Noruega investe em empresa verde
Financial Times
01/09/2009
O fundo de investimentos soberano da Noruega, de US$ 400 bilhões, o segundo maior do mundo, reorganizou sua estratégia de investimento para aumentar sua exposição às companhias ambientalmente responsáveis, num esforço para combater as mudanças climáticas.
O Fundo de Pensão do Governo Norueguês vai direcionar cerca de 1% de seus recursos, cerca de US$ 4 bilhões, para “ações verdes” do mundo em desenvolvimento, segundo informou ontem o governo da Noruega. A mudança na estratégia de investimentos foi acertada este ano, segundo funcionários do fundo.
Como parte dessa grande mudança de política, a Noruega investiu US$ 1,2 bilhão em 232 companhias da Índia que apoiam a sustentabilidade ambiental e as energia limpas.
A Índia, que é uma das grandes economias que mais vêm crescendo e cuja população de 1,2 bilhão é altamente vulnerável às mudanças climáticas, é vista pelas nações desenvolvidas como um parceiro importante na formação de um consenso global sobre como reduzir as emissões de carbono.
A decisão do governo norueguês acontece antes das discussões sobre as mudanças climáticas que a Organização das Nações Unidas (ONU) vai realizar em Copenhague em dezembro. Nas discussões, a questão de como o mundo desenvolvido vai pagar pelas medidas de proteção ao clima adotadas pelas economias emergentes , está no topo da agenda.
Em um seminário sobre arquitetura financeira ambiental, realizado ontem em Nova Delhi, Ann Ollestad, embaixadora da Noruega em Nova Delhi, disse que a estratégia de investimentos é “apenas o começo” do uso de mecanismos financeiros apoiados pelo Estado, que seu país vai empregar para promover a tecnologia verde e conter a degradação ambiental.
Ela disse que a nova estratégia de investimentos reflete o reconhecimento pela Noruega da necessidade de uma forte parceria com a Índia “na arena internacional, para encontrar uma solução para desafios como as mudanças climáticas”.
Até agora, a Índia vem resistindo em reduzir as emissões, sob a alegação de que seria injusto conter seu crescimento econômico.
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Grandes empresas propõem uma agenda ambiental
Editorial
01/09/2009
Há alguma esperança de que a diminuição do desmatamento no Brasil possa se manter e não seja apenas, e mais uma vez, o reflexo da redução das atividades econômicas causada pela crise global. Mas as notícias ruins agora vêm de outras frentes. As emissões de gases que provocam o efeito estufa pela indústria cresceram 77% entre 1994 e 2007, segundo estimativas do Ministério do Meio Ambiente a partir de dados do IBGE e da Empresa de Pesquisa Energética. Para piorar, as fontes de energia se tornaram mais “sujas”, com o aumento de 122% do CO2 lançado na atmosfera, porcentual muito acima dos 71% da ampliação da geração no período. Assim, enquanto que as emissões por desmatamento tendem a se reduzir para algo entre 55% e 60% do total, as da indústria e o uso de combustíveis fósseis ganham mais força.
Diante de números ruins para o futuro do ambiente, não deixa de ser algo animador e cheio de possibilidades futuras a união de 22 grandes empresas para lançar uma carta ambiental. A iniciativa é inédita e as medidas propostas não passam perto de devaneios ou soluções idealistas – têm como pano de fundo o mais sólido realismo empresarial. As empresas frequentaram durante muito tempo, e na maior parte das vezes, o noticiário sobre ambiente como vilãs, a quem se atribuiu um escasso interesse para qualquer coisa que não fosse seu próprio lucro. A iniciativa de grandes companhias como a Vale, Odebrecht, Votorantim ou Pão de Açúcar mostram uma mudança profunda a caminho, com um forte poder de irradiação para o conjunto do aparelho produtivo e de serviços brasileiro.
As companhias signatárias da carta acreditam, com razão, que o descaso com o ambiente ou o baixo comprometimento do Brasil com a redução de emissões de carbono nas reuniões preparatórias à Conferência do Clima de Copenhague, em dezembro, acabe por ser ruinosa, a médio prazo. O sinal de alerta foi dado várias vezes nos últimos anos e tornou-se explícito agora com a inclusão, no projeto de nova lei ambiental dos EUA, já aprovado pela Câmara dos Deputados, de tarifas compensatórias nas importações de mercadorias de países que não realizem esforços verificáveis e claros para a redução das emissões. A lei ainda passará pelo Senado, que provavelmente manterá uma arma de fácil manejo protecionista. A hora correta para se preparar para isso é agora.
As empresas se comprometem a monitorar a emissão dos gases do efeito estufa de várias formas. Uma delas, por meio de investimentos que promovam a diminuição da emissão nos processos, produtos e serviços. As companhias também aproveitarão o grande papel na cadeia produtiva para convencer seus fornecedores a fazerem o mesmo. Uma das metas é buscar a redução contínua do balanço líquido de CO2 e uma maneira de torná-la mensurável é a publicação de inventários anuais das emissões.
Como nenhuma ação eficaz tem chances de prosperar sem que o governo se mova na mesma direção, as empresas fazem várias propostas a ele, em duas frentes. No plano interno, consideram importante saber o tamanho do problema – com a publicação a cada três anos de um inventário e de estimativas anuais. Depois, o que se torna especialmente importante dada a baixa atenção do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com a agenda ambiental, as empresas sugerem que o governo dê prioridade à redução de carbono nas políticas e investimentos públicos. Além disso, propõem a criação de um sistema nacional de controle das emissões, com mecanismos de consulta e participação da sociedade.
A outra frente de ação envolve a posição brasileira nas discussões que resultarão em um acordo que suceda o Protocolo de Kyoto. As empresas defendem que o Brasil defina metas de redução para si próprio, uma condição vital para que aproveite suas inegáveis vantagens e tenha papel de liderança nas negociações globais sobre o assunto. O governo brasileiro já sinalizou que tomará esta direção, atitude que pode estimular a revisão de posições negociadoras radicais da China e Índia, que resistem a compromissos assinados, embora não se neguem a perseguir objetivos ambientais internos determinados.
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