Redução de emissões

29/06/09

25 de junho de 2009

Potências consideram reduzir à metade CO2 do mundo

Meta adotada por EUA e China poderá ser a de cotar emissões de gases causadores do efeito estufa até 2050

ALISTER DOYLE – REUTERS

OSLO – Grandes potências econômicas, como Estados Unidos e China, estão avaliando a possibilidade de estabelecer como meta reduzir à metade as emissões de gases causadores do efeito estufa até 2050, quando se encontrarem numa cúpula na Itália no mês que vem, indicou um documento preliminar.

O texto diz que o Fórum das Maiores Economias (MEF, na sigla em inglês), que conta com 17 membros, tentará dobrar os investimentos públicos em tecnologia de baixo carbono até 2015 e incrementar o financiamento para combater o aquecimento global, tanto por fontes públicas e privadas, como pelos mercados de carbono.

O projeto foi proposto pelos EUA e pelo México durante discussões no México esta semana, sem que se chegasse a um acordo antes da cúpula do MEF em 9 de julho. O presidente dos EUA, Barack Obama, lançou o MEF para ajudar na negociação de um novo pacto climático da Organização das Nações Unidas (ONU) esperado para dezembro.

“Apoiamos uma meta global de reduzir as emissões globais em 50 por cento até 2050, com os países desenvolvidos reduzindo as emissões em ao menos 80 por cento até 2050″, diz a versão preliminar do projeto, obtido pela Reuters e datado de 22 de junho.

No ano passado, os países industrializados do Grupo dos Oito concordaram em uma cúpula no Japão com a “perspectiva” de reduzir à metade os gases-estufa mundiais até 2050 para ajudar a evitar mais secas, enchentes, ondas de calor e o aumento no nível dos oceanos.

Países em desenvolvimento, incluindo China, Índia e Brasil, não aprovaram essa meta para 2050 no Japão, argumentando que os ricos tinham que, primeiro, estabelecer metas rigorosas até 2020 para si. A cúpula do MEF ocorrerá em paralelo à cúpula do G8 deste ano na Itália.

A declaração preliminar de duas páginas não estabelece metas claras, mas diz que os países desenvolvidos, incluindo os EUA, a União Europeia e o Japão, iriam “responsabilizar-se por robustas reduções individuais e agregadas no intervalo de tempo até 2020.”

Países em desenvolvimento como a China e a Índia dizem que os ricos deveriam cortar as emissões em “ao menos 40 por cento” abaixo dos níveis de 1990 até 2020 — meta que, segundo os países desenvolvidos, está fora de alcance enquanto eles tentam estimular as economias atingidas pela recessão.

E o texto diz que os países em desenvolvimento tomariam medidas até 2020 para garantir uma “distância significativa dos negócios de costume” a fim de reduzir as emissões crescentes, principalmente pela queima de combustíveis fósseis.

O documento também chega perto de estabelecer um ano de pico para as emissões globais. “O ponto máximo das emissões globais e nacionais deve ocorrer o mais rápido possível, reconhecendo que o cronograma para que se atinja o ponto máximo será mais longo nos países em desenvolvimento.”

Os 17 membros do MEF são responsáveis por 80 por cento das emissões globais.

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25/06/2009

Com lei, Congresso dos EUA quer uma “revolução de energia verde”

EMMANUEL PARISSE
da France Presse, em Washington

A Câmara de Representantes americana deve se pronunciar, a partir de sexta-feira (26), sobre um amplo projeto de lei que instauraria um sistema para limitar as emissões de gases de efeito estufa –uma das prioridades do presidente Barack Obama.

Depois de meses de conversações com os representantes dos Estados dependentes de carvão e petróleo, assim como com os legisladores de estados agrícolas produtores de etanol, líderes democratas chegaram a um acordo para a votação.

Charlie Riedel -23.jun.08/AP

Plantação de milho para combustível etanol em fazenda nos EUA; câmara do país apresentará amplo projeto de lei energético

Obama já havia reiterado seu apelo ao Congresso para que aprovasse a nova lei. “A nação que liderar a criação da energia limpa será a que vai liderar a economia do século 21″, disse durante entrevista à imprensa durante a terça-feira, na Casa Branca.

Henry Waxman, presidente da Comissão de Energia e Comércio que dirigiu os debates sobre o projeto de lei junto com o colega Ed Markey, apresentou nesta semana uma última versão do texto de 11.200 páginas.
O plano busca a reduzir as emissões de CO2 criando empregos ecológicos e diminuindo a dependência de fontes de energia estrangeiras.

“Com este projeto de lei (…) vamos criar uma revolução de energia verde”, disse Markey, em entrevista à imprensa. “O mundo inteiro espera ver se o presidente Obama irá a Copenhague [na conferência da ONU sobre o clima, em dezembro] liderando a tentativa de redução de gases de efeito estufa e provocando, ao mesmo tempo, uma revolução com os empregos ecológicos”, acrescentou Markey.

O projeto prevê a criação de um sistema de mercado de direitos de emissões denominado “cap and trade”. Neste sistema estes direitos serão vendidos ou concedidos gratuitamente para as indústrias mais vulneráveis (aço, vidro).
O objetivo é conseguir uma redução das emissões de gases de efeito estufa em 2020 no percentual de 17% em relação ao nível de 2005.

Além disso, os provedores americanos de eletricidade deverão obter 15% de sua produção de energia de fontes renováveis (eólica, solar, geotérmica) em 2020. Esta cifra será combinada com uma exigência para estes mesmos provedores de realizar 5% de economia anual através de medidas de eficácia energética.
Mas os republicanos da Câmara e alguns democratas de centro se opõem ao “cap and trade”, temendo que o sistema provoque um aumento dos custos da energia.

Segundo uma análise da Agência de Meio Ambiente dos Estados Unidos (EPA) divulgado nesta semana, a execução do projeto de lei custará de US$ 80 a US$ 111 por ano aos lares americanos. Para a Comissão de Orçamento do Congresso (CBO), este custo será de US$ 175 anuais.

Estas cifras relativamente modestas contradizem com as estimadas pelos republicanos, que se referiram a US$ 3.100 anuais citando um “estudo independente” do Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Segundo pesquisa do jornal “The Washington Post” publicada hoje, 75% dos americanos acreditam que o Estado federal deva regulamentar as emissões de gases de efeito estufa. Mas só 52% apoiam a ideia de um mercado de direitos de emissões.
Depois da Câmara, será a vez de o Senado estudar o projeto de lei.

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22 de junho de 2009

ONU pede ‘revolução energética’ para enfrentar aquecimento

Criar agenda mundial que permita transformação é o objetivo dos 500 especialistas que se reúnem em Viena

Efe

VIENA – Mais de 1,6 bilhão de pessoas não têm acesso à eletricidade e o planeta enfrenta uma mudança climática por causa do uso excessivo dos combustíveis fósseis, uma dupla realidade que a ONU pediu nesta segunda-feira, 22, que seja enfrentada através de uma “revolução energética” para abrir o mundo às energias limpas.

Criar uma agenda mundial que permita essa transformação é o objetivo dos 500 especialistas que se reúnem até quarta-feira, 24, em Viena para tentar desenhar um futuro com menos emissões poluentes e com mais “justiça energética”.

O pedido foi feito por Kandeh Yumkella, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), na abertura do encontro.

Ao falar sobre as medidas adotadas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, o diplomata leonês citou o Brasil como um exemplo de aplicação das atuais tecnologias para reduzir o problema.

Por outro lado, ele destacou o “vínculo entre baixa renda e pobreza energética” e assegurou que o acesso à energia é o “objetivo perdido” dentro dos Objetivos do Milênio da ONU, com os quais a organização quer combater a pobreza e o subdesenvolvimento antes de 2015.

Yumkella afirmou que “acesso à energia e mudança climática são duas faces de uma mesma moeda.”

Ele destacou ainda a necessidade de uma “revolução energética” que dê aos habitantes dos países em desenvolvimento acesso à energia, enquanto são potencializadas fontes alternativas, incluindo a nuclear.

Nesse sentido, afirmou que entre as tarefas da Onudi está evitar que os países em desenvolvimento cometam os mesmos erros que as nações ricas durante seu processo de industrialização.

Já o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU, Rajendra Pachauri, afirmou que a revolução deve ser “dramática e acontecer muito em breve.”

Essa transição terá que ser feita rapidamente, já que, segundo este especialista, “se a intenção é estabilizar o aumento de temperatura (do planeta) em dois graus Celsius”, o crescimento das emissões de gases do efeito estufa deve se reduzir antes de 2015.

Além disso, lembrou, hoje em dia já há muitos países em desenvolvimento que não podem arcar com os preços do petróleo.

Os especialistas reconheceram que nesta mudança a atual crise econômica terá um impacto grande e que já foi possível notar uma redução, em alguns casos de até 40%, nos investimentos em energias limpas.

Este é um dado preocupante, já que o diretor da Onudi afirmou que as quedas de investimento industrial podem demorar até cinco anos para ser recuperadas.

“Por isso, dizemos que o amanhã é hoje. Temos que começar agora”, advertiu Yumkella, que inclusive viu na crise econômica uma oportunidade para essa “revolução da energia verde”.

Por sua parte, Pachauri, que em 2007 recebeu o Prêmio Nobel da Paz em nome do IPCC, lembrou que, se continuarem a ser ignorados “os sinais do que está acontecendo, vai haver crise em diversas zonas do mundo”.

Além disso, os dois representantes das Nações Unidas insistiram em que o investimento em energias renováveis é uma fonte de negócio e de emprego que pode ajudar a acelerar a recuperação econômica.

Pachauri calculou em US$ 50 bilhões ao ano o investimento necessário para desenvolver novas formas de acesso energético, um valor que vários presentes à conferência consideraram pequeno, em comparação com os pacotes de resgate de empresas e bancos aprovados pelos Governos de países ocidentais.

O economista ressaltou que os países desenvolvidos devem estabelecer suas “prioridades” e advertiu que o mundo “terá que enfrentar situações muito piores” se não forem adotadas medidas para combater o problema.

“Não podemos seguir fingindo que nosso estilo de vida é sustentável”, ressaltou.

Nesse processo, Yumkella expressou esperanças de que a conferência da ONU que será realizada em dezembro em Copenhague acabe com um acordo internacional para limitar as emissões de gases do efeito estufa.

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Questão climática não pode esperar

22/06/09

19 de Maio de 2009 – De certa forma, era fácil tomar posição durante os anos de governo Bush: os dois Bush, pai e filho, e seus aliados no Congresso estavam tão determinados a levar o país para a direção errada que era possível, com clara consciência, se opor a todas as iniciativas do governo.

Agora, no entanto, uma coalizão impaciente de progressistas e centristas domina Washington e está mais complicado tomar uma posição. A política tende a movimentar as coisas para a direção desejável, mas também a produzir menos do que esperávamos ver. E a questão é quantas concessões, quantas alterações, estamos dispostos a aceitar.

Os defensores da reforma no sistema de saúde terão de fazer muita autoanálise mais tarde neste ano. (Para mim, a questão “ou tudo ou nada” é se há ou não um plano público inserido no conjunto de leis.)

Mas, no momento, é a comunidade ambiental que tem de decidir quanto está disposta a ceder. Se vamos ter uma iniciativa verdadeira contra a mudança climática em breve, será via alguma versão do conjunto de leis proposto pelos representantes Henry Waxman e Edward Markey.

O projeto de lei deles prevê limitar a emissão de gases que causam o efeito estufa exigindo que os poluidores recebam ou comprem licenças de emissão, com o número de licenças disponíveis – o “limite” no sistema “limitar e negociar” – caindo gradualmente com o tempo.

Isso sem falar que os suspeitos de sempre da direita denunciaram a lei Waxman-Markey: o aquecimento global não é real, os limites de emissão vão destruir a economia, etc. Mas o projeto de lei também enfrenta a oposição de alguns ambientalistas que criticam as concessões feitas por seus patrocinadores para ganhar apoio político.

Então, a lei Waxman-Markey – cujo texto foi divulgado na semana passada – , é boa o suficiente?

Bem, Al Gore elogiou o projeto e pretende organizar uma campanha popular a seu favor. Uma série de organizações ambientais, indo da Liga de Eleitores Conservacionistas ao Fundo de Defesa Ambiental, também deram grande apoio.

Mas o Greenpeace declarou que “não pode apoiar esse projeto de lei no seu estado atual”. E algumas figuras influentes de defesa do meio ambiente – mais notavelmente James Hansen, o cientista da Nasa que primeiro chamou a atenção do público para o aquecimento global – se opuseram à ideia toda de limitar e negociar, pedindo um imposto sobre a emissão de gás carbono no seu lugar.

Estou com Gore. O projeto de lei agora proposto não é o ideal que queríamos, mas é o projeto que podemos ter – e é muito melhor do que não ter um projeto. Uma objeção – a alegação de que os impostos sobre a emissão de carbono são melhores do que o sistema de limitar e negociar – é, na minha opinião, errada. Em princípio, os impostos e as licenças negociáveis de emissão são igualmente eficientes em limitar a poluição. Na prática, o sistema limitar e negociar tem grandes vantagens, especialmente para alcançar a cooperação internacional efetiva.

Para ser mais claro, pense como seria difícil verificar se a China está ou não realmente implementando a promessa de tributar as emissões de carbono, em oposição a deixar os proprietários de fábricas com as conexões certas ficarem isentos. Por contraste, será fácil determinar se a China está mantendo o total de suas emissões abaixo dos níveis acertados.

A objeção mais séria ao projeto de lei Waxman-Markey é que estabelece um sistema pelo qual muitos poluidores não terão de pagar pelo direito de emitir gases que causam o efeito estufa – eles obtêm suas licenças de graça. Em particular, nos primeiros anos de operação do programa mais de um terço da distribuição de licenças de emissão serão entregues sem encargos para o setor de energia.

Agora, essas doações não diminuirão a eficiência do programa. Mesmo quando os poluidores obtêm licenças gratuitas, eles ainda têm um incentivo para reduzir suas emissões já que podem vender as licenças excedentes para outros poluidores. Isso não é só teoria: as licenças para emissões de dióxido sulfúrico são concedidas a empresas elétricas sem encargos, no entanto o sistema limitar e negociar para SO2 tem alcançado grande sucesso no controle de chuva ácida.

Mas dar de graça licenças de emissão transfere, efetivamente, a riqueza acumulada dos contribuintes para o setor industrial. Então se tiver seu coração comprometido com um programa de ar limpo, sem grandes consequências políticas, o projeto de lei Waxman-Markey é uma decepção.

Mesmo assim, o projeto de lei representa uma iniciativa importante para limitar a mudança climática. Como o Centro para o Progresso Americano frisou, a lei terá, antes de 2020, o mesmo efeito sobre o aquecimento global que tirar 500 milhões de carros das estradas. E por todos os relatos, esse projeto de lei tem boa chance de ser convertido em lei no futuro próximo.

Então os oponentes da legislação proposta têm de perguntar a si mesmos se estão fazendo do bom o inimigo perfeito. Creio que estão.

Depois de todos os anos de negação, depois de tantos anos de inatividade, nós finalmente temos a chance de fazer algo importante com respeito á mudança climática. O projeto de lei Waxman-Markey é imperfeito e decepcionante em alguns aspectos, mas é a ação que podemos tomar agora. E o planeta não terá de esperar.

(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 13)(Paul Krugman – The New York Times)

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Mudanças climáticas

22/06/09

Relatório oficial reconhece que EUA já sofrem efeitos das mudanças climáticas

Publicada em 15/06/2009
O Globo

WASHINGTON – Historicamente os maiores emissores do mundo de gases responsáveis pelo efeito estufa, os EUA já sofrem as consequências do aquecimento global em seu próprio território. No relatório do Programa de Pesquisa sobre o Clima Global a ser divulgado hoje em Washington, cientistas pedem medidas urgentes contra o aquecimento global. Segundo especialistas, o governo americano não pode mais esperar para agir. É preciso começar agora para minimizar o impacto. O relatório é o primeiro documento oficial a reconhecer os efeitos do aquecimento global no país. Será apresentado por John Holdren, chefe do Escritório da Casa Branca para Política Científica e Tecnológica, e Jane Lubchenco, chefe da Administração Americana de Atmosfera e Oceanos.

As revelações do relatório prometem facilitar os planos do governo de Barack Obama de estabelecer limites para as emissões de dióxido de carbono de usinas a carvão e veículos que usam combustível fóssil.

Um projeto sobre o tema está em tramitação no Congresso e já foi aprovado por um comitê no último dia 22 de maio. Ele tem previsão de ir à votação em plenário em agosto. Democratas querem que esse projeto se torne lei ainda este ano, mas a perspectiva no Senado não é clara.

Embora o relatório ainda não tenha sido apresentado, acredita-se que seja semelhante a uma versão preliminar parcialmente revelada em janeiro. Entre as principais conclusões do documento estão a de que a mudança climática já afeta a água, a energia, os transportes, a agricultura, os ecossistemas e a saúde, de forma diferente em cada região. E o problema tende a piorar.

População corre maior risco de infecções

Os dados apontam que a agricultura é o setor com maior capacidade de se adaptar às mudanças. Porém, o aumento da temperatura, de pragas, de doenças e alterações extremas no clima serão um desafio à produção de grãos e à criação de animais.

Também a ameaça à saúde humana vai aumentar, devido aos problemas decorrentes do estresse térmico, a doenças transmitidas pelas água, à pior qualidade do ar e a infecções transmitidas por insetos e roedores.

Além disso, o relatório alerta para a elevação do nível do mar e mais episódios de tempestades em regiões da costa americana, com maior chance de erosão e inundações, especialmente no Golfo do México, em ilhas do Pacífico e em parte do Alasca. O sistema de energia e a infra-estrutura de transporte em cidades costeiras serão gravemente atingidas, segundo o relatório.

A Casa Branca espera que progressos na legislação americana possam ajudar nos esforços internacionais de formar um novo pacto para frear as alterações climáticas. E isso seria consolidado num encontro mundial em Copenhague, em dezembro.

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segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Copenhague – sonhos e realidades

José Goldemberg
Copenhague, a capital da Dinamarca, próspero país no norte da Europa, vai sediar no fim deste ano a 15ª reunião dos países signatários da Convenção do Clima, adotada no Rio de Janeiro em 1992 (Rio-92), na qual os governos dos países participantes (mais de 180) se comprometeram a reduzir as emissões de gases responsáveis pelo aquecimento global.

Afora a retórica, contudo, nenhum país assumiu em 1992 compromissos concretos de reduzir tais emissões, o que só foi feito cinco anos depois, em 1997, no Japão, onde foi adotado o Protocolo de Kyoto. Foi nessa ocasião que as esperanças e os sonhos gerados em 1992 começaram a se chocar com a realidade. Os países industrializados aceitaram reduzir modestamente suas emissões nos 15 anos seguintes (até 2012), mas os demais (incluindo China, Índia e Brasil) não aceitaram nenhuma limitação, usando argumentos de natureza política.

O principal é o de que os países industrializados foram os grandes emissores no passado e, portanto, têm responsabilidade histórica pelo que está acontecendo, cabendo a eles resolver o problema. Esse argumento se origina na concepção terceiro-mundista, comum em muitos países em desenvolvimento, que culpa as potências coloniais pelos problemas que enfrentam. Essa visão leva às reivindicações por “compensações” pelos males do passado e a propor, por exemplo, que os espanhóis paguem pela destruição da civilização asteca. No Brasil vemos isso frequentemente na discussão sobre cotas para afrodescendentes nas universidades públicas.

É ela que alimenta a ideia de que os países em desenvolvimento só tomarão as medidas necessárias para reduzir suas emissões se os países ricos lhes transferirem as tecnologias e os recursos necessários para tal, apesar de emitirem tanto quanto os países industrializados; além disso, suas emissões estão crescendo mais rapidamente. Consequência disso é que os EUA – o maior emissor mundial – não ratificaram o Protocolo de Kyoto; a União Europeia (UE) é o único bloco de nações engajado até agora seriamente em reduzir suas emissões. Estima-se que seria necessário transferir US$ 100 bilhões por ano. No presente, apenas pouco mais de U$ 1 bilhão por ano está sendo transferido, o que mostra quão irrealista é a posição dos países em desenvolvimento de esperar que os países industrializados paguem pelos custos da redução das emissões.

A conferência que se realizará em Copenhague tem por objetivo reformular o Protocolo de Kyoto e, eventualmente, substituí-lo por outro que conte com a adesão dos EUA e um engajamento real dos países em desenvolvimento. O que se pode esperar realisticamente dela?

Em primeiro lugar, a UE já decidiu tornar suas metas mais rigorosas e pretende reduzir suas emissões em 20% abaixo do nível de 1990, usando o método já em operação de permitir a troca de emissões entre empresas. Esse método encoraja avanços tecnológicos e as empresas mais eficientes podem vender certificados de emissão às menos eficientes. O mercado europeu de emissões já atingiu o nível de dezenas de bilhões de dólares por ano. Em segundo lugar, os EUA estão próximos de adotar um sistema de metas e troca de emissões, propondo-se a reduzi-las em 17% abaixo do nível de 2005. O que se espera como resultado é uma grande expansão do mercado de emissões europeu para um mercado transatlântico que incluirá o Canadá e o México.

Essas medidas concretas para a redução de emissões esvaziarão o argumento dos países em desenvolvimento de que, se reduzirem as suas, vão facilitar a vida dos países industrializados, que continuarão a emitir. Provavelmente, tais medidas levarão a China a abandonar a recusa de aceitar limitações às suas emissões e participar, assim, do grande mercado de emissões que se está delineando. Se isso ocorrer, o que se espera dos demais países em desenvolvimento?

De acordo com o “mapa do caminho” adotado em Bali, na 13ª reunião dos países signatários da Convenção do Clima, os países em desenvolvimento comprometeram-se a adotar “ações de mitigação apropriadas, em nível nacional”, que são voluntárias, mas sujeitas a verificação. Exemplo dessas ações voluntárias é a anunciada pelo Brasil, na 14ª reunião da Convenção, em Poznan, de que reduziria o desmatamento da Amazônia em 30% até 2013 e outros 40% até 2017.

Que outras ações podem ser tomadas? A exemplo do que fez a UE, as ações (ou metas) podem ser setoriais, isto é, atingir certas indústrias mais do que outras. A lei em discussão no Congresso americano tem as mesmas previsões.

Sendo realista, o Brasil poderia começar a pensar seriamente em adotar o mesmo procedimento, o que poderia ampliar muito os recursos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que se tornou extremamente burocrático e movimenta recursos muito menores do que as transações que existem no mercado europeu. Por exemplo, a produção atual de etanol da cana-de-açúcar, que evita o lançamento de cerca de 40 milhões de toneladas de CO2 por ano na atmosfera, não se qualifica hoje para o MDL, mas poderia ser objeto de transações no mercado europeu (e provavelmente nos EUA); essa quantidade de carbono tem um valor de mercado de cerca de US$ 1 bilhão. Outra ação seria a comercialização de créditos de carbono resultantes do desmatamento evitado, que não pode depender apenas de filantropia internacional, como é o caso atualmente. De novo, aqui, um mecanismo de mercado que mantenha o carbono na floresta poderia gerar um grande fluxo de recursos para o País.

Há condições de se alcançar um acordo em Copenhague, mas é necessário menos ideologia e mais realismo nas negociações em curso.

Lei pioneira aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo, por proposta do prefeito Gilberto Kassab, vai mais longe ainda, fixando uma meta para a redução das emissões de carbono até 2012.

José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo

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REDUÇÃO DE EMISSÕES

10/05/09

06/05/2009

Depois de recuo, Austrália aumenta redução de emissões para 25% até 2020

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da Efe, em Sydney

O governo australiano anunciou uma revisão de seu plano contra a mudança climática e se comprometeu a reduzir em 25% a emissão de gases que produzem o aquecimento global antes de 2020. O anúncio da revisão foi feito nesta quarta-feira (6).

Na última segunda, o premiê Kevin Rudd cedeu à pressão dos empresários e concordou em atrasar por um ano seu plano de luta contra a mudança climática, que devia entrar em vigor em 2009, devido à crise econômica.

Rick Rycroft/AP

Em troca, decidiu aumentar seu objetivo de redução de emissões de 5% para 25% antes de 2020, uma decisão que a Austrália apresentou hoje formalmente às Nações Unidas, disse a ministra do ramo, Penny Wong, em comunicado.

O plano governamental contempla a criação de bônus de emissões –que poderão ser comprados ou vendidos a preços de mercado por todos os agentes industriais que precisem poluir.
O governo limitará a emissão destes bônus em função do número de gases que pretende reduzir a cada ano.

Enquanto organizações ambientalistas como o Greenpeace condenaram, nesta semana, o atraso da entrada em vigor do plano, outras organizações como o Conselho de Conservação da Austrália o apoiaram, ao abrir a porta para a possibilidade de um aumento na porcentagem da redução de gases.

Quando chegou ao poder, em novembro de 2007, o governo trabalhista da Austrália prometeu que transformaria o país em uma das nações mais comprometidas com a luta contra o aquecimento global. Para afirmar essa postura, ratificou imediatamente o Protocolo de Kyoto.

No entanto, o país continua sendo um dos mais poluentes do planeta, por sua dependência dos combustíveis fósseis, além de ser o maior exportador mundial de carvão.

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terça-feira, 5 de maio de 2009

EUA prometem ‘ações ambiciosas’ em tratado climático da ONU

Washington apresentou documento delineando ideias para tratado a ser definido em dezembro em Copenhague

Reuters
OSLO – Os Estados Unidos prometeram nesta terça-feira, 5, “ações ambiciosas” como parte de um novo tratado climático da ONU, e defenderam um aumento expressivo na ajuda aos países em desenvolvimento.

Washington apresentou à ONU um documento delineando suas ideias para o tratado a ser definido em dezembro em Copenhague. No mesmo texto, os EUA disseram que muitos países deveriam estabelecer metas de médio prazo (para 2020) para a redução dos gases do efeito estufa, e também metas de longo prazo, até 2050.

“Os Estados Unidos estão comprometidos em alcançar um acordo internacional forte em Copenhague, com base em metas robustas e em ações ambiciosas que serão incorporadas na lei doméstica dos EUA”, diz o documento.

O texto acrescenta que o compromisso dos EUA depende “de importantes ações nacionais de todos os países com perfis significativos de emissões no sentido de conter suas respectivas emissões”.

A China recentemente superou os EUA como maior emissor global de poluentes, e Rússia e Índia vêm a seguir. Mas as emissões per capita da China, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, ainda representam menos de um quarto das emissões de cada norte-americano.

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