1 de abril de 2009
Países em desenvolvimento cobram cortes de CO2 de ricos
Países formados por ilhas temem que alguns atóis sumam do mapa por causa do aumento do nível dos oceanos
ALISTER DOYLE – REUTERS
BONN, ALEMANHA – China, Índia e outros países em desenvolvimento uniram suas forças na quarta-feira para pedir que os países ricos façam cortes nas emissões de gases-estufa bem maiores que o previsto para 2020 a fim de conter o aquecimento global.
Vários países em desenvolvimento presentes às negociações em Bonn — que reúnem 175 nações para conversar sobre um novo pacto sobre o clima patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU) — pediram que os ricos cortem as emissões em “ao menos 40%” dos níveis de 1990 até 2020 para combater o que dizem ser sinais cada vez piores da mudança climática.
Os apelos, que integram as negociações sobre o novo pacto da ONU sobre o clima ao qual se deve chegar a um acordo até dezembro, marcaram uma pausa nos elogios do começo da semana para as promessas do presidente Barack Obama em fazer mais para combater o aquecimento global do que o ex-presidente George W. Bush.
“Acreditamos que até 2020 as nações desenvolvidas devam reduzir suas emissões em ao menos 40 por cento abaixo dos níveis de 1990″, disse o representante chinês Xu Huaqing no encontro, que ocorre de 29 de março a 8 de abril.
A Índia está entre os países que pediram os mesmos níveis de cortes, bem mais profundos do que as metas estabelecidas pelos Estados Unidos, pela União Européia ou por qualquer outro país rico. Obama encontrou-se com o presidente chinês, Hu Jintao, em Londres na quarta-feira, na véspera da cúpula do G20 que voltará seu foco em formas de recuperar a economia mundial.
A meta de Obama é cortar as emissões norte-americanas, principalmente as provenientes da queima de combustíveis fósseis, para voltar aos níveis de 1990 até 2020, num corte de entre 16 e 17 por cento dos níveis atuais. Bush previu o auge das emissões para apenas 2025.
Diversos países em desenvolvimento afirmam que as descobertas científicas sobre o aquecimento global, indo do derretimento do gelo ártico a sinais de um aumento mais rápido no nível dos oceanos, estão se tornando mais alarmantes e, portanto, exigem ações mais rigorosas.
ILHAS
“A voz mais potente (para o objetivo de ao menos 40 por cento) veio de pequenos países-ilhas. Mas ele parece ter amplo apoio”, disse Harald Dovland, autoridade norueguesa que preside um grupo em busca de mais cortes nos países desenvolvidos.
Os países em desenvolvimento formados por ilhas, que temem que alguns dos atóis sumam do mapa por causa do aumento do nível dos oceanos, concordaram em pedir por cortes de ao menos 40 por cento em dezembro do ano passado.
Delegados disseram que muitos países pobres passaram a apoiar esse número desde então.
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1 de abril de 2009
México quer metas de emissão de CO2 para país em desenvolvimento
AXEL BUGGE – REUTERS
LONDRES – Os países em desenvolvimento precisam adotar metas para a redução das emissões de gases do efeito estufa, de modo a também fazerem sua parte no combate ao aquecimento global, disse na quarta-feira o presidente do México, Felipe Calderón.
Os países em desenvolvimento – até agora isentos de metas de emissões – precisam ajudar a resolver o problema mais premente do mundo, o aquecimento global, e parar de culpar os países ricos por causá-lo, disse Calderón em discurso no British Council.
“Falar como nação em desenvolvimento é difícil para mim, porque outros líderes de nações em desenvolvimento dizem que as nações industrializadas provocaram o problema e têm dinheiro suficiente para resolvê-lo. Precisamos mudar esse ponto de vista”, disse ele.
A declaração ecoa comentários semelhantes feitos em março pelo ministro brasileiro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e pode ter repercussões na negociação de um novo tratado climático da
ONU.
A expectativa geral é de que os países em desenvolvimento não terão metas a cumprir no novo tratado, a ser aprovado em dezembro em Copenhague, para entrar em vigor depois de 2012 em substituição ao Protocolo de Kyoto.
Calderón participa na quinta-feira em Londres da cúpula do G20, que deve incluir um compromisso de seus líderes de assinar o novo tratado climático neste ano.
Ele afirmou que os países em desenvolvimento estão “corretos de certa forma” em resistir às metas de redução das emissões, mas que “todos querem colaborar para consertar o problema da mudança climática”.
“Há duas coisas que ameaçam a própria existência da humanidade: a lacuna entre homem e natureza e a lacuna entre norte e sul, entre ricos e pobres”, afirmou.
Ele admitiu, porém, que o mundo carece de instrumentos para cortar as emissões de gases do efeito estufa.
“Precisamos perceber que os instrumentos que Kyoto criou não foram úteis para os nossos propósitos. Os instrumentos corretos são os incentivos econômicos corretos para os países, porque o dinheiro é o melhor incentivo para qualquer um.”
Ele propôs a criação de um “fundo verde” que poderia ajudar os países a financiar programas destinados a melhorar a segurança energética. Cada país contribuiria segundo sua capacidade financeira, de modo análogo às quotas pagas à ONU e ao FMI. “Todo e qualquer país deve contribuir para criar um fundo sob o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, afirmou.
O presidente acrescentou que o México almeja que até 2012 um quarto da energia usada no país venha de fontes renováveis. O país deve ampliar o uso da energia eólica, e Calderón disse que a empresa alemã Q-Cells cogita investir até 3 bilhões de dólares para construir uma fábrica de células de energia solar no México.
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