Mineração

20/06/11

Bahia vira novo polo de mineração do País

Os investimentos em novas minas já anunciados no Estado chegam a R$ 10 bilhões nos próximos três anos, mas podem alcançar o dobro

13 de junho de 2011 | 0h 00

Tiago Décimo – O Estado de S.Paulo

Ferro, níquel, ouro, bauxita, até o raríssimo tálio, hoje explorado comercialmente em apenas dois pontos do mundo (China e Casaquistão), entre outros 30 minerais, fazem da Bahia o local mais procurado do País pelas mineradoras. Os investimentos já assegurados em novas minas para os próximos três anos chegam a R$ 10 bilhões, mas podem alcançar o dobro, com a conclusão de estudos de viabilidade que estão sendo realizados.

Nos últimos quatro anos (2007-2010), o número de requerimentos de área para pesquisa mineral no Estado, feitos ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), chegaram a 14,5 mil, desbancando Minas Gerais, com 13,2 mil. No mesmo período, a produção mineral comercializada pela Bahia dobrou, passando de R$ 850 milhões para R$ 1,7 bilhão por ano.

“É o melhor momento da história da mineração do Estado”, diz o diretor técnico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Rafael Avena Neto, há 36 anos na estatal. “Temos o maior potencial em termos de novas minas no País.”

Uma conjunção favorável de fatores levou a Bahia ao forte desenvolvimento da atividade de mineração. A alta dos preços das commodities, impulsionada pela demanda da China, fizeram com que reservas conhecidas, mas antes desprezadas por conter concentrações menores de minérios, voltassem a ser comercialmente atrativas.

O esforço do Estado para mapear geologicamente seu solo também contribui. “Temos praticamente toda a Bahia já mapeada, por meio de estudos aerogeofísicos”, afirma o secretário estadual de Indústria, Comércio e Mineração, James Correia. A CBPM gasta R$ 6 milhões por ano para estudar potenciais reservas minerais.

Os investimentos previstos fazem a Bahia, que ocupa a quinta colocação no ranking da produção mineral do País, almejar o terceiro lugar, atrás de Minas Gerais e do Pará. “Temos a ideia de chegar a essa posição em, no máximo, dez anos”, diz Correia. “No cenário nacional, a grande novidade na mineração é a Bahia.”

Investimentos. A Bahia Mineração (Bamin), responsável pelo maior investimento individual já confirmado no Estado (US$ 2,3 bilhões nos próximos três anos), prepara-se para extrair minério de ferro da região conhecida como Pedra de Ferro, do município de Caetité, a 757 quilômetros de Salvador.

O potencial da área já é conhecido há anos, mas o reduzido teor de minério não justificava o investimento. A região ficou esquecida até que o geólogo baiano João Carlos Cavalcanti fez novos estudos na área em 2004. Com uma cotação do minério mais atrativa, suas análises chamaram a atenção das empresas.

Em 2008, a mina foi assumida pela Eurasian Natural Resources Corporation (ENRC), empresa com sede em Londres e origem no Cazaquistão, controladora da Bamin. As primeiras análises apontaram um potencial produtivo de 398 milhões de toneladas de minério de ferro, mas já há indícios de que pode ser 50% maior. A estimativa inicial do Projeto Pedra de Ferro é produzir 19,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

As obras civis da mina, porém, ainda não começaram. Segundo o vice-presidente executivo da Bamin, Clóvis Torres, só serão iniciadas depois que começar a construção do controverso Porto Sul, nos arredores de Ilhéus. “A garantia de escoamento da produção é fundamental”, diz. A previsão é que o início das operações ocorra em 2014.

Se o maior investimento em mineração no Estado ainda está na fase de projeto, o segundo maior, de US$ 800 milhões, feito pela Mirabela Mineração do Brasil, subsidiária do grupo australiano Mirabela Nickel, já está em funcionamento.

A empresa opera, desde 2009, em Itagibá, a 370 quilômetros da capital, a Mina Santa Rita, a segunda maior de níquel a céu aberto do mundo. A Mirabela anunciou recentemente que as reservas são maiores do que as estimadas, devendo chegar a 159 milhões de toneladas (570 mil toneladas de níquel contido).

A descoberta aumentou a vida útil da mina em quatro anos, de 19 para 23. Toda a produção até 2014 já está vendida, metade para o mercado nacional (Votorantim Metais), metade para a finlandesa Norislk Nickel.

Por processo semelhante de arrendamento, a canadense Yamana Gold vai explorar sua primeira mina de ouro a céu aberto no Estado, no município de Santa Luz, no centro-norte baiano. A empresa já opera duas minas em Jacobina e Barrocas, na mesma região.

A construção da mina, que tem previsão de produção de 100 mil onças anuais de ouro, começou em 2009 e a exploração deve ser iniciada no ano que vem. O investimento é estimado em US$ 70 milhões.

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Mineração

9/05/11

Lucro da Vale salta 292% no 1º trimestre e soma R$ 11,3 bilhões

Companhia continuou a se beneficiar do novo sistema trimestral de preços do minério de ferro

05 de maio de 2011 | 18h 30

Chiara Quintão e Luana Pavani, da Agência Estado

SÃO PAULO – A Vale registrou lucro líquido de R$ 11,291 bilhões no primeiro trimestre deste ano, um crescimento de 292,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foi de R$ 2,879 bilhões, no padrão contábil IFRS. A receita líquida cresceu 82,67% para R$ 22,985 bilhões, ante R$ 12,583 bilhões no primeiro trimestre de 2010.

A geração de caixa medida pelo Ebitda subiu 188,2%, para R$ 15,517 bilhões, ante R$ 5,385 bilhões no primeiro trimestre do ano passado. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 268 milhões, contra despesa de R$ 1,337 bilhão no primeiro trimestre de 2010.

No padrão contábil norte-americano (US GAAP), o lucro líquido obtido pela Vale no primeiro trimestre deste ano, de US$ 6,826 bilhões, foi recorde. O valor superou em 13,1% o recorde anterior, de US$ 6,038 bilhões. Ante o mesmo período do ano passado, o resultado representa um crescimento de 325,6%. A receita líquida dobrou, para US$ 13,213 bilhões, de US$ 6,604 bilhões no primeiro trimestre de 2010.

Já a geração de caixa medida pelo Ebitda subiu 221,4% no critério ajustado (excluindo variações monetárias e equivalência patrimonial de coligadas, entre outros) para US$ 9,176 bilhões, ante US$ 2,855 bilhões no mesmo intervalo do ano passado. O valor também foi recorde, ficando 3,5% acima da marca anterior, obtida no quarto trimestre de 2010. Se desconsiderados os ganhos não recorrentes, o Ebitda ajustado passa a ser de US$ 7,663 bilhões e é também o mais elevado para um primeiro trimestre, ainda de acordo com o relatório da companhia.

As vendas de minerais ferrosos – minério de ferro, pelotas, manganês e ferro ligas -, no valor de US$ 9,365 bilhões de janeiro a março, foram as maiores para um primeiro trimestre, também informou a companhia.

Sistema trimestral

No primeiro trimestre deste ano, a Vale continuou a se beneficiar do novo sistema trimestral de preços do minério de ferro. Foi o quarto trimestre em que os preços contratuais do minério foram reajustados no novo modelo, que entrou em vigor em 1º de abril do ano passado. No fim de fevereiro, o diretor de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, informou que os preços contratuais do minério no primeiro trimestre ficaram 15% acima dos registrados no quarto trimestre de 2010.

O cenário de aperto entre oferta e demanda da matéria-prima vem se refletindo nos preços à vista (spot) no mercado chinês. O cálculo do reajuste que vigorou no período de janeiro a março de 2011 foi feito a partir da média das cotações do mercado spot da China de setembro a novembro de 2010, levando-se em conta fatores como qualidade do minério e frete. Desde a adoção do novo sistema, o único reajuste negativo foi o fechado para o quarto trimestre de 2010.

No primeiro trimestre, as atenções do mercado se voltaram não só ao preço do minério e de outras commodities em que a Vale atua e ao desempenho operacional da companhia, mas também aos rumores e especulações a respeito da substituição de Roger Agnelli no cargo de diretor-presidente da companhia. O desfecho da história ocorreu no dia 4 de abril, quando os acionistas controladores da Valepar – Litel, Bradespar, BNDESPar, Mitsui e Elétron – indicaram Murilo Pinto de Oliveira Ferreira para o cargo de diretor-presidente da companhia, a partir de 22 de maio, quando termina o mandato de Agnelli.

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Mineração

6/03/11

Aquisição de mineradoras é recorde

Vera Saavedra Durão | Do Rio

04/03/2011

Com o sugestivo título “Você não pode ter sempre o que deseja”, um clássico dos Rolling Stones dos anos 60, a consultoria britânica Price waterhouseCoopers divulgou ontem relatório sobre operações de fusões e aquisições na indústria de mineração em 2010 e durante a primeira década do século XXI. Somente no ano passado, a PwC levantou 2.693 negócios globais no valor de US$ 113 bilhões, que no acumulado de dez anos totalizou 11 mil transações com valor fechado de US$ 785 bilhões, um recorde, indicando que esta foi “a década do setor de mineração”.

A consultoria prevê que o ritmo da atividade de fusões e aquisições e os valores das transações vão subir em 2011, mas não necessariamente a performance histórica do período 2001/2010 deverá se repetir. Tim Goldsmith, líder global de mineração da PwC, destaca que “em 2011, nós acreditamos que vai ser mais importante que nunca as mineradoras trabalharem proativamente com seus controladores para evitar quebra de acordos (como aconteceu com a BHP Billiton). Além disso, a continuação de uma onda de fusões e aquisições não é uma coisa certa na indústria de mineração. Enquanto a maioria de nós vê a história de crescimento dos mercados emergentes como uma verdade inevitável, outros questionam a sustentabilidade desse crescimento meteórico. Distúrbios políticos, instabilidade macro são ambos claros e atuais perigos para fusões e aquisições em mineração atualmente”.

Para a PwC, um dos maiores desafios que as mineradoras vão encarar em 2011 é o de superar as barreiras do crescimento das críticas de governos, acionistas e Organizações Não Governamentais (Ongs), que em alguns casos chegam até mesmo a barrar as transações. Em 2010, por exemplo, o governo do Canadá barrou a compra da Potash pela BHP Billiton, que fez uma oferta de US$ 40 bilhões pela empresa de fertilizantes. A expectativa da Price para os próximos doze meses é de mais ofertas hostis nas empresas juniores envolvidas em projetos de terras raras, urânio e de indústrias extrativas, como o shale (gás de xisto), já que segurança energética passou a ser largamente uma preocupação global. A antecipação de pressão de alta no valor das transações pode levar as companhias mais seniores do setor a investirem mais no crescimento orgânico, projeta.

Apesar do bom resultado de fusões e aquisições em 2010, a China encolheu a participação nesse negócio e respondeu por apenas 6% dessas operações. Os chineses foram um pequeno “player” nesse mercado se comparada com os canadenses, que responderam por 36%, Estados Unidos (16%) e australianos (16%). Ainda no ano passado, a PwC ressaltou que foi sentida a ausência de negócios grandes (acima de US$ 10 bilhões) na indústria de mineração. Apenas a megaoferta da BHP Billiton pela Potash foi considerado um grande negócio que não aconteceu.

A maior transação fechada de 2010 foi a compra da Newcrest Mining’s pela Lihir Gold por US$ 8,7 bilhões. Aliás, os negócios com empresas de ouro foram os alvos mais procurados no ano passado, representando 44% e 31% das operações de M&A em volume e valor. Em segundo lugar, as negociações com ativos de carvão, equivalentes a 5% em volume e 19% em valor, equivalente a US$ 14 bilhões. A maior transação neste segmento foi a compra do controle da Riverdale’s pela Rio Tinto, por US$ 3, 8 bilhões.

A área de fertilizantes também surgiu como novidade. Em volume de transações, ela representou apenas 1%, mas chegou a 15% em dólares. A Vale é citada no relatório da PwC como uma das grandes consolidadoras do setor no ano passado. A “gigante sul americana” adquiriu por US$ 4,7 bilhões ativos de fertilizantes da Bunge. No minério de ferro, a maior operação também foi da Vale, que pagou US$ 2,5 bilhões pela BSG Resources, um conjunto de depósitos de minério de ferro na Guiné.

Na lista das maiores transações da década (acima de US$ 10 bilhões) a PwC nomeia a compra da Inco pela Vale (US$ 20 bilhões) e da TeckCominco pela Fording (US$ 12 bilhões).

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INFRAESTRUTURA

28/02/11

Expansão da Vale no Norte terá US$ 3 bi em porto e ferrovia

Francisco Góes | De São Luís

24/02/2011

Leo Pinheiro/Valor

Bartolomeo, diretor-executivo: missão de montar infraestrutura para escoar 230 milhões de toneladas de minério de ferro

Uma ponte de concreto com mais de um quilômetro de extensão avança da terra para o mar na Baía de São Marcos, em São Luís, no Maranhão. Na extremidade dessa ponte em construção, no terminal marítimo de Ponta da Madeira, pertencente à Vale, navios graneleiros vão começar a carregar minério de ferro a partir de 2012. A obra é hoje o principal projeto portuário da mineradora no país. E será essencial para garantir o escoamento de Carajás, no Pará, onde irá se concentrar o crescimento da produção de minério de ferro da Vale até 2015.

Será ali, no norte do Brasil, que a Vale vai assegurar a maior expansão nos minerais ferrosos nos próximos cinco anos. Quase metade da produção de 522 milhões de toneladas de minério de ferro prevista pela empresa para 2015 sairá de Carajás. Para transportar essa produção crescente, a Vale enfrenta enormes desafios logísticos e terá de investir pesado na ampliação da infraestrutura existente dentro de um conceito de integração entre mina, ferrovia e porto.

Em uma primeira fase, até 2012, a meta da Vale é aumentar a produção de minério de ferro do seu sistema norte em cerca de 30%. O volume de produção de 115 milhões de toneladas previsto para 2011 deverá atingir 150 milhões de toneladas no ano que vem. Para acompanhar esse crescimento, serão investidos cerca de US$ 3 bilhões no aumento da capacidade do sistema logístico no norte, dos quais US$ 1,28 bilhão a ser aplicado neste ano. Até o início de 2015 o sistema norte da Vale deverá produzir 230 milhões de toneladas de minério de ferro, volume que poderá ser ainda maior.

Os investimentos totais da Vale em logística para suportar esse crescimento no norte do país em um horizonte de cinco anos, incluindo ferrovia e porto, poderão atingir cifra próxima de US$ 7 bilhões. O volume de 150 milhões de toneladas em 2012 será obtido com projeto que vai adicionar mais 30 milhões de toneladas à produção na serra norte de Carajás. Trata-se de uma expansão. Mas, para chegar a 230 milhões de toneladas no fim de 2014, a Vale conta com o desenvolvimento de um projeto novo, na serra sul de Carajás, com capacidade de produzir 90 milhões de toneladas por ano e que será desenvolvido em fases.

Eduardo Bartolomeo, diretor-executivo de operações integradas da companhia, diz que em cinco anos a Vale produzirá no Norte um volume adicional semelhante ao que levou 25 anos para produzir naquela região. O primeiro trem de minério partiu de Carajás em janeiro de 1985 e, no ano passado, o sistema norte atingiu produção de cerca de 110 milhões de toneladas. Os números precisos sobre o ano passado serão conhecidos hoje, quando a mineradora apresenta os resultados consolidados de 2010.

No ano passado, Bartolomeo, que era diretor de logística, assumiu a diretoria-executiva de operações integradas, que reuniu sob uma mesma gestão os sistemas de mina, ferrovia e porto. A base de ativos operada por essa diretoria representou mais de 80% do faturamento total da Vale no terceiro trimestre de 2010, de US$ 14,5 bilhões. Corredores com maior integração logística entre porto e ferrovia representam redução de custos. Um exemplo está nos menores custos relativos de demurrage (o tempo que o navio leva para atracar e carregar no porto).

Cadeias logísticas não integradas no segmento de granéis, excluindo o minério, geram custos adicionais que chegam a US$ 740 milhões por ano, valor suficientes para construir um novo porto no Brasil, diz Bartolomeo. Ele afirma que a Vale começou a planejar, há três anos, obras que hoje estão em plena execução e que devem ganhar força até 2015. O esforço passa por garantir o crescimento da produção e evitar gargalos que podem surgir por aumento da demanda, em especial da China, como ocorreu no passado. A iniciativa é conhecida na Vale como Projeto de Capacitação Logística Norte (CLN).

Na primeira fase do projeto, o conselho de administração da Vale aprovou um conjunto de obras para levar a produção para 150 milhões de toneladas em 2012. Os investimentos aprovados são a construção do quarto píer no terminal marítimo de Ponta da Madeira e o aumento da capacidade de transporte da Estrada de Ferro de Carajás (EFC), linha férrea de 892 quilômetros que leva o minério de ferro das minas, no Pará, até os navios, em São Luís.

José Roberto Diniz, líder-executivo do CLN em São Luís, disse que as obras na ferrovia já começaram em parte dos 120 quilômetros que passarão por intervenções até 2012. Em um segundo momento, até 2015, a ferrovia estará toda duplicada. A EFC é uma linha simples com 56 pátios para manobras dos trens. A ampliação consiste em fazer conexões nos trechos da ferrovia onde há gargalos. Em Ponta da Madeira, também há um terminal ferroviário que, em uma primeira fase, vai ganhar 80 quilômetros de novas linhas, mais dois pátios para depósito de minério e dois novos viradores de vagões.

No porto, a ponte de acesso hoje com 1,1 quilômetro deverá ser concluída em junho, quando vai atingir 1,6 quilômetro de extensão. O píer quatro terá dois berços para atracação de navios e o primeiro deles começará a operar em meados de 2012 atendendo navios de 400 mil toneladas de porte bruto, chamados Valemax.

Na segunda fase, até o fim de 2014, será concluída a expansão da EFC e a construído um ramal ferroviário de 90 quilômetros ligando as minas de serra norte e serra sul, em Carajás. O píer quatro de Ponta da Madeira vai ganhar mais um berço e equipamentos. Hoje, o terminal marítimo de São Luís tem outros dois berços em operação. Na área ferroviária, as novas linhas no terminal maranhense vão chegar a 120 quilômetros e haverá mais quatro pátios para minério e mais dois viradores de vagões. Todos esses investimentos mostram que no norte do país está o futuro mais promissor para a Vale em termos de crescimento da produção de minério no Brasil.

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Ferrovias receberam R$ 3 bi em 2010

Tarso Veloso | De Brasília

23/02/2011

As concessionárias de ferrovias investiram R$ 3 bilhões no ano passado nas malhas concedidas, segundo estimativas da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF). Esse valor representa aumento de 19,4% em relação a 2009. Da desestatização em 1997 até agora, os investimentos totais somaram R$ 24,03 bilhões.

A ANTF estima mais de R$ 25 bilhões em novas inversões até 2023 para a construção de 11 mil km de ferrovias. Diante desse quadro de forte expansão, a associação quer discutir com o governo as bases do novo marco regulatório para o setor. “Existem alguns problemas que precisam ser resolvidos, como os direitos de passagem, invasões ao longo dos trilhos e a expansão da malha”, disse o presidente da ANTF, Rodrigo Vilaça.

Uma questão delicada dessa discussão refere-se ao direito de passagem. A associação quer preservar as operações das concessionárias sem que isso signifique restrições ao uso da malha por empresas terceirizadas. “Se um trem quebra, ele interrompe o fluxo das outras locomotivas. Por isso, é necessário que as regras sejam claras para que o direito de passagem não cause problemas”, disse Vilaça.

Praticamente todos os índices do setor bateram recorde no ano passado. A produção ferroviária cresceu 104% de 1997 até 2010, chegando no ano passado a 280 bilhões de toneladas/km, a maior da história contra 137 bilhões de toneladas por km em 1997.

Os empregos diretos e indiretos gerados pelas concessionárias cresceram 131% de 1997 até 2010, atingindo nível recorde de 38 mil postos. A previsão da ANTF é de que o setor atinja 43 mil postos de trabalho em 2011, volume que não inclui a geração da indústria ferroviária nacional.

A movimentação de carga também foi a maior desde a desestatização do setor. Em 2010 foram transportados 471 milhões de toneladas de carga. A previsão é de que em 2011 o total chegue a 530 milhões de toneladas.

Apesar desse desempenho, há limites ao crescimento que, segundo a ANTF, são dados pelo sistema tributário e pelas condições de acesso ferroviário aos portos. “Os clientes perderam, ano passado, US$ 740 milhões no porto de Santos com o pagamento de demurrage, multa por atraso para embarcar as cargas dos trens para os navios. Isso prova que quando não existe uma integração entre os modais acaba-se tendo prejuízo”, disse Vilaça. Do total pago em multas, 42% correspondeu à cargas de açucar e 14% nas de soja.

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