Sustentabilidade

26/09/11

Ações sustentáveis reduzem custos das companhias

Por Luciana Seabra, Vanessa Dezem e Daniela Chiaretti | De São Paulo

Ricardo Rolim, da Ambev, aguarda sinal verde da Anvisa para levar uma garrafa PET 100% reciclada aos mercados

Veja também: Uma boa Gestão dos Recursos Hídricos pode gerar grande economia para empresas

A Ambev, quarta maior cervejaria do mundo, mapeou seu gasto de água desde a plantação de cevada até o instante em que a lata de cerveja chega à geladeira do consumidor – e conseguiu reduzir em 27,2% o volume gasto para produzir cada litro de cerveja. A fabricante alemã de softwares corporativos SAP economizou US$ 170 milhões em três anos, com ações de sustentabilidade. Os ganhos fizeram eco em sua cadeia de clientes: a Nike reduziu em 10% o consumo de energia, a Goodyear, em 47% e a economia do Walmart foi de 20%. (mais…)

Brasil quer que a cúpula Rio+20 fixe metas ambientais

29/08/11

Por Daniela Chiaretti

Lyrio, do MMA: “Queremos assegurar espaços para que os atores da sociedade influenciem os processos decisórios”

O governo brasileiro espera 50 mil pessoas em junho de 2012, no Rio de Janeiro, quando acontece a Rio+20, a conferência das Nações Unidas que reedita o evento de 20 anos atrás, a Rio 92, também conhecida por Eco 92. Embora o Brasil não defina a agenda do evento, discutida previamente pelos quase 200 países da ONU, os esforços, agora, são de preparar um fórum sedutor o bastante para atrair um grande número de líderes estrangeiros e mostrar algum resultado no rumo do desenvolvimento sustentável.

Além de discutir os caminhos da economia verde no mundo, é possível que o evento produza metas similares aos Objetivos do Milênio, mas que mirem 2030 e versem sobre água, energia ou inovação tecnológica, por exemplo. Outra novidade seria indicar que a referência atual de vigor econômico, o Produto Interno Bruto (PIB) deveria ser revista para contemplar aspectos sociais e ambientais. Como efeito colateral, reconhece Fernando Lyrio, assessor extraordinário para a Conferência Rio+20 do Ministério do Meio Ambiente, há também a redenção na credibilidade do sistema multilateral das Nações Unidas. “Não pode haver vencedores e perdedores em um processo como o da Rio + 20, porque corre-se o risco de gerar pouca apropriação dos resultados.”. Abaixo, trechos da entrevista que ele concedeu ao Valor:

Valor: Economia verde é o grande tema da Rio+20?

Fernando Lyrio : Há dois grandes temas para a conferência. Um deles é o da economia verde no contexto da erradicação da pobreza. O outro, a estrutura das Nações Unidas para viabilizar o desenvolvimento sustentável no mundo. É um debate sobre o que tem que ser mudado ou adaptado no nível institucional da ONU. Existe hoje uma proposta, basicamente europeia, de criação de uma agência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, mas não há consenso.

Valor: Porque não?

Lyrio : Os europeus acham que a gestão ambiental na ONU tem que ser favorecida. Propõem transformar o PNUMA, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em agência.

?”A Rio+20 não é uma conferência de meio ambiente. Está em jogo um novo modelo de desenvolvimento do planeta?”

Valor: E o Brasil, o que acha?

Lyrio : O Brasil não favorece essa ideia porque entende que, sem prejuízo do reforço da gestão ambiental no âmbito da ONU, esta não é uma conferência de meio ambiente, mas de desenvolvimento sustentável. Não é só discutir a água, mas o acesso a água, a questão econômica, os múltiplos usos. É o acesso à energia, o tipo de energia, o custo. As questões têm que ser tratadas de maneira integrada, não de maneira estanque. Hoje, na ONU, há uma área de meio ambiente, outra de energia, outra de água, estes temas são tratados em diversas instâncias o que gera sobreposição de tarefas e vácuos. Falta coerência e organização.

Valor: E uma agência resolveria?

Lyrio: Não necessariamente. É como criar um ministério de desenvolvimento sustentável no Brasil. Não funciona, tem que ser transversal. Além disso, vários países não gostam da criação de uma nova agência porque seria gerar custos financeiros novos. Mas o Brasil acha que é preciso uma instância de governança politicamente qualificada e hierarquicamente elevada para orientar as diversas agências da ONU neste assunto.

Valor: O que seria?

Lyrio : As soluções não são muito claras. Pensamos em uma instância de coordenação das ações de desenvolvimento sustentável na ONU. Um dos órgãos máximos da ONU é o Conselho Econômico e Social, o Ecosoc, criado no pós-guerra. Mas o mundo mudou nestes 50 anos, temos hoje uma realidade onde os modelos de desenvolvimento pedem novos olhares. Achamos que o Ecosoc é um lugar adequado para esta instância de coordenação.

Valor: E a economia verde?

Lyrio: Este é o grande lance. Mas é um tema cuja definição e conceitos são amplos e pouco consensuais. Cada um entende diferente do outro. Pensamos em um processo de desenvolvimento que contemple a ideia de uma economia inclusiva e viável. Uma das possibilidades da Rio+20 é revisar a métrica de progresso dos países.

Valor: Porque alguns países não concordam com o termo economia verde?

Lyrio : Não é que não aceitem. Se for no contexto de sustentabilidade e erradicação da pobreza, tudo bem. O medo é que restrinja seu desenvolvimento. Aquele medo permanente de barreiras comerciais não tarifárias travestidas de condicionantes ambientais e sociais. A maior parte dos países em desenvolvimento tem muita preocupação com isso. Mas é preciso ver que a Rio+20 é uma conferência sobre desenvolvimento, sobre desenvolvimento sustentável. Os temas ambientais só vão avançar quando se tiver uma discussão ampliada. Não estamos falando de conservação ambiental mas de um processo muito maior. É sobre conceber para o Brasil e para o planeta estratégias de desenvolvimento. O que está em jogo é o modelo de desenvolvimento do planeta.

?”Um efeito colateral poderia ser redimir a credibilidade no sistema multilateral das Nações Unidas?”"

Valor: Sobre a métrica, a Rio+20 indicaria algo novo?

Lyrio : Não há tempo para fechar nada até lá. Mas poderia se reconhecer a limitação atual, que o PIB não reproduz uma medida de desenvolvimento. O PIB hoje é o principal instrumento de mensuração de progresso do planeta. Mas é, do ponto de vista do desenvolvimento sustentável, insuficiente porque mede progresso econômico única e exclusivamente. Não entra em considerações sociais, ambientais, nada disso. Há várias propostas já discutidas no passado, que tem méritos, mas que, na prática não emplacaram. O presidente Nicolas Sarkozy chamou o economista Joseph Stiglitz para fazer um trabalho nesta linha, há várias coisas em curso. O governo brasileiro tem pensado nisso, em um novo parâmetro de mensuração do progresso que leve em conta aspectos sociais, de escassez ecológica. Mas não há uma proposta formal, é apenas uma ideia que está na mesa.

Valor: Como será a agenda da Rio+20?

Lyra : A conferência em si foi convocada para os dias 4,5 e 6 de junho, quando virão os chefes de Estado. Há todo um processo preparatório internacional e nacional em curso para ela acontecer. Mas é importante saber que o fato da conferência ser no Rio dá pouca governança ao Brasil sobre a sua agenda. A Rio+20 é uma conferência da ONU, o Brasil se ofereceu para ser sede dela. A discussão da agenda, de tudo o que vai acontecer, e como, está ocorrendo em Nova York e tem que ser acordado por todos os países das Nações Unidas.

Valor: Como acontece a participação brasileira?

Lyrio : No dia 1º de novembro todos os países deverão apresentar, por escrito, suas visões e ideias para o que se quer que a Rio + 20 seja. Governo, grupos empresariais, ONGs, todos podem apresentar suas propostas. O Brasil está hoje no processo de preparação das posições brasileiras. Dentro do governo estamos começando discussões sobre contas públicas, sobre instrumentos econômicos, falando de erradicação da pobreza, de muitas coisas além da biodiversidade e mudança do clima do ponto de vista ambiental em estrito senso.

Valor: Mas como vai ser isso? Empresas têm demandas, ONGs têm demandas, todos têm as suas…

Lyrio Os diversos segmentos da sociedade fazem parte da comissão nacional e o Brasil fechará um documento que tentará refletir toda essa gama de interesses. Só que o Brasil apresentará o documento com quase 200 outros países. O secretariado da ONU irá pegar todas as propostas e transformar em um documento único, que será o documento de negociação, a base das conversas daquilo que iremos aprovar como resultado da Rio +20.

Valor: É por isso o Brasil tem pouca governança sobre a agenda?

Lyrio : Do ponto de vista formal da agenda, o Brasil tem pouca governança. Mas do ponto de vista político pode mobilizar, conscientizar, ressaltar a importância do debate. Isso tem sido feito em diversos fóruns, com a presença da presidenta Dilma Rousseff e de vários ministros. Para o Brasil é importante que esta conferência seja bem sucedida.

Valor: Mas o momento é complicado. Ela também é um balanço do que se fez, ou não se fez, nestes 20 anos, desde a Rio 92?

Lyrio : O momento, que você diz que é complicado, eu chamo de diferente. Não dá para comparar a Rio+20 com a Rio 92.

Valor: Porque não?

Lyrio : São dois momentos muito diferentes. Quando a Rio 92 aconteceu havia um movimento mundial, estava se seguindo à queda do muro de Berlim, havia uma grande abertura multilateral. Havia forte expectativa de acordos como a Convenção de Biodiversidade e a Convenção sobre Mudança do Clima serem aprovados. A Rio 92 acabou representando uma oportunidade rara, foi uma conferência muito bem sucedida.

Valor: E hoje?

Lyrio : Hoje há grandes dúvidas sobre o multilateralismo como solução, mas o Brasil acredita nele como encaminhamento dos problemas globais. Entendemos que um dos resultados que a Rio+20 deve oferecer ao mundo é uma redenção de credibilidade no sistema multilateral das Nações Unidas. Hoje vive-se uma clivagem Norte-Sul que é perversa, aquela coisa de apontar o dedo “isso é culpa dos países desenvolvidos, que não puseram dinheiro”. Esta clivagem não é construtiva e não gera consenso. E o problema dos processos da ONU é que trabalha-se por consenso e não por votação, como no Congresso Nacional. E consenso é muito difícil de se conseguir quando se trata de 200 países com realidades sociais, ambientais, políticas e econômicas muito diferentes.

Valor: O que sairá da Rio+20?

Lyrio : Como efeito colateral, redimir um pouco a credibilidade no sistema da ONU. Qualquer coisa que saia de lá tem que ser aceitável e adequado para todos os países. Não pode haver vencedores e perdedores em um processo como o da Rio + 20, porque corre-se o risco de gerar pouca apropriação dos resultados.

Valor: O que o Brasil quer?

Lyrio : Há algumas coisas na mesa. Temos hoje uma discussão, que pode avançar bastante, de a Rio+20 ter objetivos de desenvolvimento sustentável do planeta. É uma proposta da Colômbia. Da mesma maneira que tivemos os objetivos do desenvolvimento do Milênio, ter metas de desenvolvimento sustentável. É adotar um conjunto de indicadores e de metas para os próximos 20 ou 30 anos. Quais serão estes indicadores, teremos que negociar. Mas o foco do Brasil, nesta conferência, tem sido o da inclusão social e da redução da pobreza, prioridades do governo brasileiro.

Valor: O que poderiam ser?

Lyrio : Água, resíduos sólidos, instrumentos financeiros, conservação da biodiversidade, compras públicas. Poderia ser algo como adotar tanto % de energias renováveis até tal ano ou estratégias de sustentabilidade para as compras públicas.

Valor: Não seriam metas vagas…

Lyrio : Não. Por exemplo, temos conversado muito sobre compras públicas. Em todos os países do mundo, principalmente nos em desenvolvimento, o Estado é o maior comprador. Tem uma capacidade muito grande de indução, de orientação dos mercados. Se o Estado puder orientar a produção, nas rota da sustentabilidade, já é um ganho fantástico. Há indicadores sendo imaginados. Quando se fala de energia, o componente social é ter acesso à energia. É importante que toda a população do planeta tenha acesso a condições dignas de vida e isso inclui energia, água, alimentação. Mas o acesso à energia tem que ser ambientalmente adequado. Não pode então, para dar acesso a energia a todo mundo encher tudo de termoelétricas. E tem que ser viável economicamente, com escala.

Valor: O que mais a conferência pode produzir?

Lyrio : A conferência começa dia 28 de maio e dura dez dias. De 28 a 30 de maio ocorre a última das reuniões preparatórias, com os negociadores. Depois, de 31 a 3 de junho pensamos em ter oito grandes painéis, sobre temas relevantes à agenda da conferência e que informem o debate dos chefes de Estado. Vamos convidar personalidades mundiais, com relevância sobre assuntos como água, energia e outros. Esta é uma proposta brasileira. Além disso queremos pensar uma maneira que assegure maiores espaços para os atores não governamentais que cada vez tem mais influência no mundo, como o setor privado, os setores sociais, ONGs. Estamos imaginando como eles podem se fazer representar e se colocar de forma a influenciar os processos decisórios. É uma questão complexa, porque não vai se alterar o sistema das Nações Unidas, mas é algo que o Brasil quer fazer.

Leia na fonte

Cidades ganham programa de sustentabilidade

22/08/11

O Globo – 18/08/2011

Autor(es): agência o globo: Adauri Antunes Barbosa

Proposta do projeto é obter compromissos dos candidatos a prefeito nas eleições de 2012

SÃO PAULO. Para estimular as cidades brasileiras a adotarem projetos que levem ao desenvolvimento econômico, social e ambientalmente sustentável, será lançado amanhã, em São Paulo, o Programa Cidades Sustentáveis, um conjunto de propostas e ferramentas para convencer e comprometer candidatos a prefeito nas eleições de 2012. A ideia inédita da Rede Nossa São Paulo, da Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis e do Instituto Ethos é fazer com que prefeitos e administradores municipais participem de uma rede de boas práticas.

- Primeiro vamos fazer uma campanha de convencimento de que é bom aderir ao programa, que tem 12 eixos temáticos. Esses temas serão assumidos como compromisso pelos candidatos a prefeito, que firmarão metas com indicadores – explica Oded Grajew, da Rede Nossa São Paulo.

O programa que será lançado amanhã é uma continuidade da Plataforma Cidades Sustentáveis, um banco de dados com práticas exemplares e políticas bem-sucedidas de sustentabilidade urbana, desenvolvido desde o ano passado. Com a experiência adquirida, o programa inova ao apresentar ferramentas para que o candidato e futuro administrador possa desenvolver projetos que também serão acompanhados pela comunidade.

Embora 37 cidades já façam parte da Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, criada em 2008, o Programa Cidades Sustentáveis tem proposta diferente.

- O programa é mais denso porque parte de um diagnóstico, passa por metas e prestação de contas. E tudo com a participação direta da sociedade e de parceiros como OAB, Unicef e outros – conta Grajew.

Uma das bases do programa é uma carta-compromisso inspirada na Carta de Aalborg (Dinamarca), um pacto com o desenvolvimento sustentável assinado por mais de dois mil municípios europeus. Os compromissos são com a participação da comunidade local na tomada de decisões, a economia urbana preservando os recursos naturais, a equidade social, o correto ordenamento do território e a mobilidade urbana, entre outros. Dois eixos foram acrescentados no Brasil: cultura e educação para a sustentabilidade e qualidade de vida.

Leia na fonte

Sustentabilidade

13/06/11

Empresas brasileiras avançam na busca pela sustentabilidade

Autor(es): Carlos Vasconcellos | Para o Valor, do Rio

Valor Econômico – 06/06/2011

Gestão: Especialistas analisam a atuação dos empresários e dizem ser preciso avançar mais

Busca por eficiência energética, mudança climática, redução de emissões de gases do efeito estufa passaram a fazer parte do vocabulário dos executivos do país nos últimos anos. Até que ponto o discurso e a prática ambiental das empresas no Brasil evoluíram de forma consistente? Para Bárbara Oliveira, coordenadora do Programa de Sustentabilidade Global do Centro de Estudos da Sustentabilidade da FGV-Eaesp, o avanço é real. “Os líderes empresariais brasileiros percebem a complexidade da questão, a responsabilidade coletiva em relação ao meio ambiente e os riscos a gerir”, avalia. É pouco. “Precisamos avançar a passos mais largos”, afirma.

“A questão ambiental deve ser incorporada em todos os processos e em todas as áreas”, continua. “Deve envolver as pessoas da diretoria ao chão da fábrica e incluir toda a cadeia de fornecedores”, enumera. “Em resumo: precisa ser levada em conta em todas as decisões.” E, para ela, o ambiente de negócios no Brasil ainda está longe de chegar a esse nível de consciência. “É muito comum olhar o meio ambiente só do portão da fábrica para dentro”, diz. “Ou esquecer que tudo tem um impacto. Não adianta reduzir emissões de CO2 e triplicar o gasto de água, por exemplo.”

Apesar desses desafios, ela não acredita que o Brasil esteja atrás dos outros países na construção de um modelo de economia verde. “No momento, todos estão em busca desse modelo de sustentabilidade.” A responsabilidade por sua criação, no entanto, não deve recair unicamente sobre as empresas. “Todos precisam se envolver. Os consumidores precisam dar preferência aos produtos sustentáveis, as autoridades precisam estimular a sustentabilidade nos negócios, com incentivos positivos para ações ambientais voluntárias”, explica Bárbara.

Suzana Khan, professora da Coppe-UFRJ e vice-presidente de Mitigação do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), concorda. “O governo deve atuar no sentido de redirecionar o modelo de desenvolvimento”, afirma. Ela propõe ações práticas. “Não seria o caso de criar impostos, mas de estabelecer uma espécie de redução, de tributos verde, para diferenciar as empresas em função da pegada de carbono, por exemplo”.

Suzana também acredita no poder dos consumidores. “As empresas vão atender à demandas dos clientes. Se eles quiserem carros ecológicos, com baixa pegada de carbono, as montadoras vão correr atrás, para ficarem mais competitivas”, diz. Sem falar na força dos protestos, amplificados na era das redes sociais. “A informação e educação da sociedade são importantes. Quando as pessoas são ativas em defesa do ambiente, as empresas se assustam e andam mais rápido.”

Já Sérgio Leitão, diretor de campanhas da organização não-governamental Greenpeace no Brasil, acredita que o País está patinando na questão ambiental. “As empresas mais avançadas ainda se limitam aos processos produtivos em si, não enxergam o panorama geral”, critica. “Ainda estão no pré-primário da responsabilidade ambiental.” Segundo ele, muitas empresas atuam publicamente em projetos ambientais, mas depois lutam contra os avanços no controle dos danos ao meio ambiente. “Foi o que vimos no debate do novo Código Florestal, ou na Federação das Indústrias de São Paulo, com o claro bloqueio às leis nacionais e estadual contra a emissão de gases do efeito estufa.”

“Infelizmente, estamos retornando à velha tese que opõe desenvolvimento e preservação ambiental.” Segundo ele, no entanto, o País não está se dando conta disso. “Na prática, as empresas estão usando o verde como um decalque de marketing e a agenda corporativa vai na contramão da economia de baixo carbono.” Para Suzana, o motivo pelo qual a mudança é lenta é o custo. “A expectativa é de que o processo de adaptação no mundo corporativo fique mais rápido, à medida que aumentem a percepção social do problema e os impactos econômicos que ele traz”, explica. E alerta: é bom que as empresas fiquem atentas aos desdobramentos desse novo cenário, em que o meio ambiente também virou arma na guerra do comércio mundial.

Leia na fonte

HSBC amplia portfólio de “seguro verde”

Bettina Barros | De São Paulo

06/06/2011

O HSBC Seguros prepara para o segundo semestre uma ampliação de seu portfólio de negócios relacionados às mudanças do clima, que além de criar novas fontes de receita ao banco também tem a pretensão de “educar” a população no combate aos problemas ambientais do planeta.

Até novembro, o banco deverá disponibilizar cinco novos produtos: “check-ups” ambientais e assistência de limpeza pós-enchente para residências e automóveis, além do serviço de SMS, no qual o cliente receberá informações por celular sobre as melhores rotas viárias em dias de chuvas e inundações. No caso dos diagnósticos ambientais, os clientes receberão visitas nas quais especialistas contratados pelo HSBC indicarão formas de economizar água e luz, por exemplo, ou de emitir menos poluentes, no caso dos automóveis.

Esses futuros serviços somam-se a duas opções “verdes” de seguros já existentes: o residencial e o de carros, que destinam R$ 30 por apólice vendida a projetos de preservação florestal na Mata Atlântica. De acordo com o CEO do HSBC Seguros, Fernando Moreira, em cinco anos de programa foram vendidas 600 mil apólices, gerando cerca de US$ 90 milhões em prêmios no país.

A apresentação dos novos produtos foi feita durante a abertura do Ano Internacional das Florestas, na sexta-feira, em São Paulo, com a presença de Jan McAlpine, diretora da Divisão das Nações Unidas sobre Florestas. Trata-se também da mais recente aposta do HSBC em um mercado cada vez mais cobiçado pelas instituições financeiras brasileiras.

“O lucro do HSBC será marginal, mas não vamos perder dinheiro com isso”, afirma Moreira, lembrando que banco não faz filantropia e que sustentabilidade, em seu conceito clássico, engloba questões sociais e ambientais, mas econômicas também.

A lógica nesse negócio é a do ganha-ganha. Ao mesmo tempo em que cria serviços oportunos, conectados com a mudança incontornável do clima, utiliza parte (ainda não definida) dos recursos para manter o que sobrou da mata nativa de pé. Bom para o banco, bom para a sociedade.

Esse tem sido, nos últimos anos, um desafio para os bancos: fazer da sustentabilidade algo lucrativo. No caso do HSBC, que passou a jogar pesado numa arena até então dominada pelo ABN Amro Real, a reorientação política tem o objetivo anunciado de “tornar a empresa um modelo na prática de sustentabilidade”.

Com o programa Desmatamento Evitado, clientes da seguradora ajudaram a preservar 2 mil hectares de florestas no Paraná e em Santa Catarina. Isso representa um estoque de carbono de 275 mil toneladas. Com a criação dos novos negócios, a expectativa é dobrar a área até 2015.

O trabalho é realizado em parceria com a SVPS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental), de Curitiba, responsável pela identificação de propriedades rurais com florestas a serem preservadas.

A ideia agora é ampliar o trabalho para os demais biomas brasileiros. Dessa forma, o cliente poderá, no ato da contratação do serviço, escolher onde deseja ver seu dinheiro investido – na preservação florestal da Mata Atlântica, Amazônia, Caatinga, do Cerrado ou dos Pampas.

Leia na fonte