do mundo”, observa o diretor Philippe Byron, que no fim de outubro foi à Cemig conhecer a experiência da empresa em geração fotovoltaica e avaliar possibilidades de parceria. Segundo ele, a exemplo do que ocorreu em outros países, o desenvolvimento da geração solar no Brasil precisa de apoio do governo, o que levaria, entre outros benefícios, à criação de uma cadeia produtiva, com importante geração de empregos.

Um exemplo do possível efeito propagador mencionado por Byron é o interesse com que a Dubuit, tradicional fabricante de máquinas para serigrafia, há 45 anos no país, acompanha as discussões sobre energia solar no Brasil. Na França, desde a década de 90 a companhia fabrica máquinas para aplicação de prata nas células usadas na geração fotovoltaica. “Provavelmente, com um mercado crescendo aqui, seria estudada a possibilidade de fabricar essas máquinas no Brasil”, diz Gregory Brette, responsável de exportação e importação do Grupo Dubuit na América Latina.

Vista com menos entusiasmo por formuladores da política de energia elétrica do governo brasileiro, que por enquanto a consideram cara e aplicável apenas a fins específicos, a geração solar tem obtido crescimento relevante na França – embora represente menos de 0,5% da matriz – e em outros países do mundo. “É impressionante a quantidade de energia solar disponível e o uso que fazemos dela. É um desperdício”, comentou Jean-Luc Hognon, gerente de projetos do CEA-Liten (Laboratório de Inovação em Tecnologias de Energias Novas e Nanomateriais, ligado ao Comissariado de Energia Atômica da França), que veio ao Brasil conhecer o mercado e avaliar possibilidades de parceria. Com três principais áreas de atuação – energia solar, transportes do futuro e aplicação de nanomateriais na energia -, o Liten é um dos principais centros europeus de pesquisa em novas tecnologias na área de energia e em 2008 registrou 96 novas patentes.

Especializada em energias renováveis e monitoramento do meio ambiente, a consultoria Enviroconsult também vê espaço para bons negócios no Brasil. Segundo o diretor-geral, Olivier Decherf, a empresa negocia com o governo do Rio Grande do Sul um contrato de monitoramento da qualidade do ar em parceria com a Voltalia e apoio do governo francês. Com experiência nos Jogos Olímpicos de Pequim – onde a empresa atuou na melhoria da qualidade do ar -, o executivo quer participar do planejamento da Olimpíada do Rio de Janeiro. “Os próximos cinco, seis anos vão ser desafiadores e instigantes no Rio”, comenta.

Neste cenário movimentado, a Proparco, instituição de fomento administrada pelo governo francês em parceria com acionistas privados, chegou ao país em 2007 com o objetivo de conceder US$ 100 milhões ao ano em financiamentos para o setor privado, principalmente em projetos de energias renováveis, eficiência energética, biocombustíveis e outras áreas que promovam o desenvolvimento sustentável. “Não queremos competir com o BNDES ou com a Caixa. Temos complementaridade”, afirmou o representante da Proparco no Brasil e na América do Sul, Christophe Blanchot.

Essas e outras empresas francesas – como Converteam, Ugimag e Velcan – estiveram no Rio no fim de outubro para participar do Seminário França-Brasil de Energias Renováveis e Biocombustíveis, realizado pela Ubifrance (agência do governo francês para internacionalização das empresas), pela rede das missões econômicas do governo da França no Brasil e pela Câmara de Comércio França-Brasil.

Segundo Dominique Mauppin, representante da Ubifrance no Brasil e chefe da missão econômica de São Paulo, até o fim do ano terão sido 60 eventos com a participação de empresas francesas, entre seminários e feiras internacionais. O trabalho de prospecção e promoção atingirá, ao todo, mil empresas francesas em 2009, contra 200 de três anos atrás. De lá para cá, o número de companhias que, depois de contatadas, decidiram vir ao Brasil por pelo menos uma semana passou de 80 para 500.

“Em novembro do ano passado, para o lançamento do Ano da França no Brasil, atraímos 116 empresas francesas para uma semana e, dez meses depois, sabemos que mais de 40 delas ou abriram filial ou fizeram algum contrato no país, seja de venda ou parceria com empresa brasileira.” (D.H.)

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Fontes alternativas despertam interesse

Diogo de Hollanda, para o Valor, do Rio
10/11/2009

O tamanho do mercado, as perspectivas favoráveis para a demanda e o potencial de produção fizeram do Brasil, desde a década de 80, um destino atraente para companhias francesas de energia. Mas, agora, a necessidade de diversificação da matriz elétrica brasileira, com investimentos em energia eólica, biomassa e outras fontes alternativas e renováveis, propicia uma nova oportunidade para as empresas: trazer para o Brasil a experiência que adquiriram na França e em outros países e obter posição de destaque em um mercado promissor que está apenas dando os primeiros passos.

Com importância ampliada devido à tendência de redução da capacidade de armazenamento do parque hidrelétrico -consequência, principalmente, da impossibilidade de construir reservatórios nos novos projetos, a maioria na Região Norte -, a exploração de fontes alternativas no país ainda é ínfima diante das perspectivas apontadas por especialistas. As estimativas oficiais, consideradas conservadoras, somente o potencial para geração eólica poderia saltar dos atuais 603 megawatts (MW) para 143 mil MW – mais do que toda a capacidade instalada de energia do Brasil, de 106 mil MW. Hoje, a energia eólica participa com menos de 1% da matriz elétrica brasileira, ao passo que, na França, impulsionado pelo programa de ações para o meio ambiente do governo (Programa Grenelle), o percentual caminha para 4%.

A Alstom, fabricante de equipamentos com forte presença em hidrelétricas e termelétricas, estuda construir uma fábrica especificamente para projetos de energia eólica. Segundo o vice-presidente para a área de energia da empresa, Marcos Costa, a decisão depende do anúncio de regras que deem previsibilidade para o segmento, como a fixação de um ritmo regular nos leilões de compra de energia promovidos pelo governo e a definição de uma tarifa que viabilize os investimentos.

Sem revelar o investimento, Costa destaca que uma nova fábrica teria forte potencial de geração de empregos e ter toda a cadeia produtiva instalada no Brasil. Hoje, apenas na área de energia, a Alstom emprega 2,5 mil pessoas no país. Com a inauguração, até o fim do ano, de uma unidade em Rondônia, em parceria com a Bardella, o número será próximo de 2,8 mil.

Para diversificar sua carteira de encomendas – mais de 70% composta por hidrelétricas -, a Alstom pretende assinar em 2010 os primeiros contratos de fornecimento com eólicas no Brasil. A companhia fez propostas para vários dos investidores que vão participar do leilão de compra de energia de reserva marcado para 14 de dezembro pelo governo. Presente em mais de 70 países, a multinacional começou a atuar em energia eólica em 2007, com a aquisição da Ecotècnia, empresa espanhola com mais de 20 anos no segmento.

Controlada pelo grupo GDF Suez – que, internacionalmente, tem mostrado apetite pela energia a partir dos ventos -, a Tractebel cadastrou 11 novas usinas para o leilão do governo. Juntos, os 11 projetos têm potência total de 300 MW, sete vezes a atual capacidade instalada da empresa em energia eólica, dividida em uma planta de 18 MW no Piauí e outra de 26 MW no Ceará. A companhia, maior geradora privada de energia do país, também tem duas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e uma usina de geração por biomassa (resíduos de madeira) no segmento que denomina energias complementares e que hoje representa apenas 2% de sua capacidade de geração, de 6.432 MW. Do restante, 18% vêm de usinas térmicas (seis unidades) e 80% de hidrelétricas (oito plantas, sem incluir os projetos em desenvolvimento, como Estreito e Jirau, por enquanto sob a estrutura da coligada GDF Suez Energy Brasil).

“Temos a diretriz de aumentar a participação das fontes complementares no nosso portfólio” diz o gerente de desenvolvimento de negócios da Tractebel, Carlos Alberto Gothe, ressaltando que a energia hidrelétrica vai continuar “por muitas décadas” como a base da matriz brasileira. Hoje, cerca de 75% da energia provê de fontes hídricas.

Em parceria com universidades, a Tractebel também desenvolve projetos piloto para outras modalidades de geração, como solar e a partir da força das ondas. No primeiro caso, a empresa instalou com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) três sistemas de geração fotovoltaica em edifícios de Florianópolis, com o objetivo de observar o rendimento e avaliar as possibilidades de aplicação. Já o projeto de energia das ondas, em parceria com a Coppe/UFRJ, prevê a geração, a partir de 2011, de 100 mil watts de eletricidade no Porto de Pecém (CE) – o suficiente para acender 1,6 mil lâmpadas comuns de 60 watts. Segundo estimativas da Coppe, o Brasil poderia atender 15% de sua demanda energética somente utilizando a força das ondas.
Outra modalidade com significativo potencial, a geração por biomassa (oriunda de matéria orgânica como cana-de-açúcar e resíduos de madeira) também atrai o interesse de companhias da França. Um dos maiores propulsores é o setor sucroalcooleiro, onde uma multinacional francesa, a Louis Dreyfus Commodities, acaba de se tornar a segunda maior empresa do ramo, ao comprar a Santelisa Vale.

Antes de 2001, quando foi adquirida pela Tereos – cooperativa que reúne 12 mil agricultores franceses e é a quarta maior produtora mundial de açúcar, álcool e produtos à base de amido -, a Açúcar Guarani só produzia energia suficiente para consumo próprio. Hoje, além de abastecer suas cinco usinas, a empresa tem capacidade excedente de 24 MW comercializada no mercado livre. Por enquanto, a venda representa apenas 2% da receita da empresa, mas, segundo Jean Claude Religieux, do conselho de administração da Guarani, pode chegar a 10% dentro de dez anos.

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

26/10/09

Empresas têm incentivo para investir em energia renovável

De Paris
23/10/2009

As empresas francesas contam com financiamento estatal para investir em energias renováveis tanto no Brasil como no exterior. Na França, a EDF, que é controlada pelo governo, compra energia renovável, seja resultante de projetos eólicos, geotérmicos ou biomassa, que recebem isenção fiscal através do imposto de renda.

A compra é garantida inclusive no caso da pequena geração de residências que tenham investido para consumir energia alternativa. Já existem casas com todo o suprimento de energia por painéis solares, cujo excedente é vendido pela EDF, que recebe financiamento do governo para complementar parte da compra, já que a energia de fontes renováveis é mais cara.

Assim como todos os países da União Europeia, a França se comprometeu a reduzir em 20% a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa, consumir 20% de energias renováveis e reduzir em 20% seu consumo de energia até 2020, na comparação com os níveis da década de 90. Para alcançar essas metas o governo começou em 2007 as negociações do programa Grennelle ambiental, em referência aos acordos sociais firmados em maio de 1968, que é considerado o “New Deal” francês, com orçamento de € 460 bilhões.

“A ideia é que se tenha, nos próximos 15 ou 20 anos tecnologias que todos possam usar em suas casas e com preço de energia equivalente ao que se tem hoje”, explica Cécile Martin Phipps, responsável pelos projetos e parcerias com instituições de crédito multilaterais da Agência de Desenvolvimento da Matriz Energética francesa (Ademe).

Para ajudar empresas a implementar programas “verdes” a Ademe conta com um orçamento de € 557 milhões este ano. O volume mais que dobrou em relação aos € 249 milhões investidos em 2008. Ligada a dois ministérios, a agência financia pesquisas para o desenvolvimento de tecnologias “verdes” ainda não disponíveis – exceto os setores nuclear e de águas – incluindo biocombustíveis a partir da lignocelulose.

Na França a meta é aumentar a participação dos biocombustíveis na matriz energética, hoje de 5,7%, para 10% em 2010 e 20% em 2020. Apesar de elogiarem a eficiência do álcool brasileiro, cujo ciclo de vida tem efeito 90% menor sobre o ambiente do que o petróleo – ante os 20% do combustível produzido à base de beterraba, milho e trigo – a Ademe avalia que o álcool não é ideal para as metas francesas. “Se a França importar álcool, vai consumir o combustível dos navios e isso poluiria o ambiente”, explica Philippe Masset, chefe do departamento de programas e projetos especiais da Ademe. Assim, o foco é reaproveitar material orgânico e lixo industrial produzido no próprio país numa segunda geração de biocombustíveis.

No Brasil a agência tem acordos com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), ligado ao governo do Rio, para medir a qualidade do ar e elaborar um plano climático territorial, a exemplo do que foi feito na cidade de Bordeaux com o objetivo de reduzir as emissões. “Como vai sediar a próxima Copa do Mundo e a Olimpíada de 2016, o Rio quer ter sua imagem ligada à energia limpa”, diz Cécile.

A Ademe também tem acordos com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e com a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) de Porto Alegre, que entra em vigor em 2010. Cada projeto deve custar cerca de US$ 1 milhão por cidade segundo Cécile. Apesar do “boom” verde, a França também está construindo em seu território um dos dois reatores nucleares pressurizados europeus, em Flamanville (o outro está sendo feito na Finlândia). A usina terá capacidade de gerar 1.600 MW usando uma nova tecnologia que, em vez de gerar calor através da fissão nuclear (como os reatores atuais) vai gerar energia por meio de fusão nuclear. (CS)

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Grupo pede política para biomassa

De São Paulo
22/10/2009

Muitos projetos de geração de energia a partir de biomassa tiveram que ser adiados em função da crise, mas começa a surgir um movimento cobrando a criação de uma política de governo que incentive leilões de energia específico para esse tipo de projeto. Uma das propostas é do Grupo de Estudos do Setor Elétrico do Instituto de Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Quem encampa a ideia é o professor Nivalde de Castro, que tem sido cotado para assumir uma das vagas que serão abertas na diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e segundo os agentes do setor tem uma visão muito ligada ao diretor-geral da agência.

Um estudo feito pelo grupo do professor Castro mostra a forte complementaridade existente entre o período das chuvas no Brasil e as épocas de colheita do bagaço de cana. Assim, no período de baixa geração de energia hidráulica, ela poderia ser substituída pela geração de energia da biomassa. No ano passado, o governo realizou um leilão especifico para a venda de energia a partir da biomassa, mas a ideia é fazer com que esse seja uma política para alterar a matriz energética brasileira.

“Com as usinas hidrelétricas novas que estão sendo construídas, sem reservatório, essa complementariedade é essencial”, defende o professor. Ele lembra que esse complemento é feito por usinas termelétricas que quando precisam gerar energia efetivamente encarecem o custo e afeta os consumidores. Além disso, uma série de usinas térmicas vendidas no ano passado podem ter dificuldade de entrar em operação.

Os projetos de biomassa perderam a popularidade com a crise, que atingiu os usineiros, mas também foram afetados pela sobreoferta de energia com a redução do consumo. A dificuldade dos usineiros acabou levando muitos empreendedores a mudarem suas estratégias e partir para a geração de energia eólica, que é mais cara e a maior parte dos equipamentos são importados. O estudo propõe que novos leilões de energia de reserva sejam realizados até que seja realizado uma alteração na forma de cálculo de garantias físicas e assim dar competitividade aos projetos de biomassa frente as termelétricas que hoje são frequentes nos leilões anuais de energia. (JG)

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