MUDANÇAS CLIMÁTICAS

3/08/09

Empresas querem que Brasil assuma metas para redução de efeito estufa

Samantha Maia, de São Paulo
30/07/2009

Claudio Belli/Valor

Britaldo Soares, do grupo AES: “Dizer que não vamos nos comprometer as com mudanças climáticas é irreal”
Um grupo de empresas brasileiras pretende influenciar a posição do governo brasileiro nas negociações sobre mudanças climáticas, em especial na conferência de Copenhague, em dezembro. Elas querem que o Brasil assuma metas para a redução de emissão de gases de efeito estufa. O grupo, formalizado ontem em encontro na capital paulista, estudará propostas a serem levadas pelo país à conferência, assim como contribuições das próprias empresas para a redução das emissões. Um documento será entregue em setembro à Presidência da República com o resultado das discussões.

O grupo é formado pelas companhias Suzano Papel e Celulose, Light, Rhodia, Shell, Arcelor Mittal, Klabin, Ambev, AES e Brenco , e pelas entidades União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) e Conselho Superior do Agronegócio (Cosag-Fiesp).

As empresas querem desconstruir o argumento de que assumir compromissos internacionais com metas é prejudicial à economia do país. O grupo aguarda mais adesões, segundo Walfredo Schindler, diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), coordenadora do projeto. “Estamos atentos ao tempo para não corrermos o risco de encontrar o governo com as suas posições já firmadas”, diz ele.

As empresas consideram que o Brasil tem mantido posição conservadora nas negociações sobre mudanças climáticas. Segundo Eduardo Viola, professor da Universidade de Brasília (UNB), o mundo passou por grande transformação ao colocar o clima como tema central e o Brasil não pode ficar preso à cobrança das responsabilidades históricas dos países ricos. “Hoje, a União Europeia lidera o debate, propondo reduzir 20% das emissões até 2020. Os EUA mudaram sua posição e indicam a possibilidade de reduzir em 3% as emissões no mesmo período. A China apresenta um plano consistente de transição para um modelo mais limpo. O Brasil precisa assumir suas responsabilidades”, diz o professor, responsável pelo estudo sobre as estratégias do Brasil nas negociações internacionais.

O engenheiro Roberto Schaeffer, da Coppe/UFRJ, que elabora o estudo sobre o uso da energia, diz que a indústria brasileira tem grande potencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mas que são necessários incentivos públicos para viabilizar as mudanças. “É possível reduzir em 40% as emissões da indústria até 2030, mas a maior parte das ações dá menos retorno que investimentos nas atividades-fim das empresas.” Ele defende que é preciso estreitar a distância entre o retorno dos investimentos para tornar a busca de eficiência energética e a substituição de combustíveis, por exemplo, mais atrativas.

“Ninguém sabe ainda os custos de assumir compromissos de redução de emissões, mas é preciso achar um equilíbrio entre esse custo e a atividade das empresas. Dizer hoje que não vamos nos comprometer com as mudanças climáticas é irreal”, diz Britaldo Soares, presidente do grupo AES.
“O assunto deixou de ser apenas de ONGs e cientistas para ser tratado por países e empresas. Precisamos assumir metas obrigatórias, pois a responsabilidade também é nossa”, diz Marcos Sawaya Jank, presidente da Unica.

O presidente da Suzano, Antônio Maciel Neto, também chamou atenção para a necessidade de envolvimento do empresariado. “É muito importante que o setor empresarial aprofunde essa discussão e tenha proposições objetivas para abraçar.” Ele defende mais incentivos às florestas plantadas, atividade realizada pela papeleira.

Diferente da realidade mundial, em que 80% das emissões de gases de efeito estufa são resultantes da geração e do uso de energia, no Brasil o maior responsável pelas emissões é o desmatamento (60%), seguido pela pecuária, com 25%, e por último a energia, com 15%. Dessa forma, a preservação das florestas brasileiras é um dos principais focos do grupo.

Segundo Paulo Moutinho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e responsável pelo estudo sobre os desafios para a redução do desmatamento da Amazônia, é preciso uma visão integrada. “O desmatamento está ligado ao uso da terra, ou seja, às demais atividades, agropecuária e industrial”, diz.

Para o pesquisador, o Brasil tem um papel fundamental na defesa da preservação florestal e é preciso pensar incentivos que valorizem a mata conservada. “Manter florestas também tem de significar ganho, vantagem competitiva. É preciso reconhecer os esforços de quem preserva com o pagamento de compensações”, diz. Segundo Moutinho, só a fiscalização e uma boa legislação não são suficientes para barrar o desmatamento. “Fiscalizar tem os seus limites e a legislação pode ser alterada.”

A pecuária também tem uma contribuição importante para dar, segundo o professor da Esalq-USP, Carlos Cerri. Segundo ele, é preciso aumentar o número de gado criado por hectare para conseguir atender à necessidade de aumento da produção sem expansão da área utilizada. “O foco tem de ser o aumento da produtividade. Hoje criamos menos de um animal por hectare e para melhorar essa relação é preciso investir em fertilização da pastagem e em criação por confinamento”, diz.

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terça-feira, 28 de julho de 2009

EUA e China assinam memorando sobre mudança climática

Algumas pessoas nos EUA argumentam que Obama não deveria se comprometer com reduções antes da China

REUTERS

WASHINGTON – Os Estados Unidos e a China, os principais emissores de gases-estufa do mundo, assinaram um acordo na terça-feira com vistas a uma cooperação maior nas questões sobre mudança climática, energia e ambiente.

Autoridades norte-americanas e chinesas assinaram um “memorando de entendimento” no Departamento de Estado após dois dias de negociações de alto escalão em Washington para discutir a economia e outros assuntos estratégicos, incluindo a mudança climática.

Nenhum detalhe do documento foi divulgado de pronto, mas a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que ele salienta a importância da mudança climática nas relações entre os dois países.

“Ele também proporciona aos nossos países um direcionamento à medida que trabalhamos juntos para apoiar as negociações climáticas internacionais e acelerar a transição para uma economia de baixo carbono”, disse Clinton na cerimônia de assinatura.

Ela afirmou que ambos os lados discutiram extensivamente sobre como reduzir as emissões e avançar na conferência climática da ONU em Copenhague em dezembro, que visa esboçar novas metas globais para controlar a mudança climática.

Algumas pessoas nos EUA argumentam que Washington não deveria se comprometer com reduções específicas nas emissões industriais (pois isso poderia aumentar o preço da energia) antes que a China faça o mesmo.

Outros, no entanto, argumentam que a China já adotou mais medidas concretas que os EUA e que Washington precisa mostrar, no tempo que resta até a reunião de Copenhague, que está comprometido com a redução das emissões norte-americanas.

O conselheiro estatal chinês Daí Bingguo disse que os dois países enfrentavam grandes desafios colocados pela mudança climática e que Pequim estava comprometido em cooperar com Washington sobre a questão.

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Um acordo sobre as mudanças climáticas

13/07/09

05/07/2009

ED MILIBAND

Um novo pacto sobre as mudanças climáticas precisa ser ambicioso e justo em seus objetivos. Mas também precisa ser eficaz

FALTAM MENOS de seis meses para um momento decisivo para nosso planeta. Em Copenhague (Dinamarca), em dezembro deste ano, o mundo vai tentar fechar um acordo sobre as mudanças climáticas -e temos que conseguir fazer isso.

Não podemos esperar até o inverno europeu e não se pode deixar essa tarefa apenas nas mãos dos políticos.
Como parte de nossa contribuição e para abrir a discussão, o governo britânico está divulgando nossa proposta sobre o que o pacto deve incluir.

Em algumas negociações, a posição do governo pode parecer segredo de Estado. Nós estamos adotando abordagem oposta: enviando nossa posição às escolas, colocando-a on-line, discutindo-a ao máximo -porque as discussões sobre as mudanças climáticas não são como as demais negociações na história recente.

Mais que qualquer outra, elas vão afetar a vida de todos. E mais que em qualquer outra, será preciso que governos e populações se unam para concretizar o que for acordado.

Ao apresentar nosso argumento dentro do Reino Unido e para o mundo, somos guiados pela ciência, pela experiência e pela ética.

A ciência nos diz que as consequências de uma ação pela metade seriam catastróficas; precisamos ser ambiciosos. Para sermos ambiciosos, precisamos conseguir limitar as mudanças climáticas a dois graus, o limiar além do qual ocorrerão danos irreversíveis. Isso significa inverter a trajetória do crescimento das emissões de gases-estufa nesta próxima década, e não mais tarde. As emissões precisam começar a diminuir de forma que, até 2050, cheguem a quase metade dos níveis em que estavam em 1990.
Aqui no Reino Unido, já reduzimos as emissões em quase um quarto em comparação com 1990. Já convertemos os compromissos de redução em lei, para reduzir as emissões ainda mais. Os “orçamentos de carbono” nacionais vão reduzir as emissões em um terço do nível de 1990 até 2020 e em pelo menos 80% até 2050, e estamos enfrentando as escolhas que esse compromisso implica.

Esperamos que outros países também elevem suas ambições. Muitos já o fizeram, mas a verdade é que as ofertas que estão sobre a mesa no momento são insuficientes.

Mesmo que os países desenvolvidos cortassem suas emissões para zero, o mundo ainda ultrapassaria os dois graus, a não ser que os países em desenvolvimento também passassem de um crescimento de alto carbono para um crescimento de baixo carbono. Portanto, um pacto climático ambicioso terá que envolver todos.

Enquanto isso, a experiência nos ensina uma lição separada: que o pacto precisa ser não apenas ambicioso mas também eficaz. O Protocolo de Kyoto, o primeiro sobre as mudanças climáticas, realizou muitas coisas, mas ninguém pode afirmar que todos os países cumpriram os compromissos que assumiram.

Portanto, para ser eficaz, o acordo a ser fechado em Copenhague precisará de um trabalho rigoroso de monitoramento e averiguação do que os países estão fazendo. Ele terá que ser eficaz em relação a como as reduções são realizadas, vinculando os mercados de carbono entre os países desenvolvidos, de modo que cada dólar gasto encontre o lugar onde poderá ter o maior impacto sobre as emissões.

E isso nos leva à terceira fonte de nossas lições sobre o tipo de pacto de que precisamos: a ética e as obrigações que os países ricos devem aos mais pobres. No cerne do debate está uma questão moral fundamental: se nos enxergamos como vizinhos e irmãos dos cidadãos dos outros países e se nos preocupamos com o legado que vamos deixar para nossos filhos.

No documento divulgado pelo Reino Unido duas semanas atrás, queremos enfrentar esse desafio moral, de modo que o pacto que buscamos precisa ser não apenas ambicioso e eficaz mas também justo.

A recessão global arrochou os orçamentos de muitos países, entre os quais o Reino Unido não foi menos atingido, mas o primeiro-ministro, Gordon Brown, assumiu um compromisso pessoal profundo em obter o financiamento correto e justo para fazer frente às mudanças climáticas.

E, nos últimos seis meses, temos visto como o debate pode ser transformado. O presidente Obama mudou o jogo. A China elevou sua ambição e deixou claro que quer chegar a um pacto. Temos um caminho ainda mais longo a percorrer nos próximos seis meses, e a necessidade de acelerarmos o processo é urgente.

Com um pacto que seja ambicioso, eficaz e justo, a perigosa mudança climática poderá ser interrompida; com ações por parte de governos e cidadãos em todos os países, será possível chegar a esse pacto. O momento decisivo se aproxima.

ED MILIBAND , 39, mestre em economia pela London School of Economics, é o ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido.

Tradução de Clara Allain.

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

6/07/09

03/07/2009

ONU pede que Japão aumente ajuda contra mudança climática

da Efe, em Tóquio

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao Japão que aumente sua ajuda aos países em desenvolvimento para lutar contra a mudança climática, informou a agência local de notícias “Kyodo” nesta semana.

Mark Garten -03.jul.09/AP

Secretário-geral da ONU Ban Ki-moon pede ao Japão que colabore contra aquecimento

Ban, que desembarcou ontem em a Tóquio antes de viajar para Mianmar (antiga Birmânia), disse que o Japão deverá reduzir as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa no mundo por meio da ajuda financeira e tecnológica aos países mais pobres.

O pedido do secretário-geral da ONU aconteceu durante um encontro com o presidente da Associação de Executivos Corporativos, Masamitsu Sakurai, e outros empresários japoneses.

Ban reconheceu os esforços do governo japonês na luta contra a mudança climática, em referência ao objetivo de reduzir em 15% suas emissões de gases que causam o efeito estufa para 2020, com relação ao nível de 2005.

O sul-coreano pediu ainda ao Japão que demonstre sua liderança na luta contra o aquecimento global e assuma um papel importante na luta contra a mudança climática que se estabeleça quando expire o Protocolo de Kyoto, em 2012.

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

1/06/09

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Maiores poluidores estão perto de acordo climático, diz Canadá

Divergências vêm sendo superadas desde um encontro promovido no mês passado em Washington

Reuters
LONDRES – Os países que mais emitem gases do efeito estufa se aproximaram de um acordo nas discussões que devem levar à adoção de um novo tratado climático global em dezembro em Copenhague, disse na quinta-feira o ministro de Meio Ambiente do Canadá, Jim Prentice.

De acordo com ele, as divergências vêm sendo superadas desde um encontro promovido no mês passado em Washington pelo presidente dos EUA, Barack Obama.

“Estou bastante esperançoso com as perspectivas de obter um acordo”, disse Prentice à Reuters. “Minha sensação é de que há um consenso entre os países do G8 de que precisamos ter metas específicas em vigor.”

“Nem sempre fui tão otimista, mas a convocação do Fórum das Grandes Economias (sobre Energia e Clima) pelo presidente Obama me leva a ter uma confiança considerável.”

Ele alertou, porém, que há “muito trabalho a ser feito” antes de qualquer tratado para substituir o Protocolo de Kyoto, que limita as emissões de gases do efeito estufa pelos países desenvolvidos e expira em 2012.

Embora o Canadá seja signatário de Kyoto, o primeiro-ministro Stephen Harper o abandonou logo após assumir o cargo, em 2006, alegando que os cortes exigidos prejudicariam a economia.

As emissões canadenses de gases do efeito estufa estavam em 2005 25,3 por cento acima dos níveis de 1990, enquanto o Protocolo de Kyoto recomendava uma redução de 6 por cento em relação a 1990 até o período de 2008-12.

Na opinião dele, a adoção de metas compulsórias para a redução de emissões seria desejável no próximo tratado, “mas acho que é menos importante do que ter os Estados Unidos como parceiro integral”.

O governo de George W. Bush retirou os EUA do Protocolo de Kyoto em 2001, também alegando que seu cumprimento traria prejuízos econômicos.

Pratice defendeu que as medidas ambientais venham acompanhadas de estímulos econômicos para que o mundo saia da recessão. “Nunca vi isso como um jogo de soma zero, onde para promover os seus objetivos ambientais você o faz em detrimento da sua economia”, disse ele. “É preciso ter certa prosperidade para guiar o progresso ambiental.”

O Canadá, segundo ele, pretende estimular sua economia com investimentos em tecnologia limpa, como as práticas de captura e armazenamento de carbono, que literalmente enterram o dióxido de carbono (CO2) recolhido nas usinas termoelétricas a carvão. “Essa é realmente uma tecnologia na qual o Canadá tem liderado.”

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