SUSTENTABILIDADE

18/10/10

Energias renováveis

13 de outubro de 2010

Adriano Pires e Abel Holtz – O Estado de S.Paulo

Num período de mudanças climáticas e restrições a emissões cada vez maiores, é importante focarmos nosso desenvolvimento na direção de uma economia de baixo carbono. Nesse sentido, é essencial valorizar as fontes alternativas de geração de energia elétrica que não adicionam emissões e explorá-las de forma crescente e em harmonia com a construção de hidrelétricas com reservatórios para equilibrar a sazonalidade e as oscilações dessas fontes alternativas. Tudo com responsabilidade e critérios técnicos e sem nos deixarmos levar por modismos ou por ações “politicamente corretas”. Essa harmonia é necessária porque as energias da biomassa e eólica, apesar de complementares às hidrelétricas, não atenderiam à “ponta” do consumo. Por isso a importância das térmicas a gás natural para firmar as hidrelétricas a fio de água da Amazônia.

Sabemos que o potencial do Brasil em energia eólica é hoje estimado em cerca de 300 GW a 400 GW, que são empreendimentos de rápida implantação e não têm impacto social de grande monta. Um dos benefícios da inserção da geração dessa energia no parque gerador brasileiro decorre do fato de ela complementar a geração hidrelétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN). Por exemplo, de junho a setembro, quando a vazão no Rio São Francisco diminui, ocorre maior incidência de ventos no vale do rio. Logo, a complementaridade poderá contribuir para aumentar a segurança do abastecimento energético, principalmente na Região Nordeste.

A capacidade instalada mundial de energia eólica alcançou em 2009 157,9 GW, um crescimento de 31% em relação a 2008. Em termos absolutos, os EUA têm a maior capacidade de geração eólica (35,1 GW); seguidos por Alemanha, 25,7 GW; China, 25,1 GW; Espanha, 19,1 GW; e Índia, 10,9 GW.

A energia da cana-de-açúcar, além do etanol, pode propiciar-nos nos próximos anos, por meio do bagaço da cana, 12 GW somente com as atuais usinas. Ou seja, uma nova Itaipu. No caso da biomassa de cana, a tecnologia já está dominada e seu contínuo desenvolvimento já se dá de forma natural. No caso das eólicas, há uma tendência de ampliação de sua competitividade na medida em que as indústrias se desenvolvam, tornando o Brasil uma plataforma de produção com domínio tecnológico dos aerogeradores e componentes.

No caso da biomassa, há problemas para o seu avanço como importante geradora de energia. Por exemplo, a conexão das usinas ao SIN, que poderia ser resolvida com a transmissão sendo levada até as usinas; e a não existência de leilões por fonte e por submercados. Em São Paulo a rede da CPFL, por exemplo, não está dimensionada para transportar produção, mas para suprimento da carga, uma realidade insustentável.

Está sendo elaborada uma regulamentação que permita estabelecer redes coletoras para interligar as usinas ao SIN. A solução seria planejar uma rede coletora de geração distribuída (GD) composta por ramais de rede básica (>230kV) e uma subestação coletora de GD localizada no centro de gravidade da GD (bioeletricidade, PCHs, UTEs) e “no pé de torre” da rede básica existente, com mínimo custo global.

O fato novo e que chamou a atenção no último leilão de energia foi o desempenho da energia eólica. A complementaridade com as UHE”s é biunívoca, seja eólica no Nordeste, seja biomassa no Sudeste. Necessita-se, com urgência, definir a energia assegurada dessas fontes por certificadora independente. Essa definição é fundamental, na medida em que teremos os preços dessas energias próximos à realidade de cada uma e, ao mesmo tempo, impediremos que produtores, no afã de ganhar leilões, forneçam fatores de carga que nunca serão alcançados. A atual assimetria da regulamentação da transmissão está fazendo com que as vantagens dessas fontes sejam transferidas ao preço de produção.

É necessário aplicar às fontes eólica e biomassa, o quanto antes, o mesmo conceito do Mecanismo de Realocação de Energia aplicável às hidrelétricas para ampliar o chamado “efeito portfólio”.

RESPECTIVAMENTE, DIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE INFRAESTRUTURA (CBIE) E ENGENHEIRO, CONSULTOR NA ÁREA DE ENERGIA E NEGÓCIOS

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

8/09/10

Países tentam definir fundo de US$ 100 bi para mudanças climáticas

Reunião em Genebra com 45 governos começa a definir criação; ministra Izabella Teixeira lidera delegação brasileira

02 de setembro de 2010
O Estado de S. Paulo

Os países industrializados usam a crise financeira para tentar transferir para Brasil, Índia, China e ao setor privado parte da responsabilidade por financiar o fundo de US$ 100 bilhões para lidar com mudanças climáticas.

Hoje, 45 governos se reúnem em Genebra para começar a definir como será criado o fundo.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, irá liderar a delegação brasileira no encontro. A delegação dá sinais de que poderá flexibilizar sua posição de colocar todo o peso de uma solução sobre os países ricos.
Obrigados a reduzir seus gastos em razão da crise, os países ricos usam esse argumento para fortalecer uma posição já existente: a de que não aceitam que sua responsabilidade pelas emissões tenha de ser traduzida em maiores recursos para a iniciativa ambiental, estipulada durante a cúpula de Copenhague no final de 2009.
Um dos poucos acordos da cúpula foi o estabelecimento de um fundo para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptar. Foi decidido que, entre 2010 e 2012, US$ 30 bilhões seriam coletados e, até 2020, os países ricos teriam de financiar o mecanismo com até US$ 100 bilhões por ano.

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

16/02/10

 

EUA anunciam nova agência dedicada à mudança climática

Agência, que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso, reuniria informações sobre o tema.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O secretário do Comércio dos Estados Unidos, Gary Locke, e a chefe da agência americana para Oceanos e Atmosfera (Noaa, na sigla em inglês), Jane Lubchenco, anunciaram nesta segunda-feira o plano de criar uma nova agência federal exclusivamente dedicada às mudanças climáticas.

A criação da nova agência, no entanto, ainda precisa ser aprovada no Congresso americano.

O Noaa, um dos centros de estudo da atmosfera mais respeitados do mundo, ficará responsável pela criação do órgão, que trabalharia em conjunto com outras duas agências, o Serviço Nacional de Meteorologia e o Serviço Nacional de Oceanos, ambos ligados à própria Noaa.

Recentemente, a Noaa divulgou estudos afirmando que os dez anos entre 2000 e 2009 foram os mais quentes já registrados, seguidos pela década de 90.

“Cada vez mais gente quer ter mais informações sobre o clima e como ele os afeta”, afirmou Lubchenco. “Por isso, as autoridades decidiram reunir todas as operações do governo sobre o assunto em uma só unidade.”

Novas tecnologias

Escritórios que já trabalham com meteorologia no Noaa e em outras agências governamentais seriam incorporados por esta nova agência climática.

A nova unidade deverá ser administrada por Thomas Karl, atual diretor do Centro Nacional de Dados sobre o Clima, e deve ficar baseada em Washington, além de ter seis diretores regionais em diferentes pontos dos Estados Unidos.

“Ao fornecer informações vitais para planejamento que as nossas empresas e comunidades necessitam, o Serviço Climático do Noaa vai ajudar a enfrentar de frente os desafios de mitigação e adaptação às mudanças climáticas”, afirmou Locke, acrescentando que novas tecnologias e empresas serão criadas neste processo.

De acordo com o Noaa, diversos representantes da sociedade civil também elogiaram a iniciativa do governo americano.

Além da criação do novo serviço, o Noaa também anunciou a criação de um novo portal na internet, o http://www.climate.gov/ para reunir todas as informações relacionadas ao clima atualmente produzidas pela agência.

De acordo com as autoridades, o portal visa a atender cientistas, formadores de opinião, educadores e empresários, além do público em geral. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. 

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

11/01/10

Os frutos de Copenhague

Agência O Globo
O Globo – 31/12/2009
Qiu Xiaoqi

A 15ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas (COP-15), que chamou grande atenção de todo o mundo, já terminou, e a mídia fez uma série de comentários sobre os resultados. Deve ser dito que a COP-15 alcançou um resultado importante e positivo, principalmente no seguinte: Primeiro, a COP-15 defendeu firmemente o quadro e um conjunto de princípios estabelecidos pela Convenção-Quadro da ONU sobre a Mudança Climática e o Protocolo de Kyoto, especialmente o princípio de “responsabilidades comuns mas diferenciadas”.

Segundo, graças à Conferência, tanto os países desenvolvidos como os em desenvolvimento estabeleceram uma série de metas para enfrentar a mudança climática e tomaram novas ações. Os países desenvolvidos assumiram metas obrigatórias de redução das emissões no âmbito do Protocolo de Kyoto, e os países em desenvolvimento também lançaram as próprias ações voluntárias de mitigação.

Se não tivesse sido realizada essa reunião, não existiriam esses compromissos, ou seriam adiados.
Este foi um resultado muito importante da COP-15.

Terceiro, após intensas negociações antes da COP-15, as partes chegaram ao consenso preliminar em uma série de questões sobre as quais tinham divergências substanciais no passado. Acordaram em que até 2050 as temperaturas globais não deverão exceder 2 graus, e deram um passo à frente nas questões financeiras, da transferência de tecnologia e da transparência.

Algumas pessoas dizem que o Acordo de Copenhague não tem valor legal nem é satisfatório. A meu ver, o Acordo é o melhor resultado que a Conferência pode obter. Apesar de críticas e descontentamentos, o resultado da Conferência é positivo e importante, desde que seja avaliado justa e objetivamente.

Com este acordo, podemos avançar para o futuro, e a COP-15 pode ser um novo ponto de partida para a comunidade internacional enfrentar a mudança climática.

A China atribui grande importância à questão da mudança climática e à Conferência de Copenhague.
O primeiro-ministro Wen Jiabao participou da Conferência. Antes e no meio da Conferência, a parte chinesa, especialmente o próprio primeiro-ministro, trabalhou muito para que a Conferência conseguisse, em circunstâncias tão complexas, o resultado final – o Acordo de Copenhague. Os países como a China e o Brasil desempenharam um papel crucial de mediadores quando as negociações caíram no impasse. Podemos afirmar ao mundo, com todo orgulho, que a China tem contribuído significativamente para a cooperação internacional no enfrentamento da mudança climática e para o resultado positivo da Conferência.

A China e o Brasil mantinham estreita comunicação e coordenação em torno da Conferência. O primeiroministro Wen Jiabao e o presidente Lula conversaram por telefone antes da Conferência e encontraram-se diversas vezes durante o evento. Os dois países empenharam grandes esforços para manter a união e defender os interesses dos países em desenvolvimento, deixando a Conferência como um bom exemplo de cooperação estreita nos assuntos globais.

A China está disposta a reforçar a união dos países do “Basic”(Brasil, África do Sul, Índia e China) para consolidar os resultados obtidos e continuar a desempenhar um papel construtivo nas negociações futuras da mudança do clima.

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