MUDANÇAS CLIMÁTICAS

5/01/10

A vitória dos emergentes

28 de Dezembro de 2009
O Globo

IPCC considera conquista na COP-15 a criação do grupo integrado pelo Brasil

O surgimento do grupo formado por Brasil, África do Sul, Índia e China – o chamado Basic – foi considerado o avanço mais relevante da Conferência do Clima em Copenhague (COP-15) pelo presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, o indiano Rajendra Pachauri.

Em sua primeira entrevista desde o fim da COP-15, Pachauri disse que o Basic impediu que os países desenvolvidos enterrassem o Protocolo de Kioto (que tem força de lei e impõe metas compulsórias aos ricos) e foi protagonista da elaboração de uma carta de intenções que servirá como ponto de partida para a discussão climática.

Defesa de acordo com valor legal

O Basic reuniu-se com o presidente dos EUA, Barack Obama, no último dia conferência. Do encontro saiu o esboço do Acordo de Copenhague.

Para Pachauri, o Basic ajudou a equilibrar as disputas entre países ricos e em desenvolvimento.

- O surgimento da aliança foi um acordo político significativo – destacou Pachauri, em visita a Nova Déli.

- Os países desenvolvidos terão de lidar com este grupo para alcançar um acordo legalmente vinculante no México, no ano que vem.

Ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2007 – dividido com o exvicepresidente dos EUA, Al Gore -, Pachauri aliou-se ao grupo na defesa pelos princípios do Protocolo de Kioto, que definiu como “sacrossanto”.

O tratado, assinado em 1997 em Kioto e válido até 2012, estabelece metas obrigatórias no corte de emissões dos países desenvolvidos.

Para nações em desenvolvimento, como as do Basic, a redução nas emissões é voluntária. Os EUA não assinaram Kioto e países europeus lutaram para extinguir a base legal do protocolo em Copenhague.

- Um novo acordo climático, seja ele qual for, deve partir dos mesmos princípios de Kioto – afirmou Pachauri. – Caso contrário, vários países podem não aceitá-lo.

O presidente do IPCC alertou que o tempo para negociações é escasso.

Segundo Pachauri, se um acordo com força jurídica não for assinado no ano que vem, “estaremos perdendo tempo, o que dificultará e encarecerá a nossa missão”.

A meta assumida na COP-15 é impedir que a temperatura média da Terra aumente em mais de 2 graus Celsius. Este aquecimento resultaria na extinção de espécies de plantas e animais, em alterações bruscas nos ciclos de cultivo e no desaparecimento de ilhas.

Pachauri aproveitou sua aparição pública para pedir ao governo da Índia para prestar assistência a países mais vulneráveis da África e a pequenas nações insulares do Índico e do Pacífico, ameaçadas pela elevação do nível do mar.

Leia na fonte

CONFERÊNCIA DE COPENHAGUE

21/12/09

18/12/2009

Vinte e cinco países montam documento para negociação climática

da Efe, em Copenhague

Vinte e cinco países fecharam nesta sexta-feira (18), último dia da conferência da ONU sobre o clima, um documento de negociação que contém números de financiamento e de cortes nas emissões de gases que seguem a linha dos objetivos da União Europeia (UE), segundo fontes da delegação espanhola.

Apesar disso, a conferência vai terminar sem acordo final entre países ricos e emergentes e líderes optarão por fazer apenas uma declaração política, segundo fontes ouvidas pela Folha. Até mesmo a Índia já pediu publicamente para prorrogar as negociações para 2010.

A UE chegou a Copenhague com um compromisso claro de reduzir suas emissões em 20% até 2020, com a possibilidade de ampliá-lo para 30% caso outros países façam um esforço similar, e de fornecer 7,2 bilhões de euros (US$ 10 bilhões) nos três próximos anos para que as nações pobres possam se adaptar à mudança climática.

Os ministros de 25 países foram convocados ontem à noite em caráter de urgência após o jantar de gala oferecido pela rainha Margarida 2ª da Dinamarca aos quase 120 chefes de Estado e de governo que estão em Copenhague para chegar a um documento que regule a luta contra a mudança climática.

Às sete da manhã, após oito horas de negociações, foi selado o documento com o maior consenso possível, apesar das reservas da China, que continua mantendo uma posição muito dura, especialmente por sua oposição à verificação de suas emissões por um organismo internacional, segundo as fontes.

O documento serviu de base de negociação para os chefes de Estado e de governo na reunião que mantiveram hoje, entre os quais estavam o presidente americano, Barack Obama; o presidente francês, Nicolas Sarkozy; a chanceler alemã, Angela Merkel; e os primeiros-ministros da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e do Reino Unido, Gordon Brown.

Obama, que chegou hoje de manhã a Copenhague, não ofereceu nenhum compromisso novo em seu discurso no plenário da COP15.
Com Folha Online

Leia na fonte

 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Obama defende recursos a países em desenvolvimento

AE – Agencia Estado

COPENHAGUE – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu hoje em Copenhague um mecanismo de financiamento que ajude as nações em desenvolvimento a se adaptarem para que possam enfrentar o aquecimento global e seus efeitos. “Devemos ter um mecanismo de financiamento capaz de auxiliar na adaptação dos países em desenvolvimento, em especial daqueles países menos desenvolvidos e mais vulneráveis às mudanças climáticas”, declarou Obama, durante a 15ª Conferência das Nações Unidas para o Clima, na capital dinamarquesa.

O presidente norte-americano afirmou que os EUA estão prontos para assinar hoje um novo acordo climático que passará a vigorar depois de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto. “Não há tempo a perder. A América fez sua escolha. Nós definimos nosso caminho, assumimos nossos compromissos e faremos o que dissemos que vamos fazer”, declarou. “Agora eu creio que seja a hora de as nações e os povos do mundo se unirem em uma proposta comum”, disse.

“Devemos de escolher a ação em detrimento da inação, o futuro em vez do passado, com coragem e fé. Assumamos nossa responsabilidade diante de nossos povos e do futuro de nosso planeta”, afirmou o líder norte-americano, ao encerrar o discurso. As informações são das agências internacionais.

Leia na fonte

SUSTENTABILIDADE E NEGÓCIOS

8/09/09

Noruega investe em empresa verde

Financial Times
01/09/2009

O fundo de investimentos soberano da Noruega, de US$ 400 bilhões, o segundo maior do mundo, reorganizou sua estratégia de investimento para aumentar sua exposição às companhias ambientalmente responsáveis, num esforço para combater as mudanças climáticas.

O Fundo de Pensão do Governo Norueguês vai direcionar cerca de 1% de seus recursos, cerca de US$ 4 bilhões, para “ações verdes” do mundo em desenvolvimento, segundo informou ontem o governo da Noruega. A mudança na estratégia de investimentos foi acertada este ano, segundo funcionários do fundo.
Como parte dessa grande mudança de política, a Noruega investiu US$ 1,2 bilhão em 232 companhias da Índia que apoiam a sustentabilidade ambiental e as energia limpas.

A Índia, que é uma das grandes economias que mais vêm crescendo e cuja população de 1,2 bilhão é altamente vulnerável às mudanças climáticas, é vista pelas nações desenvolvidas como um parceiro importante na formação de um consenso global sobre como reduzir as emissões de carbono.
A decisão do governo norueguês acontece antes das discussões sobre as mudanças climáticas que a Organização das Nações Unidas (ONU) vai realizar em Copenhague em dezembro. Nas discussões, a questão de como o mundo desenvolvido vai pagar pelas medidas de proteção ao clima adotadas pelas economias emergentes , está no topo da agenda.

Em um seminário sobre arquitetura financeira ambiental, realizado ontem em Nova Delhi, Ann Ollestad, embaixadora da Noruega em Nova Delhi, disse que a estratégia de investimentos é “apenas o começo” do uso de mecanismos financeiros apoiados pelo Estado, que seu país vai empregar para promover a tecnologia verde e conter a degradação ambiental.

Ela disse que a nova estratégia de investimentos reflete o reconhecimento pela Noruega da necessidade de uma forte parceria com a Índia “na arena internacional, para encontrar uma solução para desafios como as mudanças climáticas”.

Até agora, a Índia vem resistindo em reduzir as emissões, sob a alegação de que seria injusto conter seu crescimento econômico.

Leia na fonte

 

Grandes empresas propõem uma agenda ambiental

Editorial
01/09/2009

Há alguma esperança de que a diminuição do desmatamento no Brasil possa se manter e não seja apenas, e mais uma vez, o reflexo da redução das atividades econômicas causada pela crise global. Mas as notícias ruins agora vêm de outras frentes. As emissões de gases que provocam o efeito estufa pela indústria cresceram 77% entre 1994 e 2007, segundo estimativas do Ministério do Meio Ambiente a partir de dados do IBGE e da Empresa de Pesquisa Energética. Para piorar, as fontes de energia se tornaram mais “sujas”, com o aumento de 122% do CO2 lançado na atmosfera, porcentual muito acima dos 71% da ampliação da geração no período. Assim, enquanto que as emissões por desmatamento tendem a se reduzir para algo entre 55% e 60% do total, as da indústria e o uso de combustíveis fósseis ganham mais força.

Diante de números ruins para o futuro do ambiente, não deixa de ser algo animador e cheio de possibilidades futuras a união de 22 grandes empresas para lançar uma carta ambiental. A iniciativa é inédita e as medidas propostas não passam perto de devaneios ou soluções idealistas – têm como pano de fundo o mais sólido realismo empresarial. As empresas frequentaram durante muito tempo, e na maior parte das vezes, o noticiário sobre ambiente como vilãs, a quem se atribuiu um escasso interesse para qualquer coisa que não fosse seu próprio lucro. A iniciativa de grandes companhias como a Vale, Odebrecht, Votorantim ou Pão de Açúcar mostram uma mudança profunda a caminho, com um forte poder de irradiação para o conjunto do aparelho produtivo e de serviços brasileiro.

As companhias signatárias da carta acreditam, com razão, que o descaso com o ambiente ou o baixo comprometimento do Brasil com a redução de emissões de carbono nas reuniões preparatórias à Conferência do Clima de Copenhague, em dezembro, acabe por ser ruinosa, a médio prazo. O sinal de alerta foi dado várias vezes nos últimos anos e tornou-se explícito agora com a inclusão, no projeto de nova lei ambiental dos EUA, já aprovado pela Câmara dos Deputados, de tarifas compensatórias nas importações de mercadorias de países que não realizem esforços verificáveis e claros para a redução das emissões. A lei ainda passará pelo Senado, que provavelmente manterá uma arma de fácil manejo protecionista. A hora correta para se preparar para isso é agora.

As empresas se comprometem a monitorar a emissão dos gases do efeito estufa de várias formas. Uma delas, por meio de investimentos que promovam a diminuição da emissão nos processos, produtos e serviços. As companhias também aproveitarão o grande papel na cadeia produtiva para convencer seus fornecedores a fazerem o mesmo. Uma das metas é buscar a redução contínua do balanço líquido de CO2 e uma maneira de torná-la mensurável é a publicação de inventários anuais das emissões.

Como nenhuma ação eficaz tem chances de prosperar sem que o governo se mova na mesma direção, as empresas fazem várias propostas a ele, em duas frentes. No plano interno, consideram importante saber o tamanho do problema – com a publicação a cada três anos de um inventário e de estimativas anuais. Depois, o que se torna especialmente importante dada a baixa atenção do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com a agenda ambiental, as empresas sugerem que o governo dê prioridade à redução de carbono nas políticas e investimentos públicos. Além disso, propõem a criação de um sistema nacional de controle das emissões, com mecanismos de consulta e participação da sociedade.

A outra frente de ação envolve a posição brasileira nas discussões que resultarão em um acordo que suceda o Protocolo de Kyoto. As empresas defendem que o Brasil defina metas de redução para si próprio, uma condição vital para que aproveite suas inegáveis vantagens e tenha papel de liderança nas negociações globais sobre o assunto. O governo brasileiro já sinalizou que tomará esta direção, atitude que pode estimular a revisão de posições negociadoras radicais da China e Índia, que resistem a compromissos assinados, embora não se neguem a perseguir objetivos ambientais internos determinados.

Leia na fonte

Lições da Europa para políticas de energia e clima

3/08/09

Ed Crooks, Financial Times
04/06/2009

Bloomberg

Fontes de energia renováveis, como a eólica, terão papel a desempenhar, junto com a conservação e a solução nuclear

“Energy and Climate Change: Europe at the Crossroads” – David Buchan. Oxford University Press, 214 páginas

Faz muito tempo desde que a “Velha Europa” esteve na fronteira avançada de alguma coisa. Mas em política energética e ambiental o Continente desbravou uma trilha que várias outras economias estão agora seguindo, especialmente a americana sob a presidência de Barack Obama.

David Buchan, ex-editor de Energia do “Financial Times” e hoje pesquisador no Instituto Oxford para Estudos sobre Energia, produziu um dos primeiros livros visando mapear esse território desconhecido. Em admiravelmente concisas, mas abrangentes 214 páginas, ele aborda todos os aspectos relevantes do novo cenário energético europeu. Seu livro será indispensável para quem deseje compreender o progresso obtido no setor na década passada, e para onde provavelmente se avançará.

O fio da narrativa é a história de como os políticos e funcionários governamentais da União Europeia (UE) tentaram estabelecer abordagens coletivas para enfrentar três desafios frequentemente conflitantes: competitividade, segurança energética e mudanças climáticas. Fracassaram em várias tentativas. E pouco se avançou na instituição de políticas por acordo, para segurança energética ou para estabelecer padrões comuns para energia nuclear.

Em seu empenho visando atacar a ameaça do aquecimento global, porém, o avanço obtido pela UE tem sido notável. Políticas europeias, como o esquema de comercialização de direitos de emissão de dióxido de carbono e metas para o uso de energia renovável, estão sendo adotados em todo o mundo. Se algum dia houver um marco regulatório mundial balizando a redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa, um sistema semelhante ao europeu provavelmente constituirá sua base.

Sob diversos aspectos, a UE estava idealmente posicionada para enfrentar o desafio do aquecimento global. Diferentemente dos Estados Unidos, seus governos de modo geral compartilhavam uma visão de que o problema merece séria atenção, e vários países europeus têm uma tradição de ação preventiva para lidar com preocupações ambientais.
Apesar disso, só recentemente as mudanças climáticas tornaram-se a questão central de política energética europeia. O relato de Buchan começa com o movimento pela liberalização energética iniciado em 2005, após ineficazes tentativas anteriores.

Essa campanha está agora praticamente terminada, ao menos no campo legislativo. A tentativa de desmembrar os grandes fornecedores de energia – que também são proprietários de suas redes de transmissão de eletricidade e gás -defrontou-se com implacável oposição da Alemanha e da França, determinados a defender suas empresas energética nacionais. Essa oposição indicou que a tentativa de obrigar ao desmembramento através de legislação provavelmente sempre esteve fadada ao fracasso.

Tentativas de ação coletiva em segurança energética, quando muito, foram ainda menos eficazes. Os países da UE têm se mostrado determinados a preservar poderes nacionais sobre suprimentos de energia. Como observa Buchan, “fornecedores externos sabem disso, e apressam-se em explorar o fato”.
Bruxelas foi reduzida a exortações geralmente infrutíferas em suas tentativas de forjar uma resposta articulada em face de desafios como a disputa russa sobre gás com a Ucrânia, um país de trânsito crucial para as importações destinadas à UE.

A Rússia ganhou um capítulo exclusivo, que merece, por ser “o mais importante, mas o mais difícil parceiro energético da UE”. Buchan não cede à visão fatalista de que tudo o que a UE pode fazer é receber suas importações de gás e petróleo sob termos russos, e confiar no compromisso do Kremlin de que preservará boas relações com seus clientes.
Ele argumenta: “A UE, em conjunto, pode fazer mais para assegurar sua segurança energética. E precisa empenhar-se mais”. No longo prazo, diz, a melhor política para assegurar suprimentos de energia é a mesma adotada para evitar as mudanças climáticas: a “revolução de baixas emissões de carbono”, para por fim à dependência europeia de petróleo, gás e carvão.

Economia de energia, fontes renováveis e energia nuclear, tudo isso terá um papel a desempenhar. O esquema de comercialização de emissões, que beneficia as fontes energéticas que geram baixos teores de carbono, está no coração da estratégia, e Buchan conclui que, “a despeito de todas as tentativas e erros iniciais”, o sistema europeu funciona.

A UE adotou uma atitude de “cautela redobrada”, determinando metas para redução de emissões, eficiência energética e o uso de fontes renováveis que correm o risco de ser conflitantes. Mas Buchan conclui que diferentes metas e subsídios são necessários para assegurar êxito. “Em tempos de paz normais, insucessos de políticas governamentais não são catastróficos”, escreve ele. “Mas as mudanças climáticas lembram mais períodos de guerra: não há tempo para voltar à prancheta.”

 

Leia na fonte