Sustentabilidade

16/01/12

A nova ordem mundial é verde

13/01/2012

O professor de Stanford, um dos principais consultores de política ambiental do mundo, diz que os países emergentes serão os líderes na transição para uma economia mais sustentável

O professor Thomas C. Heller, da Universidade Stanford, é um dos mais influentes especialistas em política ambiental do planeta. Membro do painel de experts da ONU que estimou os efeitos das mudanças climáticas e dividiu com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore o Nobel da Paz de 2007, ele é requisitado para auxiliar na formulação de programas de sustentabilidade por dez entre dez países emergentes. Sua abordagem pragmática soa como música aos ouvidos dos governos do Brasil, da China e da Indonésia. O plano chinês de redução de emissões de carbono e a lei brasileira que cortou repasses de recursos federais a municípios desmatadores são exemplos de iniciativas sugeridas pela Climate Policy Initiative, instituição sem fins lucrativos fundada por Heller e financiada pelo megainvestidor George Soros. Diz o professor Heller: “Caberá aos emergentes liderar a transição para uma nova ordem mundial, em que ser sustentável dará uma tremenda vantagem competitiva”.

As últimas tentativas de acordos internacionais em prol do meio ambiente, como o Protocolo de Kyoto e a rodada de Durban, fracassaram. O que falta para essas negociações começarem a dar resultados concretos?

Antes de mais nada, é preciso formar um consenso verdadeiro em torno da ideia de que não se pode mais subestimar o valor de uma política ambiental séria e consequente – se não por convicção, pelo menos por pragmatismo. Essa premissa deixou de ser uma afirmação típica de ambientalistas românticos há muito tempo. A interdependência entre economia e meio ambiente atingiu seu ápice. Prova disso é que o preço das commodities e da energia está em alta e deve continuar assim indefinidamente. O progresso, daqui por diante, depende de usarmos os recursos naturais da forma mais eficiente e produtiva possível. Parece óbvio que, na próxima etapa do desenvolvimento humano, ser verde será cada vez mais uma tremenda vantagem competitiva. Ainda assim, os governantes relutam em encarar a questão ambiental como aspecto fundamental da agenda econômica.

Por que isso ocorre?

A grande maioria das nações ainda trata o dinheiro aplicado em sustentabilidade como investimento a fundo perdido, o que, claro, constitui um sério equívoco. Como seu retorno costuma ocorrer apenas a longo prazo, fica muito difícil convencer países em crise, como a maior parte das economias desenvolvidas hoje, a destinar grandes quantias a programas ambientais. Essa é uma das razões por que foram adiados, para 2015, o estabelecimento de metas de redução das emissões de dióxido de carbono e, para 2020, a criação do fundo verde de 100 bilhões de dólares. Esperava-se que tais resoluções fossem tomadas já. Mas muitos países relutaram em assumir o compromisso porque sabem que custará caro cumpri-lo. O que a maioria dos analistas não percebeu é que começou a desenhar-se, em Durban, uma nova ordem mundial, liderada por economias emergentes como Brasil, Índia e China.

De que nova ordem o senhor está falando?

O parco avanço obtido em Durban só foi possível porque os emergentes capitanearam as negociações, aderiram às metas propostas e forçaram a assinatura de um acordo. Há sete anos, quando entrou em vigor o Protocolo de Kyoto, um protagonismo desses era improvável. Daqui para a frente, porém, será cada vez mais evidente, e por uma razão muito simples: os países em desenvolvimento terão de criar formas de elevar, e muito, a produtividade de sua economia, para suportar a inclusão de 3 bilhões de pessoas na classe média nos próximos vinte anos. Isso pressupõe criar mais políticas públicas de estímulo à sustentabilidade e investir maciçamente em inovação e em planejamento urbano – algo que os emergentes estão em condições de fazer, uma vez que não tiveram suas finanças corroídas pela crise global.

O senhor não está sendo otimista demais? Os novos integrantes da classe média vão querer consumir mais alimentos, combustíveis…

Depende da forma como se encare a questão. De fato, há um enorme contingente de pessoas sedentas de consumo, que passarão de uma renda diária média de 10 a 15 dólares para algo como 50, até 100 dólares por dia. Toda essa gente vai querer comprar carnes mais nobres e adquirir carros para ir ao trabalho e levar seus filhos à escola, o que terá forte impacto sobre o meio ambiente. Mas os emergentes não têm escolha a não ser empenhar-se para mitigar esse impacto. Se observarmos com atenção, veremos que isso já está ocorrendo. Em nosso mapa global de investimentos em iniciativas verdes, feito em 2011, constatamos que 22% dos recursos destinados a esse tipo de projeto já vêm das economias emergentes. Nas minhas viagens, tenho notado uma preocupação cada vez maior dos governantes com os efeitos danosos das mudanças climáticas. Muitos desses países, afinal, são fortemente dependentes de seus recursos naturais.

Mesmo a China?

Sim. O caso mais emblemático é justamente a China. Apesar de ser o maior poluidor do planeta, o país é também, hoje, o que mais investe em energias renováveis. Não apenas para melhorar sua imagem perante o mundo, mas porque os chineses sabem que não podem depender tanto de carvão, um recurso natural escasso, para movimentar sua produção. Desde 2005, a China já aplicou 400 bilhões de dólares em projetos de energia limpa e eficiência energética. Isso fará com que a proporção da energia eólica que o país consome dobre de 1,5% para 3% do total até 2015. Trata-se de um feito e tanto, se considerarmos que proporcionará a redução de algo como 400 milhões de toneladas de dióxido de carbono lançadas todo ano na atmosfera – 5% menos do que hoje. Há ainda diversas outras iniciativas, como um programa massivo de expansão dos transportes coletivos e das estações de tratamento da água que chega às metrópoles. Segundo uma avaliação que fizemos para o governo chinês no ano passado, embora ainda não tenha conseguido diminuir a emissão total de gases poluentes, a China já reduziu em 20% o nível de poluição em relação ao PIB.

China: “Apesar de ser o maior poluidor do planeta, o país é também, hoje, o que mais investe em energias renováveis” (Foto: Divulgação/Siemens)

Mas a China é uma ditadura. Tem muito mais poder para dirigir a economia do que a Índia ou o Brasil, por exemplo…

Não precisamos ir até a China para encontrar sinais de mudança. No Brasil mesmo há histórias interessantes. Veja o caso do estado de Mato Grosso. As estatísticas mostram que o ritmo do desmatamento na Amazônia está diminuindo. A extensão de florestas derrubadas caiu 74% entre 2004 e 2010. Os ambientalistas xiitas não gostam de admitir, mas, no caso de Mato Grosso, essa redução se deve diretamente aos ganhos de produtividade do agronegócio. O raciocínio é elementar: quanto mais cabeças de gado se consegue criar em uma mesma área, maior a riqueza produzida por metro quadrado e menor o impacto ambiental da atividade econômica. Além disso, ao criar mais empregos, o agronegócio evita que as pessoas depredem a floresta para garantir meios de subsistência. Isso só prova que, ao contrário do que costumam pregar os ecologistas mais radicais, o progresso, se bem administrado, é, sim, muito benéfico ao meio ambiente.

Essa lógica só vale para o campo ou se aplica também às cidades?

Aplica-se a ambos. Para os países ricos, aliás, é nas cidades que estão as maiores oportunidades de ganhos com iniciativas sustentáveis. E, no caso dos emergentes, será nelas que passará a viver essa enorme massa de novos consumidores a que me referi. Os aglomerados urbanos, portanto, precisam estar no centro de uma revolução – que mudará não apenas a forma como as pessoas consomem, mas também a maneira como vivem. Isso significará considerar como premissas do planejamento urbano dados como o tempo de deslocamento de cada indivíduo até o local das compras ou a distância percorrida entre a casa e o trabalho para reduzir custos e racionalizar o uso do tempo. Se o planejamento conseguir tornar as cidades mais produtivas, elas poderão ser mais densamente povoadas sem se converter em verdadeiros infernos urbanos. Pelo contrário. Serão mais verdes e agradáveis e ainda ajudarão a diminuir a quantidade de pessoas que vivem nos subúrbios e, consequentemente, o número de viagens de carro e a emissão de poluentes.

Como fazer isso, na prática?

Há diversos projetos em teste. Os mais promissores me parecem ser os edifícios verdes, ainda pouco disseminados para moradia, mas já bastante populares entre as empresas. As companhias, de modo geral bem mais adiantadas na compreensão das vantagens econômicas que a sustentabilidade pode render, sabem que um prédio verde pode custar de 5% a 10% mais do que os edifícios comuns. No entanto, também já aferiram que, após alguns anos, ele chega a ser até 50% mais econômico. Gasta-se menos com energia e água e ainda se consegue melhorar a qualidade do ar. Sem contar que, para pôr tais prédios em funcionamento, é preciso desenvolver novas tecnologias, criando um ciclo virtuoso de inovação que tende a se disseminar por vários outros setores.

O senhor é dos que acreditam que sem inovação não há sustentabilidade?

Estou certo disso. Todos os avanços significativos da história da humanidade decorreram de grandes saltos tecnológicos. Não há por que pensar que desta vez será diferente. Foi assim com a Revolução Industrial, que possibilitou a obtenção de bens de consumo em larga escala, o surgimento da infraestrutura de distribuição de energia e a criação de sistemas de transporte coletivo. Mais recentemente, nos anos 1960, tivemos a chamada Revolução Verde, um salto de produtividade espetacular provocado pela utilização de defensivos, fertilizantes e técnicas modernas de plantio. Sem essas transformações radicais no processo de produção, não teríamos conseguido assimilar o crescimento populacional do planeta ao longo dos séculos. Para fazer com sucesso a transição para essa nova ordem mundial de que falo, será necessário outro salto tecnológico, tão ou mais profundo do que as grandes revoluções do passado.

O senhor trabalha com governos há décadas. Acha mesmo que eles são capazes de fazer essa transição?

Não partirão dos governos as inovações capazes de garantir um futuro mais sustentável. Assim como no passado, esses avanços serão impulsionados pela iniciativa privada, pelos empreendedores. Mas não dá para pensar em um progresso tão abrangente sem que os governos assumam seu papel, que é fomentar a criação de tais empreendimentos. Vimos isso ocorrer na Califórnia, onde moro, nas décadas de 70 e 80, quando floresceu a indústria da tecnologia da informação. O que houve naquela época foi uma combinação de forças positivas: um grupo de jovens brilhantes, dotados de criatividade e empreendedorismo ímpares, que recebeu infraestrutura para abrir suas empresas e o apoio do governo à criação de linhas de crédito dentro do próprio setor privado para que elas pudessem prosperar. O mesmo pode e deve ser feito agora, com a adoção de incentivos tributários e fontes de financiamento para companhias que se proponham a criar produtos ou tecnologias capazes de reduzir os danos ao meio ambiente.

O que leva as empresas a estar tão mais adiantadas que os governos na adoção de projetos ambientalmente corretos?

Ao contrário dos governantes, que estão constantemente premidos por restrições orçamentárias e costumam ser excessivamente cautelosos quando se exigem deles medidas eleitoralmente impopulares, as empresas são movidas pelo lucro. As grandes corporações perceberam há mais de uma década que aderir a um modelo de funcionamento sustentável daria bom retorno. Para essas companhias, a economia no uso da água e da luz ou a reciclagem do lixo passaram a representar não só uma fonte de renda extra, mas também a chance de melhorar sua imagem junto ao público – o que, evidentemente, as ajudou a fechar negócios mais lucrativos. Ao fim e ao cabo, tudo se resume a encontrar formas criativas de gerir os recursos disponíveis da maneira mais eficiente possível e, de preferência, antes dos concorrentes. É essa a lógica que tem de inspirar os políticos que pretendam fazer de seus países os condutores do desenvolvimento econômico do planeta nas próximas décadas.

Leia na fonte

Suzano lança linha sustentável

11/01/2012

Por Bettina Barros | De São Paulo

Primeira companhia do setor a calcular a “pegada de carbono” de parte de seus produtos, a Suzano Papel e Celulose dá mais um passo em direção à sustentabilidade da sua cadeia produtiva. A empresa lançou em dezembro no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos uma nova linha de papel que tem as emissões de gases poluentes geradas em sua produção compensadas através de projetos de energia limpa.

O novo produto, na verdade, é um desdobramento de um processo de quantificação e certificação de gases-estufa iniciado em 2003, que culminou em 2011 com o primeiro selo de “pegada de carbono” do setor. Diferentemente de outras empresas que limitam-se a quantificar emissões somente da produção própria, a Suzano estendeu a conta para toda a cadeia produtiva – dos cerca de 400 fornecedores de matéria-prima até a “porta do cliente” no Brasil e exterior. Nesse cálculo entram, por exemplo, operações nas fábricas e energia gasta até o transporte.

“Agora estamos agregando valor a esse produto, que é a compensação”, diz Carlos Anibal, diretor da unidade de negócio papel e celulose da Suzano. De acordo com ele, o mercado alvo é o corporativo, sobretudo bancos. Por ser um produto de maior valor agregado, a empresa informou que adotará política comercial diferenciada. “Acreditamos que vai ser um marco de tendência porque a sustentabilidade é exigência do mercado.”

A Suzano segue, assim, uma tendência mundial de redução de gases do qual já fazem parte nomes como Coca Cola, PepsiCo, Danone, Kimberly-Clark e Tesco, a maior varejista britânica.

A compensação virá por meio de projetos em países onde a Suzano já faz negócios. Segundo Marina Carlini, consultora de mudanças climáticas da empresa, seis projetos foram contemplados nas áreas de captação de metano, energia eólica e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) na Nicarágua, Colômbia, Turquia, Estados Unidos e Brasil.

Segundo ela, a Suzano possui uma espécie de “conta-corrente” com saldo de cinco mil toneladas de CO2 equivalente. “Conforme vamos tendo encomendas de papel, compramos mais créditos”, explicou. Esses créditos são comprados no mercado internacional através de bancos ou empresas especializadas em carbono.

O inventário de emissões realizado desde 2003 permitiu detectar onde as emissões estão em patamar considerado aceitável e onde há problemas. De toda a cadeia produtiva, a logística é a parte que mais emite gases poluentes – e, portanto, a que mais requer atenção para que a Suzano consiga reduzir a média de emissões.

A redução é importante porque para o Carbon Trust, empresa criada em 2000 pelo governo britânico e que conta com orçamento público e gestão privada, tão importante quanto medir a poluição é criar meios de diminui-la. “Ainda não temos meta para redução de gases, mas teremos que reduzir para continuar recebendo a certificação”, diz Marina.

Entre 2000 e 2009, a Suzano conseguiu reduzir suas emissões de 0,472 tonelada de CO2 /tonelada de produto para 0,267. Os dados de 2010 ainda estão em processo de auditoria externa.

A companhia já rotula com o selo da Carbon Trust cerca de 1,1 milhão de toneladas de celulose, destinados aos papéis Report, Alta Alvura, Paperfect, Symetric e agora ao Report 360°. A Unidade de Negócio Papel responde por 57% das receitas da Suzano. Ela não informa a participação dos produtos com “pegada de carbono” na receita.

Leia na fonte

O Globo

Dez metas para Rio+20

11 Jan 2012

ONU divulga primeiro rascunho da pauta para os debates de junho

Cláudio Motta

A criação de dez metas de desenvolvimento sustentável – que incluirão normas de consumo, produção, proteção dos oceanos, segurança alimentar, energia limpa e redução de desastres naturais – deverá marcar os debates da Rio+20. A proposta aparece no primeiro rascunho de pauta publicado ontem de noite pela ONU para a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, em junho, no Rio. As 19 páginas do documento resumem 672 propostas vindas de países de todo o mundo: um calhamaço cuja pilha tem mais de dois palmos de altura.

Os negociadores tentarão, ainda, costurar um acordo para fortalecer uma agência ambiental, e nomear um alto comissário global responsável por receber críticas, sugestões e reclamações. Também ganha força a criação de medidas de redução de combustíveis fósseis e subsídios a fontes alternativas de energia. Haverá muita diplomacia até a pauta da Rio+20 ser concluída, quatro dias antes da conferência, que começará no dia 20 de junho.

Não são esperadas, porém, propostas para acordos legalmente vinculantes, como ocorreu na Rio 92, a Cúpula da Terra realizada há 20 anos na cidade. Desta vez, os negociadores serão convidados a definir suas próprias metas e trabalhar voluntariamente para o estabelecimento de uma economia verde global, reduzir a pobreza e diminuir os níveis de consumo.

De acordo com Claudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF, as metas de desenvolvimento sustentável foram propostas da Colômbia, e logo apoiadas pela Guatemala e Brasil.

- A discussão de metas de desenvolvimento sustentável anima. É algo concreto. A Rio+20 é uma conferência que não prevê decisão mais rígida, formal. O que poderia deixá-la vazia – analisa Maretti. – As metas têm que começar a valer já. E o Brasil precisa se comprometer com o desmatamento zero até 2020. Economia verde é a mesa posta para o Brasil ser campeão mundial. Mas não adianta esconder seus problemas ambientais.

Porém, os objetivos globais de desenvolvimento sustentável não deverão vigorar antes de 2015. Tampouco vão substituir os dez objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, lançados em setembro de 2000. Além disso, as novas metas não ficaram imunes de críticas.

- É bom ter um norte, mas, sem os meios para atingir os objetivos, eles podem ficar apenas na retórica – alerta a subsecretária estadual de Economia Verde do Rio Suzana Kahn, que está em Nova York para desenvolver acordos ambientais com os Estados Unidos. – Precisamos construir soluções regionais, envolvendo estados e municípios.

O fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) será discutido na Rio+20, o que também é defendido pelo Brasil. Com sede em Nairobi, a agência poderá ganhar o mesmo nível de importância da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da agência para Alimentação e Agricultura (FAO).

- Não há muita surpresa no rascunho, há um certo consenso – disse o diretor do Centro de Informação da ONU no Brasil Giancarlo Summa. – Já a questão do Pnuma enfrenta divergências. Uns defendem seu fortalecimento, outros a criação de uma nova agência ambiental.

O Subsecretário-Geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, destacou o fato de que as propostas brasileiras, como as metas sustentáveis, já têm visibilidade no primeiro rascunho. Mas lembrou que o processo de negociação ainda é longo:

- A primeira rodada de debate deste texto será em Nova York, nos dias 25, 26 e 27 de janeiro.

São esperados dezenas de chefes de Estado, líderes políticos e celebridades. Porém, o primeiro-ministro britânico David Cameron já declarou que não planeja vir ao Rio de Janeiro, de acordo com o jornal britânico “The Guardian”, apesar de ter prometido liderar o governo mais verde da história de seu país. Além disso, a Rio+20 foi adiada para evitar a coincidência de datas com as comemorações do jubileu de diamante da rainha da Inglaterra Elizabeth II. Inicialmente marcada para o início do mês, a cúpula está prevista agora para os dias 20 a 22 de junho.

O encontro paralelo que o Brasil está organizando, chamado de “Diálogos sobre sustentabilidade”, vem ganhando repercussão mundial. A sociedade civil será convidada a debater e a criar um documento para pressionar os negociadores oficiais.

Leia na fonte

Sustentabilidade

7/11/11

Meio ambiente influencia progresso

Países com IDH baixo são mais vulneráveis aos problemas ambientais, como poluição do ar

03 de novembro de 2011 | 3h 02

BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Todo o progresso no desenvolvimento humano alcançado nas últimas décadas poderá ser perdido caso medidas de sustentabilidade ambiental não sejam colocadas em prática, afirma o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Relatório divulgado ontem calcula que, se nada for feito, o IDH em 2050 será 8% menor do que a evolução natural garantiria. No sul da Ásia e na África Subsaariana, o impacto seria ainda mais severo: o crescimento seria 12% menor do que o esperado.

Os efeitos de problemas ambientais no desenvolvimento humano ocorrem de diversas formas. Numa frente, consequências do aquecimento global, como escassez de água, levaria a um aumento significativo no preço dos alimentos no mundo. Pelos cálculos do PNUD, numa faixa que variaria entre 30% e 50%.

Os reflexos também seriam sentidos na saúde e educação. Em todas as áreas o impacto seria mais severo entre os mais pobres. Um exemplo: poluição do ar mata 11 vezes mais pessoas que vivem em países com IDH baixo do que aquelas que vivem em outros países.

Além das advertências, o relatório descreve uma série de sugestões. A começar por um “pensamento mais arrojado”, principalmente às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Entre as sugestões está um imposto sobre transações monetárias para aumentar financiamento de ações que garantam um novo modelo de desenvolvimento e, principalmente estratégias de baixas emissões. Uma taxa de 0,005%, de acordo com relatório, poderia gerar receitas suplementares de US$ 40 bilhões.

Além do imposto, ele sugere parcerias público-privadas e um sistema de monitoramento das políticas. No relatório, o PNUD apresenta uma avaliação da situação ambiental de países, com taxas das emissões de gases efeito estufa per capita, poluição urbana e desflorestamento. / LÍGIA FORMENTI, LISANDRA PARAGUASSU E RAFAEL MORAES MOURA.

Leia na fonte

Licenciamento ambiental

01 de novembro de 2011 | 3h 04

O Estado de S.Paulo

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) desenvolveram em parceria um portal por meio do qual os empreendedores poderão requerer o licenciamento ambiental para atividades de baixo impacto e acompanhar cada etapa do processo pela internet. Com essa iniciativa, o governo paulista pretende unificar, modernizar e desburocratizar o licenciamento ambiental, tradicionalmente caracterizado pela lentidão, alto custo para o contribuinte e falta de transparência. Além do portal, também entrou em operação o Sistema Integrado de Licenciamento Ambiental (SIL) que reúne num só processo todas as exigências dos órgãos estaduais e municipais conveniados. Dessa forma, o empresário terá maior facilidade para obter as autorizações exigidas para lançar um novo empreendimento ou para renovar suas licenças ambientais.

Uma série de exigências constantes de leis aprovadas nos últimos anos para assegurar a proteção ao meio ambiente tem inibido muitos empreendimentos. Sem o licenciamento, empreendedores não podem ter o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). No ano passado, em discurso pronunciado na região do ABC paulista, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a lentidão do governo paulista para aprovar projetos públicos, como o de urbanização de favelas, que podem ajudar a melhorar a situação das pessoas que vivem em submoradias.

Têm sido frequentes as críticas aos procedimentos de concessão das licenças ambientais, complicados pela burocracia, o que aumenta os custos e, consequentemente, contribui para reduzir a competitividade dos empreendimentos. A opinião de especialistas no assunto e as experiências de outros países apontam para a necessidade de valorização dos procedimentos técnicos e simplificação dos trâmites burocráticos. A integração das informações e exigências dos diversos órgãos governamentais, a maior transparência, a modernização das estruturas, o fortalecimento da fiscalização e a participação popular completam as medidas que podem tornar mais ágil o processo de licenciamento ambiental.

O projeto desenvolvido atualmente pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente em parceria com a Fiesp está no caminho certo. Na primeira etapa, o lançamento do portal e do Sistema Integrado de Licenciamento indica a preocupação com a unificação, modernização e desburocratização do licenciamento ambiental no Estado. Há dois anos, uma pesquisa do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)mostrou que executivos de 80% das empresas gostariam de ser mais bem orientados nesses casos.

Já em 2009, quando a Cetesb incorporou as atividades do Departamento Estadual de Proteção a Recursos Naturais e do Departamento de Uso do Solo Metropolitano, um primeiro passo foi dado para a unificação do processo de licenciamento, pelo menos no que se refere às análises de instalações a serem erguidas em área de proteção ambiental.

Mas a remoção dos obstáculos enfrentados pelos empreendedores requer mais do que isso. Até a criação do Sistema Integrado de Licenciamento, que em breve vai se transformar numa espécie de Via Rápida da Empresa, eram necessárias incontáveis visitas, incluindo, além da Cetesb, a do Centro de Vigilância Sanitária, a da Secretaria de Estado da Saúde, o Corpo de Bombeiros, a Secretaria de Segurança e órgãos municipais. Tudo isso, agora, está integrado no caso dos licenciamentos ambientais considerados de baixo potencial poluidor (fabricação de conservas, estamparia, hotéis, entre outros).

A informatização do processo permitirá também aos profissionais da Cetesb concentrar-se mais nas atividades de fiscalização e no atendimento às demandas relativas às grandes fontes de poluição. Mais cem funcionários serão incorporados à companhia para ao mesmo tempo reforçar a vigilância e facilitar o atendimento a essa parcela dos empreendimentos e das indústrias de alto impacto.

Leia na fonte

Sustentabilidade

24/10/11

17/10/2011

País faz mais obras, mas diminui gastos com a conservação

Publicidade

CLAUDIO ANGELO

DE BRASÍLIA

O Brasil está fazendo mais obras de infraestrutura, mas está investindo menos recursos para proteger ambientes naturais impactados por elas.

A conclusão é de uma análise de economistas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Eles calculam que a proporção do orçamento do Ministério do Meio Ambiente no bolo da infraestrutura caiu de quase 6% para 2% nos últimos oito anos.

Editoria de arte/Folhapress

Segundo Carlos Eduardo Young e André Santoro, a verba para a pasta, excluída a folha de pagamento, tem se mantido estagnada em cerca de R$ 500 milhões pelo menos desde o ano 2000.

As dotações de outras pastas, como Transporte e Cidades, porém, explodiram: a primeira viu seus recursos crescerem 257% entre 2000 e 2010; a última, 558%.

A distorção se agravou após o início do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em 2007. “Não há nenhuma indicação de geração de recursos para o Ministério do Meio Ambiente, mesmo este sendo parte fundamental do setor”, escreve a dupla.

Mesmo quando são considerados os gastos ambientais de outros setores do governo –por exemplo, ações de despoluição da baía da Guanabara, a cargo do Ministério das Cidades-, Young e Santoro apontam estagnação: somadas, as verbas para controle e preservação ambiental do governo não chegaram a R$ 300 milhões em 2010.

O resultado, afirmam, é uma má gestão ambiental dos novos projetos. Após o PAC, a criação de novas áreas protegidas estagnou. E as que existem não encontram recursos para sua regularização fundiária –como a Folha mostrou em março, existe uma área equivalente à do Paraná em propriedades e posses privadas dentro de unidades de conservação.

“A criação de unidades de conservação depende de recursos pesados”, afirmou o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Gaetani. Ele admite que o Brasil “está devendo” nesse quesito.

Gaetani afirma que para 2012 houve um “aumento substancial” dos recursos para a pasta, mas diz que dinheiro só não resolve os problemas do ministério. “Mais do que orçamento, nosso problema é de gente”, prossegue.

De acordo com Gaetani, as atribuições do ministério cresceram nos últimos anos, sem que houvesse aumento correspondente no quadro. Desde 2009 tramita na Câmara um projeto de lei para ampliação do quadro de analistas ambientais do Ibama e do Instituto Chico Mendes.

Leia na fonte

Sustentabilidade

3/10/11

Siemens dá inicio à operação de sua nova área “verde”

Por Bettina Barros | De São Paulo

Busch, há 17 anos na Siemens, assume área com 80 mil funcionários e responsável por 27,6% do faturamento da empresa

Após meses de concepção e ajustes, a Siemens coloca em operação neste sábado – 1º de outubro, início do ano fiscal alemão – o seu novo setor de negócios voltado exclusivamente ao mercado “verde”. O Cidades e Infraestrutura nasce com 80 mil dos cerca de 100 mil funcionários da multinacional alemã no mundo, uma carteira de dezenas de centenas de produtos e respondendo a 27,6% do faturamento total do grupo.

À frente do novo setor estará o físico alemão Ronald Busch, 47 anos de idade, 17 deles de Siemens. Em entrevista exclusiva ao Valor, o executivo ressaltou por que as expectativas são altas e promissoras: “As grandes cidades do mundo deverão investir uma média de € 2 trilhões por ano no desenvolvimento de sistemas de energia, água e transportes nos próximos anos. O mercado de cidades representa em torno de € 300 bilhões para a Siemens”, diz ele. “Dedicar o foco do negócio a esses setores é fundamental.”

As cidades são um mercado atrativo não só para a Siemens, mas para qualquer um que faça negócios. Em nenhum outro lugar o crescimento econômico será tão acelerado daqui para frente. A consultoria Global Insight estima que até 2025 a expansão média das cidades será de 4,4% ao ano. O mundo vai crescer menos que isso – 3,5%. De acordo com a consultoria, metade da expansão econômica global já é gerada hoje pelas 600 maiores do mundo.

Com a nova estrutura operacional, quase 80% do portfólio relacionado a cidades – hoje distribuído em Indústria, Energia e Saúde – será levado para o quarto setor, desde soluções para transportes públicos até o “smart grid”, o sistema inteligente de distribuição de energia que moldará as cidades no futuro. Cinco divisões estarão sob o guarda-chuva desse setor: Mobilidade e Logística; Alta e Média Tensão; Tecnologias Prediais; Sistemas para Veículos sobre Trilhos e Smart Grid.

Sob o Cidades e Infraestrutura haverá também “account managers” específicos para o acompanhamento atento das necessidades de 60 cidades selecionadas pela Siemens. A ideia é que esses “gerentes de conta” estudem a fundo as deficiências urbanas e apresentem às autoridades municipais projetos de solução com a tecnologia Siemens, tal como faz com seus clientes empresariais.

Megacidades com mega problemas logísticos e energéticos, por exemplo, certamente estão na lista não divulgada oficialmente. Busch antecipa alguns nomes: Nova York, Chicago, Berlim, Munique (sede da Siemens) e Pequim. No Brasil, essa atenção maior será voltada no primeiro momento a São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, conhecida por suas soluções sustentáveis.

A empresa conta com a expertise e carteira de projetos internacionais para angariar contratos. As suas tecnologias estão presentes em 300 aeroportos, no gerenciamento de tráfego de Londres, na expansão do metrô de Buenos Aires, nos trens-bala da China, Alemanha e Espanha e na iluminação com LED no Rio. Além disso, a Siemens está criando três centros de referência global em soluções sustentáveis para exibir tudo o que lançar de mais avançado. Segundo o principal executivo, Peter Löscher, o primeiro deles será inaugurado em Londres e coincidirá com as Olimpíadas. Os outros dois serão na Ásia e nas Américas.

O lançamento neste sábado do Cidades e Infraestrutura é resultado de uma mudança de rota iniciada em 2007 pela matriz alemã. O setor dará profundidade à orientação de sustentabilidade que a cúpula da Siemens começou a imprimir ao grupo, e é também uma resposta à rápida expansão da demanda internacional por tecnologias “verdes”.

Leia na fonte

ONU tem que priorizar ambiente, afirma coordenador da Rio+20

Por Daniela Chiaretti | De São Paulo

Lalonde, sobre sustentabilidade e Rio+20: “Esta também é uma discussão sobre liderança, a liderança deste século”

As questões ambientais globais têm que chegar ao centro das decisões da Organização das Nações Unidas. As questões ambientais globais não podem ser discutidas apenas pelos governos – a sociedade deve pressionar. As duas afirmações poderiam ser de um ativista, mas pertencem ao coordenador-executivo da Rio+20, o francês Brice Lalonde, pessoa-chave na conferência sobre desenvolvimento sustentável que a ONU fará no Rio de Janeiro em junho.

O homem que Ban Ki-Moon, secretário-geral das Nações Unidas, escolheu para ajudar no processo, está no Rio para a Sustentável 2011, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), e falou ao Valor por telefone. A outra coordenadora é Elizabeth Thompson, de Barbados, no padrão da ONU de ter no mesmo posto alguém dos países desenvolvidos e também do mundo em desenvolvimento.

A primeira afirmação de Lalonde se relaciona com um dos pontos fundamentais em debate entre os representantes dos 193 países que virão ao Rio. As discussões sobre desenvolvimento sustentável são marginais na ONU. O Pnuma é, como o nome sugere, um programa – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. O Ecosoc – Conselho Econômico e Social – é um órgão central na organização, mas que jamais decolou.

A proposta europeia é de transformar o Pnuma em agência ambiental e de desenvolvimento sustentável – opção sem consenso porque muitos países temem que criar outra estrutura signifique mais custos. A outra ideia, defendida pelo Brasil, é fortalecer o Ecosoc. Lalonde não parece preocupado com o formato. “O importante é colocar o desenvolvimento sustentável no centro da ONU”, diz o ex-ministro do ambiente de Mitterrand e chefe da delegação francesa nas últimas conferências do clima.

“Tem que ter chefes de Estado”, continua. Ele lembra que ministros do Meio Ambiente estão em todos os debates internacionais sobre Clima e Biodiversidade, mas não é o suficiente. “Temos que ter um compromisso político mais forte.” Os chefes de Estado, diz, virão se a Rio+20 criar uma nova instituição e objetivos sustentáveis para 2030, nos moldes dos atuais Objetivos do Milênio, que expiram em 2015. As discussões giram em torno de criar metas para preservar oceanos, ter pesca sustentável, energias renováveis, justiça social, segurança alimentar, e por aí vai.

“Precisamos dos negócios para criar uma nova economia, precisamos dos governos locais, da sociedade civil, das ONGs, dos cidadãos, de todos”, continua. “Isso é absolutamente crucial.” Ele chama a todos que tenham propostas a participar do processo. E tem, como ideia original, a criação do que chama de “plataforma virtual colaborativa”, onde todos os atores poderiam participar. “O Brasil tem que entender que esta também é uma discussão sobre liderança, a liderança deste século.”

Leia na fonte