Redução de emissões

23/05/11

Londres adota meta ambiciosa de emissões

Pilita Clark e Jim Pickard | Financial Times

18/05/2011

O Reino Unido se comprometeu a adotar um conjunto ambicioso de metas para reduzir as emissões de gases associados ao aquecimento global, mas disse que irá rever suas promessas se medidas deixarem os britânicos fora de sintonia com outros países da União Europeia.

Chris Huhne, secretário de Energia, disse que até 2027 o objetivo é reduzir à metade as emissões de gases de efeito estufa em relação ao que era registrado em 1990. As emissões já caíram 27% desde 1990, em parte devido à recessão.

O compromisso, que tem força de lei, coloca o Reino Unido à frente de muitos países desenvolvidos, inclusive da UE, que até agora comprometeu-se, até 2020, a um corte de 20% nas emissões a partir dos níveis de 1990.

Cedendo a entidades representativas de setores da economia para os quais as metas criam o risco de as empresas britânicas tornarem-se menos competitivas, Huhne esboçou o que alguns chamaram de “botão de emergência”: um compromisso no sentido de reavaliar as metas no início de 2014 para verificar como elas se comparam com as metas de emissões da UE.

“Se nesse momento nossas metas nacionais nos colocarem em trajetória de emissões distinta da trajetória do sistema de comercialização de emissões acordadas pela UE, então, conforme apropriado, reveremos o nosso orçamento para alinhá-lo com a trajetória real da UE”, disse ele.

Além disso, Huhne prometeu que antes do fim do ano o governo anunciará medidas para ajudar os setores que usam energia de maneira intensa a ajustarem-se à “adoção de práticas industriais de baixo carbono”.

Mas alguns analistas dizem que mudanças muito maiores podem ser necessárias.

“Para cumprir uma meta dessa escala, o governo britânico precisaria adotar políticas de redução de emissões mais radicais do que as praticadas atualmente”, disse Stig Schjølset, analista sênior da consultoria Point Carbon.

Isto terá “consequências enormes para os custos energéticos”, disse ele. Entre os custos estão “captura e armazenamento de carbono obrigatório para todas as principais geradoras de eletricidade, uma grande migração para energias renováveis e de origem nuclear, associadas a uma mudança em âmbito nacional para biocombustíveis e suo de veículos elétricos no setor de transportes”.

O Grupo Aldersgate, que reúne empresas e grupos ambientalistas, entre os quais o Bank of America, o Merrill Lynch e a Cable & Wireless, saudou o anúncio de Huhne, dizendo que ele “dará maior segurança às empresas para que invistam em tecnologias verdes e criem empregos”.

O anúncio das metas foi feito depois de uma reunião dos ministros do primeiro-ministro, David Cameron, para avaliar se as metas prejudicariam o desempenho da economia.

Mas empresas pertencentes à EEF – entidade que representa o setor industrial britânico – disseram que as metas no orçamento de carbono foram “uma decisão ruim” e pediram que o governo a reverta automaticamente das novas metas se não houver um acordo europeu de adoção de metas mais ambiciosas até 2014. ”

Essa é uma decisão ruim para a indústria”, criticou Terry Scuoler, executivo-chefe da entidade. Para ele, o governo tem de agir rápido para criar políticas que evitem que as metas minem a competitividade das empresas do país.

Entre grupos ambientalistas, a maioria recebeu a iniciativa de modo positivo.

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Emissões

16/04/11

Países tentam manter Kyoto vivo

Protocolo que criou metas de redução de emissões de gases-estufa acaba em 2012

09 de abril de 2011
Afra Balazina – O Estado de S.Paulo
ENVIADA ESPECIAL / BANGCOC

Denis Sinyakov/Reuters
Fora de Kyoto. Poluição na cidade de Baikalsk, na Sibéria: Rússia é um dos países que ameaçam abandonar o tratado
Começou nesta semana em Bangcoc, na Tailândia, uma tentativa dos países em desenvolvimento de manter o Protocolo de Kyoto vivo, mesmo que nações como Japão, Rússia, Austrália e Canadá se neguem a participar do segundo período do acordo.
A primeira fase de Kyoto, que instituiu metas para os países industrializados cortarem as emissões de gases-estufa, termina no fim de 2012 e ainda não está definido se haverá uma continuação. As nações em desenvolvimento, entre elas o Brasil, acreditam que é melhor ter o protocolo com um número menor de participantes do que ficar sem ele.
A União Europeia e os países da Escandinávia permaneceriam dentro do tratado. Eles avaliam que Kyoto tem exigências mais altas e é mais confiável do que qualquer alternativa apresentada hoje.
Mas países como Japão, Rússia, Canadá e Austrália vêm demonstrando não querer continuar em Kyoto. O motivo é que os Estados Unidos não ratificaram o tratado e, dessa forma, até hoje não possuem uma meta para reduzir as emissões.
Outro problema visto por eles é que grandes economias, como a China, a Índia e o Brasil, também não têm obrigação pelo tratado de reduzir as emissões dos gases que provocam o aquecimento global.
A secretária executiva da Convenção do Clima da ONU, Christiana Figueres, deu a entender que é possível trabalhar com a hipótese defendida pelos países em desenvolvimento. Ela afirmou que “não há países que se opõem ao Protocolo de Kyoto” – mesmo que não queiram fazer parte dele. Uma comparação ouvida em Bangcoc foi a seguinte: é como uma pessoa que para de fumar, mas permite que outras continuem fumando.
As organizações não governamentais também consideram que, mesmo incluindo uma parte menor dos países e, portanto, das emissões de CO2, é melhor manter Kyoto. “Seria um desastre muito maior ficar sem o protocolo”, afirmou Wendel Trio, em nome da organização Climate Action Network (Rede de Ação pelo Clima).
Artur Runge-Metzger, chefe da delegação da União Europeia, afirmou que o grupo mantém a posição de entrar no segundo período de compromisso de Kyoto. Mas que não quer fazer todo o trabalho sozinho. O que se avalia é que, se decidir ficar em Kyoto, a União Europeia voltará a ser vista como líder do processo.
Já o chefe da delegação americana, Jonathan Pershing, afirmou que não está disposto a integrar um acordo sem a participação das maiores economias – sua maior preocupação é a China, a maior poluidora do mundo.
Decima Willians, que representa 43 pequenos Estados-ilha ameaçados pelas mudanças climáticas, afirmou que o fato de alguns países não terem interesse em continuar no Protocolo de Kyoto “não é encorajador”.
Resposta. Christiana Figueres lamentou que os progressos sejam lentos nas negociações climáticas da ONU.
“Preciso confessar que gostaria que o processo fosse mais rápido. As negociações são complicadas.” Entretanto, ela ressaltou que hoje não há outro espaço em que todos os países, até mesmo os pequenos e vulneráveis, têm realmente voz – as decisões ocorrem por consenso.
A afirmação pareceu uma resposta ao enviado especial para clima dos Estados Unidos, Todd Stern, que nesta semana fez declarações que minaram o processo da ONU. Ele disse que um acordo internacional era inviável neste momento e a solução seria cada país adotar leis nacionais para cortar as emissões.
As ONGs argumentam que os países que defendem metas nacionais em vez de um acordo internacional são os que não se comprometem ou apresentam metas fracas. Por isso, não é possível confiar que eles agirão sem haver um tratado que os obrigue a fazer isso.
Perfil
2 mil
pessoas participaram da reunião
194 nações
fazem parte da Conferência do Clima das Nações Unidas
PARA ENTENDER
Depois de uma semana reunidos em Bangcoc, os países finalmente chegaram ontem a um consenso e definiram como será o trabalho na área de clima durante este ano.
O chefe da delegação brasileira em Bangcoc, o diplomata André Corrêa do Lago, explicou por que foi tão difícil adotar essa agenda. “Se fizer uma análise muito superficial se dá conta que a agenda era na verdade a ratificação do processo da Conferência do Clima de Cancún (COP-16).”
Em Cancún houve consenso, por exemplo, em se criar um fundo para permitir que os países em desenvolvimento recebam recursos das nações industrializadas para reduzir suas emissões de CO2. Também foi estabelecido o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd), relevante para o Brasil.

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REDUÇÃO DE EMISSÕES

10/08/09

Brasil e EUA debatem acordo climático

05/08/2009
O Globo
Catarina Alencastro

Minc negocia com representante americano formas de reduzir emissões

Catarina Alencastro

BRASÍLIA. Os Estados Unidos e o Brasil começaram ontem a costurar um acordo bilateral para combater o aquecimento global. Quem revelou a conversa foi o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, depois de receber o enviado especial para mudanças climáticas dos EUA, Todd Stern.

A combinação já tem seus principais pontos definidos: alternativas para preservar a Amazônia, fundos de financiamento para projetos no Brasil e parcerias em tecnologias de baixas emissões de gás carbônico.

O acordo seguirá os mesmos moldes do que foi fechado na última semana entre americanos e chineses, os dois maiores emissores de gases causadores do efeito estufa do planeta. Embora não estabeleça metas numéricas, o memorando assinado pelos dois países lista dez áreas de cooperação para que a China inicie sua transição para uma economia menos poluente.

- Eu perguntei ao Stern se ele tinha problema de aprovar, assim como aprovou com a China, um acordo bilateral importante.

E ele manifestou que tem vontade de fazer com o Brasil um muito mais avançado – disse Minc.

Representante britânico também é recebido O encontro para acertar os termos dessa parceria deverá ocorrer em setembro, no Brasil.

O enviado especial americano se disse otimista.

- Eu tenho grandes expectativas para uma cooperação entre o Brasil e os EUA – resumiu Todd Stern, ao sair do gabinete de Minc.

Stern foi o segundo negociador internacional sobre mudanças climáticas que o ministro do Meio Ambiente brasileiro recebeu ontem. Pela manhã, Minc esteve com o ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido, Ed Miliband. Os dois estrangeiros teriam cobrado do Brasil o comprometimento com metas de redução a serem apresentadas na XV Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em dezembro, em Copenhague.

O Brasil não está disposto a se responsabilizar com metas de redução, argumentando que já tem um plano nacional com metas internas de diminuição do desmatamento e que cabe aos países desenvolvidos arcarem com um ônus maior.

- Eles nem cumpriram as metas deles. No caso dos EUA, nem assinaram o Protocolo de Kioto e estão exigindo da gente uma coisa mais avançada – afirmou Minc, completando que “a bola está com eles”.

O governo brasileiro foi cobrado por uma posição de líder dos emergentes. Para o ministro inglês, o Brasil “tem um papel crucial a desempenhar”.

O Reino Unido está comprometido com reduções de 34% de suas emissões até 2020 e promete investir US$ 100 bilhões num fundo para financiar projetos verdes em países em desenvolvimento.

- O que é feito na floresta tropical tem um impacto em Brighton (na Inglaterra). As responsabilidades são as mesmas.

Os países em desenvolvimento terão que dizer o que eles estão preparados a fazer até 2020 – defendeu Ed Miliband.

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terça-feira, 4 de agosto de 2009

México prepara plano para conferência sobre clima

ROBERT CAM – REUTERS
BELL – O México pretende apresentar uma oferta detalhada de corte de suas emissões de gás do efeito estufa durante as negociações na conferência mundial sobre mudanças climáticas, no fim do ano, em Copenhague, disse uma autoridade do país em meio ambiente.

“Se o México pode apresentar nas negociações um plano de cortes até 2020, com uma descrição do que será reduzido, vai estabelecer um precedente positivo para outras grandes economias emergentes”, disse Adrián Fernández, presidente do Instituto Nacional de Ecologia, em entrevista na segunda-feira.

O plano provavelmente vai propor cortes significativos nas crescentes emissões do México, que atualmente representam 1,5 por cento do total mundial, por meio de projetos como o de aperfeiçoamento da eficiência das usinas de energia ou redução de desmatamento.

O México terá condições de implementar algumas das iniciativas por conta própria, mas também buscará recursos externos para financiar outras ações.

As conversações sobre o clima mundial caminham lentamente já que países em desenvolvimento, como a China, exigem que as nações ricas respondam pela maior parte das reduções de emissões que, segundo os especialistas, são necessárias para diminuir o aquecimento do planeta.

As conversações terão seu ponto culminante no fim do ano, em uma grande conferência da ONU na capital da Dinamarca, Copenhague, onde os países devem assinar um novo tratado sobre mudanças climáticas para substituir o Protocolo de Kyoto.

O México compartilha da posição de que os países ricos, liderados pelos Estados Unidos, terão de conceder uma substancial ajuda financeira para ajudar os governos das nações mais pobres. O país espera conseguir recursos externos para algumas de suas iniciativas mais onerosas.

O México também tem apoiado os EUA, que dizem não poder efetuar cortes substanciais até 2020, mas que estão preparados para o comprometimento com a redução de emissões até 2050.

O presidente mexicano, Felipe Calderón, incluiu as mudanças climáticas na agenda do país. Em junho ele anunciou que o México iria cortar voluntariamente 50 milhões de toneladas de emissões anuais verificáveis até o fim de seu mandato, em 2012, por meio da melhora da eficiência nas estatais de eletricidade e petróleo e do uso das terras agrícolas.

O México terá de fazer grandes mudanças na legislação para cumprir as metas de emissões do plano que será apresentado em Copenhague, especialmente nos setores de petróleo e eletricidade, que são quase completamente vedados ao investimento privado.

(Reportagem de Robert Campbell)

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REDUÇÃO DE EMISSÕES

6/07/09

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Chefe da ONU diz que novo pacto de emissão deve ser assinado

Ban Ki-moon afirmou que Protocolo de Kyoto deve ser substituído na convenção de dezembro em Copenhagen

Associated Press

TÓQUIO – O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta quarta-feira, 1º, que o mundo precisa entrar em acordo sobre um novo tratado para diminuir a poluição na convenção de dezembro em Copenhagen e pediu aos líderes empresariais que unam esforços contra o aquecimento global.

Ban, que colocou as mudanças climáticas do planeta no topo de suas prioridades desde que assumiu o cargo na ONU, disse que mobilizaria “cada esforço” para chegar a um acordo na convenção da ONU para adotar medidas que substituiriam o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

“Precisamos selar um acordo em Copenhagen, em dezembro deste ano”, disse o chefe da ONU a líderes empresariais japoneses. “Será o momento da verdade em Copenhagen, quando decidiremos se vamos continuar no caminho do desastre tomando a mesma atitude lucrativa de sempre ou se vamos encontrar o caminho do crescimento sustentável”, disse. “Sabemos a resposta. Temos que tomar o caminho do crescimento sustentável”, completou.

O secretário realiza uma viagem de três dias ao Japão antes de ir para Mianmar, na sexta-feira, 3. Ban se encontrará com o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, nesta quarta-feira para discutir a situação de Mianmar, país governado pelos militares, que mantiveram o líder da oposição, Aung San Suu Kyi preso por mais de 13 dos últimos 19 anos, a maioria deles em prisão domiciliar. As ameaças nucleares da Coreia do Norte também estão na pauta de debates entre os dois líderes.

Sobre as mudanças climáticas, Ban pediu aos líderes japoneses que ajudem o mundo na redução da emissão de gases poluentes. “Seu papel é extremamente, crucialmente importante. Conto com sua liderança”, disse o secretário.

O Japão, o quinto maior país emissor de gases poluentes do mundo, anunciou em junho uma nova meta de cortar em 15% suas emissões até 2020 considerando os índices de 2005. O premiê japonês disse que o objetivo está de acordo com os índices estipulados pela União Europeia e pelos EUA.

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terça-feira, 30 de junho de 2009

Califórnia tem autorização para limitar emissões de CO2

Aprovação coloca em vigor lei contra a poluição de 2004 do Estado que limita emissões de veículos automotores

AP e Reuters

Reuters

Barack Obama (de costas) cumprimenta o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegge

WASHINGTON – A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos deu sinal verde para o Estado da Califórnia impor rigorosas limitações para as emissões de gases estufa de veículos automotores.

A Califórnia, o Estado mais populoso dos Estados Unidos, brigou com a agência pela questão durante anos. A aprovação anunciada nesta terça-feira, 30, é necessária para que a lei contra a poluição de 2004 possa ter efeito. A lei exige que a eficiência energética dos veículos aumente 40% até 2016, para uma média de 15 quilômetros por litro.

A decisão já era esperada. O presidente Barack Obama anunciou, em maio, uma exigência nacional similar à da Califórnia, propondo que a emissão de poluentes dos automóveis do país seja regulada, em uma tentativa de reduzir os gases causadores do efeito estufa e diminuir a dependência na importação de petróleo.

A iniciativa faz parte de um plano mais completo para aumentar a regulação dos combustíveis para veículos de passeio, aumentando a pressão sobre as montadoras para que produzam carros e caminhões mais eficientes.

Obama disse na Casa Branca que o plano dará às montadoras novas diretrizes sobre a política regulatória do governo e permitirá que elas planejem melhor o futuro. “O status quo não é mais aceitável”, disse Obama. “Temos feito pouco para aumentar a eficiência energética dos carros e caminhões dos EUA há décadas”.

A proposta do governo federal exigirá que os veículos de passeio dos EUA tenham desempenho médio de 6,6 litros de gasolina a cada 100 quilômetros até 2016, economizando 1,8 bilhão de barris de petróleo.

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