RECURSOS HÍDRICOS

28/03/10

Brasil precisa avançar na exploração de recursos hídricos, diz Minc

Para ministro, crescimento da infraestrutura do País tem que garantir o uso sustentável da água

23 de março de 2010
Agência Brasil

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta terça-feira, 23, que o Brasil precisa avançar para garantir o uso sustentável dos recursos hídricos. “Estamos num bom momento, crescendo na infraestrutura, na redução das desigualdades sociais, mas ainda precisamos explorar melhor nossos recursos hídricos”, disse, ao participar de reunião extraordinária do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, que antecedeu a Pré-Conferência Nacional de Águas.

Arquivo/AE

Minc deixará o Ministério do Meio Ambiente para disputar novo mandato de deputado estadual no RJ

Durante a reunião, o ministro fez um balanço da sua gestão à frente da pasta. Depois de passar um ano e dez meses no comando do ministério, Minc deixará o cargo para disputar novo mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro.

Dentre as principais ações do ministério citadas por ele está a revisão do Plano Nacional de Recursos Hídricos. Minc também destacou a extensão de programas de preservação ambiental a todos os biomas brasileiros e o Plano Decenal de Saúde Ambiental, que a visa trabalhar políticas de cuidados com o lixo e a prevenção de doenças provenientes da falta de saneamento

“Os recursos hídricos precisam acompanhar algumas políticas públicas no país para evitar a poluição e o desmatamento. O conselho tem repensado no trabalho conjunto a partir de uma forma integrada para discussão dentro dessas novas perspectivas”, destacou o ministro.

De acordo com Minc, entre as conquistas no plano ambiental em 2010 também está a aprovação do projeto de lei sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que propõe o uso de ferramentas da chamada ecologia industrial, uma nova abordagem da relação entre a indústria e o meio ambiente.

Além de estimular a participação social, a Pré-Conferência Nacional de Águas, que começa hoje à noite, será uma oportunidade para a construção de novos padrões de relação entre o Estado e a sociedade, a troca de experiências, o fortalecimento do pacto social em torno da gestão sustentável dos recursos hídricos e a definição de prioridades na área.

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Reúso da água ajuda saúde e ambiente

Relatório da ONU. Tratamento de esgoto para reutilização agrícola também pode gerar renda e beneficiar a agricultura. Falta de qualidade da água mata, anualmente, 1,8 milhão de crianças menores de 5 anos, principalmente em países subdesenvolvidos

23 de março de 2010

Fernanda Fava – O Estadao de S.Paulo
ENVIADA ESPECIAL
NAIRÓBI, QUÊNIA

O tratamento de esgoto para a reutilização em processos de irrigação agrícola pode se tornar uma fonte de recursos e, ao mesmo tempo, beneficiar a agricultura, o meio ambiente e a saúde humana. Essa é a aposta dos autores do relatório Água Doente, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), lançado ontem no Rio e em Nairóbi, Quênia, durante a celebração do Dia Mundial da Água.

“Esse estudo é uma compilação de dados de diversos órgãos das Nações Unidas. A novidade é a maneira como cruzamos as informações para formular um projeto de gestão de resíduos”, disse o organizador Christian Nellemann, do Pnuma. Segundo os autores, se fossem destinados ao reúso de água apenas 25% dos recursos investidos em tratamento, o abastecimento das cidades poderia aumentar dez vezes.

A ideia é que os 2 milhões de toneladas de resíduos sólidos produzidos todos os dias passem por tratamento para serem reutilizados na fertilização e irrigação de culturas agrícolas. Esses resíduos, despejados diretamente em rios, lagos e mares, formam uma massa de 2 bilhões de toneladas de água poluída.

Um documento recente da ONU analisa que cada dólar investido em programas desse tipo pode ter retorno financeiro de até US$ 34, dependendo da região e da tecnologia empregada. “A poluição das fontes de água requer que as cidades gastem hoje muito mais dinheiro em etapas adicionais no tratamento para garantir a qualidade”, reforça Anna Tibajuka, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para Habitação.
A agricultura representa atualmente de 70% a 90% do consumo total de água. E quase metade da matéria orgânica nas águas residuais vem dessa prática. Esse material, rico em potássio, nitrogênio e fosfato, poderia substituir fertilizantes e pesticidas – um ganho econômico e também ambiental.

Saúde. O estudo ressalta as vantagens para o combate às doenças relacionadas à poluição da água. É o caso da diarreia, que mata 2,2 milhões de pessoas por ano no mundo. Ao menos 1,8 milhão de crianças menores de 5 anos morrem anualmente por doenças relacionadas à falta de qualidade da água, principalmente em países subdesenvolvidos, onde 90% do esgoto não é tratado. O problema também foi abordado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “Essas mortes são uma afronta para a humanidade e minam os esforços de muitos países”, afirmou.

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ENERGIA

24/11/09

terça-Feira, 17 de Novembro de 2009

País ainda depende de térmicas

Usinas termoelétricas, incluindo as movidas a diesel, respondem por 23,6% da capacidade de produção de energia

Leonardo Goy, BRASÍLIA

A energia das termoelétricas em construção – movidas a combustíveis fósseis, emissores de gás carbônico – equivale a mais da metade da que será acrescentada por hidrelétricas também em obras. E as usinas a diesel produzem hoje cerca de 3,9 mil megawatts (MW) – mais energia do que vai produzir, por exemplo, a Usina de Jirau, no Rio Madeira (3,3 mil MW).

As declarações do presidente sobre a matriz energética foram feitas no programa de rádio “Café com o Presidente”. Apesar de mais poluentes e mais caras, o País tem contado com as usinas térmicas e vai continuar precisando delas no futuro.

Segundo dados disponibilizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), hoje o Brasil tem uma capacidade total de produção de energia elétrica de cerca de 105,9 mil MW. As hidrelétricas são preponderantes, respondem por 75,2 mil MW (ou 71%). Mas as usinas termoelétricas (movidas a gás, diesel, óleo, carvão ou biomassa) aparecem logo em seguida, com cerca de 25 mil MW, ou 23,6% – a produção a diesel é de 3,9 mil MW.

Segundo a Aneel, hoje estão em obra 93 empreendimentos que usam a água para gerar energia. Somadas, as futuras usinas acrescentarão ao sistema cerca de 11,5 mil MW, quase o equivalente a uma nova Itaipu. Por outro lado, estão em construção 68 usinas termoelétricas, que vão produzir cerca de 6,7 mil MW.

Entre as novas térmicas que estão em obras, a maior parte da futura energia, cerca de 3,9 mil MW (ou 58,8%), será gerada com a queima de combustíveis fósseis, mais agressivos ao meio ambiente. As usinas a carvão, altamente poluentes, lideram essa lista: são quatro empreendimentos em construção, capazes de gerar cerca de 1,8 mil MW. A lista da Aneel revela ainda que estão em construção 11 unidades movidas a óleo combustível (caras e também poluentes) que terão, somadas, capacidade para 1,7 mil MW.

No balanço do governo Lula, a expansão da geração em usinas hidrelétricas e em termoelétricas vem ocorrendo praticamente nas mesmas proporções. Também segundo dados disponíveis no site da Aneel, de 2003 até setembro deste ano entraram em operação cerca de 9,7 mil MW produzidos em térmicas de todos os tipos, enquanto as novas hidrelétricas acrescentaram 10,8 mil MW ao sistema.

Em parte, essa situação pode ser explicada pelo fato de o licenciamento ambiental de usinas hidrelétricas ser mais lento, apesar de esse tipo de usina não emitir gás carbônico. A demora no licenciamento, associada à escassez de novos projetos de hidrelétricas, acabou abrindo espaço para o avanço das térmicas. O governo aposta agora em projetos de mega usinas, como as do Rio Madeira e a de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), para acelerar a expansão da produção hídrica.

Mas as dificuldades continuam rondando. O licenciamento de Belo Monte ainda não saiu e o calendário começa a jogar contra a intenção do governo de licitar a usina no dia 21 de dezembro. Para que isso aconteça, a licença precisa ser liberada para que o edital possa ser publicado até o dia 21 deste mês.

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A energia da cana pode fortalecer o sistema elétrico

Marcos Sawaya Jank
17/11/2009

No planejamento do setor elétrico, a bioeletricidade da cana deve ser vista como importante fonte de geração

A Copa do Mundo de futebol em 2014, a Olimpíada em 2016 e o crescimento do país acima da média mundial nos próximos anos são eventos que exigirão mais planejamento e um modelo de produção de energia elétrica suficiente para garantir qualidade de abastecimento frente à crescente demanda. Um modelo que, mesmo diante de ocorrências imponderáveis como o último apagão, ocorrido na semana passada, seja capaz de minimizar seus efeitos.

No Brasil, as últimas décadas têm sido marcadas pela “geração centralizada” de energia elétrica a partir da construção de grandes centrais hidrelétricas distantes dos principais centros de consumo, o que demanda pesados investimentos em expansão dos sistemas de transmissão de energia. O apagão da semana passada decorreu de falhas precisamente em um dos grandes “linhões” de Itaipu.

Ocorre que vários países têm buscado diversificar a sua matriz elétrica e reduzir riscos de blecautes por meio da “geração distribuída”, próxima aos centros de consumo, dando preferência às energias renováveis, com baixa emissão de gases de efeito estufa. Um bom exemplo foi a Olimpíada de Pequim de 2008, garantida por centrais de geração distribuída, que conferiram maior credibilidade ao sistema no que tange à continuidade de fornecimento de eletricidade.

O Brasil conta com 434 usinas sucroalcooleiras, todas elas autosuficientes em energia graças à produção de vapor por meio da queima de bagaço de cana em caldeiras. Porém, somente 20% das usinas (88 unidades) comercializam os seus excedentes de energia elétrica no mercado, sendo 54 centrais de cogeração exportando energia elétrica para a rede dentro do estado de São Paulo (61% do total) e 34 centrais em outros 11 estados brasileiros.

Trata-se de uma fonte típica de geração descentralizada, instalada ao lado do principal centro de consumo de eletricidade do país, que têm correspondido adequadamente às crescentes exigências de confiabilidade do sistema elétrico brasileiro. Além disso, a bioeletricidade é uma fonte de energia renovável com características altamente complementares à fonte hídrica (a produção ocorre no período de seca para o sistema elétrico, de abril a novembro no Centro-Sul), fruto de projetos baseados em tecnologia nacional e realizados com prazos reduzidos de instalação e operação. Isso sem contar que a bioeletricidade apresenta nítidas vantagens ambientais, pois seu nível de emissões é praticamente nulo em comparação com as demais fontes termelétricas convencionais, como o carvão mineral, o óleo combustível e o gás natural.

A reserva potencial de bioeletricidade adormecida nos canaviais brasileiros é imensa. Estima-se que, se conseguíssemos aproveitar plenamente toda a biomassa de cana disponível no país, seria possível exportar para a rede elétrica um volume de energia da ordem de 10.000 MW médios até a safra 2017-18, o que equivale a uma usina do porte de Itaipu. Somente no estado de São Paulo, a reserva de cana permitiria exportar 4.800 MW médios para a rede em 2017-18, valor 20% superior ao hoje gerado em todo o complexo da Companhia Energética de São Paulo (Cesp).

A bioeletricidade da cana deveria ser considerada de forma expressa e definitiva no planejamento do setor elétrico, como importante fonte de geração distribuída para tornar o sistema menos vulnerável ou dependente de grandes obras estruturantes de geração e de transmissão, reduzindo os riscos de blecaute ao facilitar o restabelecimento e a estabilização do sistema. Ao mesmo tempo, ela certamente ajudará a cumprir os ambiciosos compromissos de redução de gases de efeito estufa que os governos Federal e Estadual estarão levando para Copenhague este ano.

Porém, a tarefa de extrair essa imensa reserva de energia elétrica dos canaviais brasileiros não depende apenas da boa vontade dos empresários do setor. É preciso uma programação regular de leilões específicos para essa fonte, se possível começando já no princípio de 2010, e com especial atenção para projetos de modernização de instalações de usinas mais antigas (chamadas de retrofits), principalmente no Estado de São Paulo.
Além disso, é fundamental encontrar soluções definitivas para os graves problemas de conexão que têm dificultado a decisão de investimento por parte dos empreendedores.

Inspirando-se em Harry Markowitz, ganhador do prêmio Nobel de economia em 1990, pode-se afirmar que um planejamento de leilões de energia focados na diversificação das fontes de suprimento é o mecanismo mais apropriado para que riscos de falta ou falhas no suprimento de energia sejam diluídos de forma consistente. As grandes obras de geração hidrelétrica e transmissão são importantes, mas seria desejável ao mesmo tempo aprofundar a diversificação na direção da geração descentralizada, de pequeno e médio porte, com balanço ambiental positivo e próximo aos grandes centros consumidores.

Marcos Sawaya Jank é presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

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17/11/2009

China e EUA ampliarão diálogo sobre meio ambiente e energia

da Efe
O presidente da China, Hu Jintao, afirmou nesta terça-feira que tanto seu país como os EUA estão de acordo em ampliar o diálogo sobre meio ambiente e energia, depois de se reunir com seu colega americano, Barack Obama.
Segundo o líder chinês, China e EUA buscarão o êxito da cúpula de Copenhague sobre mudança climática de acordo com as “responsabilidades” e “capacidades” de cada país.

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Sustentabilidade e negócios

24/08/09

GP Investimentos volta a avaliar ativos em açúcar e álcool no país

Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
21/08/2009

A GP Investimentos avalia, novamente, fazer aportes no setor sucroalcooleiro. A gestora de recursos uniu-se outra vez ao grupo São Martinho, de Pradópolis (SP), para a eventual compra de ativos nesse segmento.

As duas empresas já tinham feito parceria no início deste ano para negociar a compra da Santelisa Vale, de Sertãozinho (SP). Mas o negócio não foi levado adiante porque a família Biagi optou por fechar um acordo de exclusividade com a multinacional francesa Louis Dreyfus.

Juntas, agora as duas companhias avaliam ativos na região Centro-Sul. Nessa parceria, a GP Investimentos , que ainda não tem participação acionária em usinas de açúcar e álcool, vai se beneficiar da expertise operacional do grupo São Martinho, considerado um dos mais eficientes do país. A gestora entrará com boa parte dos recursos financeiros. “É uma união que prevê o equilíbrio de forças”, afirma uma fonte familiarizada com esta parceria.

Fontes do setor afirmam que as duas empresas entraram no páreo pela Equipav, com duas usinas no noroeste de São Paulo. O Santander, contratado pelo grupo paulista para selecionar os interessados nos ativos do grupo, teria recebido proposta conjunta da GP e São Martinho, além das apresentadas pela Bunge, Açúcar Guarani, controlada pela francesa Tereos, e Cosan, segundo as mesmas fontes. Procurada, a Equipav não comentou.

Ao Valor, a São Martinho informou que não negocia a compra de nenhuma usina neste momento. O grupo está consolidando os investimentos realizados na unidade Boa Vista, de Goiás. Junto com a GP, tem apenas olhado “oportunidades no mercado”. A GP informou, por meio de sua assessoria, que não comentaria a informação.

O movimento de fusões e aquisições no setor sucroalcooleiro está desaquecido desde setembro do ano passado, quando a crise financeira global eclodiu, atingindo as usinas em cheio. Cerca de 50 usinas estão à venda na região Centro-Sul, o que torna os ativos desse setor mais baratos. No entanto, os grupos consolidadores, como a Cosan e Bunge, por exemplo, e investidores interessados nesse segmento estão mais criteriosos em concretizar negócios.

A multinacional Bunge, que avalia os ativos da Equipav, também está no páreo para a compra das usinas do grupo paulista Moema. As negociações seguem em andamento, apurou o Valor. Procurada, a Bunge não comentou a informação.

Neste ano, o grupo Cosan, o maior do país, foi responsável pelo maior negócio realizado no setor. A companhia comprou a Nova América, detentora da marca União. A Louis Dreyfus está negociando a compra da Santelisa Vale. O processo está em andamento e deverá levar mais algumas semanas para ser concluído.

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Oeste da Bahia prepara sua regulamentação ambiental

Bettina Barros, de São Paulo
20/08/2009

A região oeste da Bahia, principal polo agrícola do Estado, prepara-se para realizar um dos maiores processos de regulamentação ambiental em curso no país. Sete municípios, que somam 6,4 milhões de hectares, trabalham para identificar e “quitar” suas pendências perante o Código Florestal, numa ampla parceria que colocou à mesa fiscais ambientais, Ministério Público, produtores, governo federal e terceiro setor.

O objetivo não é apenas adequar-se à lei, mas, com isso, obter também acesso a novos mercados. O oeste baiano é o sexto maior produtor de soja do país em área plantada e o segundo em algodão, atrás de Mato Grosso, sendo que metade da fibra produzida é exportada.

Para ambientalistas e alguns setores do governo, trata-se ainda de salvar uma porção significativa de vegetação nativa do Cerrado. O bioma é considerado berço de bacias hidrográficas vitais, como a do São Francisco, cada vez mais ameaçado pelo desenvolvimento desenfreado.

O arranjo institucional teve início em julho de 2008, com o mapeamento por satélite de Riachão das Neves, Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, São Desidério, Jaborandi, Correntina e Cocos. As imagens de alta definição, analisadas por especialistas da Universidade de Brasília (UnB), foram importantes para responder à primeira das questões fundiárias, o uso do solo.

“Não tínhamos um grau de detalhamento de imagens. E, sem isso, não conseguimos saber o passivo ambiental das propriedades e fazer a sua regulamentação”, diz Adolfo Dalla Pria, especialista em agronegócio e conservação da The Nature Conservancy (TNC), organização ambiental parceira do projeto.

O mapeamento atestou cientificamente o que, até então, era apenas percepção empírica dos ambientalistas: ainda há um vasto território preservado no oeste baiano. Nada menos que 65% dos 6,4 milhões de hectares analisados representam vegetação nativa. “Sabíamos que era relativamente preservado, por isso tínhamos pressa em trabalhar nessa região”, diz Pria. Mas a ideia é buscar um desenvolvimento sustentável, e não frear a produção rural. “Cumprir a legislação ambiental pode representar o acesso a um mercado diferenciado”, diz o especialista, que repetiu essa e outras vantagens aos produtores.

O próximo passo é cadastrar todas as propriedades rurais para que se possa cruzar as imagens de satélite com o trabalho de campo. Isso mostrará o que falta em cada uma para que se adeque ao Código Florestal. Segundo Pria, ainda é impossível precisar quanto existe de reserva legal (os 20% que a propriedade deve manter com vegetação nativa) ou onde é mais urgente restaurar áreas de proteção permanente, como as matas ciliares.

Para o Ministério da Integração Nacional, porém, esse segundo ponto é o que mais preocupa. Isso porque é no oeste baiano que passam três grandes afluentes do São Francisco – o Rio Grande, o Carinhanha e o Corrente, que contribuem com cerca de 23% da vazão do “Grande Chico”. Por meio do Programa de Revitalização do São Francisco, o órgão do governo federal injetou R$ 1,5 milhão para a realização do mapeamento dos sete municípios baianos.

“Infelizmente, as matas ciliares vêm sendo dilapidadas porque são as mais férteis. Onde mais no Semi-Árido tem terra úmida?”, diz José Luiz de Souza, coordenador do projeto de Revitalização do São Francisco do ministério. “Preservar isso é o mesmo que fazer água”.

A adequação ambiental se tornou a “salvação” para os produtores do oeste baiano, diz Sergio Pitt, vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). Em dezembro passado, a região foi palco da Operação Veredas, da Polícia Federal e do Ibama, que embargou 57 mil hectares de terra, além de multas, apreensão de máquinas, caminhões e soja.

As irregularidades, em grande parte, se deviam a desmatamentos legais (dentro dos 80% permitidos) mas sem autorização. Os produtores afirmam que aguardaram anos por permissão de supressão vegetal, mas não obtiveram por falta de infraestrutura do Ibama. ” Passaram-se três, quatro anos e nada. Então os produtores abriram áreas, enquanto aguardavam protocolos ” , diz Pitt.

Na briga, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) da Bahia, à qual também cabe a fiscalização, faz um mea-culpa. “O Estado não conseguiu acompanhar a expansão do agronegócio”, diz Marcos Ferreira, superintendente de floresta da Sema. “Agora, temos de tratar isso de forma estratégica”.

O imbróglio culminou com uma nova lei, nº 11.478, do mês passado, que prevê a regularização e o abatimento de até 90% das multas determinadas na Operação Veredas. “O acordo é a salvação”, repete Pitt. “Sem ele, não há licença ambiental, financiamento e nem quem compre nossa produção”.

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A viabilidade econômica do meio ambiente

3/08/09

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Fonte: Gazeta Mercantil

Um termômetro para aferir o quanto um assunto é importante para uma sociedade ou economia é a qualidade da legislação que o regula. Outro bom indicador é o potencial de ganhos, monetários ou não, que empresas e famílias visualizam nele. O meio ambiente, cada vez mais, insere-se na agenda política, social e econômica do Brasil por ser percebido como um negócio rentável, uma oportunidade e uma necessidade ao progresso.

Um exemplo claro é o debate intenso sobre a criação e o funcionamento das leis que regulam a relação entre diversos setores econômicos e o meio ambiente. O licenciamento ambiental é um dos temas centrais dessa pauta justamente porque o País, no médio e longo prazos, apresenta boas perspectivas de crescimento econômico e tem necessidade de aumentar investimentos em infraestrutura e na indústria.

De forma mais qualificada do que antes, diversos outros temas estão presentes no debate. Mais do que impedir obras de infraestrutura, o debate aborda a forma adequada de fazê-las, já que investimentos nessa área são, comprovadamente, a melhor forma de oferecer sustentabilidade ao crescimento econômico e de melhorar o padrão de vida da população mais pobre, por meio da geração de emprego e renda.

O mundo está se abrindo para essa nova ordem econômica e diversos países têm investido cada vez mais em soluções sustentáveis. No Brasil, muitas empresas também estão atentas a esse mercado sustentável, porém, o País ainda enfrenta uma situação bastante desafiadora. Um problema secular nas cidades brasileiras é o saneamento básico, área na qual é preciso investir em torno de R$ 10 bilhões anualmente, ao longo de 20 anos, ininterruptamente, para universalizar os serviços de água e esgoto. Muito pouco dessa meta foi feita desde 2003, quando o estudo foi divulgado. Outras tarefas, como tratar resíduos, despoluir rios, praias, mananciais e áreas contaminadas, bem como resolver outros passivos ambientais, ainda precisam ser calculadas e exigirão, certamente, dezenas de bilhões de reais, políticas públicas eficientes e muita tecnologia. A lista é extensa e o grande desafio está em encontrar uma fórmula que permita o crescimento e a expansão da infraestrutura de maneira sustentável, além de ajudar na visualização de novas soluções para as questões que, certamente, enfrentaremos no futuro.

Mais do que a decisão política, é a viabilidade econômica que deve motivar as políticas públicas e as ações empresariais na agenda ambiental. No longo prazo, o meio ambiente tem um valor infinitamente maior preservado do que deteriorado. Essa diretriz já está há anos presente nas ações que envolvem a recuperação e o controle de poluição da bacia do rio Tietê, em São Paulo, nos programas públicos de emissão de poluentes de automóveis que vigoram em algumas localidades, na decisão de alargar a matriz energética nacional renovável, nos elevados investimentos que as indústrias em geral fazem para cumprir metas rígidas de emissão de gestão ambiental, entre muitas outras ações.

Esse movimento cresce e ganha especialização e profissionalismo. O mercado de soluções ambientais aumenta anualmente, no mundo e também no Brasil, com tecnologias inovadoras à disposição, novas demandas da atividade produtiva e exigências recentes da sociedade. O amadurecimento desse mercado de soluções ambientais abriu espaço para a promoção de eventos especialmente voltados para esse tema. Uma dessas iniciativas, que merece apoio, é a Ambiental Expo, feira e congresso que serão realizados entre 30 de junho e 2 de julho, em São Paulo. Trata-se da versão brasileira do maior evento do mundo do setor, a Pollutec, realizada na França, em que são esperados mais de 5 mil visitantes. Em uma frente, mostrará novas tecnologias, métodos e serviços ambientais. Em outra, trará autoridades, acadêmicos e empresários para debater rumos que precisam ser tomados. O desenvolvimento econômico e social depende do impulso do investimento e do desenvolvimento tecnológico na área ambiental. Crescimento e conservação ambiental não são excludentes. Ao contrário, tornam-se cada vez mais dependentes um do outro.

(PAULO GODOY* – Presidente da Abdib)
Autor: Paulo Godoy

 

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