REDUÇÃO DE EMISSÕES

23/03/09

19/03/2009 – 12h20

Emissão de poluentes cairá pela primeira vez em 10 anos, dizem especialistas

da Efe, em Berlim

As emissões de poluentes causadores do aquecimento da Terra e das mudanças climáticas serão reduzidas em 2009 pela primeira vez em uma década, informa hoje o jornal alemão “Frankfurter Runschau”, que fez uma pesquisa junto a especialistas.

“A soma de todos os fatores fará com que a redução das emissões de CO2 alcance aproximadamente 2%”, diz o professor Gernot Klepper, do Instituto de Estudos Econômicos Mundiais (IfW) de Kiel.
Cálculos similares foram feitos por Claudia Kemfert, do Instituto Alemão de Estudos Econômicos (DIW), que espera uma redução das emissões poluentes no planeta nesse mesmo nível.

A redução nas emissões causadoras do efeito estufa e da mudança climática se devem, sobretudo, à queda da produção industrial e ao arrefecimento do crescimento econômico em países como China e Índia.
No entanto, o diretor do programa de meio ambiente das Nações Unidas (Pnuma), Achim Steiner, adverte contra um otimismo exagerado, também em entrevista ao jornal alemão.

“A crise econômica significa apenas que tiramos o pé do acelerador para depois voltar a apertá-lo o mais rapidamente possível”, afirma Steiner, que ressalta que o clima sofrerá mais que até agora assim que a China superar a crise e recuperar seus antigos níveis de produção industrial.

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Protocolo de Montreal ajudou o de Kyoto

De São Paulo
18/03/2009

O Protocolo de Montreal, que cuida de banir os gases que destroem a camada de ozônio da Terra e, desta forma, aumentam a incidência de casos de câncer de pele, fez mais para o clima do planeta do que o próprio Protocolo de Kyoto, este sim, o documento internacional que procura reduzir a emissão de gases que provocam o aquecimento da Terra.

“Dependendo do país, os cortes de emissões de gases que arruinam a camada de ozônio, respondem por 3% a 5% das emissões de gases do efeito-estufa”, disse, em São Paulo, Roberto de Aguiar Peixoto, membro do comitê de opções técnicas em refrigeração e ar condicionado do PNUMA, o Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente. Trata-se de uma constatação curiosa – o mundo, tentando equacionar um problema, o da camada de ozônio, acabou acertando outro, o do aquecimento da Terra.

Nos anos 80, um erro comum era confundir um fenômeno com outro. O buraco na camada de ozônio é causado pelos gases CFCs, os clorofluorcabonos, que a humanidade decidiu banir há 20 anos, com a Convenção de Viena e o Protocolo de Montreal. Os CFCs eram muito utilizados em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, mas quando escapavam à atmosfera, destruíam a camada de ozônio, uma proteção natural para os raios ultravioleta. Com a camada de ozônio rarefeita, a radiação é mais intensa e aumentam os casos de câncer de pele e catarata. Desde 1999 não se produzem mais veículos com estes gases no Brasil e, desde 2001, nenhuma geladeira. Os CFC ainda são utilizados no Brasil em aerossóis para asmáticos.

O efeito estufa, por outro lado, é um desafio bem mais complicado. O fenômeno é provocado por gases provenientes da queima de combustíveis fósseis ou de desmatamento, a humanidade tenta resolver o problema através da Convenção-Quadro de Mudanças Climáticas e do Protocolo de Kyoto – e agora, de um esperado acordo em Copenhague, no fim deste ano. O efeito disso é o aquecimento da Terra. “Acontece que existe uma ponte entre estas duas questões ambientais”, diz Peixoto.

A ponte são os chamados gases fluorados (HFCs, PFCs e SF6, substitutos dos velhos CFCs, mas que são gases do efeito-estufa e muito nocivos para o aquecimento global. Os HFCs também têm prazo para serem substituídos, pelo bem-sucedido Protocolo de Montreal. “Eliminá-los é também um benefício para o clima. É preciso uma convergência das duas convenções”, defende Peixoto. (DC)

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Inventário sobre emissão de gases será concluído este ano

Daniela Chiaretti, de São Paulo
18/03/2009

Carol Carquejeiro / Valor

Fabio Feldmann, do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade: distorções no inventário
Até o fim deste ano o Brasil deverá conhecer seu perfil real de emissões de gases do efeito-estufa. É este o prazo para que saia o segundo inventário nacional, uma espécie de retrato da contribuição do país ao aquecimento global, por setores e por volume. O estudo traçará um panorama de 1990 a 2005, mas no caso do desmatamento os dados chegarão apenas até 2002.
O anúncio foi feito ontem por Newton Paciornik, o coordenador técnico do primeiro inventário de emissões de gases-estufa brasileiro lançado em 2004, e responsável pela nova edição. “Estamos em pleno andamento do trabalho”, disse a uma plateia de técnicos reunidos no auditório da Cetesb, a agência ambiental paulista, durante seminário sobre o tema. “Até meados do ano queremos ter todos os pareceres, colocá-los em discussão nacional e a expectativa é termos o inventário no fim do ano.”
Segundo Paciornik, os dados relativos à mudança no “uso da terra” – o jargão que define as alterações na cobertura vegetal natural causadas, por exemplo, pela pecuária ou agricultura – só chegarão até 2002, porque “temos que otimizar os recursos, que são limitados, e distribuí-los da melhor maneira possível”. O desmatamento é o ponto fraco do Brasil quando se trata de aquecimento global e o único inventário brasileiro traz dados de 1994. Foi ali que se cravou a informação que o desmatamento responde por 75% das emissões brasileiras. “Só acho 2002 muito defasado”, reagiu Fabio Feldmann, secretário-executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade. “Teremos distorções no inventário em função disso.”

Todos os países signatários da Convenção do Clima têm que apresentar inventários de emissões de gases-estufa. As nações ricas, com metas de corte de emissões definidas no Protocolo de Kyoto, devem fazer este relato todos os anos; os países em desenvolvimento, como o Brasil, apenas periodicamente. Contam, para isso, com recursos do GEF, um fundo financiado pelas nações industrializadas. Com este dinheiro produzem o inventário e também a Comunicação Nacional, uma informação mais ampla onde se tornam conhecidas todas as ações que um país está tomando para combater a mudança climática. Paciornik, do Ministério da Ciência e Tecnologia, adiantou que “já estamos negociando com o GEF os valores para a 3ª Comunicação Nacional”, o que atualizaria os dados.

O inventário é fundamental para que se entenda quem contribui com o quê e, assim, traçar políticas públicas que procurem reduzir as emissões. Um estudo bem feito, num país das dimensões do Brasil, é complexo. O Estado de São Paulo está iniciando o seu, que deve ficar pronto só em 2010. “Estamos fazendo uma mera lição de casa que, francamente falando, talvez já devêssemos ter feito”, disse, numa espécie de autocrítica, o secretário estadual do Meio Ambiente, Francisco Graziano. “Fico impressionado com a fragilidade das nossas teses em função da precariedade das nossas bases de dados.”

Um exemplo está na dificuldade de definir as emissões de gases-estufa produzidas no tratamento de resíduos e efluentes. Pelos dados do IBGE, o Brasil produz 228 mil toneladas de resíduos por dia. Pelas estatísticas da associação das empresas do setor, a Abrelpe, o volume é de 140 mil toneladas. “Os dados do IBGE, neste caso, não são a melhor informação”, diz João Wagner da Silva Alves, responsável pela análise do setor na Cetesb.

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quarta-feira, 18 de março de 2009, 12:52

Japão compra direitos de emitir CO2 da Ucrânia

RISA MAEDA – REUTERS
TÓQUIO – O Japão fechou nesta quarta-feira um acordo para comprar direitos de emissão de carbono da Ucrânia, em seu primeiro acordo do gênero feito entre governos sob o Protocolo de Kyoto e abrindo caminho para outros negócios similares em breve.

O governo ucraniano entregará ao Japão 30 milhões de toneladas de AAUs (sigla em inglês para as unidades correspondentes à redução da emissão de gazes que provocam o efeito estufa).

A venda está atrelada a seis projetos ambientais específicos na Ucrânia, alguns ligados a energia renovável, informou o governo japonês em comunicado.

Os outros incluem conservação energética, mudança para combustíveis mais limpos, e a redução da emissão de outros gases causadores do efeito estufa, além do dióxido de carbono.

O valor do negócio não foi divulgado.

O Japão afirmou que espera completar outro acordo entre governos em abril, com outro país do leste europeu, com estimativa de envolver também dezenas de milhões de toneladas de AAUs, para ajudar a cumprir sua meta de emissão de gases estabelecida no Protocolo de Kyoto.

De acordo com o protocolo, países industrializados confortáveis com suas metas de redução podem vender seus direitos de emissão de gases, ou AAUs, para outros governos.

O número de AAUs a que cada nação tem direito é calculado com base nos níveis de emissões de 1990, ano-base para Kyoto. Cada AAU representa uma tonelada de CO2 equivalente.

Diversos países que formavam a antiga União Soviética possuem um excesso de AAUs depois que suas pesadas indústrias foram ao colapso na década de 1990, e têm oferecido a venda desses direitos a países que estão acima da meta de Kyoto, incluindo o Japão.

Depois que o segundo acordo japonês for anunciado, o país terá assegurado a maior parte dos créditos de compensação de 100 milhões de toneladas que planeja comprar durante o período de 2008 a 2012, disse uma fonte do governo.

Uma outra fonte disse à Reuters que as conversas com a Polônia e a Hungria foram adiadas, aumentando as chances de um negócio com a República Tcheca.

Uma autoridade do governo tcheco disse em 17 de fevereiro que o país estava prestes a vender metade de suas AAUs ao Japão.

O país tem um saldo de 150 milhões de toneladas em créditos e, segundo o governo, pode vender até 100 milhões de toneladas.

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Mudanças climáticas

15/03/09

10/03/2009

Pesquisadores se reúnem em Copenhague para avaliar mudança climática

da France Presse, em Copenhague

da Folha Online

Centenas de cientistas se reúnem, a partir desta terça-feira (10), em Copenhague, na Dinamarca, para fazer um balanço da mudança climática e recordar a necessidade de a comunidade internacional alcançar um bom acordo para combatê-lo.

O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climático (IPCC) da ONU concluiu, em uma série de relatórios no decorrer de 2007, que o aquecimento global, caso não seja controlado, provocará uma devastadora série de inundações, secas, enfermidades e climas extremos até o final deste século.

No entanto, as últimas investigações sugerem que o impacto será mais grave, e que provavelmente terá lugar antes que o previsto.

“Precisamos que nossa sociedade compreenda melhor a urgência desta situação”, declarou aos jornalistas John Ashton, o principal negociador britânico em termos de clima, no início do encontro.

Copenhague também sediará, em dezembro, um encontro internacional entre líderes mundiais, cujo objetivo é moldar um tratado que substitua o Protocolo de Kyoto, e estabeleça um compromisso quanto à redução das emissões de dióxido de carbono.

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Mudanças climáticas e biocombustíveis

O Estado de S. Paulo

Alysson Paulinelli foi ministro da Agricultura e Antonio Licio foi diretor do Ministério da Agricultura. Ambos participaram da concepção e implantação do Proálcool entre 1975-79

09/03/2009

Alysson Paulinelli

O mundo parece finalmente reconhecer o fenômeno do aquecimento global, embora ainda discuta as proporções de suas origens, entre antrópicas e naturais, e suas reais dimensões. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima em 28 bilhões de toneladas as emissões de gases de efeito estufa – GEE – em 2006, enquanto o Departamento de Energia dos EUA (DoE) mensura de 11 bilhões a 12 bilhões. A primeira diz que o Brasil emite 303 milhões de toneladas, o DoE estima em 294 milhões e nosso Ministério do Meio Ambiente fala em 1,02 bilhão, diferença supostamente atribuída às queimadas de matas. Provavelmente as primeiras não consideram os GEE derivados de queimadas porque esses vegetais já sequestraram CO2 quando em crescimento, e a queimada simplesmente zera a contabilidade das emissões.

Se as origens e dimensões do fenômeno mostram-se tão controvertidas, maior ainda é a confusão sobre como atacar o problema que poderá, nas hipóteses mais pessimistas, aquecer a Terra em até 3°C, com consequências imprevisíveis. Ninguém aponta perspectivas concretas de solução, nem mesmo o respeitado Al Gore. Somente agora os EUA concordam em fazer algo, não se sabe exatamente o quê. A União Europeia anunciou uma política de 3 vezes “20%?s”: 20% de aumento de eficiência da matriz energética, 20% de redução de emissões de CO2 e 20% de participação de energia limpa até 2020. Será isso possível?

A matriz energética mundial tem a seguinte distribuição, em termos de energia primária: 34% de petróleo, 26% de carvão mineral, 21% de gás natural, somando 81% de combustíveis fósseis, ou “sujos”. Os demais 19% “limpos” originam-se em nuclear (6,2%), hidrelétrica (2,2%), 10,1% de combustíveis renováveis (lenha e biocombustíveis) e somente 0,6% de “outras limpas” (eólica, solar, geotérmica, etc.). Na geração de eletricidade, 41% advêm do carvão; 20% do gás natural; 15% de hidráulica; 15% de nuclear; 6% do petróleo; e 2% de outras fontes, segundo a mesma AIE.

A simples observação desses dados revela a enorme rigidez para se alterar esta matriz, de “suja” para “limpa”. Mais: nos grandes países emergentes – Índia e China – e nos EUA só restarão fontes sujíssimas de carvão mineral no futuro. As fontes hidráulicas já estão comprometidas em 70% de seu potencial, o restante é inviável econômica e ambientalmente. Em suma, a perspectiva concreta de geração elétrica virá, infelizmente, de usinas nucleares e a carvão mineral, cujas fontes ainda serão abundantes por mais de uma centena de anos, e do gás natural, menos sujo, mas fóssil e finito.

Por sua vez, o petróleo, principal fonte de energia para transportes, nos oferece o seguinte dilema: ou se extingue na metade deste século – e nesse caso sua contribuição para o aquecimento global é um falso problema – ou continuará “sujando” a matriz. Em qualquer situação há que se viabilizar substitutos.

Despontam aqui os biocombustíveis, curiosamente pouco estudados, tratados mesmo por alguns como inviáveis como solução de larga escala, tal como foi no início do Pro-álcool há 34 anos. Achamos que falta conhecimento agrícola-econômico sobre o assunto, pois a partir do preço do petróleo de US$ 40 a US$ 50 o barril, os biocombustíveis, álcool de cana e biodiesel de dendê são absolutamente viáveis mesmo sem programas ambientais de governo de utilização compulsória.

O mundo consome hoje 1,2 trilhão de litros de gasolina e 1,3 trilhão de litros de diesel anualmente (DoE, 2005), que requereriam, respectivamente, ao redor de 180 milhões e 220 milhões de hectares de cana-de-açúcar e dendê, únicas plantas atualmente com tecnologias capazes de produzir álcool e biodiesel em volumes significativos e competitivamente. Existiriam essas áreas disponíveis no mundo?

No caso da cana, grosso modo, somente com substituição de atuais áreas de pastagens ou de grãos, considerando seu especial requerimento de clima: tropical, sem excessos nem déficits hídricos. No Brasil há mais de 100 milhões de hectares neste clima, inclusive áreas impróprias, como Pantanal, e montanhosas. Parte desses pastos poderá ser empurrada para regiões mais secas. Internacionalmente, a exceção fica por conta de regiões da África Meridional onde ainda há terras ociosas com clima adequado (savanas), mas de difícil mobilização empresarial.

Não se considerou aqui o uso do etanol de milho nem a biomassa de capim para queima e geração termoelétrica, dado o alto custo de oportunidade em desviar áreas alimentícias, nem as perspectivas de etanol de celulose, incógnita bioquímica e econômica, que uma vez equacionada resolverá também o problema alimentar mundial: folhas, galhos e capins poderão ser comidos pelo homem.

No caso do dendê, as perspectivas são bem mais promissoras, pois o clima exigido é o equatorial superúmido (latitudes 10° norte e sul) onde a produção mecanizada de grãos é inviável e sobram áreas com baixo ou nenhum aproveitamento agrícola (somente na Amazônia brasileira há 73 milhões de hectares desmatados, 17 dos quais degradados). Enquadram-se aí toda a Amazônia (450 milhões de hectares), a África úmida (350 milhões de hectares) e partes da Ásia (Indonésia, Filipinas, Bornéu e Papua-Nova Guiné, com 300 milhões hectares), onde certamente os atuais subaproveitamentos agrícolas darão lugar a florestas energéticas. Milhões de empregos poderão ser gerados em áreas pobres.

Dessas regiões virão os necessários combustíveis líquidos do futuro, além de ser a única perspectiva concreta para ajudar a “limpar” a atual matriz energética mundial, alterando ainda profundamente a geografia econômica e a geopolítica mundial.

* Alysson Paulinelli, engenheiro agrônomo e Antonio Licio, economista

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A economia do aquecimento global

7/03/09

20/01 – 04:51

O relatório reforça a necessidade de redução das emissões de carbono em 85% até 2050, em comparação aos níveis de 1990, para evitar uma mudança climática irreversível.

20 de janeiro de 2009 – No Brasil, uma experiência de plantio direto faz com que produtores aumentem sua produção e diminuam em 90% a erosão do solo. Na Suíça, a taxação do consumo de energia e gases de efeito estufa estimula a substituição de combustíveis fósseis por biomassa, reduzindo em um terço as emissões. Em Mali, o governo oferece informações sobre o tempo diretamente aos agricultores para ajudá-los a gerenciar as variáveis climáticas. Essas experiências, relatadas na 26 edição do relatório “State of the World 2009 – Into a Warming World” (O Estado do Mundo 2009: Em um mundo em aquecimento), produzido pelo WorldWatch Institute, demonstram as oportunidades e desafios para a descarbonização da economia a partir de estratégias combinadas na área de energias renováveis, eficiência energética, uso da terra e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.

O relatório reforça a necessidade de redução das emissões de carbono em 85% até 2050, em comparação aos níveis de 1990, para evitar uma mudança climática irreversível. O investimento em novas tecnologias verdes, a colaboração entre países, além da adaptação de estruturas para lidar com o aquecimento global são as principais mudanças necessárias para essa transição. “O Protocolo de Kyoto, lançado em 1997, deu os primeiros passos para a conscientização da necessidade de descarbonização da economia. Negócios ligados a essa área estão na ordem do dia e as multinacionais brasileiras líderes do mercado nacional deverão refinar as suas estratégias para aumentar a competitividade numa economia de baixo carbono”, avalia Eduardo Athayde, diretor do WorldWatch Institute no Brasil.

Segundo o State of the World, a reversão do cenário dramático de mudanças climáticas para os próximos anos requer ainda um esforço coletivo que envolva suporte governamental, políticas de transição para matrizes de energia renovável e mudanças no atual estilo de vida e consumo.

De acordo com Rubens Born, diretor da ONG Vitae Civilis, uma política pública com marcos regulatórios estáveis também se faz necessária para ampliar as possibilidades para os negócios. “Para o setor privado, políticas estáveis são importantes para criar investimentos. De um lado, está faltando que as empresas enxerguem novas oportunidades no campo de tecnologias verdes, mas também precisamos rever marcos regulatórios que ajudem a superar as pendências existentes.”

Diante do desafio do aquecimento global, negócios sustentáveis estão – segundo o cientista político Sérgio Abranches – necessariamente vinculados a uma economia de energia limpa. “A tendência é de aceleração dos investimentos em tecnologias que promovam essa transição para a economia sustentável. No período de 2030 a 2050, as tecnologias, que estão hoje em vários estágios de maturação, se tornarão disponíveis, acelerando a transição.”

Na opinião de Abranches, esse processo levará a uma renovação de praticamente todo o capital fixo de infraestrutura, ao longo de duas ou três décadas e também a gerar o próximo ciclo longo de expansão da economia mundial. “Só nos Estados Unidos serão criados algo em torno de 40 milhões de ‘empregos verdes’ em duas ou três décadas”, destaca.

Estratégias combinadas

O State of the World 2009 também apresenta projeções preocupantes que podem ocorrer nas próximas décadas. O aumento da temperatura eleva os riscos para sistemas naturais e humanos fundamentais e pode provocar graves consequências como a redução na capacidade de produção de alimentos dos países emergentes e falta de água para milhões de pessoas.

Com base nesse horizonte, o estudo destaca os dez desafios principais que devem ser adotados como parte de qualquer estratégia para mitigação, adaptação e resiliência às mudanças climáticas (confira no box).

Em relação aos gases de efeito estufa, o relatório afirma que a atual tendência de aumento nas emissões pode elevar de quatro a seis graus o clima do planeta até o final deste século. Esse dado se revela sombrio ante a constatação recente do IPCC de que o nível seguro de aquecimento seria no máximo de dois graus. Ainda que as emissões sejam estabilizadas, a temperatura continuará aumentando por várias décadas.

O documento do WorldWatch Institute reforça ser técnica e economicamente viável reduzir as emissões de gases de efeito estufa com rapidez suficiente para que as concentrações atmosféricas possam ser limitadas. Para Abranches, nesse cenário, surgem diversas possibilidades para o setor privado. “Energias renováveis, tecnologia da informação verde, ‘green building’, criação de novos materiais, produtos recicláveis e mercado de carbono são as principais oportunidades de negócio nessa perspectiva.”

Por isso, construções mais inteligentes que prezem pela eficiência de recursos ganham cada vez mais espaço nos centros urbanos. Os edifícios utilizam cerca de 40% da energia global. Um design integrado com múltiplas medidas eficientes – destaca o estudo – pode reduzir o uso de energia no mínimo pela metade em comparação aos edifícios convencionais, gerando economia de mais de 80% em alguns casos. “Há um campo interessante na área de construções e cidades sustentáveis. Os prédios devem ser mais inteligentes do ponto de vista ambiental, pois o setor habitacional tem um papel importante na demanda de energia por representar economia para quem utiliza e constrói”, avalia Born.

Além do segmento de construções, a geração de eletricidade também se mostra uma área de alto consumo de energia primária (41%) e emissões de CO2 (40%). Por isso, as fontes renováveis estão entre as opções de menor custo para reduzir as emissões de carbono e a dependência de combustíveis fósseis, apesar de representarem apenas de 2% a 3% da demanda mundial. “Acredito que seja válido para o Brasil buscar o suprimento de suas necessidades energéticas na alternativa eólica. Mas antes, temos que mudar sistemas, hábitos, processos industriais buscando melhorar a nossa eficiência energética”, ressalta Born.

Segundo Abranches, a adaptação de automóveis para utilização de combustíveis mais limpos também ganha força na economia de baixo carbono, principalmente em sua segunda etapa. “Essa indústria vai se mover para os carros híbridos e elétricos, até que a tecnologia de células a hidrogênio esteja dominada comercialmente. A primeira etapa é a mais difícil e de maior incerteza, entre 2009 a 2030 – a fase do investimento. Quanto mais rápido agirmos, menos alteraremos a quantidade e a gravidade de mudanças climáticas já inevitáveis”, avalia o cientista político.

Emergentes X industrializados

Paralaboração do State of the World 2009, a WorldWacth Institute escalou 47 autores, a maior parte deles de países em desenvolvimento que são mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global. Os pesquisadores reforçam a necessidade de um esforço financiado em sua maioria por países e pessoas com uma situação financeira mais saudável para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

De acordo com Athayde, do WWI, a eleição de Barack Obama nos Estados Unidos e novos marcos regulatórios internacionais sinalizam uma perspectiva positiva. “Os Princípios do Equador, PRI (Principles of Responsable Investments, da ONU), DJSI-Dow Jones Sustainability Index, adotados pelo mercado, determinarão os próximos passos. O efeito Obama pressionará positivamente as metas da Cúpula Mundial do Clima, de Copenhague, e fará uma grande diferença na economia mundial”, ressalta.

As consequências ambientais do comércio internacional têm tido cada vez mais destaque – ressalta o relatório – e as emissões incorporadas aos bens comercializados também representam um desafio particular. Países em desenvolvimento, como a China, têm cada vez mais demanda para exportar aos países industrializados, gerando mais gases de efeito estufa que ficam em sua própria conta e não daqueles que consomem seus produtos.

O fato de consumidores em países desenvolvidos serem indiretamente responsáveis por uma proporção significativa das emissões de carbono da China é mais um argumento a favor da visão de que esses países deveriam auxiliar os emergentes a reduzir o lançamento de gases de efeito estufa por meio de assistência técnica e financeira e criação de fundos para tecnologias ambientalmente amigáveis. Para Born, não é apenas correto que os países desenvolvidos forneçam suporte tecnológico àqueles que precisam se adaptar e lidar com as consequências das mudanças climáticas, mas também ético. “Esses países criaram um situação melhor do ponto de vista do bem-estar social e econômico, mas acabaram contribuindo mais com o aquecimento do planeta. Se pensarmos historicamente, 80% das emissões desde a revolução industrial são dos países industrializados. Nesse contexto, o Brasil pode exercer a mediação para tentar quebrar um pouco o impasse e auxiliar na busca de uma solução satisfatória”, propõe.

Segundo o especialista, o País deve tomar medidas efetivas nas áreas mais emissoras de gases poluentes para garantir uma perspectiva segura. “Está na hora de o país tirar o pé do acelerador e começar a diminuir suas emissões. Isso deve ter início pela área de desmatamento, mas precisa evoluir para outros setores, como transportes, construção e energia. Introduzindo medidas sustentáveis o quanto antes, conseguiremos criar uma tendência positiva para o futuro”, avalia. (Redação/Revista Ideia Socioambiental – Gazeta Mercantil)

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Mudanças climáticas: o papel do Brasil

21/02/09

27/01/2009

FOLHA DE S. PAULO
ALAN CHARLTON

A liderança brasileira será crucial para os avanços na agenda internacional, sobretudo no mundo em desenvolvimento

ESTAMOS A 11 meses de tomar uma decisão crucial que dará forma ao futuro do meio ambiente. Em dezembro, o mundo se reunirá em Copenhague (Dinamarca) na esperança de alcançar um acordo para reduzir as emissões internacionais de gases do efeito estufa, avançando os esforços do Protocolo de Kyoto na luta contra as mudanças climáticas. Se teremos sucesso ou não, isso dependerá do nosso entendimento sobre a urgência do problema e da necessidade de agirmos em conjunto para resolvê-lo.

Este é o ano em que sairemos do campo das ideias para o das ações concretas -e a última Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, realizada em Poznan (Polônia), mês passado, forneceu uma direção clara para que avancemos nesse caminho.

O encontro mostrou que, para termos sucesso, precisaremos combinar diferentes abordagens que incluam realizações tanto em países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento, com o Brasil desempenhando um papel-chave nesse debate.

Apesar de terem sido consideradas intermediárias desde o início, as discussões em Poznan resultaram em avanços tangíveis em duas importantes áreas: financiamento e florestas. Depois de muito debate, chegou-se a um acordo sobre o estabelecimento do Fundo de Adaptação, que em alguns meses começará a destinar recursos para ajudar países mais pobres a lidar com os efeitos perigosos das mudanças climáticas.
Também alcançamos um acordo inicial sobre um mecanismo para recompensar as nações pela redução de emissões decorrentes do desmatamento. Em uma declaração ministerial costurada pelo Reino Unido, signatários de países em desenvolvimento demonstraram a intenção de desenhar estratégias nacionais para frear a destruição das florestas, enquanto países desenvolvidos se revelaram prontos para apoiar a construção desses planos.

Mas, em Poznan, ficou claro que muito mais precisa ser feito. No fim do ano, precisamos chegar a um acordo global que inclua metas de longo prazo para a redução de emissões e a transferência de tecnologia, visando garantir a transição para uma economia de baixo carbono.

Nesse sentido, a liderança brasileira será crucial para impulsionar os avanços necessários na agenda internacional, especialmente no mundo em desenvolvimento.

A ameaça da crise financeira pode fazer com que esse desafio pareça mais difícil. Mas, como demonstrou o Relatório Stern sobre a Economia das Mudanças Climáticas, o custo da inação é muito mais alto que o custo da ação. O estudo mostrou que o fracasso no combate às mudanças climáticas irá custar entre 5% e 20% do PIB global a cada ano, mas, se agirmos agora, os esforços irão custar apenas de 2% a 3% do PIB.
Em outras palavras, nossa prosperidade futura depende primeiro da vitória nessa batalha. Ações recentes realizadas pelo Reino Unido e pelo Brasil demonstraram que ambos os países têm o potencial para liderar o mundo na superação desses obstáculos, inspirando outros a concordar em tomar medidas mais fortes para salvar o meio ambiente.

Com a aprovação da Lei de Mudanças Climáticas, em novembro, o Reino Unido se comprometeu a reduzir suas emissões de carbono em 80% até 2050. Pela primeira vez, um país tem um arcabouço legal de longo prazo para o corte das emissões de gases do efeito estufa e adaptação às mudanças climáticas. A nova legislação também estabeleceu orçamentos de carbono, definindo limites para emissões em períodos de cinco anos cada, e criou um comitê independente para assessorar o governo sobre a maneira de alcançar esses objetivos.

O Brasil é reconhecido por possuir a matriz energética mais limpa do mundo e como líder histórico em pesquisa, produção e uso de combustíveis renováveis em transportes.

Em dezembro passado, o Brasil deu um passo importante com o anúncio do Plano Nacional de Mudanças do Clima, adotando metas significativas para a redução do desmatamento. Essa medida em particular demonstra o comprometimento brasileiro e reforça suas credenciais ambientais para desempenhar um papel de liderança nas discussões internacionais sobre mudanças do clima.

ALAN CHARLTON , 56, é o embaixador do Reino Unido no Brasil desde dezembro de 2008.

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