INFRAESTRUTURA

13/09/10

6 de setembro de 2010

Obama anuncia plano de US$ 50 bilhões para obras de infraestrutura

Plano do presidente americano prevê reconstrução de 240 mil km de estradas.

Alessandra Corrêa BBC
Da BBC Brasil em Washington – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta segunda-feira um plano para investir US$ 50 bilhões (cerca de R$ 86 bilhões) em infraestrutura, setor considerado deficiente no país.
O plano, que depende de aprovação do Congresso, inclui investimentos em estradas, ferrovias e aeroportos e tem também o objetivo de gerar empregos.
O anúncio foi feito em um momento em que crescem as preocupações sobre o ritmo lento da recuperação da economia americana.
“Nos próximos seis anos, nós vamos reconstruir 150 mil milhas (cerca de 240 mil quilômetros) de nossas estradas”, disse Obama, em um discurso na cidade de Milwaukee, no Estado de Wisconsin (nordeste do país), para marcar o Dia do Trabalho, comemorado nesta segunda-feira nos Estados Unidos.
“Nós vamos construir e manter 4 mil milhas (aproximadamente 6,5 mil quilômetros) de ferrovias”, afirmou. “Nós vamos restaurar 150 milhas (cerca de 240 quilômetros) de pistas de pouso e decolagem e avançar para um sistema de controle de tráfego aéreo de nova geração, para reduzir o tempo de viagem e os atrasos para os viajantes americanos.”

Empregos

A alta taxa de desemprego americana, que aumentou de 9,5% para 9,6% segundo dados divulgados na última sexta-feira, é um dos principais problemas enfrentados por Obama.
“Tudo isso vai não apenas criar empregos agora, mas vai fazer com que nossa economia funcione melhor no longo prazo”, disse o presidente.
“Oito milhões de americanos perderam seus empregos durante a recessão. E apesar de termos tido oito meses consecutivos de crescimento no número de vagas no setor privado, os novos empregos não estão sendo criados com rapidez suficiente.”
Obama afirmou que vai “continuar lutando” até que a economia se recupere e que os americanos estejam de volta ao trabalho.

Déficit

O presidente disse que o plano inclui a criação de um banco de infraestrutura para financiar projetos nacionais e regionais.
Segundo ele, a proposta não vai aumentar o déficit do orçamento americano, estimado em um recorde de US$ 1,47 trilhão (cerca de R$ 2,55 trilhões) neste ano. No entanto, analistas afirmam que a aprovação do plano pelo Congresso poderá enfrentar dificuldades.
O feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos marca tradicionalmente o início da campanha para as eleições legislativas, que serão realizadas em 2 de novembro e nas quais os democratas correm o risco de perder a maioria no Congresso.
No fim de agosto, o Departamento de Comércio americano revisou para baixo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, passando dos 2,4% inicialmente estimados para uma taxa anualizada de 1,6%.
A taxa anualizada é usada para medir o PIB dos Estados Unidos e projeta qual seria a expansão em quatro trimestres consecutivos, caso o ritmo de crescimento se mantenha. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Leia na fonte

INFRAESTRUTURA

23/08/10

Governo prepara concessões de dois portos

André Borges e Tarso Veloso, de Brasília
19/08/2010

O governo vai lançar até o fim do ano duas concessões para a construção dos novos portos que serão instalados em Manaus e em Aratu, na Bahia. Nas próximas semanas, a Secretaria Especial dos Portos (SEP) deve começar a receber propostas para tocar os projetos. A estimativa é de que o porto de Manaus receba investimentos de R$ 250 milhões. A instalação, segundo o ministro dos Portos, Pedro Brito, vai se concentrar no transporte de contêineres. Em Aratu, a previsão é de que os investimentos cheguem a R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos. O projeto do porto baiano, que contará com a participação da Braskem, será usado para a movimentação de todo tipo de carga.
Os portos brasileiros, a exemplo da maior parte dos países, pertencem ao governo e são concedidos a operações privadas, por meio de licitação. A abertura dos novos portos é uma das ações para tentar reduzir os gargalos do setor, entre eles o prazo de desembaraço de mercadorias. Hoje o tempo médio gasto para liberação de mercadorias no Brasil é de 5,4 dias, enquanto em países como China e Cingapura a média é de um dia.
Ontem, durante evento do setor portuário realizado em Brasília, Brito também lembrou do projeto “porto sem papel”, que está em fase de testes em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O plano é integrar em um único banco de dados as informações sobre as embarcações e o tráfego das mercadorias. Quando estiver em pleno funcionamento, o projeto prevê a redução de 25% no tempo de estadia de embarcações.
A projeção da secretaria é de que a iniciativa privada invista US$ 21 bilhões no setor portuário nos próximos cinco anos. No plano de investimento do governo, está prevista a injeção de R$ 7,5 bilhões entre os anos de 2008 e 2015.
Apesar de destacar o papel financiador do governo no setor portuário, Brito afirmou que os portos, por si só, devem caminhar para um modelo em que sejam lucrativos e tenham recursos suficientes para bancar sua expansão. “Não há sentido nenhum no governo financiar sozinho isso. É preciso profissionalizar a gestão para que cada porto gere seu próprio caixa.”
A SEP fechou um contrato com a Universidade Federal de Santa Catarina e o Porto de Roterdã, na Holanda, para elaborar o “Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP)”, que prevê um conjunto de iniciativas nos próximos 20 anos em 12 portos. A ideia é que, a exemplo de Santos, cada porto tenha seu plano diretor definido.
As metas do governo previstas no PAC 2 incluem o investimento de mais R$ 1 bilhão no programa de dragagem, que é parte do total de R$ 3,78 bilhões que o programa destinará a obras gerais no setor. A expectativa da SEP era de que o programa de dragagem fosse concluído neste ano, mas, segundo Brito, haverá atraso em alguns portos.
O porto de Santos, o maior do país, é o único que conta com um plano diretor. No segundo trimestre do ano, o porto registrou um crescimento de 23% na movimentação de contêineres em relação ao período do ano passado. A capacidade do porto deverá ser triplicada nos próximos 15 anos.
Durante o evento, o ministro disse que é importante o Brasil se concentrar em investir em outros modais que darão suporte aos portos, principalmente as ferrovias. “Não existe porto sem ferrovia. Hoje o modal ferroviário é insuficiente. Não podemos depender de um modal (rodoviário) para transportar mais da metade da carga de todo o país.”

Leia na fonte

INFRAESTRUTURA

16/08/10

Ferrovias vão ter salto de competitividade

De São Paulo
09/08/2010

A Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) avalia que, se o governo federal não acelerar os investimentos na expansão da malha ferroviária nacional, o setor chegará, já em 2012, a um estrangulamento, dentro dos padrões nos quais opera hoje. Otimista, porém consciente das dificuldades e da carência de recursos, o diretor-executivo da entidade, Rodrigo Vilaça, acredita que, até 2015, a malha ferroviária nacional poderá atingir 35 mil quilômetros, ante os 28,5 mil quilômetros atuais. Espera ainda que, até 2020, as linhas possam chegar a 40 mil quilômetros.

Diante dessa expectativa, os investimentos das concessionárias em 2010 devem se aproximar dos R$ 3 bilhões. “Com a ampliação da malha ferroviária e com os recursos disponíveis das concessionárias, esperamos dar um salto na produtividade”, diz Vilaça. De acordo com ele, se as linhas férreas crescerem para 35 mil quilômetros até 2015, a carga transportada poderá passar das atuais 460 milhões de toneladas úteis por ano para mais de 600 milhões de toneladas úteis.

Isso quer dizer que, de acordo com o executivo da ANTF, o volume da carga transportada pelo setor (minérios, produtos siderúrgicos, derivados de petróleo e álcool, produtos do agronegócio e insumos da construção civil, principalmente), em relação a tudo que é movimentado no país, cresceria de 26% para 28% em cinco anos.

O BNDES estima que o setor ferroviário deverá receber R$ 29 bilhões em investimentos até 2013. Mas é bom lembrar que, entre 1996 e 2009, o governo federal investiu R$ 1,14 bilhão, enquanto as concessionárias aplicaram nesse mesmo período R$ 20,96 bilhões.
Mas a carência de recursos públicos não está restrita apenas ao setor ferroviário. Para dotar o país de um sistema rodoviário eficiente, seriam necessários mais de R$ 180 bilhões, de acordo com o Ipea. E o PAC prevê apenas 13% desse montante. O BNDES avalia, no entanto, que o setor receberá aporte de R$ 33 bilhões entre 2010 e 2013.

A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) prefere não falar em investimentos futuros. Moacyr Duarte, presidente da entidade, acredita que todo e qualquer investimento trará redução de custos no transporte, porque ele está diretamente ligado ao tempo de viagem, entre outros fatores. Ele lembra que, entre 1996 e 2009, o setor investiu R$ 19,13 bilhões. (V.G.)

Leia na fonte

INFRAESTRUTURA

26/07/10

Brasil deve investir R$ 55,7 bi em ferrovias

22/07/2010

Estudo inclui o trem-bala e prevê que quase metade dos investimentos previstos para o período de 2010 a 2013 será financiada pelo BNDES

Alexandre Rodrigues / RIO – O Estado de S.Paulo

Incrementado pela definição do edital de licitação do Trem de Alta Velocidade (TAV) Campinas – São Paulo-Rio, o volume de investimentos no setor ferroviário deverá alcançar R$ 55,7 bilhões entre 2010 e 2013. A estimativa é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que projeta financiar quase a metade desse montante: R$ 25,7 bilhões.
Segundo Dalmo Marchetti, gerente do Departamento de Transporte e Logística do BNDES, os investimentos do setor estacionados na casa dos R$ 4 bilhões por ano deverão subir para R$ 6 bilhões anuais a partir deste ano. Tirando os R$ 33 bilhões estimados para o TAV, o setor ferroviário de cargas deverá investir R$ 24,7 bilhões até 2013. Pelo levantamento de projetos do BNDES, cerca de 36% desses recursos irão para a expansão da malha atual de 29 mil quilômetros.
Nova fase. Para o técnico do BNDES, após as concessões privadas, no fim da década de 90, e o ciclo de investimentos em ganhos de produtividade, o setor ferroviário de cargas entra numa terceira fase de desenvolvimento a partir de agora.
Embora a velocidade média ainda seja considerada baixa, as tarifas e o volume transportado por quilômetro têm subido, capitalizando as empresas para investir em expansão.
Segundo a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), o volume transportado por trilhos entre 1997 e 2009 aumentou 77,4%. A projeção para este ano é de 280 bilhões de toneladas por quilômetro útil. Os investimentos nas malhas concedidas devem somar este ano R$ 2,86 bilhões.
“A produção do setor tem aumentado 7% ao ano ao longo da última década e o investimento cresce mais rápido, 15% ao ano. Com os projetos de expansão, essa taxa vai acelerar ainda mais”, diz Marchetti.
O levantamento do BNDES estima que a as concessionárias participarão com 37% dos investimentos previstos. Já o governo, que quer expandir a malha para 40 mil quilômetros até 2020, deve contribuir com 20%. Quatro projetos da estatal Valec lideram a expansão da malha ferroviária: a Ferrovia Centro-Oeste, a Oeste-Leste, a ampliação da Norte-Sul, e a ligação Panorama-Porto Murtinho. Juntos, eles somam quase 10 mil quilômetros.
Os investimentos da Valec não terão financiamento do BNDES, mas o banco já apoia obras da iniciativa privada, como a Transnordestina e a expansão da Ferronorte. Deverá também financiar outros projetos em planejamento, como o Ferroanel de São Paulo, que contorna a região metropolitana. Até 2013, o BNDES projeta um crescimento de pelo menos 24% da malha atual.
“É uma expansão bastante significativa, se analisarmos que até 2007 não havia crescimento. A distância média do transporte em ferrovia é de 550 quilômetros. O transporte rodoviário é muito competitivo em distâncias maiores. A expansão do sistema é importante para aumentar a inserção da ferrovia no transporte de longa distância”, observa Marchetti.
Para o BNDES, o novo ciclo de investimentos em ferrovias colocará os desembolsos do banco para o setor em outro patamar. Entre 2004 e 2008, o banco liberou R$ 4,2 bilhões para ferrovias, participando de 29% do conjunto de investimentos. Agora, prevê R$ 7 bilhões até 2013 apenas para o setor ferroviário de carga.
Segundo Marchetti, a missão de financiar 60% do valor estimado para o TAV não ameaçará a perspectiva de desembolsos do banco para o setor de carga.
O vencedor da licitação deverá tomar R$ 19,9 bilhões no BNDES para tirar o trem-bala do papel, mas o banco espera contar com ajuda da União para fazer frente ao projeto.
Com os investimentos esperados pelo BNDES e o TAV, o setor ferroviário deverá responder por 52% dos investimentos do País em logística até 2013, estimados em R$ 106,6 bilhões.
O BNDES deve financiar R$ 46 bilhões do total mapeado para transportes. O restante irá para portos (14%) e rodovias (34%).

PRESTE ATENÇÃO
1. Avanço. Segundo a ANTF, a produção do setor aumentou 77,4% entre 1997 e 2009, quando atingiu 243,3 bilhões de toneladas por quilômetro útil.
2. Investimento. Entre 1997 e 2009, as concessionárias do setor investiram R$ 20,96 bilhões nas malhas sob operação privada.
3. Custo. Estimado em R$ 33,1 bilhões, o trem-bala que ligará Campinas, São Paulo e Rio consumirá 29% do investimento em logística do País mapeado pelo BNDES até 2013.
4. Modernização. Do investimento total de R$ 24,7 bilhões previstos pelo BNDES para o setor ferroviário de carga, 64% serão destinados à modernização da malha existente e renovação da frota.

Leia na fonte