19/03/2009 – 12h20
Emissão de poluentes cairá pela primeira vez em 10 anos, dizem especialistas
da Efe, em Berlim
As emissões de poluentes causadores do aquecimento da Terra e das mudanças climáticas serão reduzidas em 2009 pela primeira vez em uma década, informa hoje o jornal alemão “Frankfurter Runschau”, que fez uma pesquisa junto a especialistas.
“A soma de todos os fatores fará com que a redução das emissões de CO2 alcance aproximadamente 2%”, diz o professor Gernot Klepper, do Instituto de Estudos Econômicos Mundiais (IfW) de Kiel.
Cálculos similares foram feitos por Claudia Kemfert, do Instituto Alemão de Estudos Econômicos (DIW), que espera uma redução das emissões poluentes no planeta nesse mesmo nível.
A redução nas emissões causadoras do efeito estufa e da mudança climática se devem, sobretudo, à queda da produção industrial e ao arrefecimento do crescimento econômico em países como China e Índia.
No entanto, o diretor do programa de meio ambiente das Nações Unidas (Pnuma), Achim Steiner, adverte contra um otimismo exagerado, também em entrevista ao jornal alemão.
“A crise econômica significa apenas que tiramos o pé do acelerador para depois voltar a apertá-lo o mais rapidamente possível”, afirma Steiner, que ressalta que o clima sofrerá mais que até agora assim que a China superar a crise e recuperar seus antigos níveis de produção industrial.
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Protocolo de Montreal ajudou o de Kyoto
De São Paulo
18/03/2009
O Protocolo de Montreal, que cuida de banir os gases que destroem a camada de ozônio da Terra e, desta forma, aumentam a incidência de casos de câncer de pele, fez mais para o clima do planeta do que o próprio Protocolo de Kyoto, este sim, o documento internacional que procura reduzir a emissão de gases que provocam o aquecimento da Terra.
“Dependendo do país, os cortes de emissões de gases que arruinam a camada de ozônio, respondem por 3% a 5% das emissões de gases do efeito-estufa”, disse, em São Paulo, Roberto de Aguiar Peixoto, membro do comitê de opções técnicas em refrigeração e ar condicionado do PNUMA, o Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente. Trata-se de uma constatação curiosa – o mundo, tentando equacionar um problema, o da camada de ozônio, acabou acertando outro, o do aquecimento da Terra.
Nos anos 80, um erro comum era confundir um fenômeno com outro. O buraco na camada de ozônio é causado pelos gases CFCs, os clorofluorcabonos, que a humanidade decidiu banir há 20 anos, com a Convenção de Viena e o Protocolo de Montreal. Os CFCs eram muito utilizados em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, mas quando escapavam à atmosfera, destruíam a camada de ozônio, uma proteção natural para os raios ultravioleta. Com a camada de ozônio rarefeita, a radiação é mais intensa e aumentam os casos de câncer de pele e catarata. Desde 1999 não se produzem mais veículos com estes gases no Brasil e, desde 2001, nenhuma geladeira. Os CFC ainda são utilizados no Brasil em aerossóis para asmáticos.
O efeito estufa, por outro lado, é um desafio bem mais complicado. O fenômeno é provocado por gases provenientes da queima de combustíveis fósseis ou de desmatamento, a humanidade tenta resolver o problema através da Convenção-Quadro de Mudanças Climáticas e do Protocolo de Kyoto – e agora, de um esperado acordo em Copenhague, no fim deste ano. O efeito disso é o aquecimento da Terra. “Acontece que existe uma ponte entre estas duas questões ambientais”, diz Peixoto.
A ponte são os chamados gases fluorados (HFCs, PFCs e SF6, substitutos dos velhos CFCs, mas que são gases do efeito-estufa e muito nocivos para o aquecimento global. Os HFCs também têm prazo para serem substituídos, pelo bem-sucedido Protocolo de Montreal. “Eliminá-los é também um benefício para o clima. É preciso uma convergência das duas convenções”, defende Peixoto. (DC)
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Inventário sobre emissão de gases será concluído este ano
Daniela Chiaretti, de São Paulo
18/03/2009
Carol Carquejeiro / Valor
Fabio Feldmann, do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade: distorções no inventário
Até o fim deste ano o Brasil deverá conhecer seu perfil real de emissões de gases do efeito-estufa. É este o prazo para que saia o segundo inventário nacional, uma espécie de retrato da contribuição do país ao aquecimento global, por setores e por volume. O estudo traçará um panorama de 1990 a 2005, mas no caso do desmatamento os dados chegarão apenas até 2002.
O anúncio foi feito ontem por Newton Paciornik, o coordenador técnico do primeiro inventário de emissões de gases-estufa brasileiro lançado em 2004, e responsável pela nova edição. “Estamos em pleno andamento do trabalho”, disse a uma plateia de técnicos reunidos no auditório da Cetesb, a agência ambiental paulista, durante seminário sobre o tema. “Até meados do ano queremos ter todos os pareceres, colocá-los em discussão nacional e a expectativa é termos o inventário no fim do ano.”
Segundo Paciornik, os dados relativos à mudança no “uso da terra” – o jargão que define as alterações na cobertura vegetal natural causadas, por exemplo, pela pecuária ou agricultura – só chegarão até 2002, porque “temos que otimizar os recursos, que são limitados, e distribuí-los da melhor maneira possível”. O desmatamento é o ponto fraco do Brasil quando se trata de aquecimento global e o único inventário brasileiro traz dados de 1994. Foi ali que se cravou a informação que o desmatamento responde por 75% das emissões brasileiras. “Só acho 2002 muito defasado”, reagiu Fabio Feldmann, secretário-executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade. “Teremos distorções no inventário em função disso.”
Todos os países signatários da Convenção do Clima têm que apresentar inventários de emissões de gases-estufa. As nações ricas, com metas de corte de emissões definidas no Protocolo de Kyoto, devem fazer este relato todos os anos; os países em desenvolvimento, como o Brasil, apenas periodicamente. Contam, para isso, com recursos do GEF, um fundo financiado pelas nações industrializadas. Com este dinheiro produzem o inventário e também a Comunicação Nacional, uma informação mais ampla onde se tornam conhecidas todas as ações que um país está tomando para combater a mudança climática. Paciornik, do Ministério da Ciência e Tecnologia, adiantou que “já estamos negociando com o GEF os valores para a 3ª Comunicação Nacional”, o que atualizaria os dados.
O inventário é fundamental para que se entenda quem contribui com o quê e, assim, traçar políticas públicas que procurem reduzir as emissões. Um estudo bem feito, num país das dimensões do Brasil, é complexo. O Estado de São Paulo está iniciando o seu, que deve ficar pronto só em 2010. “Estamos fazendo uma mera lição de casa que, francamente falando, talvez já devêssemos ter feito”, disse, numa espécie de autocrítica, o secretário estadual do Meio Ambiente, Francisco Graziano. “Fico impressionado com a fragilidade das nossas teses em função da precariedade das nossas bases de dados.”
Um exemplo está na dificuldade de definir as emissões de gases-estufa produzidas no tratamento de resíduos e efluentes. Pelos dados do IBGE, o Brasil produz 228 mil toneladas de resíduos por dia. Pelas estatísticas da associação das empresas do setor, a Abrelpe, o volume é de 140 mil toneladas. “Os dados do IBGE, neste caso, não são a melhor informação”, diz João Wagner da Silva Alves, responsável pela análise do setor na Cetesb.
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quarta-feira, 18 de março de 2009, 12:52
Japão compra direitos de emitir CO2 da Ucrânia
RISA MAEDA – REUTERS
TÓQUIO – O Japão fechou nesta quarta-feira um acordo para comprar direitos de emissão de carbono da Ucrânia, em seu primeiro acordo do gênero feito entre governos sob o Protocolo de Kyoto e abrindo caminho para outros negócios similares em breve.
O governo ucraniano entregará ao Japão 30 milhões de toneladas de AAUs (sigla em inglês para as unidades correspondentes à redução da emissão de gazes que provocam o efeito estufa).
A venda está atrelada a seis projetos ambientais específicos na Ucrânia, alguns ligados a energia renovável, informou o governo japonês em comunicado.
Os outros incluem conservação energética, mudança para combustíveis mais limpos, e a redução da emissão de outros gases causadores do efeito estufa, além do dióxido de carbono.
O valor do negócio não foi divulgado.
O Japão afirmou que espera completar outro acordo entre governos em abril, com outro país do leste europeu, com estimativa de envolver também dezenas de milhões de toneladas de AAUs, para ajudar a cumprir sua meta de emissão de gases estabelecida no Protocolo de Kyoto.
De acordo com o protocolo, países industrializados confortáveis com suas metas de redução podem vender seus direitos de emissão de gases, ou AAUs, para outros governos.
O número de AAUs a que cada nação tem direito é calculado com base nos níveis de emissões de 1990, ano-base para Kyoto. Cada AAU representa uma tonelada de CO2 equivalente.
Diversos países que formavam a antiga União Soviética possuem um excesso de AAUs depois que suas pesadas indústrias foram ao colapso na década de 1990, e têm oferecido a venda desses direitos a países que estão acima da meta de Kyoto, incluindo o Japão.
Depois que o segundo acordo japonês for anunciado, o país terá assegurado a maior parte dos créditos de compensação de 100 milhões de toneladas que planeja comprar durante o período de 2008 a 2012, disse uma fonte do governo.
Uma outra fonte disse à Reuters que as conversas com a Polônia e a Hungria foram adiadas, aumentando as chances de um negócio com a República Tcheca.
Uma autoridade do governo tcheco disse em 17 de fevereiro que o país estava prestes a vender metade de suas AAUs ao Japão.
O país tem um saldo de 150 milhões de toneladas em créditos e, segundo o governo, pode vender até 100 milhões de toneladas.
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