Brasileiras anunciam recorde de investimentos até 2014
05/08/2010
FOLHA DE S. PAULO
PAULO CAMILLO PENNA
ESPECIAL PARA A FOLHA
As mineradoras brasileiras acabam de superar o forte golpe que sofreram com a crise internacional, pelo menos em relação aos investimentos futuros, visto que há mercados que ainda estão a caminho de retomar o nível de encomendas do setor.
Levantamento atualizado nesta semana pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) revisou para cima, pela terceira vez neste ano, os valores de investimentos das empresas no Brasil no período 2010-2014.
Nessa atualização, o estudo aponta um total de US$ 62 bilhões especialmente em novos projetos, bem como na ampliação de minas. Em março do ano passado, o setor anunciava US$ 47 bilhões entre 2009 e 2013.
A nova lista do Ibram contempla 59 projetos de vários minérios, como ferro, cobre, manganês, vanádio, bauxita, níquel, fosfato, ouro, entre outros.
LIDERANÇA DO FERRO
O maior volume de investimentos será direcionado ao ferro: US$ 39,23 bilhões. A mineração de níquel aplicará US$ 6,71 bilhões e a de cobre, US$ 2,66 bilhões.
Antes de a crise estraçalhar as economias mundo afora, os investimentos setoriais apurados pelo Ibram totalizavam US$ 57 bilhões em 2008; declinaram para US$ 47 bilhões com a turbulência econômica e, em abril último, já estavam em US$ 54 bilhões.
Essa evolução demonstra confiança das empresas na manutenção de um ciclo de preços adequados à oferta e procura dos minérios, puxado pelo crescimento de países europeus e Japão, além do reconhecido protagonismo chinês nesse mercado.
O Japão, que importava em 2009 9,5% do ferro do Brasil, no primeiro trimestre deste ano passou a comprar 13,3%; Bélgica, Espanha, França, Holanda e Itália também elevaram com destaque as importações do Brasil.
Além de ser um volume altamente expressivo de investimentos, convém analisar o aporte de US$ 62 bilhões sob o ponto de vista dos efeitos a longo prazo para o Brasil.
Ao anunciar os maiores investimentos do setor privado no Brasil nesses cinco anos, a mineração demonstra à indústria de transformação e aos fornecedores que estes também devem acompanhar esse ciclo virtuoso.
Cenário idêntico ao que se vivenciava em 2008 até a crise financeira. E os mesmos problemas ressurgem: falta mão de obra especializada; sobram dificuldades com infraestrutura, especialmente energia e logística de transporte.
Em evento que termina hoje em Belo Horizonte (MG), as mineradoras e as universidades revivem os tempos alvissareiros de dois anos atrás.
O 6º CBMINA (Congresso Brasileiro de Mina a Céu Aberto), congresso para apresentação de trabalhos técnicos e debates com foco no aperfeiçoamento dos processos minerais, superlotou em razão das boas perspectivas do setor e abriu espaço para que as mineradoras prospectassem entre o público novos quadros para seu estafe.
PAULO CAMILLO PENNA é diretor-presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração)
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Terça-feira, 3 de agosto de 2010
Votorantim compra mineradora no Peru
Empresa paga US$ 420 milhões para assumir o controle da Milpo e se torna a quinta maior produtora de zinco do mundo
Paula Pacheco, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - A Votorantim Metais confirmou na terça-feira, 3, a compra de 16,4% das ações em circulação da mineradora peruana Milpo por US$ 420 milhões. Agora, a companhia brasileira passa a ter pouco mais de 50% dos papéis da empresa. A Milpo opera no Peru as minas Cerro Lindo, Chapi, El Porvenir e Atacocha. Já no Chile é dona de uma mina e uma refinaria. A empresa peruana produz chumbo, cobre, prata e zinco - é a terceira maior produtora peruana do minério.
A aquisição foi feita por meio de oferta pública de ações na Bolsa de Valores de Lima e envolveu apenas recursos próprios. Com isso, o aporte total da Votorantim Metais no Peru, iniciado em 2004, soma US$ 1,5 bilhão. O principal objetivo do negócio, segundo o diretor superintendente da companhia brasileira, João Bosco Silva, é aumentar o portfólio de minérios e assim diminuir a exposição do caixa da companhia a um único mercado. “O fluxo de caixa passa a ficar mais estável”, explica o executivo.
A previsão é que a Milpo fature neste ano US$ 500 milhões e, em 2013, chegue a US$ 1 bilhão. A empresa peruana tem 17 projetos de exploração mineral, três deles em estágio bastante avançado, segundo o superintendente da Votorantim Metais. Os projetos da Milpo somam investimentos de US$ 1 bilhão em cinco anos.
Apesar da recente aquisição, da conhecida riqueza do solo peruano e da facilidade logística, Silva diz que o Brasil continua a ser a principal base de investimentos da companhia: “Se o ativo é de boa qualidade e o custo competitivo, é possível obter retorno de médio prazo”. A produção da Milpo não deverá ser exportada e beneficiada no Brasil, mas vendida para os Estados Unidos e para países europeus.
Com a aquisição, a Votorantim passa a ser a quinta maior produtora de zinco no mundo, com previsão de chegar a 700 mil toneladas em 2014, deixando para trás a concorrente Anglo.
O grupo brasileiro passa agora a acumular as posições de maior produtora de alumínio primário do mundo, uma das 15 maiores em produção de níquel e a terceira maior em zinco.
Apesar da animosidade entre os vizinhos Venezuela e Colômbia, Silva diz não ver problemas nos investimentos no Peru. “É um país bastante estável, que sempre cumpre os contratos. Estamos lá há mais de cinco anos sem problemas”, explica.
Brasil
Mesmo com o aporte de recursos no Peru, a prioridade da Votorantim Metais continua a ser o Brasil. “É que no caso do zinco não havia outra forma de crescermos. O Brasil tem apenas duas minas de zinco em operação. Já o Peru é rico no minério. Temos de buscar fontes alternativas”, afirma Silva.
A direção da empresa confirmou os planos de investir neste ano R$ 1 bilhão no Brasil. Faz parte do valor a instalação de duas prensas de extrusão na fábrica da Companhia Brasileira do Alumínio (CBA), em Alumínio (interior paulista). Os investimentos em projeto de polimetálicos em Juiz de Fora (MG), bem como a retomada do projeto de ferro-níquel em Niquelândia (GO), serão definidos até o fim do ano.
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