INFRAESTRUTURA

23/08/10

Governo prepara concessões de dois portos

André Borges e Tarso Veloso, de Brasília
19/08/2010

O governo vai lançar até o fim do ano duas concessões para a construção dos novos portos que serão instalados em Manaus e em Aratu, na Bahia. Nas próximas semanas, a Secretaria Especial dos Portos (SEP) deve começar a receber propostas para tocar os projetos. A estimativa é de que o porto de Manaus receba investimentos de R$ 250 milhões. A instalação, segundo o ministro dos Portos, Pedro Brito, vai se concentrar no transporte de contêineres. Em Aratu, a previsão é de que os investimentos cheguem a R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos. O projeto do porto baiano, que contará com a participação da Braskem, será usado para a movimentação de todo tipo de carga.
Os portos brasileiros, a exemplo da maior parte dos países, pertencem ao governo e são concedidos a operações privadas, por meio de licitação. A abertura dos novos portos é uma das ações para tentar reduzir os gargalos do setor, entre eles o prazo de desembaraço de mercadorias. Hoje o tempo médio gasto para liberação de mercadorias no Brasil é de 5,4 dias, enquanto em países como China e Cingapura a média é de um dia.
Ontem, durante evento do setor portuário realizado em Brasília, Brito também lembrou do projeto “porto sem papel”, que está em fase de testes em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O plano é integrar em um único banco de dados as informações sobre as embarcações e o tráfego das mercadorias. Quando estiver em pleno funcionamento, o projeto prevê a redução de 25% no tempo de estadia de embarcações.
A projeção da secretaria é de que a iniciativa privada invista US$ 21 bilhões no setor portuário nos próximos cinco anos. No plano de investimento do governo, está prevista a injeção de R$ 7,5 bilhões entre os anos de 2008 e 2015.
Apesar de destacar o papel financiador do governo no setor portuário, Brito afirmou que os portos, por si só, devem caminhar para um modelo em que sejam lucrativos e tenham recursos suficientes para bancar sua expansão. “Não há sentido nenhum no governo financiar sozinho isso. É preciso profissionalizar a gestão para que cada porto gere seu próprio caixa.”
A SEP fechou um contrato com a Universidade Federal de Santa Catarina e o Porto de Roterdã, na Holanda, para elaborar o “Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP)”, que prevê um conjunto de iniciativas nos próximos 20 anos em 12 portos. A ideia é que, a exemplo de Santos, cada porto tenha seu plano diretor definido.
As metas do governo previstas no PAC 2 incluem o investimento de mais R$ 1 bilhão no programa de dragagem, que é parte do total de R$ 3,78 bilhões que o programa destinará a obras gerais no setor. A expectativa da SEP era de que o programa de dragagem fosse concluído neste ano, mas, segundo Brito, haverá atraso em alguns portos.
O porto de Santos, o maior do país, é o único que conta com um plano diretor. No segundo trimestre do ano, o porto registrou um crescimento de 23% na movimentação de contêineres em relação ao período do ano passado. A capacidade do porto deverá ser triplicada nos próximos 15 anos.
Durante o evento, o ministro disse que é importante o Brasil se concentrar em investir em outros modais que darão suporte aos portos, principalmente as ferrovias. “Não existe porto sem ferrovia. Hoje o modal ferroviário é insuficiente. Não podemos depender de um modal (rodoviário) para transportar mais da metade da carga de todo o país.”

Leia na fonte

INFRAESTRUTURA

16/08/10

Ferrovias vão ter salto de competitividade

De São Paulo
09/08/2010

A Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) avalia que, se o governo federal não acelerar os investimentos na expansão da malha ferroviária nacional, o setor chegará, já em 2012, a um estrangulamento, dentro dos padrões nos quais opera hoje. Otimista, porém consciente das dificuldades e da carência de recursos, o diretor-executivo da entidade, Rodrigo Vilaça, acredita que, até 2015, a malha ferroviária nacional poderá atingir 35 mil quilômetros, ante os 28,5 mil quilômetros atuais. Espera ainda que, até 2020, as linhas possam chegar a 40 mil quilômetros.

Diante dessa expectativa, os investimentos das concessionárias em 2010 devem se aproximar dos R$ 3 bilhões. “Com a ampliação da malha ferroviária e com os recursos disponíveis das concessionárias, esperamos dar um salto na produtividade”, diz Vilaça. De acordo com ele, se as linhas férreas crescerem para 35 mil quilômetros até 2015, a carga transportada poderá passar das atuais 460 milhões de toneladas úteis por ano para mais de 600 milhões de toneladas úteis.

Isso quer dizer que, de acordo com o executivo da ANTF, o volume da carga transportada pelo setor (minérios, produtos siderúrgicos, derivados de petróleo e álcool, produtos do agronegócio e insumos da construção civil, principalmente), em relação a tudo que é movimentado no país, cresceria de 26% para 28% em cinco anos.

O BNDES estima que o setor ferroviário deverá receber R$ 29 bilhões em investimentos até 2013. Mas é bom lembrar que, entre 1996 e 2009, o governo federal investiu R$ 1,14 bilhão, enquanto as concessionárias aplicaram nesse mesmo período R$ 20,96 bilhões.
Mas a carência de recursos públicos não está restrita apenas ao setor ferroviário. Para dotar o país de um sistema rodoviário eficiente, seriam necessários mais de R$ 180 bilhões, de acordo com o Ipea. E o PAC prevê apenas 13% desse montante. O BNDES avalia, no entanto, que o setor receberá aporte de R$ 33 bilhões entre 2010 e 2013.

A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) prefere não falar em investimentos futuros. Moacyr Duarte, presidente da entidade, acredita que todo e qualquer investimento trará redução de custos no transporte, porque ele está diretamente ligado ao tempo de viagem, entre outros fatores. Ele lembra que, entre 1996 e 2009, o setor investiu R$ 19,13 bilhões. (V.G.)

Leia na fonte

INFRAESTRUTURA

26/07/10

Brasil deve investir R$ 55,7 bi em ferrovias

22/07/2010

Estudo inclui o trem-bala e prevê que quase metade dos investimentos previstos para o período de 2010 a 2013 será financiada pelo BNDES

Alexandre Rodrigues / RIO - O Estado de S.Paulo

Incrementado pela definição do edital de licitação do Trem de Alta Velocidade (TAV) Campinas - São Paulo-Rio, o volume de investimentos no setor ferroviário deverá alcançar R$ 55,7 bilhões entre 2010 e 2013. A estimativa é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que projeta financiar quase a metade desse montante: R$ 25,7 bilhões.
Segundo Dalmo Marchetti, gerente do Departamento de Transporte e Logística do BNDES, os investimentos do setor estacionados na casa dos R$ 4 bilhões por ano deverão subir para R$ 6 bilhões anuais a partir deste ano. Tirando os R$ 33 bilhões estimados para o TAV, o setor ferroviário de cargas deverá investir R$ 24,7 bilhões até 2013. Pelo levantamento de projetos do BNDES, cerca de 36% desses recursos irão para a expansão da malha atual de 29 mil quilômetros.
Nova fase. Para o técnico do BNDES, após as concessões privadas, no fim da década de 90, e o ciclo de investimentos em ganhos de produtividade, o setor ferroviário de cargas entra numa terceira fase de desenvolvimento a partir de agora.
Embora a velocidade média ainda seja considerada baixa, as tarifas e o volume transportado por quilômetro têm subido, capitalizando as empresas para investir em expansão.
Segundo a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), o volume transportado por trilhos entre 1997 e 2009 aumentou 77,4%. A projeção para este ano é de 280 bilhões de toneladas por quilômetro útil. Os investimentos nas malhas concedidas devem somar este ano R$ 2,86 bilhões.
“A produção do setor tem aumentado 7% ao ano ao longo da última década e o investimento cresce mais rápido, 15% ao ano. Com os projetos de expansão, essa taxa vai acelerar ainda mais”, diz Marchetti.
O levantamento do BNDES estima que a as concessionárias participarão com 37% dos investimentos previstos. Já o governo, que quer expandir a malha para 40 mil quilômetros até 2020, deve contribuir com 20%. Quatro projetos da estatal Valec lideram a expansão da malha ferroviária: a Ferrovia Centro-Oeste, a Oeste-Leste, a ampliação da Norte-Sul, e a ligação Panorama-Porto Murtinho. Juntos, eles somam quase 10 mil quilômetros.
Os investimentos da Valec não terão financiamento do BNDES, mas o banco já apoia obras da iniciativa privada, como a Transnordestina e a expansão da Ferronorte. Deverá também financiar outros projetos em planejamento, como o Ferroanel de São Paulo, que contorna a região metropolitana. Até 2013, o BNDES projeta um crescimento de pelo menos 24% da malha atual.
“É uma expansão bastante significativa, se analisarmos que até 2007 não havia crescimento. A distância média do transporte em ferrovia é de 550 quilômetros. O transporte rodoviário é muito competitivo em distâncias maiores. A expansão do sistema é importante para aumentar a inserção da ferrovia no transporte de longa distância”, observa Marchetti.
Para o BNDES, o novo ciclo de investimentos em ferrovias colocará os desembolsos do banco para o setor em outro patamar. Entre 2004 e 2008, o banco liberou R$ 4,2 bilhões para ferrovias, participando de 29% do conjunto de investimentos. Agora, prevê R$ 7 bilhões até 2013 apenas para o setor ferroviário de carga.
Segundo Marchetti, a missão de financiar 60% do valor estimado para o TAV não ameaçará a perspectiva de desembolsos do banco para o setor de carga.
O vencedor da licitação deverá tomar R$ 19,9 bilhões no BNDES para tirar o trem-bala do papel, mas o banco espera contar com ajuda da União para fazer frente ao projeto.
Com os investimentos esperados pelo BNDES e o TAV, o setor ferroviário deverá responder por 52% dos investimentos do País em logística até 2013, estimados em R$ 106,6 bilhões.
O BNDES deve financiar R$ 46 bilhões do total mapeado para transportes. O restante irá para portos (14%) e rodovias (34%).

PRESTE ATENÇÃO
1. Avanço. Segundo a ANTF, a produção do setor aumentou 77,4% entre 1997 e 2009, quando atingiu 243,3 bilhões de toneladas por quilômetro útil.
2. Investimento. Entre 1997 e 2009, as concessionárias do setor investiram R$ 20,96 bilhões nas malhas sob operação privada.
3. Custo. Estimado em R$ 33,1 bilhões, o trem-bala que ligará Campinas, São Paulo e Rio consumirá 29% do investimento em logística do País mapeado pelo BNDES até 2013.
4. Modernização. Do investimento total de R$ 24,7 bilhões previstos pelo BNDES para o setor ferroviário de carga, 64% serão destinados à modernização da malha existente e renovação da frota.

Leia na fonte

MINERAÇÃO

26/07/10

Vale investe R$ 13,8 bi em logística de exportação de minério de ferro

Qui, 22 de Julho de 2010

(Fonte: Folha de São Paulo/PEDRO SOARES/DA SUCURSAL DO RIO)

Cifra será destinada a ampliar e melhorar a estrutura de escoamento da produção da empresa

Valor é quase o triplo do destinado pelo PAC 2 aos portos; obras serão na ferrovia de Carajás e em porto no Maranhão

A Vale vai investir em um projeto de infraestrutura US$ 7,8 bilhões (R$ 13,8 bilhões) até 2015, quase o triplo do que o governo reservou no PAC 2 para melhorias nos portos -R$ 5,2 bilhões.
Os recursos são destinados à extensão e à duplicação da ferrovia de Carajás e à construção de um novo píer no terminal marítimo de Ponta da Madeira (MA), porto pelo qual a mineradora escoa a maior parte de sua produção de minério de ferro.
Os investimentos integram a parte de logística do projeto da nova mina de Carajás Serra Sul, que inicialmente prevê a extração de 90 mil toneladas de minério de ferro ao ano até 2015 -hoje, a capacidade total da companhia está pouco acima de 300 mil toneladas/ano.
Ao todo, o empreendimento está orçado em US$ 11,297 bilhões -o maior da história da Vale.
Os investimentos na ferrovia e no porto já preveem uma expansão futura da nova mina -que fica próxima da atual jazida de Carajás- e antecipam um crescimento da demanda pelo produto.
“Investimos fortemente em logística para gerarmos capacidade suficiente de atendimento às novas demandas que virão”, disse Mauro Neves, diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Vale.
Pelo projeto, a Vale vai ampliar em 100 km a ferrovia de Carajás para conectá-la à nova mina. Também vai duplicar 605 km de trilhos, com o objetivo de aumentar a capacidade de transporte de minério de ferro -produto que corresponde a 35% do volume movimentado nos portos brasileiros.
Só o novo píer consumirá US$ 1 bilhão e permitirá o atracamento dos supernavios de carga da China. Terá 25 metros de profundidade e capacidade de carregamento simultâneo de dois navios. A obra estará pronta em 2014.
Ao todo, o terminal portuário receberá investimentos de US$ 2,6 bilhões até 2015 para aumentar a capacidade de embarque para 230 mil toneladas de minério de ferro até 2015 -em 2009, foram movimentados 87,3 milhões de toneladas.

Leia na fonte